quarta-feira, março 04, 2015

Cruzeiro corre contra o tempo

Fábio no gol, Mayke a Mena nas laterais, Léo e Paulo André na zaga, Willians primeiro volante, Henrique segundo volante, Marquinhos e Willian nas pontas, De Arrascaeta por dentro, mais Damião na referência do ataque. Esse foi o time que iniciou o jogo contra o Huracán, no Mineirão, nesta terça-feira, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores. E esse deve ser o time que irá enfrentar o Mineros, fora de casa, pela terceira rodada. Na verdade a partida contra o Mineros é só daqui duas semanas, dia 19, portanto alguma peça pode ser alterada (Alisson na vaga de Willian ou Marquinhos parece ser a pedida). No entanto, na medida do possível, Marcelo Oliveira deixou claro que pretende repetir a equipe. E isso é ótimo.

"Um time se forma com a sequência de escalação e a sequência de jogos", disse o treinador do Cruzeiro ao microfone do Fox Sports, depois da partida contra o Huracán, ontem à noite. De fato, sem sequência, sem repetição, não há evolução, tampouco entrosamento. E é justamente disso que o Cruzeiro precisa, de entrosamento, uma vez que são cerca de cinco os novos titulares. Contra o Huracán, por exemplo, esse foi o número de recém-contratados no XI inicial (Paulo André, Mena, Willians, De Arrascaeta e Damião). Ou seja, de fato o entrosamento ainda não existe. Naturalmente. A boa notícia, todavia, é que Marcelo Oliveira sabe como alcançá-lo, pois ao afirmar que um time se forma com sequência de escalação e jogos, ele demonstra algo raro no país do 7 a 1: convicção – algo fundamental na formação de uma equipe (sem convicção não há repetição e sem repetição não há evolução).

Já a má notícia para o Cruzeiro é que pode não haver tempo suficiente. Toda evolução requer tempo (pergunte a Darwin), porém tempo é um artigo de luxo no momento, já que a Libertadores é disputada em apenas um semestre. Se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, a exemplo da Champions League, Marcelo Oliveira (e os demais treinadores em situação semelhante) teria um semestre para jogar a fase de grupos, um semestre para alcançar o entrosamento, e outro semestre para encarar a fase eliminatória. Se a Copa Libertadores fosse disputada em dois semestres, a exemplo da Champions League, o time entraria na fase de mata-mata num estágio de evolução mais avançado. Agora, como a Libertadores é disputada em apenas um semestre, é bastante provável que um time com cinco novos titulares não encontre o entrosamento a tempo, podendo assim morrer antes mesmo do mata-mata.

terça-feira, março 03, 2015

O melhor jogador do Liverpool 2014/15

"Não foi à toa que recentemente o Liverpool renovou com Philippe Coutinho até 2020. Meio-campista de arranque, de drible, de habilidade, de controle de bola, de velocidade, de visão, de técnica. Sem falar que rende tanto pela faixa central quanto pelas beiradas. Praticamente completo. Só não dá para dizer que é completo porque ainda peca um pouco nas finalizações, embora nessa temporada ele tenha mostrado evolução nesse fundamento. Sem dúvida, o camisa 10 é um dos pontos de desequilíbrio dos Reds. E, sem dúvida, é o segundo melhor brasileiro na Europa 2014/15, atrás apenas de Neymar."



Escrevi isso num post publicado no dia 10 de fevereiro. Apesar dos justos elogios, repare na merecida crítica: "ainda peca um pouco nas finalizações". Na verdade, nunca foi novidade. Desde a temporada passada, Coutinho já mostrava certa dificuldade nesse fundamento (talvez desde sempre, não sei). Já fazia jogadas brilhantes, já era um dos destaques coletivos, já fazia o time jogar, mas ainda não apresentava o apetite pelo gol, tampouco finalizava com perigo. Eis que, de uns dias para cá, começaram a sair uns gols da cartola do Little Magician. Ou melhor, uns golaços. Como este aqui, contra o Manchester City, pela 27ª rodada da Premier League. E este aqui, contra o Southampton, pela 26ª rodada. Não à toa, gols bem parecidos. O Liverpool, aliás, está há 11 rodadas invicto na Premier League. São 8 vitórias e 3 empates. E esse retrospecto tem bastante a ver com a fase do camisa 10.

A essa altura do campeonato, portanto, por tudo que foi feito até aqui, acho que já podemos dizer que ele é o melhor jogador do Liverpool 2014/15. Em especial pelos gols que tem marcado (alguns deles decisivos, como este aqui contra o Bolton, pela FA Cup, no último minuto do jogo). Veja bem. Não estou dizendo que Coutinho virou artilheiro, virou goleador, mesmo que para um meio-campista. Contudo me parece que ele colocou o pé na forma e pegou gosto pela coisa - noves fora que ainda tem muito a evoluir, pois são apenas 22 anos. E além disso, além dos gols, Coutinho é quem faz o time jogar. Mais que Sterling, mais que Henderson, mais que Gerrard ou Lallana, quem faz a equipe fluir é Philippe Coutinho. Como fazia desde a temporada passada. Só que agora com gols. Ou melhor: golaços. Logo, me parece evidente que se trata do melhor jogador do Liverpool 2014/15.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Definir o XI é preciso

Aguirre ainda não tem o XI ideal na cabeça. Aparentemente não tem. Normal. Chegou ontem ao Internacional. Está conhecendo o elenco aos poucos. Deve ter suas ideias, deve ter suas convicções, porém ainda está conhecendo os atletas que tem em mãos. Aos poucos. Não só tática e técnica, mas também emocionalmente. Portanto é natural que em duas rodadas de Libertadores, ele tenha optado por dois times titulares diferentes (esquema e peças). Na semana passada, por exemplo, em La Paz, contra o Strongest, o Inter iniciou no 4-1-4-1 (veja aqui). Já diante da Universidad de Chile, nesta quinta-feira, no Beira-Rio, Aguirre adotou o 4-2-3-1 (esquema que foi utilizado contra o Strongest, diga-se de passagem, após Anderson ser substituído ainda no primeiro tempo).



Sem Nilmar, nem Rafael Moura, ontem Sasha foi escalado como centroavante, enquanto D’Alessandro, Vitinho e Jorge Henrique compuseram a linha de três. Isso mesmo. Nessa ordem: D’Alessandro à direita, Vitinho por dentro e Jorge Henrique à esquerda. Muitas vezes os caras pelas beiradas (D'Ale e JH) se alinhavam aos volantes (Nilton e Aránguiz), configurando assim um 4-4-1-1. É verdade. Detalhe. Ainda assim, o que chamou a atenção foi o posicionamento do camisa 10, à direita mesmo. Na partida na Bolívia, quando Anderson saiu para Vitinho entrar, por exemplo, D’Ale passou para a faixa central, de modo que os flancos ficaram ocupados por Vitinho e Eduardo Sasha. Já diante da Universidad de Chile, D’Alessandro jogou onde mais se sente à vontade: à direita, canhoto que é, em regra partindo para dentro, com Vitinho pela faixa central e Jorge Henrique na outra ponta.

A questão é: qual o XI ideal? Na medida em que Aguirre conhece os atletas que tem em mãos, quais serão suas escolhas? A julgar pelo desempenho no 4-1-4-1 com Anderson, o 4-2-3-1 (variação 4-4-1-1) parece ser o esquema tático mais indicado mesmo. Enquanto Anderson não tem condições físicas para jogar em alto nível, talvez o treinador uruguaio siga mesmo no 4-2-3-1, provavelmente com Nilton e Aránguiz volantes, D’Alessandro à direita, Sasha à esquerda, Nilmar na frente e, pela faixa central... Alex, e não Vitinho. Creio que depois de ontem, quando entrou no segundo tempo na vaga de Vitinho e meio que mudou o jogo (o passe para o gol de Jorge Henrique – o 2 a 0 – foi dele), Alex deve ganhar a titularidade na quarta-feira que vem, contra o líder do grupo Emelec, em Porto Alegre. Creio que depois de ontem, fica evidente a importância técnica de Alex ao time, em pleno 2015. Se assim for, se Alex virar titular, aí Anderson e Vitinho, as duas grandes contratações da última “janela”, por ora ficarão no banco.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Repetir o XI é preciso

“A gente tem que evoluir.” São palavras de Rogério Ceni. Ao final da partida contra o Danubio, na noite desta quarta, no Morumbi, pela segunda rodada da fase de grupos Libertadores, Rogério Ceni disse que é preciso “melhorar”. Segundo o capitão tricolor, o desempenho do time perante a equipe uruguaia foi “razoável”, apesar do placar por 4 a 0 (Pato duas vezes, Reinaldo e Cafu). Concordo. Apesar do placar, pode-se sim dizer que a exibição foi razoável. E concordo mais ainda que o time tem que evoluir. Só que essa evolução jamais ocorrerá se o treinador não tiver convicção, porque sem convicção não há repetição, e sem repetição consequentemente não há evolução. Em outras palavras, essa evolução reclamada por Rogério jamais ocorrerá se Muricy não repetir o XI (as peças e o esquema tático).



Durante o segundo semestre do ano passado, quando engrenou de vez, o São Paulo se distribuiu no 4-4-2 em linha, com Ganso e Kaká pelas beiradas, Denilson e Souza volantes, mais a dupla de ataque, ora formada por Kardec e Pato, ora por Kardec e Luis Fabiano, ora por Pato e Luis Fabiano. Apesar de eu não gostar da ideia de Ganso aberto (você que me segue no Twitter sabe bem disso), admito que dessa forma, no 4-4-2 em linha, o time emplacou uma sequência relevante de vitórias no Brasileirão, acima de tudo, jogando bem. E foi assim, no 4-4-2 em linha, jogando bem, que o time encerrou a temporada em alta. Eis que no primeiro jogo da Libertadores 2015, não entendi até hoje por que, Muricy trocou o esquema tático. Na constrangedora derrota para o Corinthians (leia o post aqui), Muricy passou para o 4-4-2 em losango, algo praticamente inédito (sem falar no deslocamento de Michel Bastos – o substituto de Kaká – para a lateral). Aí te pergunto: por quê?

Já diante do Danubio, Muricy fez o que deveria ser feito: voltou para o 4-4-2 em linha, com Ganso aberto na direita, Michel Bastos na esquerda, e Pato e Luis Fabiano no ataque (e o time venceu por 4 a 0). Um bom sinal, já que foi nessa estrutura tática que o time rendeu mais na temporada passada. Logo, evidentemente, é preciso repeti-la na próxima rodada. Mas mais do que isso, mais do que repetir o esquema tático na próxima rodada, é preciso repetir as peças, é preciso repetir os jogadores. Repetir o esquema tático será um bom começo, eu sei. Contudo a evolução que Rogério pede jamais ocorrerá se Muricy Ramalho não repetir as peças. O entrosamento jamais irá florescer, por exemplo, se num jogo Pato é banco, no outro é titular, e assim por diante (olhe este tweet). Ou seja, além do esquema tático, Muricy precisa repetir os titulares, repetir o XI como um todo, faça chuva ou faça sol. Caso contrário, não haverá evolução.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Manchester City segue vivo na UCL

“Pronto, Pellegrini. Pode pôr Fernandinho agora mesmo.” Quando Suárez fez 2 a 0, logo aos 30 minutos do primeiro tempo, tuitei isso. Em desvantagem no placar, não fazia sentido continuar com Fernando e Milner compondo a dupla de volantes, uma vez que o Manchester City precisaria trabalhar melhor a posse de bola, e o Barcelona não teria motivos para ceder espaços para o contra ataque. Até então, a posse era toda do Barça, e a marcação do City era pra lá de passiva. Ou seja, a dupla Fernando e Milner estava deixando a desejar tanto com a bola mas também sem ela. Pensei que Fernandinho em tese ao menos qualificaria a posse pela faixa central.



No intervalo, 2 a 0 para os visitantes (dois gols de Suárez), segui no Twitter: “Eu voltaria do intervalo com Fernandinho na vaga do Nasri.”. Pellegrini voltou com o mesmo time. Algo compreensível, porém muito conservador para o meu gosto, devido ao contexto da partida. Nos primeiros 10 minutos do segundo tempo, justiça seja feita, o City jogou mais do que em todos os 45 do primeiro, e apresentou uma relativa superioridade em relação ao adversário. Contudo o panorama foi logo voltando ao normal e o Barça foi controlando a posse da bola. Eis que, aos 61’, Fernandinho entrou na vaga de... Nasri. Modéstia à parte, cantei a pedra. Mas não foi nada demais, porque me pareceu evidente que a equipe inglesa precisava de um winger de verdade numa das beiradas (no caso, Milner, que abriu pelo flanco direito quando Fernandinho entrou). Até então, o City contava com dois ditos meias pelas extremas, e isso não ajudava na recomposição, nem na transição rápida.

Fernandinho não mudou o jogo, mas na medida do possível, mudou o City. A qualidade do passe pela faixa central aumentou com ele em campo. O gol de Agüero aos 69’, diga-se, não à toa nasceu de um passe vertical coisa mais linda dele para Silva, que por sua vez deu uma assistência coisa mais linda ainda para o argentino. O toque do brasileiro clareou toda a jogada. Toque que Milner e Fernando, por exemplo, são incapazes de executar.

O gol de Agüero até deu um ânimo aos citizens, porém o Barcelona seguiu com as rédeas da situação nas mãos, e a vaca dos anfitriões foi para o brejo aos 73’, quando Clichy recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Só não foi para um brejo sem volta porque Messi perdeu um pênalti no último minuto do duelo e o placar se manteve em 2 a 1 (para mim Messi mais perdeu do que Hart pegou). No fim das contas, portanto, o resultado ficou de bom tamanho. E o gol de Agüero, aliado ao pênalti perdido por Messi, acendeu um fio de esperança para o City – embora, obviamente, o Barcelona seja o grande favorito para passar para as quartas de final da Champions.

As alternativas sem Jadson

Não vamos exagerar. Jadson é um ótimo jogador, mas está longe de ser imprescindível ao Corinthians. Vale a pena lembrar que ele só virou titular porque Lodeiro foi para o Boca. É verdade que seu desempenho contra Once Caldas e principalmente São Paulo foi excelente. Porém o mais novo jogador do futebol chinês está longe de ser uma peça vital ao esquema tático de Tite. Esquema esse que agora pode ter um winger de ofício pela extrema direita. Ou não.



Tite pode manter o 4-1-4-1, deslocando Renato Augusto para a posição de Jadson, aberto à direita (não é novidade para ele, atuou por ali nos tempos de Leverkusen e no próprio Corinthians), e colocando Cristian ou Petros ao lado de Elias, pela faixa central (Ralf atrás da linha de quatro do meio campo e Guerrero à frente dela). Ou pode simplesmente pôr Malcom ou Mendoza na de Jadson, à direita, sem mexer no posicionamento de Renato Augusto. Na primeira opção, a equipe continuaria com um dito meia pela beirada (Renato), enquanto na segunda a equipe contaria com um dito jogador de beirada pela beirada (Malcom) – sem falar que Renato seguiria pelo corredor central, onde em tese rende mais. Em outras palavras, a segunda opção me parece a mais apropriada.

Sem Jadson, outra alternativa seria mudar de esquema tático – duvido, sem tanta convicção, que irá ocorrer, mas não custa nada citar. Tite poderia trocar o 4-1-4-1 pelo 4-4-2 em linha, com nada mais nada menos que Vagner Love e Paolo Guerrero no ataque (convenhamos, uma baita dupla de ataque). Dessa forma, Ralf e Elias formariam a dupla de volantes, Renato iria à direita (não é novidade para ele) e Emerson seguiria na praia dele, a ponta esquerda. Um time com duas disciplinadas, sincronizadas e compactadas linhas de quatro, além de dois atacantes que sabem trabalhar por toda a extensão do setor ofensivo e, acima de tudo, que sabem balançar as redes. Quando Love foi anunciado, aliás, foi assim que projetei o time (veja aqui).

Sim. Jadson é um ótimo jogador. Mas não é fundamental ao Corinthians. Não tenho dúvidas de que Tite já sabe o que fazer daqui para frente sem ele. E não tenho dúvidas de que, seja no 4-1-4-1 ou no 4-4-2, com Love, Cristian, Petros, Malcom ou Mendoza na vaga do ex-camisa 10, o Corinthians tem tudo para ir longe na Libertadores. Se vai ganhar ou não são outros quinhentos, pois mata-mata é mata-mata. Contudo, entre os participantes brasileiros da competição continental, o Corinthians de Tite me parece o mais preparado. Mesmo sem Jadson.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Palmas para Tite e vaias para Muricy

Nos últimos dois meses, Tite fez mais pelo Corinthians do que Muricy fez pelo São Paulo nos últimos dois anos. Mais ou menos isso. No clássico disputado na Arena, nesta quarta-feira, válido pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, essa diferença ficou nítida, quando o time treinado por Tite deu um banho no time treinado por Muricy, em especial nos quesitos tático e emocional do esporte. No que diz respeito à distribuição tática das peças, à estratégia, à proposta de jogo (e sua aplicação) e à concentração, o time de Tite superou o de Muricy com facilidade. A vitória corinthiana por 2 a 0 reflete fielmente o que foi a partida.



Não quero ser imediatista. Não pretendo julgar o trabalho de Muricy, nem de Tite, por apenas um jogo. Não vou endeusar Tite, nem crucificar Muricy, pelo jogo desta quarta. No entanto, se você pensar que Muricy está no São Paulo desde setembro de 2013, e que Tite voltou esses dias ao Corinthians, em tese o São Paulo deveria estar bem melhor que o Corinthians. Em tese o São Paulo deveria se encontrar num nível de evolução muito mais avançado que o Corinthians. Na prática, todavia, o que se viu foi o contrário. O que se viu foi a equipe que está sendo formada há menos tempo (Corinthians) muito mais completa do que a que vem sendo formada há mais tempo (São Paulo). E isso tem tudo a ver com o treinador. Palmas para Tite. Vaias para Muricy.

Pegue Jadson e Ganso, por exemplo. Personagens principais, por motivos óbvios: Jadson perdeu espaço no São Paulo após a chegada de Ganso e acabou negociado com o Corinthians, naquela transação que envolveu Alexandre Pato. A julgar pelo Majestoso desta quarta, você pode chegar à conclusão de que o São Paulo fez besteira, pois Jadson é melhor que Ganso, afinal o camisa 10 tricolor fez uma péssima partida e o camisa 10 alvinegro decidiu (uma assistência para Elias no primeiro tempo e um gol no segundo). Contudo é preciso ponderar que Jadson tem um time ao redor dele, ao passo que Ganso, não. E é aí que entra o dedo do treinador. Se Ganso não tem um time que funciona coletivamente ao seu redor, a responsabilidade é sim de Muricy, que está no cargo há quase dois anos. E se Jadson tem um time que funciona coletivamente ao seu redor, o mérito é sim de Tite, que está no cargo há quase dois meses. Ou seja, palmas para Tite e vaias para Muricy.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Inter estreia com o pé esquerdo

Quando Anderson foi anunciado pelo Inter, projetei o time num 4-1-4-1 com D’Alessandro, Aránguiz, ele e Vitinho na linha de quatro do meio, Nilton atrás dela e Nilmar na frente (veja aqui). Não deu outra. Na estreia da Libertadores, na noite desta terça-feira, diante do Strongest, em La Paz, Aguirre adotou o 4-1-4-1, com Sasha na vaga de Vitinho (completaram a linha de quatro da defesa Léo, Ernando, Alan e Fabrício – veja aqui). Convenhamos que não é preciso ser um gênio para perceber que para encaixar essas determinadas peças, trata-se do esquema tático mais indicado. Mas não deu certo. Não pelo esquema tático em si, mas obviamente não deu certo (a estratégia me pareceu a grande vilã da história, sem falar no terrível rendimento individual de alguns atletas). A equipe boliviana controlou a bola e o adversário nos primeiros 45 minutos com enorme facilidade, ao ponto de abrir o placar aos 11 (Chumacero) e ampliá-lo aos 15 (Ramallo) e praticamente matar o jogo na primeira etapa.



No primeiro tempo, aos 37 minutos, o treinador colorado tentou consertar o time ao substituir Anderson por Vitinho, passando para o 4-2-3-1 (Vitinho e Sasha pelas beiradas, D’Alessandro por dentro e Nilton e Aránguiz volantes). A partida feita por Anderson, aliás, foi péssima – como a do time como um todo, diga-se de passagem. Escancarou a fragilidade (talvez momentânea) física, técnica e mental do camisa 8. Sem a bola, basicamente caminhou, trotou e olhou o Strongest jogar. Já com ela, mal conseguiu dominá-la, na verdade. Mal a teve no pé esquerdo (justiça seja feita, o time todo do Inter não sabia o que fazer com a bola nas poucas vezes em que a recuperava). Eu sei que o jogo foi na altitude, etc e blá. E não quero cair na armadilha do imediatismo – esse câncer das análises de futebol no Brasil. Contudo ficou meio evidente que Anderson não pode ser titular no momento. Vai precisar de algumas semanas para entrar em forma física, técnica e emocional. E nesse meio tempo, parece-me que a melhor alternativa é essa mesmo, com Vitinho e Sasha pelas extremas e D’Ale pela faixa central, no 4-2-3-1. Agora, desde que Aguirre realmente concorde que Anderson não tem condições de ser titular por ora, é preciso repetir essa formação com Vitinho e Sasha, caso contrário não haverá evolução.

No fim das contas, apesar da relativa melhora do Colorado após a saída de Anderson e a entrada de Vitinho, os donos da casa continuaram superiores, mandando no confronto. Apesar do gol de pênalti marcado por D’Alessandro aos 4 minutos da segunda etapa, o Strongest se mostrou mais forte. O tempo todo esteve mais perto de marcar o terceiro do que o Inter de empatar. E não de outra. A cinco minutos do apito final, após bela jogada coletiva (algo que não existiu pelo lado do Inter, por exemplo), Chumacero fez seu segundo e definiu o placar final, que, convenhamos, ficou barato: 3 a 1. Poderia ter sido mais. Alisson foi um dos destaques do Inter, para se ter noção. Mas enfim. Seja como for, Aguirre precisa definir o chamado XI ideal o quanto antes. Se por enquanto é sem Anderson, que insista nisso (no momento eu votaria sem). Se é com Anderson, que insista nisso igualmente. O que não pode haver é falta de convicção por parte do treinador. Tampouco falta de paciência por parte da torcida, da imprensa e da diretoria.

PS: Chumacero é a cara do Schweinsteiger.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Libertem a Libertadores!

Aleluia. É semana de UEFA Champions League e Copa Libertadores da América. Há mais de um semestre não sabemos o que é isso. Há mais de um semestre fomos privados desse momento glorioso. Há mais de um semestre não vivemos essa overdose de futebol no meio da semana. Portanto devemos celebrar. Nesta terça-feira tem PSG vs Chelsea e Shakhtar vs Bayern, além de The Strongest vs Internacional. Já na quarta-feira tem Schalke 04 vs Real Madrid, Basel vs Porto, Colo-Colo vs Atlético-MG, sem falar no clássico entre Corinthians e São Paulo. Poderia ser mais legal se a Libertadores estivesse iniciando a fase de oitavas de final, como está acontecendo com a Champions League 2014/15. Mas isso não acontece, por uma questão de falta de visão global do esporte por parte de quem manda, em função de um misto de maldade e incompetência (bela combinação, hein?).

Não acontece porque a Libertadores acaba no meio do ano. Sob o ponto de vista brasileiro, no meio da temporada, o que, convenhamos, é um absurdo, uma vez que ela acaba numa quarta-feira e no domingo seguinte tem rodada do Brasileirão, quando na verdade a finalíssima da Libertadores deveria ser o último jogo da temporada (como acontece na Europa com a Champions). Em 2013, por exemplo, salvo engano, o Atlético-MG ganhou a Libertadores na quarta e no fim de semana seguinte teve um jogo contra ninguém menos que o Cruzeiro (o time que acabaria campeão do Brasileirão). Só isso. Como exigir o mesmo nível de concentração? Impossível. No fim do dia o espetáculo é prejudicado, e quem paga o pato é o consumidor, o torcedor.

Pense. Reflita. Se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, não teríamos este hiato tão grande entre estas semanas maravilhosas. Mas mais do que isso: se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, seus jogos ficariam mais espaçados, e haveria mais tempo aos treinadores e aos times para evoluírem dentro da competição – o que consequentemente elevaria a qualidade do espetáculo dentro das quatro linhas. Contudo, como as pessoas que mandam no futebol do lado de cá do oceano atlântico não se interessam pela qualidade do espetáculo dentro de campo, pois são regidas por uma mistura de incompetência e má fé (que bela combinação, hein?!), nós ficamos a ver navios, em especial durante o segundo semestre do ano, quando não tem Libertadores, e somos sustentados pela fase de grupos da UCL – esta sim, óbvia e inteligentemente disputada em dois semestres.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Uma briga brasileira no Chelsea

Willian sempre foi ponta-esquerda. Em seus mais de cinco anos de Shakhtar, praticamente sempre foi escalado por Mircea Lucescu à esquerda do 4-2-3-1. Destro, é a partir dali que ele se sente mais à vontade e atinge seu apogeu. Desde que chegou ao Chelsea, no entanto, Willian tem atuado à direita. Não porque ele começou a render mais por ali, mas porque a esquerda já tinha e tem dono absoluto: o craque Hazard. A polivalência, a qualidade técnica e a determinação, todavia, fizeram com que Willian se adaptasse à posição sem problemas e que rendesse em alto nível, ao ponto de virar titular indiscutível do time de Mourinho. Com a chegada de Cuadrado nesta janela de inverno, contudo, sua titularidade pode estar ameaçada. Ou não?



Cuadrado chega para assumir o flanco direito. Embora alguns possam pensar que ele chega para ser um reserva de luxo (obviamente respeito essa visão, mas discordo), parece-me evidente que o ex-winger da Fiorentina chega para ser titular. Não necessariamente para ser titular amanhã, porém ainda nesta temporada. E me parece evidente que ele chega para ocupar o espaço que é justamente de Willian: a beirada direita do 4-2-3-1. Ainda assim, graças a sua versatilidade, sua técnica e seu comprometimento, mesmo após a chegada de Cuadrado, Willian pode continuar no XI. E quem pode pagar o pato é Oscar.

Partindo do princípio de que o sósia da Mart’nália vai virar titular, restará a Willian brigar pelo corredor central com Oscar. E, honestamente, talvez seja mais fácil para Willian ganhar a vaga de Oscar pela faixa central do que a de Cuadrado pela extrema direita. Particularmente eu até penso que para jogar nesta posição, à frente dos volantes e atrás do centroavante, centralizado, Oscar preenche melhor os pré-requisitos. Mas Willian já mostrou, no próprio Chelsea, que pode render em alto nível também por ali (por onde ele não rende em alto nível?). E aí quem pode pagar o pato, é Oscar.

Na partida disputada nesta quarta-feira, no Stamford Bridge, por exemplo, contra o Everton, pela 25ª rodada da Premier League (1 a 0, gol de Willian aos 89'), sem Oscar, fora por lesão muscular, Willian foi escalado pela faixa central, com Cuadrado à direita e Hazard à esquerda (Matic e Ramires foram os volantes, Remy o centroavante, Zouma e Terry os zagueiros, e Ivanovic e Azpilicueta os laterais). Em outra oportunidade, registrada por mim no Twitter, em abril do ano passado, Willian também atuou pela faixa central, e foi eleito o melhor em campo, inclusive. Veja aqui. Nada mal. Portanto não é novidade, tampouco um bicho de sete cabeças para Willian, essa posição e função. E desde que Cuadrado tenha mesmo chegado para ser o ponta-direita titular, desenha-se então uma briga entre os brasileiros Willian e Oscar pelo interior da linha de três.

terça-feira, fevereiro 10, 2015

Coutinho e mais dez

Não foi à toa que recentemente o Liverpool renovou com Philippe Coutinho até 2020. Meio-campista de arranque, de drible, de habilidade, de controle de bola, de velocidade, de visão, de técnica. Sem falar que rende tanto pela faixa central quanto pelas beiradas. Praticamente completo. Só não dá para dizer que é completo porque ainda peca um pouco nas finalizações, embora nessa temporada ele tenha mostrado evolução nesse fundamento. Sem dúvida, o camisa 10 é um dos pontos de desequilíbrio dos Reds. E, sem dúvida, é o segundo melhor brasileiro na Europa 2014/15, atrás apenas de Neymar.