sábado, janeiro 31, 2015

Às vezes o melhor caminho é o óbvio

O treinador tem de se adaptar ao elenco, e não o contrário. Essa é uma máxima clássica do futebol. Máxima da qual, aparentemente, van Gaal não segue a ferro e fogo. Nessa temporada ele tem feito do Manchester United uma espécie de laboratório para suas esquisitices – com todo respeito. Ou melhor. Reformulando. Ele deve ter lá seus motivos para fazer as escolhas que faz. Não deve inventar só por inventar. Claro. Eu, porém, no alto das minhas limitações, confesso que não compreendo algumas delas, para não dizer muitas. Escolhas como, por exemplo, escalar Di María pela faixa central. Ou escalar Di María mais avançado do que Rooney. Ou como optar por três zagueiros numa rodada e linha de quatro na outra. E por aí vai.



Em duas oportunidades, recentemente, a equipe se estruturou taticamente num 3-5-2, uma vez com Di María e van Persie no ataque, outra vez com Di María e Falcao no ataque. Ambas com Rooney no meio campo. Por mais que Rooney seja extremamente polivalente, um craque que rende em alto nível em diferentes posições, essa escolha na faz sentido. Pelo menos não na minha cabeça. É até óbvio, na verdade. Se você tem Di María e Rooney no mesmo XI, naturalmente o camisa 10 deve jogar mais perto do gol do que o camisa 7. Mas não é o que acontece. Neste sábado, por exemplo, diante do lanterna Leicester, em casa, o time se estruturou no 4-4-2 em losango, com Di María atrás da dupla de ataque formada por van Persie e Falcao, enquanto Rooney foi um dos carrileros, pela direita (Januzaj foi o outro, pela esquerda, e Blind foi o cabeça de área, além de Valencia, Jones, Rojo e Shaw na linha defensiva).

O que mais me incomoda em relação às escolhas de van Gaal quanto a Di María, no entanto, não é seu posicionamento à frente ou atrás de Rooney. O que mais me incomoda é a não utilização dele pela beirada, uma vez que Di María pode ser considerado o melhor winger do mundo – em especial pelo que fez no Real Madrid 2013/14. Ainda assim, ainda que com o melhor winger do mundo em mãos, van Gaal geralmente o utiliza pela faixa central, seja no 3-5-2, seja no 4-4-2 em losango ou noutro sistema. Ora! Por onde anda o bom e velho 4-4-2 em linha, adotado por tantos e tantos anos por Ferguson? Cadê? O que custa treinar e botar para jogar o time no bom e velho 4-4-2 em linha? Pois, até que se prove o inverso, o melhor esquema para acomodar Di María e os dois atacantes (van Persie e Falcao ou van Persie e Rooney) é o bom e velho 4-4-2 em linha. Obviamente, com o canhoto Di María numa das beiradas. Van Gaal, todavia, parece-me não ser muito fã de obviedades. Quando, na verdade, às vezes o melhor caminho é o óbvio.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

O melhor Neymar ainda está longe

Sou suspeito para falar de Neymar no Barcelona porque desde fevereiro de 2010, quando o craque brasileiro estava despontando no cenário nacional com a camisa do Santos, eu já o “pedia” no clube catalão, vide este post intitulado “Pep e o ponta ideal”. Nele, escrevi: “Messi de um lado, Neymar do outro, Ibrahimovic por dentro... Nada mal.” Cinco anos depois, consumado o retorno de Messi à ponta direita no time de Luis Enrique, hoje o desenho é exatamente esse, com Suárez no lugar de Ibrahimovic.



Quando digo que Neymar Jr é o maior ponta-esquerda do Barcelona desde Ronaldinho, não estou exagerando. Desde a saída de Ronnie, passaram pela ponta esquerda do Barça jogadores como Henry, Villa, Pedro, Bojan, Tello e Cuenca. Salvo engano, foram esses os seis nomes a ocupar aquele canto do campo de lá para cá. E nenhum deles chega aos pés de Neymar. Ou melhor, quem mais se aproxima dele é Henry, claro. Contudo, convenhamos, o Henry do Barcelona não era o Henry do Arsenal. Portanto, embora seja apenas sua segunda temporada com a camisa azulgrená, pode-se afirmar sem medo de ser feliz: Neymar é o maior ponta-esquerda do Barcelona desde Ronaldinho.



Na temporada passada, a primeira de Neymar pelo Barcelona, sob o comando de Tata Martino e suas questionáveis escolhas (como colocar Neymar e Alexis para brigarem pela ponta direita, só para escalar Iniesta aberto na esquerda), ele marcou 15 gols em 41 jogos. Uma média relativamente boa, considerando que era sua primeira temporada e que diversos problemas extracampo, sem dúvida, o atrapalharam (Sandro Rosell, polêmicas quanto aos valores de sua transferência, etc). Já na segunda temporada, a atual, totalmente adaptado ao futebol europeu, entrosado com Messi e cia, sentindo-se em casa, Neymar no momento soma nada menos do que 21 gols em 25 partidas (Liga, Copa do Rei e Champions League). Uma média excelente para um atleta prestes a completar 23 anos.

Porque ainda tem isso. Tem esse detalhe. Neymar tem somente 22 anos. Faz 23 agora em fevereiro. Ou seja, está longe do seu auge. Partindo do princípio de que o jogador de futebol profissional atinge seu ápice na carreira por volta dos 27, 28 anos de idade, Neymar em tese está a quatro ou cinco anos do seu clímax. Em outras palavras, esse Neymar de 21 gols em 25 jogos pelo Barcelona 2014/15 ainda está longe do melhor Neymar. O melhor Neymar, na teoria, deve aparecer lá pela Copa da Rússia. E o melhor Neymar, não sei se em 2017, 2018, 2019, é/será o principal candidato a quebrar a hegemonia Messi-CR7 na Bola de Ouro. Resta-nos aguardar para conferir, desfrutando semanalmente de seus bailes na ponta esquerda do Barcelona.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Chelsea na final da Copa da Liga

José Mourinho promoveu duas alterações em relação ao jogo de ida. Na partida desta terça-feira, disputada no Stamford Bridge, o zagueiro Zouma entrou na vaga de Cahill e o meia Oscar entrou na vaga de Mikel. Postado no 4-2-3-1 rotineiro, dessa maneira o Chelsea voltou a atuar com sua formação habitual da temporada, com Willian, Oscar e Hazard na linha de três, além de Fàbregas mais recuado, ao lado de Matic (no segundo tempo Ramires entrou no lugar de Fàbregas, sem mudanças na estrutura tática).

Confira aqui o post sobre o jogo de ida.

Já Brendan Rodgers repetiu o XI do jogo de ida, na semana passada, quando o Liverpool, apesar do 1 a 1 (gols de Hazard e Sterling), foi superior ao rival, em especial na segunda etapa. Distribuídos no 3-6-1 que vem sendo utilizado há mais de um mês, Lucas, Henderson, Gerrard e Coutinho compuseram o quadrado do meio campo, enquanto Markovic (depois Henderson) e Moreno jogaram nas alas, e Sterling no comando do ataque, além da zaga formada por Can, Skrtel e Sakho (depois Johnson). Essa repetição do treinador dos Reds, aliás, tem a ver com o ótimo momento vivido pela equipe. Embora o Chelsea tenha vencido o jogo de volta na prorrogação (gol de Ivanovic) e se classificado à final da Copa do Liga, o Liverpool completou 11 jogos sem perder no tempo regulamentar.



Ao contrário do que aconteceu em Anfield Road, quando a "retranca" se fez presente, em casa o time treinado por Mourinho naturalmente saiu mais para o jogo – a escalação inicial já indicava isso, com Oscar na vaga de Mikel. Os visitantes, em contrapartida, não se acanharam e se comportaram de igual para igual, mesmo em Londres. Na medida do possível, tentando valorizar a posse de bola, contudo sem abdicar das esticadas para Sterling lá na frente, o Liverpool engrossou o caldo equilibrou o confronto. Por sinal, o confronto foi tão equilibrado e cheio de oportunidades que seus principais destaques foram os goleiros belgas Courtois e Mignolet (outro destaque individual foi o também belga Hazard, autor de um quase golaço no segundo tempo).

Apesar do placar sem gols no tempo regulamentar, tratou-se de um belíssimo jogo de futebol, rico de ingredientes que fazem dele, que fazem do futebol, o esporte mais amado e popular do mundo. Houve técnica, tática, habilidade, coletividade, individualidade, adrenalina, discussões, etc. De fato, foi um jogo bastante brigado (muito em função de Diego Costa, que em vários momentos passou do ponto, ultrapassando a linha entre a lealdade e a desonestidade), porém sem diminuir o jogo jogado em si, sem deixar de lado o campo e bola, que foi espetacular. Em outras palavras, foi um baita zero a zero.

Na prorrogação o equilíbrio continuou (àquela altura o zero a zero classificava o Chelsea). Até que numa cobrança de falta na área, Ivanovic subiu livre para marcar de cabeça (falha de Balotelli na marcação) e dar números finais ao duelo. No fim das contas, sem sobras, o todo-poderoso Chelsea passou. No entanto o Liverpool mostrou que está nos trilhos, mostrou que está embalado, e mostrou que tem condições de disputar a FA Cup, a Liga Europa e, por que não?, uma vaga na Champions League 2015/16 via Premier League. Claro, já o Chelsea, apesar de ter se classificado somente no tempo extra e de ter sido eliminado da FA Cup pelo Bradford, mostrou e mostra a cada dia que tem totais condições de conquistar a Inglaterra e, por que não?, a Europa.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

O ponta perfeito para o PSG

Não à toa, vira e mexe, o nome de Eden Hazard é ventilado no PSG. Também pudera, apesar de bastante rico, o elenco do clube francês apresenta certas falhas. E talvez a principal delas seja justamente referente à posição em que joga o belga do Chelsea: a ponta esquerda. Por essas e outras, vira e mexe, o nome de Hazard entra na pauta do Paris Saint-Germain.

Digo por essas e outras também por causa do passado do jogador na própria França (antes de ser contratado pelo Chelsea, Hazard jogava no Lille) e por causa de sua língua nativa, o francês. Confesso, no entanto, que não sei até que ponto esses fatores poderiam pesar na sua decisão. Um fator que sem dúvida pesaria, porém, é o dinheiro. Não que Roman Abramovich pague mal. Pelo contrário. Apenas penso que, caso Nasser Al-Khelaifi decida que Hazard é prioridade, o magnata russo não será páreo. Outro fator que poderia pesar, como dito no primeiro parágrafo, é a questão tática.



Embora se trate de um craque indiscutível, aparentemente Hazard não goza de tanto prestígio com Mourinho. Veja bem. Não estou falando que o treinador português não gosta do seu camisa 10. Não é isso. Até porque seria duma irresponsabilidade enorme, para não dizer duma filha da putice, afirmar algo dessa natureza, sem conhecer o dia a dia e o vestiário do Chelsea. No campo e bola, contudo, parece-me que José Mourinho tem predileção por jogadores mais aguerridos, em especial na fase defensiva (o que o fez optar por Oscar em vez de Mata, por exemplo). Por isso acredito que, caso a proposta do PSG realmente aconteça e seja financeiramente favorável ao clube londrino, Mou não irá se opor.

No PSG, em contrapartida, Hazard cairia como uma luva, já que há quase duas temporadas a ponta esquerda está órfã. Ou melhor, não está órfã. Mas está sendo ocupada por atletas que não são da posição. Pois no 4-3-3 do Paris, Lucas é o ponta-direita, Ibrahimovic é o centroavante e Cavani é o ponta-esquerda. Não que Cavani não desempenhe a função com sucesso. Desempenha. Mas não é a dele. O atacante uruguaio, aliás, já manifestou sua insatisfação diversas vezes quanto a isso, quanto a jogar numa posição que não a dele (Cavani é nove e ponto final). E quando Cavani não joga, o escolhido é Pastore. Ou seja, o PSG tem jogado ou com um centroavante na ponta esquerda (Cavani), ou com um meia (Pastore). Em outras palavras, o único jogador do plantel que atende às características da posição é Lavezzi, que parece estar com os dias contados por lá.

Por essas e outras, por tudo que foi dito, por motivos de campo e bola e até por razões extracampo, a contratação de Hazard pelo PSG faz mais do que sentido. Bala na agulha o clube francês tem. O possível interesse do jogador em voltar à França, pode ser que também exista. Sem falar na questão tática, uma vez que Hazard, ponta-esquerda que é, chegaria para preencher uma lacuna falha no elenco e no XI em si do todo-poderoso Paris Saint-Germain. Se essa negociação vai ocorrer ou não, são outros quinhentos. Parece-me evidente, todavia, que ela seria boa para todo mundo. Até mesmo para o Chelsea, que ganharia uma grana preta com essa história toda, e poderia buscar peças de reposição de alto nível, dentro do perfil de Mourinho.

sábado, janeiro 24, 2015

Kroos, Modric e Pogba: já pensou?

"Paul Pogba é um grande jogador e pode jogar no clube que quiser, mas não nos interessa por agora", diz Carlo Ancelotti. Já Giuseppe Marotta, diretor da Juventus, diz que o treinador do Real Madrid “tem motivos para dizer que não é verdade” - o suposto interesse do gigante espanhol no francês. Seja como for, independente de quem esteja jogando o às vezes necessário joguinho da mentira, o fato é que a cada dia fica mais evidente a saída do camisa 6 da Velha Senhora. Marotta explica que a Juve vai fazer de tudo para segurar o jogador, porém admite ser impossível competir com outros clubes por aí em termos de salário. Ou seja, cedo ou tarde, Pogba vai sair. A questão é: quando? E para onde?

Se dependesse de mim, Paul Pogba iria para o Real Madrid, para formar nada mais nada menos do que a melhor meia cancha do mundo, ao lado de Toni Kroos e Luka Modric. Se dependesse de Ancelotti, não. Não por agora. Confesso, contudo, que entendo a posição do técnico do Madrid. Imaginando que “por agora” signifique a próxima janela do verão europeu (ou seja, no meio de 2015), entendo que Ancelotti realmente não faça tanta questão de ter Pogba logo. Para o Madrid, me parece que de fato Pogba não se trata de uma contratação emergencial. A questão é: e quanto à janela seguinte? Ou a seguinte? Pois, insisto, ele formaria nada mais nada menos do que o melhor meio campo do mundo ao lado de Modric e Kroos.

Não exatamente ao lado dos dois. Para ser mais preciso, ao lado de um (Modric) e à frente do outro (Kroos). Porque, caso essa transferência seja consumada, o esquema tático mais indicado para encaixar os três é o 4-3-3. No caso, com Kroos na cabeça de área e Modric e Pogba nas meias, digamos assim. (Meu Deus. Que. Meiuca. É. Essa?) E até por isso, até para não mexer na estrutura do time neste momento, acredito que Ancelotti não faça questão de ter o francês para ontem. A pergunta é: e para amanhã? Porque hoje o 4-3-3 é uma alternativa ao 4-4-2 em linha, é um plano B, o sistema substituto, já que com Modric a equipe se distribui com duas linhas de quatro, mais CR7 e Benzema no ataque. Sem Modric, fora por lesão há mais de mês, a equipe tem se estruturado no 4-3-3. Com todos os atletas à disposição, todavia, o 4-4-2 em linha é o esquema tático titular. E no 4-4-2 em linha, em tese, fica mais difícil encaixar Kroos, Modric e Pogba.

Claro. Como o próprio Ancelotti diz, o treinador tem que se adaptar aos jogadores que tem. Portanto penso que com a eventual chegada de Pogba, ele acabaria trocando o 4-4-2 pelo 4-3-3. Só penso que essa troca faria mais sentido mais lá na frente, e não por agora. Em especial porque James (Kroos também, mas esse é titular absoluto) chegou na janela de verão mais recente, e se Pogba chegasse na próxima, o cara a perder a vaga no XI seria ele. Na verdade se a vida de James já não está fácil hoje em dia, com Isco comendo a bola, imagine então com Pogba no elenco. Por mais que o colombiano esteja jogando bem, se Pogba chegasse na próxima janela, ele acabaria no banco de reservas, apenas uma temporada após ter sido contratado a peso de ouro.

Por essas e outras, acredito em Ancelotti quando ele diz que Pogba não os interessa no momento. Mas também compreendo as palavras de Marotta, quando ele diz que Ancelotti tem seus motivos para negar o interesse em Pogba. Coisas do mercado. O que, por sinal, não significa que não possa haver um acordo verbal entre as três partes por agora, visando o futuro. Eu particularmente creio que essa transação acontecerá. Até porque todo mundo sairia ganhando com ela. Mas mais lá na frente. Como o contrato de Pogba com a Juventus vai até junho de 2019, chutaria lá por, sei lá, 2017. Não se esqueça: Pogba tem apenas 21 anos. Nasceu em março de 1993. E nessa perspectiva, chegaria ao Real Madrid aos 24 anos de idade.

quinta-feira, janeiro 22, 2015

O novo meio-campista do Real Madrid

O elenco é tão forte e a instituição é tão grande que às vezes ser reserva no Real Madrid é mais glorioso do que ser titular absoluto em outros clubes por aí. Às vezes. Dependendo do momento da carreira do jogador, e das horas de voo que ele recebe, vale a pena permanecer num esquadrão com tantas estrelas, mesmo que na condição de reserva. É o caso de Lucas Silva. Aos 21 anos de idade, Lucas sai do bicampeão brasileiro e chega para jogar no campeão do mundo, para ser treinado por um dos melhores treinadores do mundo. A questão é: para jogar poucos ou muitos minutos?

A resposta: não importa. Não importa se Lucas Silva vai jogar pouco ou muito (deve jogar pouco, em quantidade) porque ele tem apenas 21 anos. Chega para aprender. Chega para assimilar o que há de mais moderno no futebol mundial em termos táticos. E chega para se espelhar, se mirar, em especial, no dono da posição: Toni Kroos. O craque alemão da cabeça de área. O novo Pirlo de Ancelotti. Na verdade não sei até que ponto a comparação com Pirlo cabe, mas o fato é que Kroos é o construtor da equipe de Carlo, à frente da zaga – tal qual Pirlo nos tempos de Milan. E Lucas Silva, ao que tudo indica, em função de suas características, chega para ser seu reserva.



Com a iminente saída de Illarramendi ao Athletic, Lucas se torna a primeira alternativa. Pode ser que mais adiante Khedira também saia, apesar dele ser visto mais como segundo volante do que como primeiro. De qualquer forma, sem Illarra, em função de suas características (visão, técnica, passe, chute forte de média e longa distância), Lucas Silva chega para assumir o papel de reserva imediato de Kroos. O problema para ele, digamos assim, é que Kroos joga praticamente todas. Nessa temporada jogou não sei quantos por cento (mais de 90%, vi o número esses dias). Em tese, portanto, o ex-jogador do Cruzeiro terá poucos minutos de partidas oficiais. Em contrapartida, quando entrar, se atender às expectativas do treinador, se confirmar seu potencial, a tendência é que seja mais utilizado, que ganhe mais horas de voo, até para não desgastar Kroos fisicamente.

Em outras palavras, Lucas Silva precisa mostrar serviço. Não pode se deixar acomodar. Ter sido contratado pelo Real Madrid foi uma meta atingida, uma meta importante, sem dúvida, mas foi somente uma meta. Não se trata do fim. Pelo contrário. Trata-se do começo. Um novo começo. Com novos objetivos. E a sedutora zona de conforto pode ser uma inimiga nessa nova fase da vida. Se achar que chegar ao Madrid é o suficiente, é o auge, é o ponto máximo da carreira, e não demonstrar ambição dentro do clube e do time, mesmo ciente de sua condição de reserva, Lucas Silva pode virar o novo Illarramendi, o novo Casemiro – embora, a meu ver, Lucas Silva seja muito mais jogador. Além de se adaptar, aprender e crescer, no curto prazo o objetivo é tentar substituir Kroos, na medida do possível, à altura. E bola para isso ele tem.

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Enfim, o Liverpool está nos trilhos

Por uma série de motivos, a primeira metade da temporada 2014/15 foi difícil para o Liverpool. Talvez o principal deles, o excesso de mudanças promovidas por Brendan Rodgers meio que da noite para o dia, tanto em termos de peças (jogadores) quanto de estrutura (esquema). A inserção dos reforços no time em larga escala e a alternância frequente do sistema tático, aliadas à lesão de Daniel Sturridge, foram determinantes na campanha ruim dos Reds na primeira metade da temporada. Agora, na segunda metade, muitas rodadas depois, o panorama parece ter mudado de vez.

Somando todas as competições (Premier League, FA Cup e Copa da Liga Inglesa), o Liverpool não perde há 9 jogos. Isso mesmo. São 6 vitórias e 3 empates. Mas mais do que os resultados na tabela, o Liverpool tem jogado bem no campo. Não tem conseguido os resultados na marra. Tem conseguido na bola. E talvez o melhor exemplo disso seja o 1 a 1 contra o todo-poderoso Chelsea, na terça-feira, quando a equipe de Rodgers dominou totalmente a de Mourinho. Vide esse post (com prancheta), a supremacia vermelha ficou nítida também nos números (20 a 2 em finalizações).



De uns tempos para cá o Liverpool tem conseguido os resultados na bola porque o time se encontrou. E o time se encontrou porque o treinador tem repetido o XI. Há cerca de dez partidas, o XI se distribui num 3-6-1, com um quadrado no meio campo, formado por Lucas, Gerrard (Henderson), Lallana (Gerrard) e Coutinho. No setor defensivo, Emre Can, Skrtel e Sakho têm sido eficientes e passado segurança aos companheiros. Já Sterling, ainda sem Sturridge à disposição, tem sido improvisado no comando do ataque. E nas alas, mais recentemente Moreno reconquistou a esquerda, ao passo que Markovic tem se firmado na direita.

A última derrota do Liverpool foi para o Manchester United, no Old Trafford, no dia 14 de dezembro, por 3 a 0. Apesar do placar, o Liverpool jogou bem. De Gea fez muita diferença, foi um dos melhores em campo, se não o melhor, e isso indica que chances foram criadas pelos Reds. E foi justamente nesse jogo contra o United, salvo engano, que Rodgers utilizou o 3-6-1 pela primeira vez na temporada, ainda com Johnson/Touré e Lovren na zaga, Henderson na ala dirieta, e Allen na meia cancha, na vaga que indiscutível e merecidamente hoje pertence a Lucas. Confira aqui na prancheta.

No fim das contas, a boa notícia para o torcedor do Liverpool, na verdade, são duas. A primeira é que Rodgers definitivamente encontrou o chamado XI ideal, esquematizado no 3-6-1. Esquema que deve ser mantido mesmo com o retorno do centroavante Sturridge, que deve ocorrer no próximo mês. Nesse caso, Sterling formaria a dupla de meias com Coutinho, e Markovic acabaria no banco. Ou o próprio Henderson. A segunda boa notícia é que o time tem alcançado os resultados jogando bem, na bola, não aos trancos e barrancos. E talvez o melhor exemplo disso seja a exibição de ontem contra o Chelsea. A vitória não veio, é verdade. Ainda assim a equipe demonstrou capacidade e confiança para conseguir bons resultados na segunda metade da temporada. Quem sabe a ponto de levantar algum troféu (Europa League, FA Cup e/ou Capital One Cup) e/ou de terminar a Premier League no G4.

PS: Leia outros dois posts sobre o Liverpool publicados nessa temporada, um em setembro e outro em janeiro.

Éverton Ribeiro, De Arrascaeta e...

Não foi o forte equilíbrio entre Alisson e Willian que me chamou a atenção no resultado da enquete estrelada pelo Cruzeiro aqui no blog. O que me chamou a atenção foi a superioridade esmagadora dos dois em relação a Joel. Bom. Por uma questão de tempo de casa, naturalmente Joel, recém-contratado junto ao Coritiba, está no fim da fila. Tem isso. Contudo, essa baixa votação pelo camaronês na linha de três me abriu os olhos para outra possibilidade: Joel centroavante.



Já escrevi em outro post e algumas vezes no Twitter que, na minha visão, Joel é mais jogador de beirada do que centroavante. É mais segundo atacante do que primeiro, digamos assim. Mas posso estar redondamente enganado. É possível, por exemplo, que Damião não se firme e Joel engrene como nove. Pode ser. Ainda assim, vejo Damião como a principal alternativa para assumir a referência do ataque. E nesse caso, Joel seria banco de Damião. Ou banco das beiradas mesmo, já que aparentemente Alisson e Willian estão na frente dele nessa disputa pela ponta esquerda.



Tudo isso partindo do princípio de que Marcelo Oliveira irá manter em 2015 o esquema tático utilizado em 2014 e 2013: o 4-2-3-1. Nessa distribuição, me parece evidente que De Arrascaeta chega para atuar por dentro da linha de três, posição que era ocupada por Goulart, com o canhoto Éverton Ribeiro na dele, a ponta direita, e Alisson ou Willian na esquerda. As características de De Arrascaeta são diferentes das de Goulart, é verdade. O que pode exigir uma adaptação do time a ele e dele ao time. O uruguaio de 20 anos, todavia, me parece ser muito mais jogador que Goulart. O tempo dirá se tenho razão. Vamos ver como ele vai se sair. E vamos ver como a equipe em si vai se sair, seja com Alisson ou Willian numa das beiradas. Ou Joel.

terça-feira, janeiro 20, 2015

Quando os números dizem algo

Não sei se dá para dizer que o Liverpool jogou dez vezes mais do que o Chelsea, na partida de ida da semifinal da Copa da Liga Inglesa, nesta terça-feira. Mas com certeza dá para dizer que o Liverpool finalizou dez vezes mais do que o Chelsea. Sem exagero. Foram vinte arremates dos Reds contra apenas dois dos Blues. O jogo foi no Anfield, é verdade; e ainda podemos discutir a eficiência desses vinte arremates, uma vez que o placar terminou empatado em 1 a 1. Ainda assim, a diferença é bastante significativa.



Postado no 3-6-1 habitual, com Gerrard e Coutinho nas meias e Henderson e Lucas completando o quadrado do meio campo, o Liverpool começou o jogo melhor e se manteve superior até Hazard abrir o placar, de pênalti. Até então os mandantes mandavam no jogo. A dupla Mikel e Matic não se encontrava na marcação à Gerrard e Coutinho, Markovic e Moreno cresciam para cima de Filipe Luis e Ivanovic, Sterling infernizava a zaga adversária... Eis que, por volta dos 18 minutos, Can fez falta em Hazard dentro da área. O próprio belga cobrou, colocou o Chelsea em vantagem, e o Liverpool sentiu o golpe. Por pouco tempo, mas sentiu.



Na etapa final a superioridade vermelha ficou mais nítida, quando justa e merecidamente, no minuto 59, Sterling empatou. Recebeu-a na altura dos volantes adversários, prosseguiu com ela dominada em direção à área de Courtois, cercado de quatro jogadores - sem levar o bote - e finalizou com sucesso. Courtois, por sinal, depois faria algumas defesas essenciais. Esta aqui a mais espetacular de todas, em chute de Lallana. O goleiro de 22 anos trabalhou bastante. (É sempre bom lembrar, aliás, que Courtois, aos 22 anos de idade, colocou ninguém menos que Petr Cech no banco de reservas. Não se pode esquecer desse detalhe.) No fim das contas, o placar se manteve em igualdade, mas o fato é que – e os números mostram isso – o Liverpool jogou bem mais que o Chelsea. Se não dez vezes mais, algo perto disso.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Quem será o futuro Bola de Ouro?

Quem vai quebrar a sequência de Cristiano Ronaldo e Messi? Qual jogador irá quebrar a supremacia exercida por Cristiano Ronaldo e Messi nos últimos sete anos? Porque, cedo ou tarde, alguém que não seja Cristiano Ronaldo ou Messi irá conquistar a Bola de Ouro. Não sei se em 2015, 2017, 2019, mas o fato é que esse dia vai chegar. E a pergunta que fica é: quem? Quem será esse cara? Quem será esse craque?

Veja bem. A pergunta é “quem” e não “quando”. Querer precisar o ano seria muita pretensão. Pode ser, é bem possível, aliás, que Cristiano Ronaldo ou Messi ganhe a Bola de Ouro pelos próximos, sei lá, três, quatro anos. Pode ser que essa supremacia dos dois dure mais três ou quatro anos. Ou não. Mas isso não importa. A intenção aqui é discutir o “quem” e não o “quando”. Logo, fica a pergunta: quem será esse craque?

Ponderação cronológica feita, a julgar pelo futebol apresentado por eles nessa temporada, a julgar pelas respectivas idades e potenciais, hoje eu apostaria que o craque que irá tirar a Bola de Ouro de Cristiano Ronaldo ou Messi será Neymar Jr., Gareth Bale ou Paul Pogba. Um desses três. Pela ordem, pensando no futuro, hoje eu apostaria no camisa 11 do Barcelona, no camisa 11 do Real Madrid ou no camisa 6 da Juventus. (Quanto a Pogba, é provável que ele não esteja mais na Juventus até lá.)



O mais novo deles é o francês Paul Pogba. Apenas 21 anos de idade. Faz 22 em março. Meio-campista total, completo, ele domina todos os fundamentos para se triunfar no setor. Tem força física, tem velocidade, tem estatura, tem cabeceio, tem finalização, tem passe, tem drible, tem visão... Tem tudo. E tem apenas 21 anos. E se tiver foco e ambição, deve, cedo ou tarde, figurar na lista dos três finalistas da Bola de Ouro. Só acho que na Juventus essa tarefa se torna mais difícil. Num Real Madrid ou num Barcelona da vida, creio que seria/será mais viável.



O mais velho deles é o galês Gareth Bale. São 25 anos. Completa 26 em julho. Ou seja, em tese, é o que tem menos tempo para atingir essa gloriosa conquista. Se a supremacia CR7-Messi terminar, sei lá, só daqui uns quatro anos, por exemplo, Bale já terá entrado na casa dos trinta. E isso pode ser péssimo para ele. Porque apesar de toda habilidade e técnica que possui, Bale depende muito de sua velocidade, suas arrancadas, suas explosões. Sem a parte física em dia, sem estar na ponta dos cascos, seu futebol fica mais limitado. E a tendência, depois dos trinta, é a parte física só declinar. O auge, na teoria, é lá pelos vinte e oito. Logo, numa expectativa otimista, Bale poderia surpreender antes mesmo do que eu posso imaginar.



Neymar tem 22 anos. Quase 23. Faz dia 5 de fevereiro. Sem ser na semana que vem, na outra. Dispensa apresentações. Em sua segunda temporada no Barcelona, jogo após jogos, está mostrando à Europa e à Terra toda a que veio, e onde pode chegar. Por sinal, se você pensar que Cristiano Ronaldo é atacante ao lado de Benzema no 4-4-2 em linha de Carlo Ancelotti, e não mais ponta-esquerda, hoje podemos afirmar que Neymar é o melhor ponta-esquerda do mundo. Eu pelo menos afirmo, sem sombra de dúvidas. Pense bem. Considerando que Cristiano Ronaldo não é mais ponta-esquerda, quem são seus concorrentes? Ribéry? Hazard? Reus? Talvez Isco? Di María? Quem mais? Acho que não foge disso. E, com todo respeito aos citados, Neymar está/é de outro patamar, outra prateleira, outro nível. Portanto me parece claro que, sim, Neymar é o maior ponta-esquerda da atualidade. Diga-se, o maior ponta-esquerda do Barcelona desde Ronaldinho. Resta-nos aguardar para ver se o desfecho será o mesmo, quanto à Bola de Ouro (Ronaldinho faturou o prêmio em 2005).

domingo, janeiro 18, 2015

Arsenal de Cazorla bate City no Etihad

Devido às distribuições táticas adotadas por Pellegrini e Wenger, os duelos individuais ficaram bem definidos, no jogo deste domingo, entre Manchester City e Arsenal, pela 22ª rodada da Premier League: Fernando vs Ramsey, Fernandinho vs Cazorla e Silva vs Coquelin no meio campo; Zabaleta vs Alexis, Clichy vs Oxlade-Chamberlain, Navas vs Monreal e Milner vs Bellerin na beiradas. Um 4-1-4-1 pelo lado dos visitantes e um 4-2-3-1 pelo lado dos mandantes, com variações, em função da movimentação de David Silva.

A diferença do jogo passou pelos pés dos dois meias espanhóis: Silva de um lado e Cazorla do outro. Se por um lado Cazorla deitou e rolou, do outro Silva não teve com quem jogar, em especial no primeiro tempo, quando ficou no mata-burro. Vigiado pelo cabeça de área adversário, o camisa 21 do City encontrou-se num cobertor curto, para não dizer em maus lençóis. Porque quando recuava para chamar o jogo, deixava Agüero isolado no ataque, e quando não recuava para chamar o jogo, ele ficava entregue a Fernandinho, que não estava num dia tão inspirado. Ou seja, no quesito criatividade, a meia cancha do City dependia desse recuo de Silva pela faixa central, uma vez que os wingers Navas e Milner se comportavam como tal, mais presos aos flancos. E quando isso acontecia, Agüero ficava isolado. Em outras palavras, Yaya Touré fez muita falta.



Em contrapartida, Cazorla deitava e rolava. Não à toa, foi eleito o melhor da partida. Marcando por zona lá atrás, preenchendo bem os espaços, em busca do contra ataque, o Arsenal tinha no seu camisa 19 a válvula de escape e o pé pensante ao mesmo tempo. Era Cazorla o maior responsável em fazer a transição rápida, para pegar a defesa do City desorganizada, em regra pela meia esquerda, com Alexis Sánchez ao lado. Mas era Cazorla também o maior responsável em cadenciar o jogo quando esse assim se desenhava, trocando passes e valorizando a posse de bola como nenhum outro atleta em campo. Fez o que, por exemplo, Silva não conseguiu fazer do outro lado, muito em função das peças ao seu redor e do funcionamento do coletivo. No que diz respeito ao coletivo, por sinal, o Arsenal foi superior ao City, tanto defensiva quanto ofensivamente. Mesmo fora de casa.

Na segunda etapa o panorama foi um pouco diferente. Milner não voltou do intervalo. Na vaga dele, entrou Jovetic, aberto à esquerda, enquanto Silva se manteve pelo corredor central, mas com mais liberdade para circular pelo meio campo, mais armador, uma vez que Agüero não ficava mais tão isolado com a presença de Jovetic. O City melhorou, porém o Arsenal não piorou. Pelo contrário. Embora o City tenha melhorado no segundo tempo, o Arsenal manteve o nível dos primeiros 45 minutos, eficiente na marcação por zona, na transição e na troca de passes. Tanto é que aos 66’ os Gunners ampliaram o placar: 2 a 0, gol de Giroud, em assistência de Cazorla (o primeiro havia sido marcado aos 24’, de pênalti, por... Cazorla). Placar que permaneceu assim até o apito final e que garantiu mais três pontos ao Arsenal. Mas mais do que três pontos, essa vitória no Etihad garante também a confiança necessária para se chegar longe numa liga tão disputada quanto à inglesa. Se não para brigar pelo título, ao menos para garantir numa vaga na Champions League 2015/16. No momento, o Arsenal é o quinto colocado. E o City, o segundo.