terça-feira, agosto 19, 2014

Quatro alternativas na prancheta

Já que ninguém na entrevista coletiva foi capaz de perguntar ao treinador da Seleção qual o esquema tático que ele pretende utilizar, vou me permitir uma especulação bastante ampla, envolvendo quatro possibilidades: o 4-2-3-1, o 4-1-4-1, o 4-4-2 em linha e o 4-4-2 em losango. Baseado em quê? Em nada. Ou melhor, baseado no futebol que vejo por aí. Mas como nenhum repórter perguntou na coletiva a respeito, permito-me atirar para todos os lados.

Partindo do imaginário e sensato princípio de que Dunga não irá jogar com três zagueiros, a linha de quatro da defesa não desperta mistérios: Maicon, Miranda, David Luiz e Filipe Luis. Pode ser que Danilo seja titular e Maicon banco num primeiro momento? Pode ser. Mas não creio. Se eu estiver certo, portanto, minha especulação começa para valer do meio para frente, uma vez que o setor da defesa estaria em tese definido.

Quanto ao goleiro, por ora Jefferson deve assumir a camisa 1, né.

No 4-2-3-1 - esquema adotado por Dunga em sua passagem anterior pela Seleção -, imagino que a dupla de volantes seria composta por Luiz Gustavo mais um. Tentando pensar com a cabeça de Dunga, não acredito que ele começaria de cara com dois volantes “menos marcadores”. Logo, no 4-2-3-1, penso que Luiz Gustavo seria o primeiro volante e Fernandinho o segundo. Ramires e Elias, nesse caso, correriam por fora. Ramires, aliás, correria por fora em dois frontes, pois, como você sabe, ele joga tanto como segundo volante quanto pela extrema direita (raciocínio que também se aplica ao 4-1-4-1 e ao 4-4-2 em linha). Já na linha de três desse 4-2-3-1, se Dunga mantivesse Neymar na sua praia - a ponta esquerda -, a meia central seria a meu ver disputada por Oscar e Coutinho, enquanto a ponta direita, por ora, seguiria com Hulk. Em relação ao camisa 9, nesse esquema, acho que ele iria de Tardelli, por ser o cara mais próximo de um camisa 9, digamos assim.



Veja bem. Quando digo que me permito atirar para todos os lados, pois nenhuma pista foi dada na coletiva (pois ninguém perguntou), digo que me permito atirar para todos os lados no sentido apenas das estruturas táticas. Minha especulação se limita ao mero esquema tático, às possibilidades que fazem sentido com os nomes da lista de Dunga. No entanto ela para por aí, na distribuição do time sem a bola. Quanto à proposta de jogo do técnico da Seleção, se ele pretende adotar um estilo de posse e troca de passes, ou se pensa numa maneira de priorizar o contra ataque, já não posso dizer nada.

Por que ninguém perguntou, hein?

Na segunda hipótese por mim levantada, no 4-1-4-1, que também varia para o 4-3-3, quando os pontas pressionam na marcação, me parece indiscutível que o cabeça de área, o cara entre as duas linhas de quatro, seria Luiz Gustavo. Até achei que Fernando (City, ex-Porto) seria convocado, confesso. Talvez até seja o jogador mais indicado para essa posição no momento. Mas, como disse Dunga, essa lista é somente a primeira lista. E baseado nessa lista, me parece evidente que, no 4-1-4-1, Luiz Gustavo seria o homem ideal para jogar à frente da zaga. Em relação ao resto do time, preciso separar o que eu faria e o que eu acho que Dunga faria.

Pois nesse 4-1-4-1, esse seria meu XI, com Coutinho e Oscar nas meias (e não vem ao caso eu defender o meu ponto de vista). Já Dunga, no 4-1-4-1, que eu nem sei se passa pela cabeça dele, imagino que usaria, na linha de quatro do meio campo, volantes mais volantes. Na medida em que eu, na comodidade da poltrona, falo que escalaria Éverton Ribeiro, Oscar, Coutinho e Neymar na linha de quatro (vide o link), acredito que Dunga atuaria com Fernandinho e Ramires ou Elias por dentro. Em outras palavras, no miolo da meiuca, enquanto eu optaria por Luiz Gustavo, Oscar e Coutinho, penso que Dunga optaria por Luiz Gustavo, Fernandinho e Ramires/Elias. Quanto às beiradas, penso que ele iria de Oscar e Neymar, e a camisa 9 ficaria com Tardelli (outra possibilidade seria Neymar falso nove, e Willian ou Hulk num dos flancos).



A terceira alternativa por mim especulada, o 4-4-2 em linha, é semelhante ao 4-2-3-1. É uma variação natural. Basta imaginar os pontas do 4-2-3-1 se alinhando aos volantes, e o camisa 10 encostando no centroavante que, violá, eis o 4-4-2 em linha, muitas vezes compactado lá atrás, à espera da retomada de bola e da transição rápida. Justamente por isso, se Dunga quisesse utilizar o 4-4-2 em linha, acredito que sabiamente ele optaria por Neymar no ataque, e não na beirada, como winger. Dessa forma, a questão que surgiria seria: quem jogaria ao lado de Neymar no ataque, e qual seria a linha de quatro da meia cancha?

Bom. Tanto Hulk quanto Tardelli, e até mesmo Ricardo Goulart, nesse 4-4-2 em linha, poderiam render ao lado de Neymar. Com dois jogadores no setor para dividir os espaços, a presença do dito centroavante de área torna-se ainda mais dispensável. Talvez Tardelli fosse o melhor parceiro para Neymar nesse esquema. Mas, por alguns motivos de dentro e de fora de campo, talvez Dunga optasse por Hulk (lembre-se, é delicado e até irresponsável tentar pensar com a cabeça do outro, como estou fazendo). Quanto à linha de quatro, imagino que Dunga iria cometer o erro de Felipão e de outros e escalar Oscar numa das beiradas, com Luiz Gustavo e Fernandinho (ou Ramires, ou Elias) volantes, e Willian na outra beirada (ou Ramires).

Éverton Ribeiro e o próprio Coutinho, diga-se, também seriam opções nesse esquema, para fechar os lados sem a bola. Mas aí acho que já estou teclando mais com a minha cabeça. Enfim.



Por fim, a quarta e última hipótese por mim levantada, e talvez a que menos me agrade e a que menos eu acho ter chances na mente de Dunga: me refiro ao 4-4-2 em losango. Ou 4-4-2 diamante. Ou 4-3-1-2. A nomenclatura não é tão importante assim. Não nesse caso. E não vem ao caso discuti-la agora. O fato é que, nesse esquema tático, assim como aconteceria no 4-4-2 em linha, a dupla de ataque mais indicada passaria por Neymar mais um. Talvez Hulk. Talvez Tardelli. O xis da questão, contudo, estaria no setor do meio de campo.

Insisto: eu ficaria surpreso se Dunga escolhesse esse esquema. Entretanto, como me permiti atirar para todos os lados nesse post e chutar várias opções (quatro, na verdade), preciso avaliar em todas as possibilidades, embora eu pense que o 4-4-2 em losango correria muito por fora.

Dito isso, de novo preciso separar aqui o que eu faria e o que eu acho que Dunga faria. Porque nesse esquema, imagino que Dunga jogaria com “três volantes”, mais o chamado camisa 10. Ou seja, Luiz Gustavo cabeça de área, Fernandinho e Ramires (ou Elias) carrilleros, e Oscar (ou Philippe Continho) enganche. Eu, nesse esquema - e em todos os outros, na verdade -, jogaria com Coutinho e Oscar juntos. Nesse esquema, nesse 4-4-2, eu escalaria Luiz Gustavo, Fernandinho, Coutinho e Oscar no meio campo. Porém como eu não escalo nada, só especulo, essa na prancheta abaixo é a possibilidade que eu acho que Dunga adotaria (sempre lembrando que eu acredito que o 4-4-2 em losango nem passe pela cabeça dele).



Bom. Para quem é/está revoltado com a CBF e o futebol brasileiro de uma forma geral, até que alonguei demais no post. Fazer o quê. Acontece. Como diria Roberto Carlos, a carne é fraca. Seja como for, como eu disse, nenhum repórter na coletiva desta terça-feira perguntou a Dunga sobre o esquema ou os esquemas táticos que ele tem em mente nesse primeiro momento, por isso me permiti uma especulação em grande escala, até certo ponto irresponsável, pois é sempre delicado, quando não prepotente, tentar pensar com a cabeça alheia. Vamos ver qual vai ser. No dia 5 de setembro a Seleção enfrenta a Colômbia, em Miami, e no dia 9 faz o amistoso com o Equador, em Nova Jersey.

PS: Aí no primeiro treino de Dunga, ele aparece com três zagueiros. Haha! Era só o que me faltava.

sábado, agosto 16, 2014

Inter pode ditar o ritmo do jogo

Não é de hoje que Abel Braga adota o 4-1-4-1 no Internacional. Só eu, por exemplo, tenho registradas no arquivo do Futebol de Botão duas pranchetas do time nesse esquema tático, uma pela 1ª rodada e outra pela 11ª rodada (confira aqui e aqui). Note nos links que até outro dia o flanco esquerdo era ocupado por Alan Patrick. E que Alex atuava na meia (primeiro link), ao lado de Aránguiz. De umas partidas para cá, no entanto, o camisa 12 tem jogado à esquerda, enquanto Patrick tem se consolidado como reserva. E Wellington tem sido o cara ao lado do chileno, como mostra o segundo link.

Na vitória por 1 a 0 sobre o Goiás (gol contra de Pedro Henrique), no Serra Dourada, neste sábado, pela 15ª rodada do Brasileirão, a equipe colorada obteve relativamente um bom desempenho, estruturada dessa maneira, com as duas linhas de quatro - além do cabeça de área (dessa vez, Ygor) e do centroavante. A opção por dois meias de ofício (Alex e D’Alessandro) pelas beiradas, aliás, permite ao Inter a valorização da posse de bola, através da troca de passes. Alex e D’Alessandro não são pontas e em regra buscam a faixa central para trabalhar, onde se somam a Aránguiz e formam a espinha dorsal técnica, como aconteceu contra o Goiás em alguns momentos, apesar das poucas chances de gol criadas, principalmente nos primeiros 15 minutos.



Alex e D’Alessandro não são os chamados wingers. Não são jogadores de velocidade, habilidade e condução, como em tese manda a cartilha dos wingers. Justamente por isso, por serem mais meias do que ponteiros, embora fechem os flancos sem a bola, com ela eles não necessariamente progridem por ali. Aproximam-se pela faixa central, criam a superioridade numérica no setor, e abrem os corredores para os laterais - em especial o esquerdo, muito bem ocupado no ataque por Fabrício. As triangulações, as pequenas sociedades, também são dignas de notas (Winck/Wellington Silva, Aránguiz e D’Alessandro por um lado, Fabrício, Wellington e Alex pelo outro). Se não chegaram a ocorrer com tanta frequência e eficiência no gramadão do Serra Dourada, pelo menos são alternativas pertinentes para o restante do campeonato. Mas precisam ser treinadas e praticadas.

O importante é que Abel tem, não de hoje, seu esquema tático definido. E agora aparentemente ele se decidiu por Alex, e não Alan Patrick, no lado esquerdo, o que, como eu disse, pode aumentar a possibilidade do Colorado ditar o ritmo do jogo, não só no Beira-Rio, mas também como visitante, pois um meio campo com Aránguiz, D’Alessandro e Alex, se entrosado, tem totais condições de propor um estilo de troca de passes curtos, tão raro no futebol brasileiro atual. E digo mais: essas condições seriam maiores se Valdivia completasse essa linha de quatro, com Wellington (ou Willians) na cabeça de área. Seja como for, o fato é que com os três pontos adquiridos em Goiânia, o Inter chegou a 31 e assumiu provisoriamente a liderança. No complemento da rodada, domingo, o Cruzeiro (30 pontos) recebe o Santos, no Mineirão.

terça-feira, agosto 12, 2014

Ronaldo, mais artilheiro do que nunca

Com James no time, eu achava que Cristiano Ronaldo fosse voltar para a ponta esquerda de vez. Jurava que Ancelotti voltaria ao 4-2-3-1 dos tempos de Mourinho, com Bale, James e Ronaldo na linha de três, atrás de Benzema. A maioria das prévias publicadas na Internet, aliás, indicava essa formação. Inclusive a minha. Era a hipótese mais óbvia, convenhamos. O que se viu na Supercopa da UEFA, nesta terça, diante do Sevilla, em Cardiff, no entanto, foi uma equipe distribuída no 4-4-2 em linha, com o colombiano pela beirada e o português no ataque, ao lado do camisa 9, como aconteceu no final da temporada passada.

Confira aqui na prancheta.



Nos tempos de Mourinho, Cristiano Ronaldo atuou na ponta esquerda do 4-2-3-1 (Di María atuou na outra extrema e Özil na faixa central, além de Higuaín ou Benzema na referência). Entre uma variação aqui, outra ali, era geralmente essa a distribuição nos tempos de Mou (Kaká era banco de Özil). Quando Ancelotti chegou, contudo, o 4-2-3-1 foi substituído pelo 4-3-3, com Alonso, Modric e Di María na meiuca (veja aqui). Já na reta final, conhecendo melhor o elenco, o treinador italiano trocou o 4-3-3 pelo 4-4-2, passando CR7 ao ataque, ao lado de Benzema, e abrindo Bale e Di María nos flancos (veja aqui, na ocasião com Isco e Di María abertos, sem Bale). Eis que agora, na abertura da temporada 2014/15, na Supercopa da UEFA, mesmo com James no lugar de Di María (e Kroos no de Alonso), Ancelotti manteve o esquema. Mesmo sem a peça-chave Di María, e com o meia James "sacrificado" pelo lado, Ancelotti manteve o 4-4-2 em linha.

Claro. Ainda é cedo para saber se o Real Madrid irá jogar no 4-4-2 em linha. Foi apenas um jogo. Apenas o primeiro jogo da temporada. Portanto qualquer conclusão é prematura e irresponsável. Mas se de fato Ancelotti pretende manter esse esquema tático, é provável que Cristiano Ronaldo se beneficie, pois nesse 4-4-2 o camisa 7 – autor dos dois de hoje sobre o Sevilla – não precisa "marcar lateral", tem mais liberdade para atacar, e fica mais próximo da meta adversária. Mal comparando, assim como aconteceu com Messi, que começou a marcar mais gols do que nunca quando saiu da ponta direita e passou a jogar como falso nove, sob o comando de Guardiola, pode ser que agora algo parecido aconteça com CR7, uma vez que ele não atua mais na ponta esquerda, e sim no ataque propriamente dito, numa faixa mais extensa do gramado. Se de fato esse (não tão) novo posicionamento vai influenciar na quantidade de gols do atual Bola de Ouro na temporada 2014/15, só vamos saber mais pra frente.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Cruzeiro ilude seus concorrentes

A rodada 14 foi simbólica. Na verdade, foi ilusória. No fim de semana em que o todo-poderoso Cruzeiro ficou no zero a zero com o modesto Criciúma fora de casa, Internacional e Corinthians ganharam seus clássicos regionais e encostaram no líder na tabela. Mas encostaram apenas na tabela, uma vez que dentro das quatro linhas, no gramado, a distância do Cruzeiro para seus concorrentes diretos ainda é muito grande (distância que não deve ser tirada nessa temporada, sinto lhe informar). Basta analisar os desempenhos, e não os resultados, para chegar a essa conclusão.

Eu sei. Num país onde o resultado imediato sobrepõe-se ao jogo jogado, talvez eu esteja pedindo demais. Da minha parte querer que as pessoas (torcedores, jornalistas, etc) se atenham ao futebol e não ao resultado, é querer demais. Entretanto, como sou otimista e teimoso e jamais subestimo a inteligência alheia, insisto: com um pouquinho de racionalidade e visão crítica de campo e bola, pode-se perceber que, embora próximos do Cruzeiro na tabela de classificação, Internacional e Corinthians (e Fluminense, e São Paulo, e assim por diante) estão longe de jogar uma bola que se aproxime da do Cruzeiro. Por quê? Porque, entre outros motivos, Marcelo Oliveira está há mais tempo no cargo (veja bem: entre outros motivos).

De sábado para domingo, aliás, cheguei a tuitar: "Inter pode ganhar amanhã, ficar a 2 pontos, mas no fim das contas, a qualidade, o entrosamento e a regularidade da Raposa fazem a diferença." De fato, meio aos trancos e barrancos, o Inter ganhou do Grêmio no Beira-Rio e ficou a dois pontos do líder, na segunda colocação. Porém o futebol apresentado pelo time de Abel está distante do apresentado pelo time de Marcelo Oliveira (distância, como disse, que não deve ser tirada nessa temporada). E o mesmo raciocínio se aplica ao Corinthians de Mano, ao Fluminense de Cristóvão, ao São Paulo de Muricy... Portanto, embora no momento a distância na tabela seja pequena, não se iluda, meu caro: no campo e bola o Cruzeiro está bem à frente, e nos pontos corridos isso é determinante.

sexta-feira, agosto 01, 2014

quinta-feira, julho 31, 2014

Uma saída para Muricy Ramalho

Alexandre Pato é craque. Talvez não seja o jogador que eu e muitas pessoas pensávamos que fosse ser quando surgiu, mas é craque. Seu problema, que durante os anos de Itália se mostrou físico, hoje em dia está bem evidente: é emocional, é comportamental. Contudo não podemos colocar tudo na conta da cabeça dele e ignorar outras questões, como a parte tática, por exemplo.

Pato apresenta uma certa limitação tática. Não é ponta, nem centroavante. Fica no meio do caminho. Quero dizer, até vejo nele um centroavante. Vejo nele muito mais um camisa 9 do que um segundo atacante ou um ponteiro. Entretanto não há como negar que ele não sabe jogar de costas para o gol, uma das funções do centroavante quando o time avança em bloco e mantém a posse no campo ofensivo. Em outas palavras, rende mais em esquemas com dois atacantes (4-4-2, 3-5-2) do que com três (4-3-3, 4-2-3-1).

Na vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, em Ribeirão Preto, Muricy Ramalho trocou o habitual 4-2-3-1 pelo 3-5-2, um velho conhecido seu dos tempos do tricampeonato brasileiro pelo próprio São Paulo. Não sei exatamente o que levou o treinador tricolor a fazer essa escolha, mas sei que essa alternativa pode ser mais pertinente do que aparenta, para o restante da temporada. Insisto: não sei se foi algo casual ou se Muricy pretende adotar essa estrutura daqui pra frente. Só sei que – veja você, logo eu que abomino esquemas com três zagueiros – essa estrutura de ontem à noite pode encaixar de vez a equipe na temporada.

Esse na prancheta foi o time que enfrentou o Bragantino. Rodrigo Caio entre Paulo Miranda e Rafael Toloi, Maicon e Souza volantes, Ganso "enganche", Douglas e Alvaro Pereira nas alas, além dos atacantes Ademilson e Pato. O desempenho coletivo não foi brilhante. Longe disso. Porém quase todas as vezes em que os camisas 10 e 11 se aproximavam, coisa boa saía dali. Vários lances – ou pelo menos alguns, não vamos exagerar – envolvendo Ganso e Pato diretamente, na base da movimentação, da inteligência e da qualidade técnica, levaram perigo ao adversário (por pouco não pintou um golaço no primeiro tempo, numa jogada entre eles e Rodrigo Caio, numa escapada do zagueiro/volante ao ataque). Embora não tenha feito uma partida primorosa individualmente, de fato Pato se encontrou melhor nessa formação.



Mudando um pouco de pato pra ganso, o que mais me chamou a atenção nesse jogo foi a participação de Ganso. Em vários momentos ele voltou à linha dos volantes, eventualmente até atrás de Maicon e Souza, para buscar o jogo e dar início às jogadas. Em vários momentos Ganso apareceu à frente da zaga pedindo a bola no pé, erguendo a cabeça e clareando a saída com passes curtos, médios e até longos, como num lançamento à la Gerson na primeira etapa, justamente para Pato, que não conseguiu dominar a criança.

Quem me acompanha pelo Twitter sabe que, por mim, Ganso jogaria mais recuado. Na minha visão Ganso não é esse camisa 10 que tem que entrar na área que Muricy tanto fala (publiquei um post sobre isso em fevereiro, aliás). Para mim esse discurso do treinador é dar murro em ponta de faca. Se dependesse de mim, independente do esquema tático, Ganso formaria a dupla de volantes com Souza, e Maicon iria para o banco. Não creio que ele viraria o melhor volante do mundo da noite para o dia. Não é isso. Esse mudança exigiria tempo para Ganso se adequar à posição. A cada dia que passa, a cada jogo que vejo, no entanto, tenho mais certeza de que o meio-campista do São Paulo precisa ser no mínimo testado mais atrás.

E é aí que entra minha animação com a possibilidade do 3-5-2 (quem diria, hein). Porque, apesar de eu discordar com veemência dessa afirmação tão corriqueira quando levanto essa hipótese, muitos dizem que com Ganso volante o time ficaria sem poder de marcação (repito: abomino essa tese, para mim Ganso faz tudo que Maicon faz, só que melhor). Para compensar essa suposta fragilidade na marcação, portanto, nada mais conveniente do que um esquema com três zagueiros, sendo que um deles, Rodrigo Caio, pode trabalhar como híbrido. Mal comparando, pode ser o Rafa Marquez do São Paulo, no sentido da variação tática. Dependendo do desenrolar da partida, Caio pode se descolar da linha de três da zaga e se somar ao setor do meio campo. Há um porém nesse caso: isso só aconteceria com eficiência se o time estivesse bem treinado e entrosado, e para isso seria preciso treinamento e repetição, convicção e sequência.

Dessa maneira, a posição que foi de Ganso diante do Bragantino, seria ocupada por Kaká. Um 3-5-2 (veja aqui) com Toloi, Rodrigo Caio e Antonio Carlos na zaga, Souza e Ganso volantes, e Kaká à frente deles, atrás da dupla composta por Pato e Kardec (lembre-se: Pato rende mais formando uma dupla do que num esquema com centroavante e pontas). Dessa forma, Ademilson iria para o banco. Ademilson que, veja você, é escalado mais pelo que faz sem a bola do que pelo que faz com ela. Uma senhora na inversão de valores! Prioriza-se jogadores que fazem o trabalho sujo, sem a bola (marcar lateral virou um parto, é o novo bicho de sete cabeças do futebol brasileiro), em detrimento de atletas que sabem o que fazer com ela no pé. Enfim. Como disse, não sei se Muricy pretende utilizar esse 3-5-2 daqui pra frente. Só sei que é uma baita saída, uma opção pra lá de interessante – desde que Ganso jogue mais recuado, no lugar de Maicon, e Pato compunha o ataque, no lugar de Ademilson, ao lado de Kardec (ou Luis Fabiano).

sábado, julho 26, 2014

Anderson Talisca, o meio-campista

O primeiro jogo de Anderson Talisca que vi com atenção, se não me falha a memória, foi nesse Brasileirão. Foi contra o Flamengo de Ney Franco, em Macaé, no Moacyrzão. Meia de origem nas categorias de base do tricolor baiano, nessa partida, válida pela 6ª rodada, ele foi escalado por Marquinhos Santos como falso nove. Sua movimentação, seu posicionamento, sua função nesse dia, inclusive, me lembrou o papel de Ibrahimovic no PSG, e resultou no post Dare To Talisca, publicado em maio. Nessa pré-temporada do Benfica, no entanto, Talisca tem jogado como volante.

Marquinhos Santos deve ter tido seus motivos para avançar Talisca num jogo aqui, noutro ali, assim como Jorge Jesus deve ter suas razões para recuar o atleta de 1,88m. Claro, ainda é cedo para dizer se ele será "recuado" de vez no clube português, mas o fato é que, nessa pré-temporada, o camisa 30 tem trabalhado como segundo volante, num esquema com duas linhas de quatro e dois atacantes.

Diante do Ajax, neste sábado, em Lisboa, pela Copa Eusébio, atuando dessa maneira, mais atrás do que nos tempos de Brasil, com Amorim ao seu lado, mais preso, Talisca pôde mostrar a qualidade da sua visão de jogo e do seu passe vertical, elementos fundamentais para se sobressair pela faixa central (para mim foi o melhor em campo).



Talisca nasceu no ano do Tetra. É de 94. Tem 20 anos. E está chegando agora à Europa, onde o futebol em sua vertente tática é praticado em outro nível, num nível bem acima do que é praticado no atrasado futebol brasileiro. Portanto pode ser que ele leve um tempo para assimilar o jogo jogado, para assimilar o conceito de ocupação de espaços na sua essência, etc. Graças a sua inteligência futebolística e a sua comprovada capacidade técnica, porém, não acredito que ele terá problemas de adaptação dentro das quatro linhas (detalhe: Talisca já é o cara da bola parada).

Enfim. Não quero me precipitar, mas me parece jogador de Seleção. É digno desse rótulo. Logo, logo deve pintar na convocação. Trata-se duma promessa virando realidade, em processo de lapidação, que cedo ou tarde encontrará a posição onde rende mais coletivamente. Caberá ao treinador encontrar o lugar onde ele rende mais para o time e definir o posicionamento onde suas virtudes são melhores exploradas. A princípio, a julgar pela pré-temporada 2014/15, esse posicionamento é mesmo o de segundo volante. Entretanto confesso não descartar a possibilidade de, no futuro, Talisca recuar ainda mais e virar cabeça de área (mal comparando, à la Pirlo). Vamos ver. Seja como for, as expectativas, pelo menos as minhas, em relação a sua carreira na Europa, são excelentes.

quarta-feira, julho 23, 2014

Os craques da Copa 2014

Messi foi eleito o melhor pela FIFA.

Robben foi eleito o melhor pela maioria.

E James foi o artilheiro com 6 gols em 5 jogos.



Sem dúvida, os três grandes destaques individuais do torneio.

terça-feira, julho 22, 2014

O craque da camisa 10

James Rodríguez chega ao Real Madrid aos 23 anos de idade, por nada mais nada menos que € 80 milhões. Lembre-se: do Porto ao Monaco, foi vendido por € 45 milhões.

Confira lances dele na carreira.



Veja aqui a prancheta dum possível time com o camisa 10 canhoto.

segunda-feira, julho 21, 2014

Possível Real Madrid 2014/15

As chegadas de Kroos e James devem significar as saídas de Alonso e Di María do XI inicial. Até onde se sabe o argentino deve mesmo ser negociado, portanto essa é uma perda definitiva (fala-se em PSG). Já o espanhol de 32 anos de idade deve encarar com naturalidade essa passagem de bastão, que deve ocorrer gradativamente ao longo da temporada 2014/15 (Pepe também pode passar o bastão para Varane). Mas as mudanças no Real Madrid não devem parar por aí, não devem passar apenas pela troca de jogador por jogador: é provável que haja mudanças na parte estrutural da equipe.

Quando chegou ao Madrid, Carlo Ancelotti estruturou a equipe no 4-3-3. Demorou algumas rodadas para encontrar o chamado time ideal, é verdade, mas acabou definindo o 4-3-3 como sistema padrão. Durante boa parte da temporada passada esse foi o esquema adotado (veja aqui), com Alonso na cabeça de área, Modric na meia direita, Di María na meia esquerda, Bale na ponta direita e Cristiano Ronaldo na ponta esquerda, além do centroavante Benzema. Na reta final da temporada, todavia, o 4-3-3 deu lugar ao 4-4-2 em linha, com Di María (ou Isco) deslocado de vez à extrema esquerda, e CR7 adiantado ao ataque (veja aqui). Inegavelmente o time cresceu de produção dessa forma. O Bayern de Guardiola que o diga. Com Kroos e James, e sem Di María, porém, pode ser que estes dois esquemas, o 4-3-3 e o 4-4-2, virem os planos B e C a partir de agora, sendo considerado o plano A um velho amigo madridista: o 4-2-3-1, utilizado nos tempos de Mourinho e Özil.



Partindo do princípio de que Di María vai mesmo deixar los blancos, e de que o alemão e o colombiano serão titulares, se Ancelotti pretende manter o 4-4-2 em linha, só consigo pensar numa alternativa: Bale, Modric, Kroos e James na linha de quatro do meio campo. Na prática, Kroos ocuparia o lugar de Alonso e James o de Di María. Em outras palavras, James seria deslocado à beirada. James é polivalente, eu sei, já jogou assim no Porto, inclusive, e pode render por ali. Mas para atuar por ali é mais pertinente ter um atleta de velocidade e condução, como é Di María ou Cristiano Ronaldo, por exemplo. James pode render bem pelo flanco? Pode. Claro. Mas sua característica é de meia, ele é muito mais meia do que ponta. Insisto: o rendimento dele pode ser alto por ali, aberto à esquerda. Esse suposto 4-4-2 em linha com James e Bale wingers poderia dar certo. Teria tudo para dar certo. Contudo, no fim das contas, me pareceria um certo desperdício escalar o garoto de € 80 milhões dessa maneira.

Outra maneira seria a seguinte.

Partindo do princípio de que Di María está mesmo saindo, e de que o alemão e o colombiano serão titulares, se Ancelotti quiser voltar ao 4-3-3, vejo essa alternativa: Modric na cabeça de área (ou Alonso), com Kroos e James lado a lado, além de Bale e Ronaldo nas pontas, e Benzema na referência. Poderia dar samba. A exemplo do 4-4-2 em linha por mim ventilado, esse hipotético 4-3-3 poderia dar certo, sem dúvida (confira aqui). Entretanto me parece mais uma opção eventual do que uma regra, mais uma opção a ser utilizada dependendo do contexto da partida, uma vez aqui, outra ali, do que um esquema padrão (pelo menos não com essas peças nessas posições, não com Kroos e James lado a lado). Enfim. Não li nem ouvi Ancelotti falando nada a respeito. Trata-se apenas de especulação da minha parte. Se eu não estiver enganado, porém, com Kroos e James no mesmo XI, o 4-2-3-1 da prancheta acima deve ser o sistema tático escolhido. A conferir.