segunda-feira, setembro 29, 2014

Prévia de PSG vs Barcelona

Talvez o duelo entre Motta e Messi seja o grande duelo do jogo. Desde que ele ocorra de fato, claro. Diante do Barcelona, em casa, imagino que Blanc vá de Thiago Motta na cabeça da área, e não Cabaye, por uma questão meio óbvia: a ofensividade do adversário, em especial naquela região do campo, provocada pelo gênio argentino. Portanto já adianto que vou ficar surpreso, e com cara de bobo, se o treinador do PSG não optar por Thiago Motta à frente da zaga (noves fora o ganho em estatura).

Zaga que pode ser composta por Marquinhos e David Luiz ou Camara e David Luiz (Thiago Silva segue fora de combate). Na prancheta prévia estou apostando no brasileiro, porém sem tanta convicção assim. Pelo seguinte: o lado direito da defesa é por onde Neymar joga - só isso - e confesso que não tenho muita ideia do que Laurent Blanc pretende fazer para freá-lo, se adotar a força física de Camara ou a velocidade e a técnica de Marquinhos. Porque quando Neymar passar por Aurier, e deve passar algumas vezes na partida, o próximo marcador geralmente é o zagueiro à direita. Enfim. De qualquer forma, seja quem for, Camara ou Marquinhos, vai precisar estar num dia inspirado, já que o camisa 11 do Barça está voando.



Voltando ao meio de campo, além do provável e crucial duelo entre Thiago Motta e Lionel Messi, será interessante acompanhar a disputa entre Verratti e Matuidi e Rakitic e Iniesta. Aliás, é importante ressaltar uma coisa. Com o recuo habitual de Messi, a tendência é o Barcelona adquirir superioridade numérica no setor (Busquets, Rakitic, Iniesta e Messi contra Thiago Motta, Verratti e Matuidi). Quatro contra três. Logo, para que o PSG não fique em inferioridade numérica nessa região tão fundamental, penso que Pastore deva flutuar pela faixa central com a posse da bola, e sem ela Cavani deva voltar para cercar Busquets.

Se as escalações e as distribuições táticas aqui especuladas por mim se confirmarem, outro duelo pertinente deve acontecer entre Verratti e Iniesta. Se por um lado Matuidi tem na condução em velocidade e na infiltração seus pontos fortes (Rakitic nem tanto), do outro Verratti e Iniesta representam a troca de passes, a cadência e a aceleração conforme a exigência do cotejo. A diferença é que se Marco Verratti estiver mal ou for anulado, não há outro pé pensante no time. Já no Barcelona, se Iniesta estiver mal ou for anulado, tem um tal de Messi que pode cumprir o mesmo papel de criação, até com mais eficiência do que o próprio Iniesta (sem falar em Rakitic). Portanto, embora o confronto seja em Paris, acredito na posse de bola dominante por parte dos visitantes, enquanto os mandantes irão priorizar, creio eu, os contra ataques puxados por Lucas às costas de Adriano (ou Alba), ou até mesmo às costas de Daniel Alves, caso haja uma inversão com Pastore.

Teorias e tentativas de previsão à parte, a bola rola na prática, no Parc des Princes, nesta terça-feira, às 15h45, horário de Brasília, em jogo válido pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League. No momento o Barcelona é o líder do Grupo F com três pontos, Ajax e Paris Saint-Germain somam 1 ponto cada, e o APOEL não tem nada.

Ninguém tira o caneco da toca

Graças à incapacidade das pessoas de visualizar o longo prazo, e ao vício delas em análises imediatistas, muita besteira vai ser falada nessa semana. Caça à Raposa, final antecipada, esse tipo de coisa (como fizeram com o São Paulo até ontem). Todo tipo de avaliação de torcedor de boteco vai ser feita ao longo dessa semana, não só nos botecos, pelos torcedores, mas também na mídia, por boa parte da imprensa. Vai se falar muita besteira até o dia do jogo entre Cruzeiro e Internacional, no Mineirão, no próximo sábado, pela 26ª rodada.

Os analistas de tabela argumentarão: "Mas Carlão, o Inter está apenas a seis pontos do líder! E se ganhar dele fora de casa, essa distância cai para três!" Verdade. Tem razão. Vejo que matemática é o seu forte. No entanto quero lhe dizer que no futebol nem sempre dois mais dois são quatro, e que é preciso entender o passado e enxergar além do hoje para tentar prever alguma coisa.

Claro. Futebol não é ciência exata. Qualquer um que tente cravar o futuro tem altíssima probabilidade de quebrar a cara. Justamente por isso não digo com todas as letras que o Cruzeiro já é ou será o campeão (apesar do título meio sensasionalista desse post; o correto, admito, seria "duvido que alguém tire o caneco da toca"). Entretanto, baseado na força do elenco do Cruzeiro, no entrosamento da equipe, que não nasceu da noite para o dia, na qualidade do treinador e na sua longevidade no cargo, acredito que essa projeção se torne mais fiel à realidade, ainda mais quando estamos falando de pontos corridos (mata-mata são outros quinhentos).

Sim. O Inter também tem um bom treinador, tem um ótimo elenco, e em tese está entrando nos trilhos. A distância na tabela de classificação, como nós sabemos, é de apenas seis pontos. Contudo, não sei se você concorda, a distância no campo e bola, dentro de campo, ainda é grande. Em outras palavras, enquanto o Colorado está engatando a quarta marcha, a Raposa vem em quinta há meses, administrando o gás. Ou seja, enquanto o time treinado por Abel Braga ameaça embalar, o treinado por Marcelo Oliveira já vem embalado. E o fim da linha, a rodada 38, é logo ali.

"Quer dizer que o Internacional não tem chances de ganhar do Cruzeiro no Mineirão, Carlão?!" Óbvio que tem, né. Não é isso. Por favor. O jogo é jogado, são onze contra onze, independente do lugar. Ainda assim, mesmo se isso acontecer, mesmo se o Inter vencer em Belo Horizonte e a diferença cair para três pontos, o grande favorito disparado ao título seguirá sendo o Cruzeiro, na minha opinião. Pois faltarão 12 rodadas para o término do campeonato, e pelos motivos citados por mim nesse post, o Inter (e nenhum outro time) não será capaz de somar mais pontos que o líder nessa reta final, penso eu. Nada, ao menos na minha visão, indica isso.

domingo, setembro 28, 2014

Aos 27 anos, 401 gols. E contando...

O melhor que já vi jogar.



Flu mostra sua cara em São Paulo

Cruzeiro, Internacional, São Paulo e Fluminense. Na minha visão são os únicos quatro clubes do Brasil que têm em seus elencos peças para propor um estilo de jogo que valorize a posse e o passe. São os únicos quatro que têm totais condições de atuar dentro e fora de casa da mesma maneira (em especial depois da melhoria feita em vários gramados da elite do país). Na prática, no entanto, em regra a única equipe que se comporta da mesma forma dentro e fora de casa é o Cruzeiro – não à toa, o time com o mesmo treinador há mais tempo. (Só um parêntese: cheguei a escrever sobre isso em relação ao Inter. Leia aqui.)

Mas a Raposa não reina absoluta nesse sentido. Justiça seja feita.



Na partida diante do São Paulo, no Morumbi, neste sábado, pela 25ª rodada, o Fluminense jogou à sua maneira, mesmo fora de casa. E construiu uma das grandes vitórias do campeonato até o momento: 3 a 1, com direito a golaços de Wagner e Conca (Fred abriu o placar, em belo arremate após passe de Conca - para mim o melhor em campo). Em meio a um certame tão criticado (justamente, diga-se), é importante reconhecer e ressaltar esse feito alcançado pelo Flu.

Porque no Brasil me parece que o complexo de vira-lata se aflora fora de casa. É comum pensarmos que empatar fora de casa é bom, que somar um ponto fora de casa está de bom tamanho. Que fora de casa precisamos ser "humildes", pois quem manda na casa é o mandante e isso não se discute. Porém não nos damos conta de que futebol é onze contra onze, e que se o time tiver uma proposta de jogo bem definida, se o time tiver material humano capacitado, estiver bem treinado e confiante, pode jogar "bem" em qualquer lugar, contra qualquer um. E de repente o pensamento do "empate fora de casa" torna-se ridículo, mesquinho e pequeno. Ou seja, o complexo de vira-lata.

Há quem diga que o Grêmio faz isso. Que o Grêmio de Felipão joga dentro e fora de casa do mesmo jeito. Pode até ser. Mas joga "mal". É um time que prioriza a marcação e a bola no Dudu. É um time que se fecha com "três volantes" e busca o contra ataque. Nada contra. A estratégia é legítima. Entretanto, quando me refiro à proposta de jogo e à manutenção dela na condição de mandante e visitante, me refiro a um estilo mais elaborado, de valorização da posse de bola e da troca de passes. Foi o que, por exemplo, o time treinado por Cristóvão Borges fez, com maestria, no confronto direto com o São Paulo. Na primeira etapa, 55% de posse de bola para o tricolor carioca em terras paulistanas. Já na etapa final, arquitetou seus gols e conduziu o jogo como gente grande, trocando passes no campo ofensivo, fiel às suas características, mesmo fora de casa. Resultado: uma baita vitória contra um adversário direto na briga por uma vaga na Libertadores. Vitória que significa, além dos três pontos na tabela, confiança para os próximos desafios.

sábado, setembro 27, 2014

Agora a coisa ficou séria

No fim das contas Messi e Neymar nunca tiveram uma sequência significativa na temporada passada. O argentino ficou uns dois meses parado uma época, mais tarde o brasileiro ficou um, salvo engano, noves fora algumas escolhas questionáveis de Tata Martino. Em outras palavras, entre idas e vindas, a sonhada dupla composta pelos dois não se tornou realidade na temporada passada, porque ela não teve uma sequência satisfatória.

O sonho tarda, mas não falha.



Junta desde a pré-temporada, a dupla apresenta números impressionantes em 2014/15: Messi já soma 8 assistências (7 no Espanhol), e Neymar possui 6 gols em 6 jogos (4 em assistências de Messi). Confesso, todavia, que ainda não consegui ver nenhum jogo do Barça de Luis Enrique. Portanto não vou procurar explicações táticas para esse desempenho. Não sei se o Barça de Luis Enrique tem mesmo jogado no 4-4-2 em losango, com o camisa 10 mais camisa 10 e menos falso 9, como previsto aqui nessa prancheta, nem se Neymar tem sido mais atacante do que ponteiro. O que dá para dizer com certeza, porém, é que nessa temporada eles estão tendo uma continuidade consistente que não tiveram em nenhum momento na passada (sem falar que é o segundo ano de Neymar no clube catalão).

Insisto, não vi nenhuma partida dessa equipe, logo não consigo analisá-la taticamente. No entanto esse número de gols marcados por Neymar em passes de Messi (4 em 6) inevitavelmente me leva a esse post publicado em maio de 2013, antes do craque brasileiro sequer ter estreado, intitulado “E o garçom da rodada é...” Nele abro o texto assim: "Passe de Messi, gol de Neymar. Pode se acostumar. Na próxima temporada você vai ler e ouvir essa frase com frequência." Confira aqui.

Pelo visto minha profecia, digamos assim, está se confirmando. Com uma temporada de atraso, mas está. E pelo visto aquele sonho de ver Messi e Neymar – os dois maiores ta-len-tos do futebol mundial atual – deitando e rolando no mesmo XI, vai se realizar. Com uma temporada de atraso, mas vai. Enfim. O fato é que se eles tiverem uma sequência significativa e satisfatória, naturalmente o entrosamento, os gols, as vitórias e os shows tendem a acontecer mais e mais.

PS: Veja os melhores momentos de Messi e Neymar sobre o Granada.

O dedo do treinador

Quem me segue no Twitter sabe o tamanho da admiração que tenho pelo trabalho de Rodgers. Admiração que se consolidou de vez na temporada passada, com aquele time que tinha Suárez voando, é verdade, mas que se destacava também por sua coletividade, sua troca de passes, sua posse de bola, seu poder de fogo, variando basicamente entre o 4-1-4-1 e o 4-4-2 em losango. Nesse início de temporada, no entanto, tudo mudou.



- Menos, Carlão. Tudo mudou é exagero. Não é para tanto.

- Tem razão.

Mas me parece evidente que Rodgers tem cometido mais mudanças do que necessário nesse início de 2014/15. A estrela da companhia saiu, é verdade. Porém me refiro mais especificamente à coletividade da equipe em si, e não à genialidade do atacante uruguaio, que obviamente faz falta. É verdade que muitos reforços chegaram também. Porém entendo que o treinador norte-irlandês deveria lançá-los com mais parcimônia, gradativamente (lembre-se: nada muda da noite para o dia).

Só uma coisa. Preciso ser justo. O melhor jogador do time, Daniel Sturridge, está fora de combate. Tem isso. Ainda assim, como disse, o que mais tem me incomodado nesse início de temporada em relação ao trabalho de Rodgers, minha maior crítica em relação ao seu trabalho nesse início de temporada, tem a ver com o coletivo, e não o individual. Dito isso de novo, me parece que duas escolhas dele têm atrapalhado o rendimento momentâneo dos Reds: a mudança de muitas peças e a mudança do esquema tático.

Sempre lembrando da ausência de Sturridge, o Liverpool ultimamente tem variado para o 4-2-3-1. Diante do Everton, neste sábado, no Anfield, pela 6ª rodada da Premier League, por exemplo (1 a 1), Markovic e Sterling atuaram pelas beiradas, Lallana por dentro, próximo a Balotelli, Gerrard e Henderson volantes, além de Manquillo, Skrtel, Lovren e Moreno na linha de quatro da defesa (seis atletas que chegaram na última janela de transferências no XI inicial). Em outras palavras, muitas alterações da noite para o dia (peças e estrutura). Ora! Se o capitão Gerrard, por exemplo, deitou e rolou coletiva e individualmente em 2013/14 jogando na cabeça de área (4-1-4-1 ou 4-4-2 em losango), por que raios tirá-lo dali? Por que colocá-lo para formar uma dupla com Henderson? Por que mexer justamente na espinha dorsal do time que deu tão certo?

Enfim. Rodgers deve ter lá seus motivos para fazer o que está fazendo. Deve ter suas razões para fazer as mudanças que está fazendo, da maneira que está fazendo, assim, a granel. Eu confesso que discordo dessas decisões adotadas por ele. Talvez por não compreendê-las completamente. Ou talvez por convicção mesmo.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Acabou a pizza

Quando pessoas que eu não confio tomam decisões positivas para o mundo, eu desconfio. Sempre me pergunto o que pode haver por de trás delas, quem vai ganhar e quem vai perder com elas (ganhar e perder o quê?), quais as segundas ou terceiras intenções delas, ou melhor, qual a verdadeira intenção delas, essas coisas. Portanto qualquer medida dita positiva tomada por essa cúpula da FIFA, eu naturalmente recebo com o pé atrás, ressabiado. Feita essa pequena ressalva, confesso que recebo a notícia desta sexta-feira com bastante satisfação (leia aqui).

O mundo precisa mudar (já está mudando, na verdade). Nós, seres humanos, precisamos entrar logo na era do consumo racional (já estamos entrando). E o futebol, uma das melhores representações da nossa sociedade, se não a melhor, obviamente está inserido nesse contexto. Ao adotarem essa medida, de cortarem os intermediários das negociações de jogadores (justo a mão de obra), Blatter e sua turma em tese tornam o esporte mais popular do mundo mais sustentável, com gastos mais racionais, mais próximos do seu real valor, deixando o dinheiro onde ele deve estar, onde ele pode dar retorno ao seu meio, e não “perdido” pelo meio do caminho.

Claro que essa medida sozinha não vai mudar o mundo. Mas nada no mundo muda sozinho. Toda mudança ocorre por uma soma de fatores. Nada ocorre isoladamente. Enfim. O fato é que essa decisão da FIFA é apenas mais um fator nessa conta gigantesca que temos de fechar o quanto antes, não só em relação ao futebol, mas em relação ao planeta, do qual, lembre-se, o futebol faz parte. Afinal estamos todos, e tudo, no mesmo barco.

terça-feira, setembro 23, 2014

Uma cornetada na imprensa esportiva

Costumo dizer que o futebol é o segundo esporte mais popular do Brasil.

O primeiro é discutir a arbitragem.

Há quem diga que se discute arbitragem em demasia por aqui porque esse tipo de debate gera mais audiência (viva o poder econômico!). Pode até ser. Mas é simplório demais acreditar exclusivamente nisso. Na minha modesta visão, se fala de arbitragem em excesso por aqui porque basicamente faltam capacidade e conhecimento para se falar de futebol, para se comentar o campo e bola propriamente dito.

Pense comigo. O que é mais fácil? Analisar o jogo tática e tecnicamente ou ficar gastando minutos, até horas, falando de erros ou acertos de arbitragem? Obviamente é mais fácil falar de arbitragem. Mas como disse, não acho que fazem isso por maldade, puramente em nome da audiência. De uma maneira geral, acho que fazem isso por incompetência mesmo, pois debater o campo e bola exige um conhecimento que a maioria, ou boa parte, dos jornalistas não possui.

No entanto o buraco é mais embaixo. Vai além. A discussão envolvendo a arbitragem (essa praga verde e amarela) é apenas um grão de areia nesta vasta duna de ignorância (ignorância no sentido da falta de conhecimento). Repare. Assista aos programas, ouça-os, leia os blogs, colunas e afins, e você verá que se gasta mais tempo e linhas com o extracampo do que com o jogo jogado em si. Fala-se muito mais do dirigente, da torcida, da crise, da polêmica, da fofoca e o caramba do que do campo e bola. Fala-se, de uma maneira geral, muito mais dos problemas e soluções extracampo do que do que acontece de fato dentro das quatro linhas. Por quê? Por maldade? Pelo sensacionalismo? Pela audiência? Pode ser. Mas não tenho dúvida de que, também, por incapacidade – salvo poucas e boas exceções (sim, elas existem).

Quem me segue nas redes sociais sabe que eu costumo dizer que o futebol é o segundo esporte mais popular do país, atrás das discussões de arbitragem – essa paixão nacional, ao lado da bunda. E sabe também que costumo dizer que, se o futebol brasileiro está nivelado por baixo, a imprensa esportiva brasileira – salvo exceções – está no mesmo caminho, nivelada por baixo. Basta analisar as análises com senso crítico para perceber isso.

domingo, setembro 14, 2014

Primeira impressão do United de LVG

Louis van Gaal fez o que deveria ser feito. Abriu mão do 3-5-2 para jogar com linha de quatro na defesa (no caso, no 4-4-2 em losango). Na convincente vitória por 4 a 0 sobre o QPR, neste domingo, no Old Trafford, pela 4ª rodada da Premier League, Blind atuou na cabeça de área, Herrera mais à direita, Di María mais à esquerda e Mata mais avançado, além de Van Persie e Rooney no ataque, Rafael e Rojo ofensivos nas laterais, e Evans e Blackett na zaga.

Destacaram-se individualmente, a meu ver, Blind, Di María e Mata.



O camisa 17 assumiu com autoridade essa posição tão carente no elenco do Manchester United há tanto tempo. Seu senso tático e seu passe deram uma qualidade à saída de bola que Carrick e Fletcher jamais foram capazes de dar. O holandês sabe a hora de tirar o time de trás, a hora de recuar, como distribuir o jogo, e por aí vai. Com o passar das partidas, deve se tornar uma referência nessa meia cancha.

Já Di María fez o que dele se espera: desequilibrou. Completo do jeito que é, o argentino fez de tudo, em regra pelo corredor esquerdo. O gol de Herrera, por exemplo, nasceu após uma de suas típicas arrancadas: condução de bola em alta velocidade, mais drible, mais passe. (Herrera também foi muito bem, por sinal, bastante presente no apoio.)

Em relação a Mata, inevitável a comparação com Silva. Não só por ambos serem espanhóis, canhotos e jogarem em Manchester. Mas em especial pela movimentação deles. Se no City Silva é onipresente, aparece em todos os cantos do campo para receber a bola, para dar opções aos companheiros e para fazer o time jogar, o mesmo acontece com Mata no United. Ou melhor, aconteceu nesse jogo contra o QPR, e imagino que deve acontecer ao longo da temporada.

Aliás, se Mata for mesmo toda essa peça-chave que eu estou imaginando ser nesse time do Van Gaal, parece-me que Rooney, Van Persie e Falcao brigam por duas vagas no XI inicial. Se eu não estiver errado, na verdade, no fim das contas a disputa deve ser resumida entre Van Persie e Falcao, uma vez que Ronney é titular absoluto. Não? Acredito que sim. Enfim. Seja como for, foi animadora a exibição deste domingo. Valorização da posse de bola, troca de passes, muita movimentação e poder de conclusão. A tendência agora, penso eu, é Van Gaal repetir o time, para que ele se entrose e a cada dia mais assimile sua filosofia de jogo.

PS: No segundo tempo Falcao entrou na vaga de Mata. Dessa forma Rooney recuou para a posição do espanhol (enganche), enquanto o colombiano formou a dupla de ataque com Van Persie.

quinta-feira, setembro 11, 2014

Por que o São Paulo não deve chegar

Kaká não é o melhor jogador do time. Nem o segundo melhor. Tampouco o terceiro. Mas não se pode negar que existe um São Paulo antes e um depois dele. Após sua chegada, Muricy finalmente encontrou o chamado XI ideal e definiu o esquema tático da equipe: um 4-4-2 em linha com Ganso e Kaká fechando os lados do campo sem a bola (isso mesmo), marcando lateral, com Alexandre Pato e Alan Kardec no ataque. A grande contribuição do ex-Bola de Ouro, todavia, se faz mais presente no quesito emocional do que tático e técnico. Graças ao seu comprometimento inspirador e contagiante, nenhum colega sai do gramado com o uniforme limpo, digamos assim. Enfim, parece que o São Paulo definitivamente entrou nos trilhos. A questão é: a tempo?



Claro. Futebol não é ciência exata. No futebol nem sempre um mais um são dois. Mas quando digo que o Cruzeiro não tem um concorrente à altura, digo porque não vejo tempo suficiente para isso mudar. Mas falta o segundo turno inteiro, Carlão! Eu sei. Porém me refiro a outra escala de tempo, da qual os adversários "diretos" (repare nas aspas) da Raposa não serão capazes de tirar. Quero dizer, não deverão ser capazes de tirar. Não sou louco ao ponto de cravar isso. Mas quase isso. Pelo seguinte: enquanto o time treinado por Marcelo Oliveira vem embalado desde o começo da temporada, o São Paulo, hoje a maior "ameaça" à Raposa (repare nas aspas), está recém entrando nos trilhos. Em outras palavras, esse processo pelo qual atravessa o São Paulo, o Cruzeiro já atravessou no ano passado. Logo, no momento está muitas milhas à frente.

Por essas e outras a questão é: o São Paulo vai chegar a embalar a tempo? Pois por mais que chegue a embalar, ou por mais que já esteja embalado, a verdade é que o trem azul mais parece um trem bala. Por mais que o São Paulo tenha se encontrado desde a chegada de Kaká, por mais que Ganso e Pato estejam voando (para os padrões brasileiros, estão mesmo), por mais que Souza e Denilson tenham balanceado a dupla de volantes e etc, não o vejo chegando no Cruzeiro. Não nesse Brasileirão. Principalmente porque não vejo o Cruzeiro perdendo velocidade nessa corrida. Em suma, enquanto o São Paulo está passando da terceira para a quarta marcha, o Cruzeiro está engatado na quinta há meses. E essa diferença não deve ser tirada nesses pontos corridos. Não por falta de competência do São Paulo ou de qualquer outro suposto postulante ao título, mas sim pelos indiscutíveis méritos do Cruzeiro, construídos desde 2013.