segunda-feira, maio 07, 2018

Grêmio campeão de tudo?

Uma temporada não se faz com onze jogadores, nem com trinta. Além do chamado time titular, o segredo é ter no banco de reservas umas quatro ou cinco peças que joguem com frequência, sem que o nível da equipe caia muito. Ou seja, uma temporada se faz com cerca de 15 ou 16 jogadores (e um pouco de sorte, pois uma lesão grave de um jogador chave pode comprometer o desempenho no ano).

No caso do futebol brasileiro, o calendário é uma barreira a mais (talvez a pior). Em função da existência dos estaduais - essa coisa do século passado - os jogos são pouco espaçados e o desgaste é maior. Enquanto as principais ligas da Europa com 20 clubes (38 rodadas) são disputadas em 40 semanas, por exemplo, o Brasileirão é disputado em 30. Faça as contas. Não precisa ser um gênio para entender o malefício que isso traz. Portanto, sim, essa bizarrice que é o calendário brasileiro precisa sempre ser levada em conta nas análises, ainda mais quando a intenção é falar sobre elenco. Agora, dito isso, diria que o segredo é ter 15 ou 16 jogadores dividindo os minutos da temporada.

No caso do Grêmio, essas peças regulares devem ser Jailson, Cícero, Alisson e Jael. Jailson pode dar uma folga para a dupla de volantes Maicon e Arthur, Cícero é o cara ideal para ocupar a posição de Luan entre linhas, Alisson pode dar descanso tanto para Everton quanto para Ramiro (ele faz as duas beiradas) e Jael é a sombra de André (lembrando que Ramiro e até Cícero podem operar na linha dos volantes). Evidentemente que outras posições também precisam de revezamento, em especial as laterais, mas esses quatro devem ser o "12º jogador" e devem entrar com mais frequência que os outros.

O que não pode acontecer é 100% do time titular ser poupado. O rodízio é necessário para se chegar, na medida do possível, bem física e mentalmente ao final da temporada, porém ele precisa ser feito de maneira equilibrada. Dependendo da exigência da próxima partida e do desgaste no momento, poupa-se dois aqui, três ali, e assim vai se administrando a temporada. O que não pode é 100% dos titulares serem eventualmente poupados. Assim como não é aconselhavél colocar o "12º jogador" somente no segundo tempo dos jogos, porque dessa maneira ele não se sente importante. Ele tem que ser titular eventualmente num time composto por, sei lá, 70% dos titulares. Ele não quer ter 90 minutos apenas naqueles jogos onde o time em campo é o dito reserva na sua totalidade. Para se sentir importante e manter um bom nível de competitividade mesmo sendo um "reserva", às vezes é preciso começar a partida com os melhores.

Se Arthur ficar até dezembro e Renato aprender a rodar o elenco, o Grêmio pode sim conquistar o triplete em 2018. O entrosamento, a continuidade do trabalho, o comando, a experiência, a qualidade dos principais jogadores, o estilo de jogo e o encaixe da equipe são fatores que permitem sim ao Grêmio mirar os títulos do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil. É difícil, claro, mas não impossível, pois o time joga o futebol mais eficiente e atraente do país. Para que isso possa se tornar realidade, contudo, Renato tem que rodar o elenco com mais equilíbrio.

PS: Um clube do sul jamais foi campeão brasileiro na era dos pontos corridos (veja aqui a lista dos vencedores desde 2003). Por essas e outras, na minha visão esse deveria ser o foco do Grêmio neste ano.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Onde entram os principais reforços

Coutinho (25 anos)

É o substituto de Iniesta no longo prazo. Vai assimilar o DNA Barça, aprender a controlar e cadenciar a partida, e ainda agregar aceleração, drible e tiro de longa distância. Ainda que a passagem de bastão não ocorra da noite para o dia, Coutinho chega para atuar na do Iniesta, na beirada esquerda do 4-4-2 de Valverde. Ou melhor, a partir da beirada, já que Coutinho é mais meia do que ponta e naturalmente, sendo destro, a partir da esquerda, busca a faixa central para fazer o seu jogo. Assim como Iniesta.



Quanto à beirada direita, apenas uma sequência de lesões tira a titularidade de Dembélé. Logo, resta saber quem será o parceiro de Busquets na dupla de volantes. Rakitic? Paulinho? Arthur chega no meio do ano e assume essa posição? Vamos ver. E em relação à lateral direita, hoje Sergi Roberto está na frente de Semedo. De qualquer forma, está evidente que Coutinho, o grande reforço desta janela, chega para assumir esse lado esquerdo (embora ele também possa ser utilizado à direita, quando Dembélé estiver fora).

Alexis (29 anos)

Foi o chamado chapéu. Alexis no City era certo desde a última janela de verão, mas aos 45 do segundo tempo o United entrou no leilão, o City caiu fora, e o craque chileno acabou no time vermelho de Manchester. A pergunta é: onde ele vai entrar? Provavelmente na ponta esquerda. Como sabemos, Alexis Sánchez pode jogar em alto nível tanto na ponta direita quanto como centroavante (ou atrás dele). Mas, até por ser destro, ter o drible para dentro, ter passe e arremate (jogador completo), a ponta esquerda é a sua praia, é onde seu potencial é melhor explorado.



O duro é que Martial está voando, e sua praia também é a beirada esquerda. Contudo não vejo Alexis, a grande contratação desta janela inglesa, sendo "sacrificado" em nome de Martial. É mais fácil o contrário acontecer, seja com Martial aberto na direita, ou no banco. Particularmente eu tenho na cabeça que agora Martial é o reserva de Alexis, Rashford é o reserva de Lukaku, e a beirada direita segue com Mata, que teve seu contrato ampliado nesta terça-feira (acabaria em junho de 2018 e agora vai até junho de 2019). Até para aproveitar a locomotiva Valencia, não vejo Mourinho abrindo mão do canhoto Mata a partir da direita, buscando o corredor central para armar e deixando o flanco para o lateral equatoriano. Isso tudo no 4-1-4-1, a estrutura tática mais indicada para tirar o melhor do melhor jogador do time: Paul Pogba.

Um 4-4-2 em linha/4-2-3-1, sem dúvida, também é uma ótima alternativa, com Matic e Pogba na dupla de volantes, Mata à direita, Martial à esquerda, mais Alexis próximo a Lukaku. Mas insisto: ter Pogba no elenco e não jogar no 4-1-4-1 é, digamos, burrice.

Mkhitaryan (29 anos) Aubameyang (28 anos)

Como encaixar Özil, Mkhitaryan, Aubameyang e Lacazette no mesmo XI? No 3-4-3 que se tornou o padrão de uns tempos para cá, impossível. A não ser que Mkhitaryan ou Özil atue na linha dos volantes, impossível (o que não seria uma ideia sensata). Portanto, Wenger deve, imagino eu, voltar ao seu esquema de toda vida: o 4-2-3-1. Um 4-4-2 em linha com Özil e Mkhitaryan abertos ou até mesmo um 3-5-2 com ambos de interiores também podem ser opções, porém estou convicto - e posso estar errado - de que Wenger vai voltar ao 4-2-3-1. A pergunta é: com Özil ou Mkhitaryan por dentro? Quem por dentro e quem por fora? E na referência? Lacazette ou Aubameyang?



Aubameyang fez milhares de gols com a camisa do Dortmund jogando como centroavante. No entanto, na temporada 2013/14, antes de Lewandowski ir para o Bayern, ele jogou na ponta direita, naquele time que tinha Mkhitaryan por dentro e Reus na ponta esquerda (4-2-3-1). Ou seja, não seria novidade para o gabonês atuar aberto. Sem falar que o Arsenal já conta com Lacazette como nove. E ainda que o francês também tenha facilidade para trabalhar longe da área, entre ele e Aubameyang, faz mais sentido ter Aubameyang na beirada do que Lacazette. Agora, é importante lembrar que rodar o elenco é preciso, que jogadores se machucam, são suspensos e não jogam todas. Quando Lacazette estiver fora por um motivo ou outro, Aubameyang imediatamente vira o centroavante da equipe.