segunda-feira, outubro 20, 2014

Prancheta prévia de Roma vs Bayern

Se a cartilha for seguida à risca, é provável que a posse de bola seja dos visitantes e o contra ataque dos mandantes. Se o Bayern de Guardiola se comportar como o bom e velho Bayern de Guardiola diante da Roma de Rudi García, é bem provável que a equipe alemã busque a troca de passes curtos, passes seguros, envolventes e pacientes, tendo como objetivo chegar à meta adversária. Se a cartilha for quebrada, no entanto, pode ser que o Bayern marque lá atrás e opte pelo contra golpe.

Caso contrário, caso a obviedade entre em campo na Cidade Eterna, a Roma deve explorar as jogadas em velocidade com Iturbe e Gervinho, em regra em cima dos laterais Alaba e Rafinha (em especial Alaba, que em tese sobe mais que Rafinha). Totti, por sua vez, sem a bola, deve recuar e cercar o primeiro volante adversário (no caso, Alonso). Já com ela, deve chamar o jogo para acionar os extremos e os eventuais meio-campistas que subirem ao ataque (em especial Pjanić), sem abdicar das jogadas individuais, evidentemente.



Se por um lado Iturbe e Gervinho devem bater de frente com Alaba e Rafinha, do outro Robben e Götze devem duelar com Cole e Maicon, respectivamente. Claro, desde que essas sejam as escalações e as estruturações táticas. Se os esquemas táticos forem esses mesmos, por sinal, tem tudo para ocorrer o encaixe na meia cancha: De Rossi vs Müller, Nainggolan vs Lahm e Pjanić vs Alonso. Sem esquecer que com o possível recuo de Totti, a Roma pode atingir a superioridade numérica no setor (o que pode ser contrabalanceado com a movimentação de Götze, quando este se desprende da ponta e se soma à faixa central).

Seja como for, a expectativa é de um grande jogo. Resta saber se a cartilha será mantida ou quebrada. Se for mantida, é Bayern com a bola e Roma no contra ataque, em pleno Estádio Olímpico. Se for quebrada, Roma com a bola e Bayern no contra ataque. Teorias e tentativas de previsão à parte, o apito inicial será soprado às 16h45 desta terça-feira, no confronto válido pela 3ª rodada da fase de grupos da Champions League. No momento o Bayern é líder com 6 pontos, seguido pela Roma (4 pontos), pelo Manchester City (1 ponto) e pelo CSKA (0 ponto).

sábado, outubro 18, 2014

Wesley Sniper!

Com dois golaços de Wesley Sneijder no finzinho do clássico, o Galatasaray derrotou o Fenerbahçe por 2 a 1, neste sábado, em casa, pela 6ª rodada da Liga Turca. O primeiro, que abriu o placar, aos 43 do segundo tempo. E o segundo, dois minutos depois.



Os visitantes ainda descontaram nos acréscimos com Potuk.

segunda-feira, outubro 13, 2014

O retorno do trio campeão ao Beira-Rio

A versatilidade de Alex impressiona. Se não me engano, na linha, só não jogou na zaga e na lateral direita. Porque de resto, sem exagero, jogou praticamente em todas as posições. No Brasileirão 2014, por exemplo, no 4-1-4-1 de Abel Braga, já o vi atuando pelo flanco esquerdo e pela faixa central (veja aqui, aqui e aqui). Já na partida deste domingo, em casa, na vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense, pela 28ª rodada, ele (autor de um dos gols) ocupou o lado direito de um 4-2-3-1, com D’Alessandro por dentro, Patrick à esquerda, Wellington Paulista na frente (depois Nilmar), além dos volantes Willians e Bertotto.

Mais atrás, no Corinthians treinado por Tite, campeão da Libertadores 2012, Alex cumpriu o papel de falso nove em alguns jogos daquela campanha. No fim das contas ficamos na cabeça com Emerson jogando como centroavante naquele 4-2-3-1, pois foi assim na finalíssima diante do Boca (2 a 0, dois de Emerson). No entanto, até então, Sheik jogava numa ponta e Jorge Henrique na outra, enquanto quem fazia o eventual papel de centroavante era Alex (revezando-se, é verdade, com Danilo). Convenhamos, algo que, mesmo àquela altura da carreira, não era novidade para ele.



Porque mais atrás ainda, num time também treinado por Tite, campeão da Sul-Americana 2008, Alex era atacante, ao lado de - veja você como o mundo dá voltas - Nilmar. E à frente de - veja você - D’Alessandro. Isso mesmo. O Inter que hoje tem Alex, D’Alessandro e agora Nilmar, já os teve há seis anos. A diferença, além da idade/experiência individual de cada um, é que aquela equipe se estruturava no 4-4-2 em losango (4-3-1-2), com Edinho, Magrão e Guiñazu formando a trinca de volantes, digamos assim, D’Ale enganche, e a dupla de ataque composta por Alex e Nilmar, de modo que essa de 2014 varia entre o 4-1-4-1 e o 4-2-3-1. Logo, não é de hoje que a polivalência do hoje camisa 12 colorado joga a seu favor (e a favor do time em que ele joga).

No final de novembro de 2008, aliás, cheguei a escrever: "Agora, cá entre nós: quem destes jogou mais que Alex neste ano? Cristiano Ronaldo? Messi? Pode ser. Ibrahimovic idem. Quem mais? Agüero? Fernando Torres? Ribéry? Não sei, não." É sério. Escrevi isso. E terminei o post assim: "Para mim o camisa 10 do Inter está, no mínimo, entre os 5 melhores futebolistas do mundo em 2008." Duvida? Confira aqui.

Portanto fica evidente a admiração de longa data que tenho pelo futebol desse canhotinha sinistro. E, portanto, fico bem tranquilo para elogiá-lo a essa altura do campeonato, aos 32 anos de idade, ainda jogando em alto nível para os padrões brasileiros e sul-americanos. Em relação aos outros dois, só para completar a idade do trio, D’Alessandro tem 33 e Nilmar tem 30. Trio, por sinal, que promete para a Libertadores 2015. Pelo menos na minha expectativa. Desde que o Inter se classifique, obviamente.

quinta-feira, outubro 09, 2014

A areia movediça do futebol brasileiro

Esse baita levantamento publicado no mexicano El Economista (veja aqui), repercutido por Ubiratan Leal na Trivela, me deu um gancho inevitável para falar de novo de um velho assunto conhecido nosso. De um assunto difícil de ser abordado sem cair na repetição de argumentos anteriores, admito. De um assunto até certo ponto vergonhoso de ser tocado, se comparado com o que vemos por aí, tamanho é o nosso atraso. Mas colocar o dedo na ferida é bom e eu gosto, então, vamos lá: troca-troca de treinadores.

Os números são assustadores. De 2002 para cá, dos 10 clubes que mais trocaram de treinador no mundo, 7 são brasileiros (imagem abaixo). É isso mesmo: 7 dos 10 clubes que mais trocaram de treinador no mundo de 2002 para cá são brasileiros. Nada menos do que 70%. Inacreditável! Enquanto na Premier League, por exemplo, um treinador fica em média 2.6 temporadas no cargo, no Brasileirão essa média é de 0.4. Ou seja, na média o treinador que trabalha no Brasil não fica nem meia temporada num clube. Já na Alemanha, traçando outro parâmetro, enquanto a média de partidas de um treinador no comando de um clube é de 54.4, no Brasil é de 15.2. Em outras palavras, na média, troca-se de treinador no Brasil a cada 15 jogos.

Não precisa desenhar, né? Ou precisa?



Como disse, é praticamente impossível analisar o futebol brasileiro sem cair na repetição (e na irritação). Portanto faço questão de lembrar desse tweet, uma síntese - modéstia à parte muito bem feita por mim - dos problemas que enfrentamos nos gramados (campo e bola, dentro das quatro linhas mesmo) do nosso país, o chamado país do futebol (aham, sei): "Sem convicção não há manutenção. Sem manutenção não há continuidade. Sem continuidade não há entrosamento. Sem entrosamento não há título." Ah, e sem conhecimento não há convicção.

Insisto. Dos 10 clubes que mais trocam de treinador, 7 são brasileiros. Sete!

Depois algumas pessoas ainda vêm dizer que o 7 a 1 não tem explicação. Claro que tem! Ô, se tem! E essa incapacidade de pensar e agir no longo prazo são uma delas! Essa incapacidade de enxergar além do amanhã! Esse vício pelo imediatismo, pelas análises imediatistas, pelas tomadas de decisões imediatistas! Imediatismo que está enraizado em todos os setores (dirigentes, jornalistas, treinadores, jogadores, torcedores). Sim! Todos nós temos culpa! Porque achamos normal trocar de treinador no meio da temporada! Porque achamos normal o contrato padrão do clube com o treinador ter duração de apenas uma temporada! E o pior: achamos normal quando esse contrato - ridículo, de apenas uma temporada - é quebrado! Ora! Esse contrato tem de ser por, no mínimo, duas temporadas! No mínimo! E, obviamente, precisa ser cumprido até o fim!

Como disse, é impossível analisar o futebol brasileiro sem cair na irritação. E na repetição. Logo, não estou escrevendo nada de novo. Escrevi sobre isso em posts anteriores, e nas redes sociais, porém esse levantamento do El Economista me deu um gancho irresistível para eu expor minha visão, e por que não?, dar uma desabafada.

Enfim. É isso. Enquanto as pessoas que trabalham no futebol brasileiro não entenderem que futebol se faz no longo prazo, enquanto não entenderem que se trata de um esporte coletivo e que um time não nasce da noite para o dia, enquanto não entenderem que, para o fruto ser colhido, é preciso esperar a planta crescer e se desenvolver, vamos continuar na mesma areia movediça de sempre. Enquanto não chutarmos o imediatismo para escanteio, vamos continuar levando 7 a 1 da Alemanha.

terça-feira, outubro 07, 2014

Os números dizem o quê?

Esse post no Facebook me gerou uma dúvida: a média de gols dos artilheiros do Brasileirão é realmente muito mais baixa do que a média dos goleadores das principais ligas da Europa? Resolvi chutar o achismo para escanteio e dei uma vasculhada nos números das últimas cinco temporadas.



Eu sei que a comparação seria mais precisa se eu pegasse a relação entre gols e partidas jogadas por cada artilheiro em cada campeonato. No entanto, peguei os números absolutos mesmo. Outra coisa, é preciso lembrar que as ligas alemã e portuguesa têm 18 clubes, logo, 34 rodadas, e não 38 como as demais, o que sem dúvida compromete um pouco o resultado final do cálculo. Dito isso, vamos lá.

A média mais alta, evidentemente, é a da liga espanhola (38 rodadas): 40.2 gols. Nas últimas cinco temporadas, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se revezaram no topo da artilharia. Em 2013/14, Ronaldo marcou 31 gols; em 2012/13, Messi marcou 46; em 2011/12, Messi marcou 50; em 2010/11, Ronaldo marcou 40; e em 2009/10, Messi marcou 34.

A Premier League e a Serie A (38 rodadas) estão empatadas com a segunda melhor média: 27.2 gols. Nas últimas cinco temporadas do Inglês, estes foram os números: em 2013/14, Suárez fez 31 gols; em 2012/13, Van Persie fez 26; em 2011/12, Van Persie fez 30; em 2010/11, Tevez fez 20; e em 2009/10, Drogba fez 29. Já nas últimas cinco temporadas do Italiano, estes foram os números: em 2013/14, Immobile fez 22 gols; em 2012/13, Cavani fez 29; em 2011/12, Ibrahimovic fez 28; em 2010/11, Di Natale fez 28; e em 2009/10, Di Natale fez 29.

A terceira média mais alta é a da Bundesliga, com 24.8 gols (34 rodadas). Detalhe: nas últimas cinco temporadas, o artilheiro não se repetiu. Em 2013/14, Lewandowski marcou 20 gols; em 2012/13, Kießling marcou 25; em 2011/12, Huntelaar marcou 29; em 2010/11, Mario Gomez marcou 28; e em 2009/10, Dzeko marcou 22.

A quarta média mais alta, nessas últimas cinco temporadas, é a da Ligue 1 (38 rodadas): 24 gols. Em 2013/14, Ibrahimovic fez 26 gols; em 2012/13, Ibrahimovic fez 30; em 2011/12, Giroud fez 21; em 2010/11, Sow fez 25; e em 2009/10, Niang fez 18.

A quinta melhor média é a da liga portuguesa, com 22.8 gols (34 rodadas). Nas últimas cinco épocas, estes foram os números: em 2013/14, Jackson marcou 20 gols; em 2012/13, Jackson marcou 26; em 2011/12, Lima e Cardozo marcaram 20 cada; em 2010/11, Hulk marcou 23; e em 2009/10, Falcao e Cardozo marcaram 25 cada.

Por fim, a sexta melhor média, ou a pior entre elas, é a do Brasileirão (38 rodadas): 21.2 gols. A exemplo da Bundesliga, nas últimas cinco temporadas o goleador não se repetiu: em 2013, Éderson fez 21 gols; em 2012, Fred fez 20; em 2011, Borges fez 23; em 2010; Jonas fez 23; e em 2009, Adriano e Tardelli fizeram 19 cada.

Enfim. Não sei até que ponto esses dados estatísticos e essa conta talvez um pouco mal feita podem dizer alguma coisa (se é que podem, pois futebol é um esporte coletivo, que vai muito além dos números). Só sei que, por uma série de fatores que renderiam um livro, de uns tempos para cá, os artilheiros do Brasileirão têm ficado bem aquém dos artilheiros da grandes ligas da Europa, não só em relação à questão técnica, mas também quanto ao número de gols propriamente dito.

segunda-feira, outubro 06, 2014

O dedo tático na face goleadora de CR7

Embora Cristiano Ronaldo tenha marcado 13 gols em 6 jogos no Espanhol, ainda é cedo para tentar precisar o tamanho da influência da mudança do esquema tático do time em sua quantidade de gols. Obviamente o Bola de Ouro é uma máquina de fazer gols, e independentemente da estrutura tática adotada e dos companheiros que o cercam, ele sempre será o artilheiro da equipe. No entanto me parece evidente que a mudança do esquema tático beneficiou seu futebol. Escrevi sobre isso, aliás, sobre essa expectativa, no comecinho da temporada, vide o post Os caminhos do Madrid sem Di María, publicado no dia 25 de agosto, e o post Ronaldo, mais artilheiro do que nunca, publicado no dia 12 do mesmo mês.



Mudança que ocorreu e ficou latente na reta final da temporada passada (em especial nos jogos contra o Bayern e contra o Barcelona, pela Copa do Rei), quando Ancelotti enfim definiu o 4-4-2 em linha o esquema padrão, com Bale e Di María wingers, Alonso e Modric volantes, além de Ronaldo e Benzema atacantes. Até então, no período Mourinho, a equipe em regra atuava no 4-2-3-1, com Di María, Özil e Cristiano Ronaldo na linha de três, o que exigia o acompanhamento do português, e do argentino, ao lateral adversário. Sob o comando de Ancelotti, na temporada 2013/14, a equipe variou para o 4-3-3, com Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo no setor ofensivo, o que ainda exigia o acompanhamento do português, e do galês, ao lateral adversário. E no fim das contas, entre variações aqui e acolá, o treinador italiano transformou o 4-4-2 em linha no esquema tático titular, digamos assim. E assim, desde então, o futebol do craque da camisa 7 passou a ser mais goleador.

Ou melhor. Como eu disse, ainda é cedo para tentar medir a influência desse reposicionamento na quantidade de gols que ele vem fazendo. Essa medição só será fiel à realidade, se é que um dia será, mais para a segunda metade de 2014/15, lá pelo primeiro semestre do ano que vem. Ainda assim, não há como negar que no 4-4-2 em linha (veja nos dois links a seguir), ao contrário do 4-2-3-1 e do 4-3-3, o "trabalho sujo" de acompanhar o lateral adversário é feito pelo winger (hoje por James ou Isco, e até ontem por Angel Di María – disparado o melhor do mundo na posição, por sinal). Em outras palavras, no 4-4-2 em linha os compromissos de Cristiano Ronaldo sem a bola são mais suaves. Enquanto que com ela, em tese com mais pulmão, mais descansado, por não acompanhar as subidas do lateral adversário, ele percorre por uma faixa mais extensa do campo de ataque, libertando-se do canto esquerdo, e por conseguinte aumentando suas possibilidades de circular e de entrar na área. Ou seja, aumentando de fato as chances de gol. E CR7 não costuma perdê-las.

sexta-feira, outubro 03, 2014

Inter favoritaço à vaga na Libertadores

Às vésperas da rodada 26, faço questão de registrar o resultado dessa enquete. Só para comparar com o que vai acontecer ao término da 38ª rodada.

No exato momento o "G7" está assim (25 jogos cada): Cruzeiro 53 pontos, Internacional 47, São Paulo 43, Atlético-MG 43, Grêmio 43, Fluminense 40 e Corinthians 40.



O voto é secreto, mas faço questão de abri-lo: votei em Internacional, São Paulo e Fluminense, não necessariamente pela ordem.

Ah, e é importante lembrar que, se um time brasileiro vencer a Sul-Americana (Bahia, Vitória, São Paulo ou Goiás), o Brasileirão 2014 passa a oferecer três vagas à Libertadores 2015, e não quatro.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Olho no Monaco de Jardim

Foi o primeiro jogo do Monaco que vi nessa temporada. Do Zenit também. Confesso. E embora ele tenha acontecido em São Petersburgo, chamou-me a atenção, de longe, o desempenho do time treinado pelo português Leonardo Jardim (40 anos). O time treinado por ele manteve a proposta (imagino que seja a proposta padrão) de posse e passe mesmo fora de casa, algo digno de nota e elogios.

Nos primeiros 15 minutos os visitantes dominaram a partida. Chegaram a ter 57% de posse de bola, e salvo engano chegaram a criar chance de gol. Aos poucos os donos da casa equilibraram o confronto, é verdade (50% de posse ao fim do primeiro tempo). Mas ainda assim, na minha visão, a superioridade do Monaco na primeira etapa foi nítida. Apesar do placar não ter saído do zero, ficou evidente a proposta, por parte da equipe de Jardim, pela troca de passes curtos, pelo passe com boa margem de segurança, para valorizar a posse da bola.



Engana-se quem pensa que não houve/há ambição nessa troca de passes. Pois uma coisa é querer adotar um estilo de jogo assim ou assado, e outra é conseguir transformar a teoria na prática, a ideia em realidade. Justamente por isso tirei o chapéu para a exibição do Monaco, nesta quarta-feira, pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League. Porque, mesmo fora de casa, impôs sua filosofia de jogo de posse e passe (mais no primeiro tempo; no segundo o panorama mudou um pouco). Não aquela posse inócua sem sal que não leva a lugar algum, e sim uma posse evolutiva via troca de passes progressivos sempre que possível.

Sem a bola o trabalho é mais simples, mas não menos nobre. E o Monaco de Jardim também se mostrou eficiente nesse aspecto, ao se fechar num 4-4-2 em linha bem agrupado e marcar por zona lá atrás. Ou seja, ao contrário do que fazia o Barcelona de Pep Guardiola (a grande referência no tema), que valorizava a posse através do passe curto, e marcava por pressão lá em cima quando perdia a bola, esse Monaco, que também valoriza a posse através do passe curto, quando perde a bola, recompõe-se no seu campo defensivo, uma postura que consequentemente gera espaços para eventuais contra ataques. No segundo tempo, por uma série de fatores, a opção pelo contra ataque ficou mais latente, inclusive.

Em outras palavras, uma coisa não exclui a outra. Mesmo se sua proposta for pela posse e pelo passe, por exemplo, você também tem que estar preparado para executar a retomada e a transição rápida. Seu time tem que ser flexível o suficiente para atacar com todas as armas que o futebol oferece. Entre essas duas correntes, no entanto (posse e passe ou retomada e transição rápida), sempre lembrando que uma coisa não exclui a outra, admito que me agrada mais a primeira, por uma série de motivos. Muito mais. Mas enfim. Em relação ao resultado da partida, o empate se manteve até o fim: Zenit 0-0 Monaco. Para mim, porém, vide esse post, o que valeu mesmo foi o desempenho (do Monaco, em especial na primeira etapa), e não o resultado em si, esse mero detalhe (sem desmerecer o suado ponto conquistado pela equipe francesa na Rússia, claro).

terça-feira, setembro 30, 2014

Um resumo do futebol brasileiro

Te pergunto: por que as transmissões televisivas do Brasil jamais enquadram os vinte jogadores de linha? Te respondo: porque aqui no Brasil o foco é no individual, e não no coletivo. Tanto dentro de campo quanto fora de campo. Tanto por parte de quem treina e joga, quanto por parte de quem analisa, administra e torce.



O melhor exemplo recente, dentro de campo, sem dúvida alguma é a Seleção de Felipão na Copa 2014 (leia aqui o que eu pensei e penso a respeito). Já fora de campo, os exemplos são diários e estão por todos os lados. Basta analisar as análises feitas pela maioria dos jornalistas e torcedores, e as decisões tomadas pelos cartolas, para reparar que elas geralmente são baseadas no indivíduo, e não no coletivo.

Em outras palavras, a culpa é de todos nós.

PS: Na imagem acima (vinte jogadores de linha enquadrados), CSKA vs Bayern, jogo disputado nesta terça, válido pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League. Destaque para o compactado 5-4-1 do time russo, atuando em casa. Placar final: 1 a 0 para a equipe de Munique, gol de Müller, de pênalti.

segunda-feira, setembro 29, 2014

Prévia de PSG vs Barcelona

Talvez o duelo entre Motta e Messi seja o grande duelo do jogo. Desde que ele ocorra de fato, claro. Diante do Barcelona, em casa, imagino que Blanc vá de Thiago Motta na cabeça da área, e não Cabaye, por uma questão meio óbvia: a ofensividade do adversário, em especial naquela região do campo, provocada pelo gênio argentino. Portanto já adianto que vou ficar surpreso, e com cara de bobo, se o treinador do PSG não optar por Thiago Motta à frente da zaga (noves fora o ganho em estatura).

Zaga que pode ser composta por Marquinhos e David Luiz ou Camara e David Luiz (Thiago Silva segue fora de combate). Na prancheta prévia estou apostando no brasileiro, porém sem tanta convicção assim. Pelo seguinte: o lado direito da defesa é por onde Neymar joga - só isso - e confesso que não tenho muita ideia do que Laurent Blanc pretende fazer para freá-lo, se adotar a força física de Camara ou a velocidade e a técnica de Marquinhos. Porque quando Neymar passar por Aurier, e deve passar algumas vezes na partida, o próximo marcador geralmente é o zagueiro à direita. Enfim. De qualquer forma, seja quem for, Camara ou Marquinhos, vai precisar estar num dia inspirado, já que o camisa 11 do Barça está voando.



Voltando ao meio de campo, além do provável e crucial duelo entre Thiago Motta e Lionel Messi, será interessante acompanhar a disputa entre Verratti e Matuidi e Rakitic e Iniesta. Aliás, é importante ressaltar uma coisa. Com o recuo habitual de Messi, a tendência é o Barcelona adquirir superioridade numérica no setor (Busquets, Rakitic, Iniesta e Messi contra Thiago Motta, Verratti e Matuidi). Quatro contra três. Logo, para que o PSG não fique em inferioridade numérica nessa região tão fundamental, penso que Pastore deva flutuar pela faixa central com a posse da bola, e sem ela Cavani deva voltar para cercar Busquets.

Se as escalações e as distribuições táticas aqui especuladas por mim se confirmarem, outro duelo pertinente deve acontecer entre Verratti e Iniesta. Se por um lado Matuidi tem na condução em velocidade e na infiltração seus pontos fortes (Rakitic nem tanto), do outro Verratti e Iniesta representam a troca de passes, a cadência e a aceleração conforme a exigência do cotejo. A diferença é que se Marco Verratti estiver mal ou for anulado, não há outro pé pensante no time. Já no Barcelona, se Iniesta estiver mal ou for anulado, tem um tal de Messi que pode cumprir o mesmo papel de criação, até com mais eficiência do que o próprio Iniesta (sem falar em Rakitic). Portanto, embora o confronto seja em Paris, acredito na posse de bola dominante por parte dos visitantes, enquanto os mandantes irão priorizar, creio eu, os contra ataques puxados por Lucas às costas de Adriano (ou Alba), ou até mesmo às costas de Daniel Alves, caso haja uma inversão com Pastore.

Teorias e tentativas de previsão à parte, a bola rola na prática, no Parc des Princes, nesta terça-feira, às 15h45, horário de Brasília, em jogo válido pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League. No momento o Barcelona é o líder do Grupo F com três pontos, Ajax e Paris Saint-Germain somam 1 ponto cada, e o APOEL não tem nada.