quinta-feira, maio 28, 2015

Onde o Cruzeiro errou na Libertadores

Quando um time argentino elimina um brasileiro em gramados brasileiros na fase de mata-mata, nós rasgamos elogios ao tradicional adversário: "Como eles jogam bem fora de casa!" E morremos de inveja. Admita. De fato, jogam mesmo. Mas por quê? Por que não é raro? Por que nos acostumamos a ver time argentino eliminar brasileiro no Brasil? E por que muitas vezes o visitante coloca o mandante na roda?



Isso acontece, em primeiro lugar, porque eles são organizados no quesito tático do esporte (onde mais estamos atrasados, diga-se) e porque contam com uma estratégia de jogo bem definida (além de contar com a qualidade técnica, claro). Sabem o que devem fazer na fase defensiva e o que devem fazer na fase ofensiva (em especial fora de cara, onde há mais espaços para atacar e tudo fica menos difícil). E por saberem o que devem fazer em campo, com a bola e sem a bola, tornam-se mais confiantes (com confiança tudo fica mais fácil). Por acreditarem nas ideias do treinador, as executam com mais tranquilidade (num time bem treinado, claro). Não é à toa que uma das boas virtudes dessas equipes é a frieza. Não se comportam de maneira tão pilhada, como ocorre com as brasileiras, por exemplo. "São extremamente frios fora de casa!" De fato, são mesmo. E o trabalho do treinador tem tudo a ver com isso.

Aí entramos no aspecto emocional no jogo. Ontem à noite, em Belo Horizonte, na partida de volta das quartas de final da Libertadores (1 a 0 para o Cruzeiro no Monumental de Nuñez), ficou evidente a discrepância mental entre as duas equipes. Mental não só no sentido de controle dos nervos (esse papo de que argentino catimba demais, aliás, é puro mimimi de brasileiro), mas também no sentido da racionalidade na hora de tomar as decisões (ou melhor, na fração de segundo). E de onde vem essa frieza toda? Eles também não têm "sangue latino" como nós, uai? Pois então. Tudo está entrelaçado. Tudo é uma soma de fatores. E como eu disse antes, o trabalho do treinador (tático) tem tudo a ver com isso, porque, uma vez encaixado num time bem treinado, num time com uma proposta de jogo bem clara, com uma filosofia de jogo bem clara, onde o coletivo funciona minimamente bem, o jogador se sente mais à vontade. E naturalmente rende mais.

No caso da eliminação do Cruzeiro (3 a 0 para o River Plate no Mineirão), isso se aplica. Pelo seguinte: o time de Marcelo Oliveira não mostrou variedade no repertório ofensivo. Desde cedo, com a bola, se resumiu a abrir o jogo com a finalidade de cruzar na área. Mesmo atrás no placar, um desespero, um apelo à jogada aérea muito cedo, ainda na metade do primeiro tempo. Às vezes dá certo. Mas na maioria das vezes, não. Como não deu (e acabou levando três, o que escancara a falta de qualidade também na fase defensiva – algo que sobra, por exemplo, ao time de Aguirre). E digo também porque, na ofensiva, com a bola, faltou qualidade para trabalhar a posse. Porque fora de casa é lindo! Com espaços abundantes no campo ofensivo fica "fácil" trabalhar a posse. Verticaliza-se em velocidade (contra ataque) e deu pra bola. Já em casa, o buraco é mais embaixo. Uma vez que o adversário se fecha lá atrás, os espaços são reduzidos. E é aí que a cobra fuma. Pois quando é preciso trocar passes e girar o jogo com paciência e precisão, diante de um time que se defende bem, sob pressão da própria torcida que muitas vezes não apoia na hora h, ainda por cima, muitos times se perdem. Como aconteceu ontem com o Cruzeiro.

No momento, no entanto, não podemos sequer cogitar a queda de Marcelo Oliveira. Não é isso. É preciso compreender que vários titulares da temporada passada saíram, novos entraram, e que não se constrói um time da noite para o dia (no futebol quatro meses significam da noite para o dia). Na contramão, por exemplo, está o próprio River: praticamente não trocou nenhuma peça da temporada passada. Já o Cruzeiro "perdeu" quatro titulares (Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Lucas Silva e Egídio). Só isso. Portanto, é preciso controlar o imediatismo que corre nas nossas veias e ter calma na hora de decretar o fim de Marcelo no Cruzeiro. Não estou dizendo para ele ficar para sempre na Toca da Raposa. Não é isso. Mas se for para trocar de treinador, que seja após a 38ª rodada do Brasileirão, okay?

Ah, e tem mais um detalhe: se a Copa Libertadores fosse disputada em dois semestres, como ocorre por exemplo com a Champions League, o Cruzeiro, cheio de novos atletas (meio time), teria mais tempo (o dobro) para encaixar e entrar na fase de mata-mata mais maduro. Com a Libertadores disputada em um semestre apenas, todavia, vários times, cheios de novos atletas, entram no mata-mata ainda em formação. Aí acabam morrendo. Prematuramente. Como aconteceu ontem com o Cruzeiro.

quarta-feira, maio 27, 2015

Seja mais do que bem-vindo, Osorio!

Confesso que não conheço direito o trabalho de Juan Carlos Osorio. Vi alguns jogos do Atlético Nacional na Libertadores e na Sul-Americana, mas nada além disso. Inclusive tenho registradas duas pranchetas no arquivo do Futebol de Botão, uma de 2012 e outra de 2014. Mas nada além disso. Logo, não posso opinar com precisão sobre o novo treinador do São Paulo.

Veja aqui Os 10 Mandamentos de Osorio

Após ver esta entrevista dada pelo colombiano no programa argentino Puro Concepto, todavia, confesso que fiquei pra lá de otimista. E, baseado nos 50 minutos do vídeo abaixo, e principalmente na média técnica dos treinadores do país do 7 a 1, cheguei à evidente conclusão de que se trata de uma excelente contratação. Confira. Vale a pena.



Vai dar certo? Não sei. Primeiro defina “dar certo”. O que é dar certo? É pura e simplesmente ganhar títulos? É pura e simplesmente o resultado positivo no placar ao final do jogo ou ao final do campeonato? Por favor, né. O futebol vai muito além disso. Não se pode resumir a análise desse esporte tão rico duma maneira tão pobre. É preciso analisar o jogo em si, não o resultado. Com todo respeito, o resultado qualquer idiota analisa, qualquer retardado constata. Já o jogo... Aí o buraco é mais embaixo, né? Pois é. Não à toa, quase não se fala de campo e bola na nossa imprensa (ao ponto do vídeo acima parecer algo de outro planeta).

Leia aqui por que treinador estrangeiro é necessário ao futebol brasileiro

Vai dar errado? Diria que só vai dar errado se Carlos Miguel Aidar ceder às prováveis cornetas de parte da imprensa e da torcida, que inevitavelmente vão soar e ecoar pelos corredores do Morumbi caso o time não seja campeão do Brasileirão ou não se classifique para a Libertadores 2016, por exemplo (leia aqui por que nossos cartolas demitem como demitem). Ou seja, só vai dar errado se o contrato for rescindido antes do tempo, independente dos malditos resultados a curto prazo.

quarta-feira, maio 20, 2015

O que já é ruim fica pior ainda

Quando digo que o futebol brasileiro é uma grande briga de foice no escuro, me refiro, entre outras coisas, ao nível dos nossos treinadores, e ao tempo que eles geralmente ficam no mesmo cargo. No que diz respeito ao nível, baseado nos padrões do jogo jogado na Europa, dá para dizer que é baixo (nem me refiro ao 7 a 1). E dá para dizer também que é semelhante. De uma forma geral, é muito semelhante. Em regra é o perfil do paizão que apela para o lado motivacional, entende pouco de tática e prioriza o talento individual (o craque resolve). No fim das contas, nenhum se destaca. E não à toa, nenhum tem mercado na elite do futebol mundial (Europa). Logo, o nivelamento é por baixo. Já no que diz respeito ao tempo que eles geralmente ficam no cargo, trata-se de um agravante, e este dado levantado por mim nesta quarta-feira lança luz sobre o problema. Confira aqui.

Hoje, às vésperas da terceira rodada do Brasileirão, dois clubes grandes estão sem treinador: Grêmio e Fluminense (Felipão saiu do Grêmio antes de completar dez meses no cargo, e Drubscky foi demitido do Fluminense com apenas dois meses de trabalho). Dois treinadores em duas rodadas. Outros dez clubes que disputam a Série A contrataram seus treinadores neste ano de 2015, incluindo interinos que foram “efetivados” (Milton Cruz no São Paulo e Marcelo Fernandes no Santos, por exemplo). Outro ponto que desperta a atenção - negativamente, claro - é que somente quatro (de vinte) estão na mesma equipe há mais de um ano: Levir Culpi no Atlético (1 ano e 1 mês), Eduardo Baptista no Sport (1 ano e 3 meses), Hemerson Maria no Joinville (1 ano e 4 meses) e Marcelo Oliveira no Cruzeiro (2 anos e 4 meses). O que isso quer dizer? Muita coisa.

Quer dizer, entre outras coisas, que os times de uma maneira geral não têm tempo para evoluir (sem tempo não há evolução; pergunte a Darwin). Quer dizer que esse enraizado e maldito troca-troca de técnicos (na maioria das vezes, troca-se seis por meia dúzia) impede que os times sejam construídos, impede que os times ganhem forma, que ganhem uma cara, um jeito de jogar, uma filosofia de jogo. Quer dizer que, entra ano e sai ano, o torneio base da temporada (pontos corridos) se desenrola com a maioria (mais da metade) de seus participantes em formação. E se nós partirmos do princípio de que uma equipe de futebol só começa a tomar corpo lá pelo sétimo, oitavo, nono mês de trabalho, chegamos à triste conclusão de que no Brasileirão não existem equipes de futebol propriamente ditas, pois a maioria delas (mais da metade) é comandada por treinadores que chegaram há menos de sete, oito, nove meses. Em outras palavras, esse troca-troca derruba ainda mais o nível do espetáculo, que já é baixo. Ou seja, o que é ruim, fica pior.

PS: Por que nossos dirigentes demitem treinadores como demitem? Leia aqui.

terça-feira, maio 19, 2015

XI da Premier League 2014/15

Às vésperas da última rodada, publico minha seleção do campeonato.

A corneta é livre.



PS: Coutinho não entrou porque algumas de suas grandes exibições na temporada foram pela FA Cup, e não pela Premier League. E não entrou também porque ficaria mais fácil para encaixar Agüero e Kane no XI.

segunda-feira, maio 18, 2015

O dedo de Messi

Vale refrescar a memória. O time só engrenou quando Messi passou para a ponta direita e Suárez foi jogar como centroavante. Até então, nas primeiras partidas da temporada 2014/15, com o uruguaio em campo (lembre-se que ele perdeu dois meses da temporada devido à punição da FIFA), Messi foi falso nove e Suárez ponta-direita. Isso mesmo. Nos primeiros jogos do trio MSN, Luis Suárez foi o ponta-direita, Neymar Jr. o ponta-esquerda e Lionel Messi o centroavante. Eis que, lá pelas tantas, o camisa 10 passou para a ponta direita, o camisa 9 passou a jogar como nove, e tudo mudou. Para melhor.



Quando Suárez foi contratado, aliás, visualizei de imediato o time no 4-3-3 habitual, com Messi numa ponta, Neymar na outra e ele como centroavante. Parecia-me tão óbvio. Não só para mim, mas para uma galera. Luis Enrique, no entanto, demorou a enxergar o óbvio. Em defesa do treinador, confesso que cheguei a pensar que Messi não queria voltar à ponta, que não queria abandonar o papel de falso nove (invenção de Pep), pois nunca fora tão goleador na carreira. Pensei, inclusive, que o desentendimento entre Luis Enrique e Messi, no começo da temporada, tinha a ver com isso. E talvez até tenha. Contudo, mais tarde fiquei sabendo que quem decidiu pelo retorno de Messi à ponta direita foi o próprio Messi! Numa rodada qualquer da Liga (ou neste jogo aqui contra o Ajax), ele inverteu com Suárez por iniciativa própria e ordenou ao ex-Liverpool: “fique por aí”. A partir disso, tudo mudou.

Portanto, quando a gente for enaltecer o trabalho de Luis Enrique, quando a gente for comparar seus números em sua primeira temporada como treinador do Barcelona com os números de Guardiola, por exemplo, a gente precisa se lembrar deste detalhe. A gente precisa se lembrar que o ponto de mutação que colocou a equipe e principalmente o trio MSN nos trilhos na temporada 2014/15 foi justamente o retorno do canhoto Messi à ponta direita, depois de tanto tempo jogando como falso nove (e o reposicionamento de Suárez como centroavante), vide esta prancheta. Ou seja, a grande mudança do Barcelona campeão espanhol e finalista da Champions League foi de ordem tática, e ela passou pelo dedo de Messi, não do treinador.

quinta-feira, maio 14, 2015

Há 10 anos Messi deitava na Juventus

"A noite em que o mundo descobriu Messi". Eis o título desta matéria aqui, publicada hoje no site do Barcelona, sobre o Troféu Gamper 2005, quando, aos 18 anos de idade, o gênio argentino deitou e rolou na Velha Senhora.

Nela o então treinador da Juventus Fabio Capello rasga elogios ao então camisa 30 culé: "Eu vi ele jogando por seleção de base da Argentina e me pareceu um bom jogador. Mas vê-lo no estádio é outra coisa, vestindo essa camisa (do Barcelona) e diante de tanta gente (no Camp Nou). Nunca vi um jogador com tanta qualidade."

Confira aqui os melhores momentos de Messi naquele amistoso.



Naquela noite o Barça alinhou Valdés; Gabri (Belletti), Oleguer (Edmilson), Puyol e Gio; Márquez, van Bommel e Iniesta (Eto'o); Messi (Giuly), Larsson (Maxi López) e Ronaldinho (Deco). Já a Juve foi a campo com Abbiati; Zebina (Balzaretti), Kovac, Cannavaro e Pessotto (Zalayeta); Camoranesi (Olivera), Giannichedda, Vieira e Chiellini (Blasi); Del Piero (Mutu) e Ibrahimovic (Trezeguet).

No fim das contas a Juventus levantou o troféu na decisão por pênaltis após o placar final ficar no 2 a 2, gols de Del Piero, Iniesta, Gio e Trezeguet (detalhe: o gol de Iniesta em linda assistência de Messi, aquela clássica dele, para a ponta esquerda). Agora, dez anos depois, o Barcelona de Messi, Suárez e Neymar (e Iniesta) enfrenta a Juventus de Pirlo, Pogba e Tevez na final da Champions League 2014/15, dia 6 de junho, em Berlim.

PS: Veja aqui os melhores momentos do jogo e aqui o jogo na íntegra.

quarta-feira, maio 13, 2015

Barcelona vs Juventus em Berlim

A lamentar, pelo lado dos desclassificados, os desfalques de peso nas semifinais. Diante do Barcelona, o Bayern não teve três titulares: Alaba, Robben e Ribéry. Só isso. Só o melhor lateral-esquerdo do mundo (embora tivesse jogado mais no meio campo e até como zagueiro na temporada) e só as duas opções de velocidade e habilidade pelas beiradas – sem falar nos gols, em especial de Robben, o artilheiro do time. Revelou-se, aliás, uma falha na composição do elenco bávaro, pois sem Robben e Ribéry aptos, o Bayern ficou sem pontas de ofício à disposição (Shaqiri, por exemplo, foi negociado na janela de inverno).

Já diante da Juventus, nas duas partidas, o Real Madrid não teve Luka Modric. Aparentemente apenas um titular, mas só aparentemente mesmo, uma vez que Modric é o melhor meio-campista do Madrid. É o croata quem pensa o jogo e quem o acelera quando necessário. É o cara mais completo do setor. É a peça mais vital de toda engrenagem merengue. É quem faz o coletivo funcionar. Logo, fez muita falta.

Dito isso, todavia, os méritos são totais de Barcelona e Juventus.



Méritos do time treinado por Luis Enrique e, principalmente, méritos da trinca sul-americana, que consegue o que raras conseguiram na história do futebol mundial: conciliar com solidariedade beleza e eficácia. Pois além do monte de gols que marcam, Messi, Suárez e Neymar Jr. transbordam parceria e magia. São dribladores e artilheiros natos – sem falar na qualidade no passe, nas assistências – e estão a cada dia mais entrosados. Já a Juventus chamou a atenção por sua postura no jogo do Bernabéu, em especial, quando ficou com a posse da bola durante boa parte do tempo, e trocou mais passes.

A troca de passes, diga-se de passagem, é o ponto forte da equipe treinada por Allegri. Distribuída no 4-4-2 em losango com Pirlo – o pé pensante – na cabeça de área, Marchisio e Pogba carrileros, e Vidal engache, noves fora Tevez e Morata no ataque, a Juventus valoriza a posse como poucos na competição. O “problema” é que o Barcelona também gosta de jogar com a bola, e só existe uma. Em outras palavras, a briga vai ser boa. Seja como for, o fato é que, devido ao talento e à eficiência do entrosado trio MSN, o Barça é o favorito na decisão da Champions League 2014/15, dia 6 de junho, em Berlim. Se vai ganhar ou não, são outros quinhentos. Trata-se de "apenas" um jogo e a Velha Senhora mostrou que está mais viva do que nunca.

terça-feira, maio 12, 2015

O jogador mais completo do mundo

Quando você está com a bola, você tem basicamente três alternativas para escolher uma, de acordo com a situação que se apresenta: driblar, passar ou finalizar. São os fundamentos do esporte. Fundamentos peculiares aos que jogam do meio para frente. E nesses três fundamentos, nenhum outro jogador em atividade no mundo é tão completo quanto Messi. Nenhum outro reúne esses três aspectos do futebol com tanta maestria quanto Messi.



Na UEFA Champions League 2014/15, por exemplo, Lionel Messi é quem mais dribles, assistências e gols concretiza (veja aqui). Só isso. E se você pegar os números gerais, envolvendo outras competições e outras temporadas, verá que, em regra, ele está no topo da tabela nos três quesitos. Outro exemplo mais amplo: é ele quem acumula o maior número de dribles bem sucedidos nas últimas seis edições da UCL (veja aqui). Isso tudo aos 27 anos de idade. Ou seja, deve encerrar a carreira, em termos de números, como o maior driblador, o maior assistente e o maior artilheiro da história da Champions League.

Isso serve, entre outras coisas, como evidência para dar suporte à tese de que se trata do jogador mais completo do mundo (e serve para colocá-lo no mais alto patamar, ao lado de Pelé, eu diria - eu e Juninho). Pois estamos falando do melhor nove, do melhor meia e do melhor ponta do mundo, todos no mesmo jogador. O cara que mais gols faz, o cara que mais assistências dá e o cara que mais dribles executa, todos reunidos no mesmo jogador. Todos reunidos no gênio argentino do Barcelona. O único gênio em atividade. Os outros, com todo respeito, são "apenas" craques.

segunda-feira, maio 11, 2015

O maior ponta desde Ronaldinho

Aos 23 anos de idade, Neymar já soma 50 gols em 87 jogos com a camisa do Barcelona (e 18 assistências). Foram 15 gols na temporada passada (a primeira pelo clube catalão), e 35 gols na atual, que ainda não acabou. No total, foram 38 de direita, 6 de esquerda e 6 de cabeça.

Veja abaixo todos os gols do craque brasileiro pelo Barça até aqui:



PS: Não é de hoje que digo que Neymar é o maior ponta-esquerda do Barcelona desde Ronaldinho, vide este post aqui e tantos outros.

sábado, maio 09, 2015

Antoine Griezmann, a bola da vez

Se você pensar no futebol jogado dentro de campo, logo em sua primeira temporada pelo clube, no retorno "imediato", nos números, na idade do jogador, no preço pago por ele e no seu potencial de mercado, não tenho dúvida de que a melhor contratação da última janela do verão europeu foi feita pelo Atlético de Madrid e atende pelo nome de Antoine Griezmann.



Salvo engano, embora canhoto, ele sempre jogou pela ponta esquerda (digo embora porque é comum o canhoto jogar na direita e o destro na esquerda, para trazer a bola para dentro com mais facilidade e ampliar o campo de jogo para o passe, o drible, a finalização). Foi atuando na ponta esquerda da Real Sociedad (veja aqui uma prancheta no Zonal Marking e aqui um vídeo no ScoutNation) que ele chamou a atenção dos olhos atentos da Europa, e não à toa acabou no Atlético.

Não quero dizer que ele renda apenas na ponta esquerda. Pelo contrário. É versátil. Joga também na direita e pela faixa central. E até mesmo no ataque, como aconteceu nesta temporada, pois no 4-4-2 em linha de Simeone, foi escalado próximo ao nove. Quando ele foi contratado, diga-se de passagem, confesso que o imaginei aberto à esquerda, com Koke por dentro e Arda à direita, num 4-2-3-1. O que se viu na prática, no entanto, foi a manutenção do bom e velho 4-4-2 em linha, com Griezmann e Mandzukic formando a dupla de frente.

E ele se encaixou à perfeição no time de Simeone nesse papel (méritos do jogador e do treinador). Caiu como uma luva. Tanto é que hoje, sábado, neste exato momento, a poucas horas da 36ª rodada da Liga começar, Griezmann soma 22 gols em 34 jogos na competição. Detalhe: nenhum de pênalti. Acima dele na tabela dos artilheiros, somente Messi e Cristiano Ronaldo. Tá bom ou quer mais?



Na verdade seu faro de gol já havia se revelado aguçado na temporada passada, quando, para um ponta com característica de meia, digamos assim, ele balançara as redes várias vezes no campeonato espanhol: 16 gols em 35 jogos. Bela marca. Ainda assim, creio que em sua primeira temporada com a camisa do Atlético ele superou a expectativa, que já era positiva, da maioria das pessoas, inclusive a minha. Insisto: 22 gols em 34 jogos (a três rodadas do fim do torneio), aos 24 anos de idade, atrás apenas de Messi e Cristiano Ronaldo, não é pouca coisa.

É bom lembrar isto. Griezmann é relativamente novo. Partindo do princípio de que hoje em dia o jogador profissional de alto nível atinge seu auge lá pelos 28, 29, 30 anos, Griezmann ainda tem muito a crescer. E isso significa, entre outras coisas, que o Atlético fez um ótimo negócio (para variar). Pois pagou € 30 milhões por ele, teve seus excelentes serviços prestados, e deve vendê-lo, se não na próxima janela de verão, talvez na seguinte, por, sei lá, no mínimo € 50 milhões.

Na verdade sua multa rescisória é de € 65 milhões. E pelo visto o Chelsea já está na jogada. Se você lembrar que na última janela de verão, na mesma tacada, Courtois, que estava emprestado, Filipe Luís e Diego Costa trocaram o Vicente Calderón pelo Stamford Bridge, não fica difícil visualizar Griezmann no Chelsea 2015/16 ou 2016/17, né? Por sinal, tem se falado que Godín e Koke também estão na reta. Enfim. Seja como for, indo para o Chelsea, para outro clube ou permanecendo no Atlético, o fato é que em 2014/15 Antoine Griezmann se firma como um dos grandes jogadores do futebol mundial.

Confira lances dele na temporada: 

sexta-feira, maio 08, 2015

Verratti é um Pirlo melhorado

Calma. O tempo mostrará isso. Aguarde. Estou apenas me antecipando.



Desde que pintou no Pescara e desde que foi levado ao Paris Saint-Germain por Leonardo e Ancelotti, Verratti tem sido comparado com Pirlo por questões evidentes: são italianos e jogam mais ou menos na mesma posição, executam mais ou menos a mesma função (digo mais ou menos porque Verratti é mais versátil que Pirlo). E desde então ele tem mostrado dentro de campo por que essa comparação tem cabimento.

Mas vou além. Verratti me parece ser melhor que Pirlo. Me parece ser mais completo. No fim das contas, ao pesar todos os atributos de ambos, positivos e negativos, ao comparar o nível de execução de todos os fundamentos do esporte, me parece que Verratti é melhor/mais completo que Pirlo. Não vejo em Pirlo, nem no melhor Pirlo da carreira, seja ele qual for, por exemplo, a capacidade de drible e desarme que Verratti possui (sem falar na "raça" de Verratti). Tampouco a aceleração. Ou seja, o meio-campista do PSG é mais polivalente, o que permite ao treinador escalá-lo em diferentes lugares no esquema tático.

Pode-se argumentar que no fundamento passe Pirlo é superior. Pode ser. Embora o passe de Verratti seja excelente (curto, médio e longo), pode ser que o passe de Pirlo (curto, médio e longo) seja mesmo melhor (sem falar na bola parada de Pirlo). Ainda assim, essa diferença não é tão grande quanto é no desarme e no drible de Verratti em relação a Pirlo. Como disse, no fim das contas, na balança, identifico mais pontos a favor do volante de 22 anos, e o tempo mostrará isso. Se Verratti vai ganhar os títulos que Pirlo (35 anos) ganhou na carreira, são outros quinhentos. Resta-nos aguardar. E, claro, desfrutar.

Enquanto isso, confira lances de Verratti na temporada: