domingo, agosto 31, 2014

Possível Dortmund com Kagawa

Não sei o que Klopp tem em mente. Só para você ter uma ideia, na verdade até hoje não compreendi direito esse 4-4-2 em losango (veja aqui) adotado por ele na primeira rodada da Bundesliga 2014/15. Portanto realmente não tenho tanta noção do que se passa na cabeça do treinador alemão. E essa tentativa de previsão abaixo, de um time com Kagawa, não passa de mera especulação da minha parte. Afinal, quem não curte dar uma especuladinha?

Dito isso, partindo do princípio de que o japonês volta para ser titular, acredito que Aubameyang ou Mkhitaryan perca a vaga no XI. Para ser mais específico, imagino que no 4-4-2 em losango, Aubameyang pague o pato. No 4-4-2 em losango, imagino que Kagawa jogue como enganche, atrás da dupla ofensiva composta por Immobile e Reus, enquanto Kehl, Jojic (Gündogan quando estiver apto) e Mkhitaryan formam a trinca de "volantes".

Já no 4-2-3-1, creio que Mkhitaryan pague o pato. Pois nesse sistema, em função de suas características, Aubameyang é o nome ideal para atuar numa das beiradas. É atacante de velocidade, de condução. Ou seja, Aubameyang na ponta direita, Reus na esquerda, Kagawa na faixa central, e Mkhitaryan no banco. De resto, Immobile centroavante, Kehl primeiro volante e Jojic segundo volante (Gündogan quando estiver apto). Particularmente prefiro essa opção, e acho que Klopp também. Vamos ver.



Quando digo que prefiro esse 4-2-3-1, digo porque, a meu ver, é bem mais equilibrado que o 4-4-2 em losango (nesse caso do BVB, com esse material humano, etc). Kagawa também rende aberto, mas é pelo corredor central que seu futebol agrega mais ao coletivo. Por ali ele arma de trás, entra na área, encosta no camisa 9 e conclui. Além de cair pelos lados para jogar com os pontas. Não que Kagawa seja o melhor 10 do mundo. Não é isso. Porém talvez seja melhor que, por exemplo... Mkhitaryan. Quanto a Aubameyang e Reus, são os típicos atacantes de beirada. Reus ainda rende bem em outras posições, é verdade. É craque. Contudo, na minha opinião, é partindo dos flancos que ambos exploram melhor seus potenciais.

Quanto ao segundo volante (Kehl deve ser o primeiro mesmo, ou Bender), confesso que não sei quando Gündogan volta, se está para voltar ou se já voltou. Mas quando voltar (se já voltou, me desculpe, falha minha), sem dúvida é titularíssimo. É o chamado meio-campista moderno, como alguns gostam de dizer. Com ele por ali, o meia central (no caso Kagawa) não fica sobrecarregado na armação. Gündogan executa essa função de arquitetar as jogadas com maestria. Noves fora que sabe acelerar com qualidade quando o jogo pede isso. Em outras palavras, é completo. Resta saber como vai voltar depois de tanto tempo afastado dos gramados.

Seja como for, excelente a contratação de Kagawa nas últimas horas dessa janela de transferências. Primeiro pela qualidade técnica do jogador em si. Segundo por se tratar de uma posição onde não existe uma unanimidade (cornetei Mkhitaryan, não resisti). E terceiro por ele ser da casa, por já ter trabalhado com o treinador. Enfim. Vamos ver o que Klopp tem em mente. Vamos ver como ele pretende utilizar Kagawa, e qual vai ser a formação padrão da equipe nessa temporada (esquema tático e peças). A conferir.

PS: Número de Kagawa ainda não foi confirmado, 12 é um chute, está livre.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Possível Bayern com Alonso

Não vou dizer impossível, mas é sempre complicado tentar prever o XI de Guardiola. Logo quando sai a escalação do Bayern, seja para qual jogo for, nunca podemos cravar qual esquema tático será utilizado, tampouco quais peças se encaixarão em quais posições, pois ele varia com frequência o posicionamento das peças e o esquema. Portanto é difícil, mais ainda, tentar adivinhar qual será sua formação ideal – se é que ela existe – com Xabi Alonso. Contudo, quem não arrisca não petisca.

Por isso publico essa possibilidade na prancheta abaixo, talvez a mais óbvia de todas, num 4-3-3 eu diria ortodoxo para os padrões atuais de Pep. Embora tenha adotado o 3-4-3 em algumas partidas nessa pré-temporada, acredito que o treinador catalão irá jogar com dois zagueiros e dois laterais mesmo, uma vez que a variação para o 3-4-3 pode ocorrer com o recuo de Alonso (o mesmo raciocínio se aplica a Javi Martínez). Xabi, aliás, chega para ser titular absoluto, na minha visão. Chega para assumir a cabeça de área. Para se tornar o primeiro homem do meio campo. O que deve significar a volta de Lahm à lateral direita (e de Alaba à esquerda, pois nesse início de 2014/15 eles – Lahm e Alaba – chegaram a formar a dupla de volantes da equipe).



Nesse 4-3-3, que na marcação por zona lá atrás se transforma no 4-1-4-1, com o alinhamento dos pontas aos meias, para o melhor preenchimento dos espaços, não vejo uma meiuca melhor do que essa composta por Alonso, Schweinsteiger e Thiago. Nesse 4-3-3, não vejo nenhuma outra combinação mais pertinente do que essa. Nenhum trio é tão complementar, pelo menos em tese. Alonso responsável pela saída de bola, pelo primeiro passe, pelos lançamentos longos, pela distribuição de trás (função essencial no futebol, que ainda não compreendemos aqui no Brasil), enquanto os camisas 6 e 31 fazem o vai e vem, voltam para buscar o jogo e se apresentam na frente (sem falar no controle da posse através da troca de passes que essa meiuca pode proporcionar). Resumindo, se confirmados estes três nomes como os ditos preferidos, a faixa central desse time tem tudo para ser uma das melhores da Europa.

Já no ataque, penso que não há discussão. Lewandowski é o cara da referência, apesar de se movimentar bastante, com qualidade, para dar opções aos companheiros. Já as pontas direita e esquerda são ocupadas pelo canhoto Robben e pelo destro Ribéry. Acredito que em relação a essa trinca, ninguém duvida que seja a melhor alternativa. A questão é: e Müller? Bom. Imagino que seja o 12º jogador nessa temporada. Ou quem sabe ganhe a vaga de Thiago, mudando o esquema para o 4-2-3-1 com Robben, Müller e Ribéry na linha de três, além dos volantes Alonso e Schweinsteiger. Sem dúvida é uma hipótese interessante. Entretanto me parece que o Bayern de Pep é Thiago mais dez. Não sei. Vamos ver.

Outro ponto a ser debatido é a zaga. Na verdade, ponto de interrogação. Pois, com a chegada de Benatia, Dante ou Boateng perde a vaga no XI? Ou nenhum deles? Benatia inicialmente chega para ser reserva? Ou assume a titularidade logo de cara? Confesso que quanto a essa discussão, eu não tenho opinião formada. Lembre-se, porém: o foco desse post é do meio pra frente, já que ele trata mais especificamente dos desdobramentos causados pela contratação de Alonso. Enfim. Seja com Benatia e Dante, Benatia e Boateng, ou Boateng e Dante, seja no 4-3-3 ou no 3-4-3, o fato é que, mesmo com a saída de Kroos e a lesão de Martínez, o Bayern, para variar, vem fortíssimo para essa temporada. E vem, aparentemente, com algumas mudanças na cabeça de Guardiola, como indica essa análise aqui.

segunda-feira, agosto 25, 2014

Duas opções aos Reds com Balotelli

A briga de Mario Balotelli por uma vaga no XI do Liverpool é com Adam Lallana. Isso na minha percepção, claro. Não ouvi nem li Brendan Rodgers falando nada a respeito. Digo que é com Lallana porque me parece evidente que, do meio pra frente, Gerrard, Henderson, Coutinho, Sterling e Sturridge são titulares absolutos. Ou seja, sobra uma vaga, que em tese é de Lallana.

O Liverpool de Rodgers joga basicamente em dois esquemas táticos: no 4-1-4-1 ou no 4-4-2 em losango. Foi assim na temporada passada e está sendo assim nessa. Na derrota desta terça por 3 a 1 para o Manchester City, no Etihad Stadium, pela 2ª rodada da Premier League, por exemplo, o 4-1-4-1 foi o escolhido, com Sterling (direita), Henderson, Allen e Coutinho (esquerda) na linha de quatro do meio campo, Gerrard atrás dela, e Sturridge à frente. Nesse esquema, por exemplo, o canhoto Sturridge seria deslocado à beirada para Balotelli entrar no time, vide essa prancheta.



Já no 4-4-2 em losango, a outra estrutura geralmente utilizada por Rodgers, a entrada do ex-milanista aconteceria de forma mais natural, com menos efeitos colaterais, digamos assim. Nesse esquema ele formaria a dupla com o camisa 15, enquanto o completo Sterling trabalharia como enganche, e Henderson e Coutinho seriam os carrilleros. Essa formação não é novidade para ninguém, diga-se de passagem. Todos os jogadores citados estão acostumados a atuar e a render em diferentes posições - graças ao seu treinador. Nessa formação, Balotelli teria um companheiro de ataque propriamente dito (prancheta abaixo).



Talvez num primeiro momento Balotelli seja mesmo reserva. Convenhamos, faria sentido. Mas quando for titular, baseado no histórico recente da equipe do Liverpool, não consigo pensar em alternativas diferentes dessas duas. Se você tiver outra(s) ideia(s), comente. Seja como for, no 4-1-4-1 ou no 4-4-2 em losango, o fato é que ele tem bola para arrumar uma vaguinha no XI. A questão é: terá cabeça? Particularmente acredito que sim, pois Rodgers é muito Rei Midas e tira ouro de pedra.

Os caminhos do Madrid sem Di María

Demorou um pouco, mas Carlo Ancelotti encontrou o chamado XI ideal. Entre idas e vindas, foi somente na reta final da vitoriosa temporada passada que o treinador definiu o 4-4-2 em linha como esquema tático titular. Foi estruturado dessa maneira que o Real Madrid bateu o Barcelona na final da Copa do Rei (naquele jogo do golaço de Bale, que ele corre por fora do campo), eliminou o Bayern da Champions League, e bateu o Atlético na final, naquela partida que eternizou Di María por sua jogada na prorrogação. Justamente Di María, que agora está de partida, e que era, talvez, a peça mais importante desse sistema.

Born to be winger. Assim defino Di María. Como descrevi nesse post, ele é polivalente, joga em todas. É craque. Isso nós sabemos. Porém se há uma posição onde o argentino rende mais, tanto para ele quanto para o coletivo, essa posição é pela beirada. Tanto pela direita quanto pela esquerda. Tanto é que com Mourinho atuou na ponta direita por muito tempo, e com Ancelotti acabou assumindo um papel fundamental na esquerda. Canhoto, no 4-2-3-1 do técnico português, em regra Di María jogava à direita, com Özil por dentro e Cristiano Ronaldo à esquerda. Já na temporada passada (em especial na reta final) virou peça-chave no 4-4-2 em linha do técnico italiano. Aqui pela esquerda.



Como escrevi nesse post, James Rodríguez também é versátil. Pode render pela extrema esquerda dum 4-4-2 em linha fácil. Porém se há alguém no mundo que preenche os pré-requisitos para ocupar essa faixa do gramado com autoridade, esse alguém se chama Ángel Di María. Ou seja, no fim das contas, quando Ancelotti finalmente encontrou o chamado time ideal, ele foi desmontado pelo presidente do clube. Ou melhor, foi remontado. Mas foi remontado com uma peça totalmente diferente. Tiraram um quadrado do quebra-cabeça de Ancelotti e lhe deram um triângulo para pôr no lugar (algo semelhante aconteceu na "troca" de Özil por Bale). Veja bem, por mais que James seja excelente, talvez até mais craque que o próprio Di María (o tempo dirá), suas características são bem diferentes da do argentino. James é meia. Di María é winger. Born to be winger. Para jogar pela beirada desse esquema com duas linhas de quatro, mais os dois atacantes, talvez seja o melhor do mundo. Portanto seria tolice insistir nesse 4-4-2 sem Di María e com James pelo flanco. Correto? Errado. Eu pelo menos penso assim. Pelo seguinte...

Se por um lado James não é o típico winger como é Di María, por outro a manutenção desse esquema pode privilegiar a estrela da companhia. Escrevi sobre isso esses dias (confira aqui). Nesse esquema tático Cristiano Ronaldo fica mais perto do gol, tem uma faixa maior do gramado para circular, e tem menos responsabilidades defensivas. No 4-3-3 ou no 4-2-3-1, por exemplo, ele teria de acompanhar o lateral adversário. No 4-4-2 em linha, não. Se bem que, quando Alonso, Modric e Kroos são titulares, Ancelotti escala CR7 na ponta esquerda mesmo (ou James, quando CR7 está fora). No entanto, caso o coletivo não encaixe depois dessas reposições, é provável que essa minha previsão, de "Ronaldo mais artilheiro do que nunca", não se confirme. Enfim. O fato é que, sem Di María (talvez o melhor winger de 4-4-2 da atualidade), Ancelotti terá outra equipe nas mãos. Equipe que deve variar entre o 4-4-2 com Bale e James nas extremas, e o 4-3-3 com Alonso, Modric e Kroos na meiuca. Seja como for, mesmo sem a peça-chave chamada Di María, o Real Madrid tem no elenco peças de sobra à altura para substitui-lo. Não peças parecidas, de características parecidas, é verdade. Mas sem dúvidas à altura.

PS: Na imagem, as duas linhas de quatro do time que recebeu o Córdoba, nesta segunda, no Bernabéu, pela primeira rodada da Liga 2014/15. Placar: 2 a 0 para os donos da casa, gols de Benzema e Ronaldo, os atacantes que não apareceram no print acima.

domingo, agosto 24, 2014

Possível Manchester United 2014/15

Só vejo duas possibilidades para Di María no 3-5-2 de Van Gaal. Na verdade, três: a ala esquerda, a ala direita, e como segundo volante, ao lado de Ander Herrera. Di María é extremamente versátil e eficiente. É a eficácia de chuteira. Portanto pode render em qualquer uma destas três alternativas. Porém, na minha modesta visão, seria um grande desperdício, e até certo ponto uma pequena teimosia, insistir no esquema com três zagueiros, após a chegada do craque argentino.

Veja bem, não sei o que Van Gaal pensa a respeito disso. Não sei se ele pretende jogar no 3-5-2, mesmo com Di María, seja em qual posição for. Só sei que, independente de Di María ou não, acredito que essa estrutura, que deu certo com a Holanda na Copa do Mundo - um torneio de tiro curto, meio à parte da realidade -, não terá vida longa, como mostra esse tweet publicado na pré-temporada.

Dito isso, insisto: Di María é polivalente. Só não joga na zaga e no gol. De resto, joga em todas. Sem exagero. É craque. Logo, pode ser que dê certo no 3-5-2 de Val Gaal (na ala esquerda, direita, ou como segundo volante). Caso o treinador holandês pense mesmo em mudar o esquema, todavia, me parece que a opção mais indicada é esse 4-2-3-1 abaixo, e suas possíveis variações (4-4-1-1, 4-4-2 em linha).



Sem a bola, os canhotos Juan Mata e Di María fechariam os lados do campo, eventualmente se alinhando aos volantes, buscando a compactação atrás, a retomada e o contra ataque. E Rooney cercaria o primeiro volante adversário. Já com a bola, meia que é, naturalmente Mata procuraria a faixa central, como cansou de fazer nos tempos de Chelsea e até na seleção, escalado à direita, enquanto o corredor direito seria aberto para Rafael. Do outro lado, winger que é, Di María priorizaria a jogada aguda, a infiltração. Ou seja, embora ambos fechassem os flancos sem a posse, com ela seus comportamentos seriam distintos, em função de suas características.

Não menos polivalente é Wayne Rooney. A exemplo de Di María, só não joga no gol e na zaga. Craque. O que permitiria variações ao time, uma vez que o camisa 10 poderia atuar nas duas extremas, por dentro, atrás do nove, ou até mesmo como nove. No 4-2-3-1, joga fácil nas três posições da linha de três, por exemplo. Em outras palavras, dependendo do contexto da partida e das peculiaridades do oponente, as peças poderiam ser alteradas (Rooney à esquerda, Di María à direita e Mata por dentro, ou Rooney à direita, Di María à esquerda e Mata por dentro). Entretanto, se há uma distribuição padrão recomendável ao Manchester United 2014/15, na minha visão, é essa da prancheta acima, com Di María e Mata pelas beiradas, Carrick e Herrera volantes, e Rooney solto, sendo o homem mais próximo a Van Persie.

Enfim. Enquanto Van Gaal não dizer ou demonstrar alguma coisa, a respeito do esquema tático, a respeito da manutenção ou não do obsoleto 3-5-2, após a chegada de Di María, comento apenas no campo da especulação. Ainda assim, o post é válido, principalmente porque contesta esse sistema com três zagueiros que, sem dúvida, deu certo na Copa, porém vai se mostrar arcaico com o desenrolar da temporada e a longevidade dos pontos corridos. Essa pelo menos é a minha aposta. Não de hoje, por sinal, vide o link do Twitter. Vamos ver qual vai ser. Seja como for, os Red Devils voltarão a ser infernais com Ángel Di María.

sexta-feira, agosto 22, 2014

O fim da obsessão de Pep?

A postura do Bayern me chamou a atenção no segundo tempo. Em vantagem no placar por 2 a 1, a partir do minuto 62, quando Shaqiri entrou na vaga de Götze, Guardiola, digamos assim - sem querer tirar os méritos do adversário -, abriu mão da posse de bola. Alterou o esquema tático, fechou-se com duas linhas de quatro próximas uma da outra, marcou por zona lá atrás e chamou o Wolfsburg para seu campo. Justamente, penso eu, para tentar matar o jogo no contra ataque. Convenhamos, um comportamento incomum a um time treinado por Pep. Diria impensável até outro dia. E isso é um ótimo sinal! Pois essa variação pode explorar melhor suas armas, como Robben e Ribéry, por exemplo.

Claro. Ainda é cedo. A partida desta sexta-feira, na Allianz Arena, foi apenas a primeira da Bundesliga 2014/15. Sem falar nos desfalques (Schweinsteiger, Thiago, Ribéry...). No entanto é preciso registrar essa aparente mudança do técnico catalão. Essa aparente flexibilidade. Quem sabe ele esteja renovado. Talvez menos obcecado pela posse de bola, apto a mudar sua consagrada maneira de jogar, a abrir mão do Tiki-Taka, de acordo com o contexto do confronto. Contra o Wolfsburg, é verdade, o Bayern não conseguiu matar o jogo no contra golpe – apesar de ter criado umas duas ou três chances dessa forma. Mas a intenção, a estratégia voltada para o contra ataque, com o 2 a 1 no placar, mesmo em casa, me pareceu nítida e digna de nota. E me pareceu, acima de tudo, uma boa notícia.

terça-feira, agosto 19, 2014

Quatro alternativas na prancheta

Já que ninguém na entrevista coletiva foi capaz de perguntar ao treinador da Seleção qual o esquema tático que ele pretende utilizar, vou me permitir uma especulação bastante ampla, envolvendo quatro possibilidades: o 4-2-3-1, o 4-1-4-1, o 4-4-2 em linha e o 4-4-2 em losango. Baseado em quê? Em nada. Ou melhor, baseado no futebol que vejo por aí. Mas como nenhum repórter perguntou na coletiva a respeito, permito-me atirar para todos os lados.

Partindo do imaginário e sensato princípio de que Dunga não irá jogar com três zagueiros, a linha de quatro da defesa não desperta mistérios: Maicon, Miranda, David Luiz e Filipe Luis. Pode ser que Danilo seja titular e Maicon banco num primeiro momento? Pode ser. Mas não creio. Se eu estiver certo, portanto, minha especulação começa para valer do meio para frente, uma vez que o setor da defesa estaria em tese definido.

Quanto ao goleiro, por ora Jefferson deve assumir a camisa 1, né.

No 4-2-3-1 - esquema adotado por Dunga em sua passagem anterior pela Seleção -, imagino que a dupla de volantes seria composta por Luiz Gustavo mais um. Tentando pensar com a cabeça de Dunga, não acredito que ele começaria de cara com dois volantes “menos marcadores”. Logo, no 4-2-3-1, penso que Luiz Gustavo seria o primeiro volante e Fernandinho o segundo. Ramires e Elias, nesse caso, correriam por fora. Ramires, aliás, correria por fora em dois frontes, pois, como você sabe, ele joga tanto como segundo volante quanto pela extrema direita (raciocínio que também se aplica ao 4-1-4-1 e ao 4-4-2 em linha). Já na linha de três desse 4-2-3-1, se Dunga mantivesse Neymar na sua praia - a ponta esquerda -, a meia central seria a meu ver disputada por Oscar e Coutinho, enquanto a ponta direita, por ora, seguiria com Hulk. Em relação ao camisa 9, nesse esquema, acho que ele iria de Tardelli, por ser o cara mais próximo de um camisa 9, digamos assim.



Veja bem. Quando digo que me permito atirar para todos os lados, pois nenhuma pista foi dada na coletiva (pois ninguém perguntou), digo que me permito atirar para todos os lados no sentido apenas das estruturas táticas. Minha especulação se limita ao mero esquema tático, às possibilidades que fazem sentido com os nomes da lista de Dunga. No entanto ela para por aí, na distribuição do time sem a bola. Quanto à proposta de jogo do técnico da Seleção, se ele pretende adotar um estilo de posse e troca de passes, ou se pensa numa maneira de priorizar o contra ataque, já não posso dizer nada.

Por que ninguém perguntou, hein?

Na segunda hipótese por mim levantada, no 4-1-4-1, que também varia para o 4-3-3, quando os pontas pressionam na marcação, me parece indiscutível que o cabeça de área, o cara entre as duas linhas de quatro, seria Luiz Gustavo. Até achei que Fernando (City, ex-Porto) seria convocado, confesso. Talvez até seja o jogador mais indicado para essa posição no momento. Mas, como disse Dunga, essa lista é somente a primeira lista. E baseado nessa lista, me parece evidente que, no 4-1-4-1, Luiz Gustavo seria o homem ideal para jogar à frente da zaga. Em relação ao resto do time, preciso separar o que eu faria e o que eu acho que Dunga faria.

Pois nesse 4-1-4-1, esse seria meu XI, com Coutinho e Oscar nas meias (e não vem ao caso eu defender o meu ponto de vista). Já Dunga, no 4-1-4-1, que eu nem sei se passa pela cabeça dele, imagino que usaria, na linha de quatro do meio campo, volantes mais volantes. Na medida em que eu, na comodidade da poltrona, falo que escalaria Éverton Ribeiro, Oscar, Coutinho e Neymar na linha de quatro (vide o link), acredito que Dunga atuaria com Fernandinho e Ramires ou Elias por dentro. Em outras palavras, no miolo da meiuca, enquanto eu optaria por Luiz Gustavo, Oscar e Coutinho, penso que Dunga optaria por Luiz Gustavo, Fernandinho e Ramires/Elias. Quanto às beiradas, penso que ele iria de Oscar e Neymar, e a camisa 9 ficaria com Tardelli (outra possibilidade seria Neymar falso nove, e Willian ou Hulk num dos flancos).



A terceira alternativa por mim especulada, o 4-4-2 em linha, é semelhante ao 4-2-3-1. É uma variação natural. Basta imaginar os pontas do 4-2-3-1 se alinhando aos volantes, e o camisa 10 encostando no centroavante que, violá, eis o 4-4-2 em linha, muitas vezes compactado lá atrás, à espera da retomada de bola e da transição rápida. Justamente por isso, se Dunga quisesse utilizar o 4-4-2 em linha, acredito que sabiamente ele optaria por Neymar no ataque, e não na beirada, como winger. Dessa forma, a questão que surgiria seria: quem jogaria ao lado de Neymar no ataque, e qual seria a linha de quatro da meia cancha?

Bom. Tanto Hulk quanto Tardelli, e até mesmo Ricardo Goulart, nesse 4-4-2 em linha, poderiam render ao lado de Neymar. Com dois jogadores no setor para dividir os espaços, a presença do dito centroavante de área torna-se ainda mais dispensável. Talvez Tardelli fosse o melhor parceiro para Neymar nesse esquema. Mas, por alguns motivos de dentro e de fora de campo, talvez Dunga optasse por Hulk (lembre-se, é delicado e até irresponsável tentar pensar com a cabeça do outro, como estou fazendo). Quanto à linha de quatro, imagino que Dunga iria cometer o erro de Felipão e de outros e escalar Oscar numa das beiradas, com Luiz Gustavo e Fernandinho (ou Ramires, ou Elias) volantes, e Willian na outra beirada (ou Ramires).

Éverton Ribeiro e o próprio Coutinho, diga-se, também seriam opções nesse esquema, para fechar os lados sem a bola. Mas aí acho que já estou teclando mais com a minha cabeça. Enfim.



Por fim, a quarta e última hipótese por mim levantada, e talvez a que menos me agrade e a que menos eu acho ter chances na mente de Dunga: me refiro ao 4-4-2 em losango. Ou 4-4-2 diamante. Ou 4-3-1-2. A nomenclatura não é tão importante assim. Não nesse caso. E não vem ao caso discuti-la agora. O fato é que, nesse esquema tático, assim como aconteceria no 4-4-2 em linha, a dupla de ataque mais indicada passaria por Neymar mais um. Talvez Hulk. Talvez Tardelli. O xis da questão, contudo, estaria no setor do meio de campo.

Insisto: eu ficaria surpreso se Dunga escolhesse esse esquema. Entretanto, como me permiti atirar para todos os lados nesse post e chutar várias opções (quatro, na verdade), preciso avaliar em todas as possibilidades, embora eu pense que o 4-4-2 em losango correria muito por fora.

Dito isso, de novo preciso separar aqui o que eu faria e o que eu acho que Dunga faria. Porque nesse esquema, imagino que Dunga jogaria com “três volantes”, mais o chamado camisa 10. Ou seja, Luiz Gustavo cabeça de área, Fernandinho e Ramires (ou Elias) carrilleros, e Oscar (ou Philippe Continho) enganche. Eu, nesse esquema - e em todos os outros, na verdade -, jogaria com Coutinho e Oscar juntos. Nesse esquema, nesse 4-4-2, eu escalaria Luiz Gustavo, Fernandinho, Coutinho e Oscar no meio campo. Porém como eu não escalo nada, só especulo, essa na prancheta abaixo é a possibilidade que eu acho que Dunga adotaria (sempre lembrando que eu acredito que o 4-4-2 em losango nem passe pela cabeça dele).



Bom. Para quem é/está revoltado com a CBF e o futebol brasileiro de uma forma geral, até que alonguei demais no post. Fazer o quê. Acontece. Como diria Roberto Carlos, a carne é fraca. Seja como for, como eu disse, nenhum repórter na coletiva desta terça-feira perguntou a Dunga sobre o esquema ou os esquemas táticos que ele tem em mente nesse primeiro momento, por isso me permiti uma especulação em grande escala, até certo ponto irresponsável, pois é sempre delicado, quando não prepotente, tentar pensar com a cabeça alheia. Vamos ver qual vai ser. No dia 5 de setembro a Seleção enfrenta a Colômbia, em Miami, e no dia 9 faz o amistoso com o Equador, em Nova Jersey.

PS: Aí no primeiro treino de Dunga, ele aparece com três zagueiros. Haha! Era só o que me faltava.

sábado, agosto 16, 2014

Inter pode ditar o ritmo do jogo

Não é de hoje que Abel Braga adota o 4-1-4-1 no Internacional. Só eu, por exemplo, tenho registradas no arquivo do Futebol de Botão duas pranchetas do time nesse esquema tático, uma pela 1ª rodada e outra pela 11ª rodada (confira aqui e aqui). Note nos links que até outro dia o flanco esquerdo era ocupado por Alan Patrick. E que Alex atuava na meia (primeiro link), ao lado de Aránguiz. De umas partidas para cá, no entanto, o camisa 12 tem jogado à esquerda, enquanto Patrick tem se consolidado como reserva. E Wellington tem sido o cara ao lado do chileno, como mostra o segundo link.

Na vitória por 1 a 0 sobre o Goiás (gol contra de Pedro Henrique), no Serra Dourada, neste sábado, pela 15ª rodada do Brasileirão, a equipe colorada obteve relativamente um bom desempenho, estruturada dessa maneira, com as duas linhas de quatro - além do cabeça de área (dessa vez, Ygor) e do centroavante. A opção por dois meias de ofício (Alex e D’Alessandro) pelas beiradas, aliás, permite ao Inter a valorização da posse de bola, através da troca de passes. Alex e D’Alessandro não são pontas e em regra buscam a faixa central para trabalhar, onde se somam a Aránguiz e formam a espinha dorsal técnica, como aconteceu contra o Goiás em alguns momentos, apesar das poucas chances de gol criadas, principalmente nos primeiros 15 minutos.



Alex e D’Alessandro não são os chamados wingers. Não são jogadores de velocidade, habilidade e condução, como em tese manda a cartilha dos wingers. Justamente por isso, por serem mais meias do que ponteiros, embora fechem os flancos sem a bola, com ela eles não necessariamente progridem por ali. Aproximam-se pela faixa central, criam a superioridade numérica no setor, e abrem os corredores para os laterais - em especial o esquerdo, muito bem ocupado no ataque por Fabrício. As triangulações, as pequenas sociedades, também são dignas de notas (Winck/Wellington Silva, Aránguiz e D’Alessandro por um lado, Fabrício, Wellington e Alex pelo outro). Se não chegaram a ocorrer com tanta frequência e eficiência no gramadão do Serra Dourada, pelo menos são alternativas pertinentes para o restante do campeonato. Mas precisam ser treinadas e praticadas.

O importante é que Abel tem, não de hoje, seu esquema tático definido. E agora aparentemente ele se decidiu por Alex, e não Alan Patrick, no lado esquerdo, o que, como eu disse, pode aumentar a possibilidade do Colorado ditar o ritmo do jogo, não só no Beira-Rio, mas também como visitante, pois um meio campo com Aránguiz, D’Alessandro e Alex, se entrosado, tem totais condições de propor um estilo de troca de passes curtos, tão raro no futebol brasileiro atual. E digo mais: essas condições seriam maiores se Valdivia completasse essa linha de quatro, com Wellington (ou Willians) na cabeça de área. Seja como for, o fato é que com os três pontos adquiridos em Goiânia, o Inter chegou a 31 e assumiu provisoriamente a liderança. No complemento da rodada, domingo, o Cruzeiro (30 pontos) recebe o Santos, no Mineirão.

terça-feira, agosto 12, 2014

Ronaldo, mais artilheiro do que nunca

Com James no time, eu achava que Cristiano Ronaldo fosse voltar para a ponta esquerda de vez. Jurava que Ancelotti voltaria ao 4-2-3-1 dos tempos de Mourinho, com Bale, James e Ronaldo na linha de três, atrás de Benzema. A maioria das prévias publicadas na Internet, aliás, indicava essa formação. Inclusive a minha. Era a hipótese mais óbvia, convenhamos. O que se viu na Supercopa da UEFA, nesta terça, diante do Sevilla, em Cardiff, no entanto, foi uma equipe distribuída no 4-4-2 em linha, com o colombiano pela beirada e o português no ataque, ao lado do camisa 9, como aconteceu no final da temporada passada.

Confira aqui na prancheta.



Nos tempos de Mourinho, Cristiano Ronaldo atuou na ponta esquerda do 4-2-3-1 (Di María atuou na outra extrema e Özil na faixa central, além de Higuaín ou Benzema na referência). Entre uma variação aqui, outra ali, era geralmente essa a distribuição nos tempos de Mou (Kaká era banco de Özil). Quando Ancelotti chegou, contudo, o 4-2-3-1 foi substituído pelo 4-3-3, com Alonso, Modric e Di María na meiuca (veja aqui). Já na reta final, conhecendo melhor o elenco, o treinador italiano trocou o 4-3-3 pelo 4-4-2, passando CR7 ao ataque, ao lado de Benzema, e abrindo Bale e Di María nos flancos (veja aqui, na ocasião com Isco e Di María abertos, sem Bale). Eis que agora, na abertura da temporada 2014/15, na Supercopa da UEFA, mesmo com James no lugar de Di María (e Kroos no de Alonso), Ancelotti manteve o esquema. Mesmo sem a peça-chave Di María, e com o meia James "sacrificado" pelo lado, Ancelotti manteve o 4-4-2 em linha.

Claro. Ainda é cedo para saber se o Real Madrid irá jogar no 4-4-2 em linha. Foi apenas um jogo. Apenas o primeiro jogo da temporada. Portanto qualquer conclusão é prematura e irresponsável. Mas se de fato Ancelotti pretende manter esse esquema tático, é provável que Cristiano Ronaldo se beneficie, pois nesse 4-4-2 o camisa 7 – autor dos dois de hoje sobre o Sevilla – não precisa "marcar lateral", tem mais liberdade para atacar, e fica mais próximo da meta adversária. Mal comparando, assim como aconteceu com Messi, que começou a marcar mais gols do que nunca quando saiu da ponta direita e passou a jogar como falso nove, sob o comando de Guardiola, pode ser que agora algo parecido aconteça com CR7, uma vez que ele não atua mais na ponta esquerda, e sim no ataque propriamente dito, numa faixa mais extensa do gramado. Se de fato esse (não tão) novo posicionamento vai influenciar na quantidade de gols do atual Bola de Ouro na temporada 2014/15, só vamos saber mais pra frente.