domingo, setembro 14, 2014

Primeira impressão do United de LVG

Louis van Gaal fez o que deveria ser feito. Abriu mão do 3-5-2 para jogar com linha de quatro na defesa (no caso, no 4-4-2 em losango). Na convincente vitória por 4 a 0 sobre o QPR, neste domingo, no Old Trafford, pela 4ª rodada da Premier League, Blind atuou na cabeça de área, Herrera mais à direita, Di María mais à esquerda e Mata mais avançado, além de Van Persie e Rooney no ataque, Rafael e Rojo ofensivos nas laterais, e Evans e Blackett na zaga.

Destacaram-se individualmente, a meu ver, Blind, Di María e Mata.



O camisa 17 assumiu com autoridade essa posição tão carente no elenco do Manchester United há tanto tempo. Seu senso tático e seu passe deram uma qualidade à saída de bola que Carrick e Fletcher jamais foram capazes de dar. O holandês sabe a hora de tirar o time de trás, a hora de recuar, como distribuir o jogo, e por aí vai. Com o passar das partidas, deve se tornar uma referência nessa meia cancha.

Já Di María fez o que dele se espera: desequilibrou. Completo do jeito que é, o argentino fez de tudo, em regra pelo corredor esquerdo. O gol de Herrera, por exemplo, nasceu após uma de suas típicas arrancadas: condução de bola em alta velocidade, mais drible, mais passe. (Herrera também foi muito bem, por sinal, bastante presente no apoio.)

Em relação a Mata, inevitável a comparação com Silva. Não só por ambos serem espanhóis, canhotos e jogarem em Manchester. Mas em especial pela movimentação deles. Se no City Silva é onipresente, aparece em todos os cantos do campo para receber a bola, para dar opções aos companheiros e para fazer o time jogar, o mesmo acontece com Mata no United. Ou melhor, aconteceu nesse jogo contra o QPR, e imagino que deve acontecer ao longo da temporada.

Aliás, se Mata for mesmo toda essa peça-chave que eu estou imaginando ser nesse time do Van Gaal, parece-me que Rooney, Van Persie e Falcao brigam por duas vagas no XI inicial. Se eu não estiver errado, na verdade, no fim das contas a disputa deve ser resumida entre Van Persie e Falcao, uma vez que Ronney é titular absoluto. Não? Acredito que sim. Enfim. Seja como for, foi animadora a exibição deste domingo. Valorização da posse de bola, troca de passes, muita movimentação e poder de conclusão. A tendência agora, penso eu, é Van Gaal repetir o time, para que ele se entrose e a cada dia mais assimile sua filosofia de jogo.

PS: No segundo tempo Falcao entrou na vaga de Mata. Dessa forma Rooney recuou para a posição do espanhol (enganche), enquanto o colombiano formou a dupla de ataque com Van Persie.

quinta-feira, setembro 11, 2014

Por que o São Paulo não deve chegar

Kaká não é o melhor jogador do time. Nem o segundo melhor. Tampouco o terceiro. Mas não se pode negar que existe um São Paulo antes e um depois dele. Após sua chegada, Muricy finalmente encontrou o chamado XI ideal e definiu o esquema tático da equipe: um 4-4-2 em linha com Ganso e Kaká fechando os lados do campo sem a bola (isso mesmo), marcando lateral, com Alexandre Pato e Alan Kardec no ataque. A grande contribuição do ex-Bola de Ouro, todavia, se faz mais presente no quesito emocional do que tático e técnico. Graças ao seu comprometimento inspirador e contagiante, nenhum colega sai do gramado com o uniforme limpo, digamos assim. Enfim, parece que o São Paulo definitivamente entrou nos trilhos. A questão é: a tempo?



Claro. Futebol não é ciência exata. No futebol nem sempre um mais um são dois. Mas quando digo que o Cruzeiro não tem um concorrente à altura, digo porque não vejo tempo suficiente para isso mudar. Mas falta o segundo turno inteiro, Carlão! Eu sei. Porém me refiro a outra escala de tempo, da qual os adversários "diretos" (repare nas aspas) da Raposa não serão capazes de tirar. Quero dizer, não deverão ser capazes de tirar. Não sou louco ao ponto de cravar isso. Mas quase isso. Pelo seguinte: enquanto o time treinado por Marcelo Oliveira vem embalado desde o começo da temporada, o São Paulo, hoje a maior "ameaça" à Raposa (repare nas aspas), está recém entrando nos trilhos. Em outras palavras, esse processo pelo qual atravessa o São Paulo, o Cruzeiro já atravessou no ano passado. Logo, no momento está muitas milhas à frente.

Por essas e outras a questão é: o São Paulo vai chegar a embalar a tempo? Pois por mais que chegue a embalar, ou por mais que já esteja embalado, a verdade é que o trem azul mais parece um trem bala. Por mais que o São Paulo tenha se encontrado desde a chegada de Kaká, por mais que Ganso e Pato estejam voando (para os padrões brasileiros, estão mesmo), por mais que Souza e Denilson tenham balanceado a dupla de volantes e etc, não o vejo chegando no Cruzeiro. Não nesse Brasileirão. Principalmente porque não vejo o Cruzeiro perdendo velocidade nessa corrida. Em suma, enquanto o São Paulo está passando da terceira para a quarta marcha, o Cruzeiro está engatado na quinta há meses. E essa diferença não deve ser tirada nesses pontos corridos. Não por falta de competência do São Paulo ou de qualquer outro suposto postulante ao título, mas sim pelos indiscutíveis méritos do Cruzeiro, construídos desde 2013.

sábado, setembro 06, 2014

A boa nova tem nome e sobrenome

Éverton Ribeiro já está garantido na próxima convocação. Uns 110%, eu diria. Porque se o critério de Dunga, talvez o número um, for a força de vontade e a intensidade, pode-se dizer que o jogador do Cruzeiro se destacou nos poucos minutos em que atuou diante da Colômbia, na noite desta sexta-feira, em Miami (1 a 0 para o Brasil, gol de Neymar, de falta).

Quando digo que Éverton Ribeiro está garantido na próxima convocação, todavia, não me baseio apenas na força de vontade. Baseio-me também na sua qualidade técnica, evidentemente (embora o que pese para Dunga, me parece, seja a raça; lembre-se, no Brasil futebol é raça + individualidade). E baseio-me também na sua versatilidade.



Versatilidade, diga-se, que joga a seu favor. Pois Éverton rende bem nas três posições da linha de três do 4-2-3-1 (esquema utilizado por Marcelo Oliveira no Cruzeiro e por Dunga na Seleção). Canhoto, ele pode jogar aberto pela direita, pelo corredor central, pela esquerda, e até mesmo como segundo volante. Essa polivalência, típica dos craques, deve ajudá-lo bastante na corrida até 2018.

A questão é: Éverton Ribeiro ou Willian? Ou melhor, será. Porque cedo ou tarde, acredito que esse debate irá ocorrer. Pois, apesar de ser polivalente e "jogar em todas", a posição natural de Éverton, no 4-2-3-1 da Seleção, é a ponta direita, hoje ocupada por Willian (ou Hulk, que foi cortado do amistoso). Em tese Éverton também briga pela camisa 10, pela meia central, mas essa praia é de Oscar. E penso que Coutinho seja sua sombra. Enfim. No fim das contas, sem sombra de dúvida, Éverton Ribeiro surge como uma sombra não só para Willian/Hulk, mas também para Oscar/Coutinho. Em relação à ponta esquerda, essa é de Neymar, né.

Os três grandes favoritos

De acordo com a enquete aqui do blog, Bayern, Chelsea e Real Madrid são os principais candidatos ao título da Champions League 2014/15.

Dos 50 votos computados, os times de Guardiola, Mourinho e Ancelotti receberam 11 cada (22%).



Depois deles, o mais votado foi o Barcelona (12%). Em seguida a opção Outro (10%), Paris Saint-Germain (8%), e por fim o Manchester City (4%).

Apesar do voto ser secreto, faço questão de abrir o meu: votei no Bayern.

terça-feira, setembro 02, 2014

domingo, agosto 31, 2014

Possível Dortmund com Kagawa

Não sei o que Klopp tem em mente. Só para você ter uma ideia, na verdade até hoje não compreendi direito esse 4-4-2 em losango (veja aqui) adotado por ele na primeira rodada da Bundesliga 2014/15. Portanto realmente não tenho tanta noção do que se passa na cabeça do treinador alemão. E essa tentativa de previsão abaixo, de um time com Kagawa, não passa de mera especulação da minha parte. Afinal, quem não curte dar uma especuladinha?

Dito isso, partindo do princípio de que o japonês volta para ser titular, acredito que Aubameyang ou Mkhitaryan perca a vaga no XI. Para ser mais específico, imagino que no 4-4-2 em losango, Aubameyang pague o pato. No 4-4-2 em losango, imagino que Kagawa jogue como enganche, atrás da dupla ofensiva composta por Immobile e Reus, enquanto Kehl, Jojic (Gündogan quando estiver apto) e Mkhitaryan formam a trinca de "volantes".

Já no 4-2-3-1, creio que Mkhitaryan pague o pato. Pois nesse sistema, em função de suas características, Aubameyang é o nome ideal para atuar numa das beiradas. É atacante de velocidade, de condução. Ou seja, Aubameyang na ponta direita, Reus na esquerda, Kagawa na faixa central, e Mkhitaryan no banco. De resto, Immobile centroavante, Kehl primeiro volante e Jojic segundo volante (Gündogan quando estiver apto). Particularmente prefiro essa opção, e acho que Klopp também. Vamos ver.



Quando digo que prefiro esse 4-2-3-1, digo porque, a meu ver, é bem mais equilibrado que o 4-4-2 em losango (nesse caso do BVB, com esse material humano, etc). Kagawa também rende aberto, mas é pelo corredor central que seu futebol agrega mais ao coletivo. Por ali ele arma de trás, entra na área, encosta no camisa 9 e conclui. Além de cair pelos lados para jogar com os pontas. Não que Kagawa seja o melhor 10 do mundo. Não é isso. Porém talvez seja melhor que, por exemplo... Mkhitaryan. Quanto a Aubameyang e Reus, são os típicos atacantes de beirada. Reus ainda rende bem em outras posições, é verdade. É craque. Contudo, na minha opinião, é partindo dos flancos que ambos exploram melhor seus potenciais.

Quanto ao segundo volante (Kehl deve ser o primeiro mesmo, ou Bender), confesso que não sei quando Gündogan volta, se está para voltar ou se já voltou. Mas quando voltar (se já voltou, me desculpe, falha minha), sem dúvida é titularíssimo. É o chamado meio-campista moderno, como alguns gostam de dizer. Com ele por ali, o meia central (no caso Kagawa) não fica sobrecarregado na armação. Gündogan executa essa função de arquitetar as jogadas com maestria. Noves fora que sabe acelerar com qualidade quando o jogo pede isso. Em outras palavras, é completo. Resta saber como vai voltar depois de tanto tempo afastado dos gramados.

Seja como for, excelente a contratação de Kagawa nas últimas horas dessa janela de transferências. Primeiro pela qualidade técnica do jogador em si. Segundo por se tratar de uma posição onde não existe uma unanimidade (cornetei Mkhitaryan, não resisti). E terceiro por ele ser da casa, por já ter trabalhado com o treinador. Enfim. Vamos ver o que Klopp tem em mente. Vamos ver como ele pretende utilizar Kagawa, e qual vai ser a formação padrão da equipe nessa temporada (esquema tático e peças). A conferir.

PS: Número de Kagawa ainda não foi confirmado, 12 é um chute, está livre.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Possível Bayern com Alonso

Não vou dizer impossível, mas é sempre complicado tentar prever o XI de Guardiola. Logo quando sai a escalação do Bayern, seja para qual jogo for, nunca podemos cravar qual esquema tático será utilizado, tampouco quais peças se encaixarão em quais posições, pois ele varia com frequência o posicionamento das peças e o esquema. Portanto é difícil, mais ainda, tentar adivinhar qual será sua formação ideal – se é que ela existe – com Xabi Alonso. Contudo, quem não arrisca não petisca.

Por isso publico essa possibilidade na prancheta abaixo, talvez a mais óbvia de todas, num 4-3-3 eu diria ortodoxo para os padrões atuais de Pep. Embora tenha adotado o 3-4-3 em algumas partidas nessa pré-temporada, acredito que o treinador catalão irá jogar com dois zagueiros e dois laterais mesmo, uma vez que a variação para o 3-4-3 pode ocorrer com o recuo de Alonso (o mesmo raciocínio se aplica a Javi Martínez). Xabi, aliás, chega para ser titular absoluto, na minha visão. Chega para assumir a cabeça de área. Para se tornar o primeiro homem do meio campo. O que deve significar a volta de Lahm à lateral direita (e de Alaba à esquerda, pois nesse início de 2014/15 eles – Lahm e Alaba – chegaram a formar a dupla de volantes da equipe).



Nesse 4-3-3, que na marcação por zona lá atrás se transforma no 4-1-4-1, com o alinhamento dos pontas aos meias, para o melhor preenchimento dos espaços, não vejo uma meiuca melhor do que essa composta por Alonso, Schweinsteiger e Thiago. Nesse 4-3-3, não vejo nenhuma outra combinação mais pertinente do que essa. Nenhum trio é tão complementar, pelo menos em tese. Alonso responsável pela saída de bola, pelo primeiro passe, pelos lançamentos longos, pela distribuição de trás (função essencial no futebol, que ainda não compreendemos aqui no Brasil), enquanto os camisas 6 e 31 fazem o vai e vem, voltam para buscar o jogo e se apresentam na frente (sem falar no controle da posse através da troca de passes que essa meiuca pode proporcionar). Resumindo, se confirmados estes três nomes como os ditos preferidos, a faixa central desse time tem tudo para ser uma das melhores da Europa.

Já no ataque, penso que não há discussão. Lewandowski é o cara da referência, apesar de se movimentar bastante, com qualidade, para dar opções aos companheiros. Já as pontas direita e esquerda são ocupadas pelo canhoto Robben e pelo destro Ribéry. Acredito que em relação a essa trinca, ninguém duvida que seja a melhor alternativa. A questão é: e Müller? Bom. Imagino que seja o 12º jogador nessa temporada. Ou quem sabe ganhe a vaga de Thiago, mudando o esquema para o 4-2-3-1 com Robben, Müller e Ribéry na linha de três, além dos volantes Alonso e Schweinsteiger. Sem dúvida é uma hipótese interessante. Entretanto me parece que o Bayern de Pep é Thiago mais dez. Não sei. Vamos ver.

Outro ponto a ser debatido é a zaga. Na verdade, ponto de interrogação. Pois, com a chegada de Benatia, Dante ou Boateng perde a vaga no XI? Ou nenhum deles? Benatia inicialmente chega para ser reserva? Ou assume a titularidade logo de cara? Confesso que quanto a essa discussão, eu não tenho opinião formada. Lembre-se, porém: o foco desse post é do meio pra frente, já que ele trata mais especificamente dos desdobramentos causados pela contratação de Alonso. Enfim. Seja com Benatia e Dante, Benatia e Boateng, ou Boateng e Dante, seja no 4-3-3 ou no 3-4-3, o fato é que, mesmo com a saída de Kroos e a lesão de Martínez, o Bayern, para variar, vem fortíssimo para essa temporada. E vem, aparentemente, com algumas mudanças na cabeça de Guardiola, como indica essa análise aqui.

segunda-feira, agosto 25, 2014

Duas opções aos Reds com Balotelli

A briga de Mario Balotelli por uma vaga no XI do Liverpool é com Adam Lallana. Isso na minha percepção, claro. Não ouvi nem li Brendan Rodgers falando nada a respeito. Digo que é com Lallana porque me parece evidente que, do meio pra frente, Gerrard, Henderson, Coutinho, Sterling e Sturridge são titulares absolutos. Ou seja, sobra uma vaga, que em tese é de Lallana.

O Liverpool de Rodgers joga basicamente em dois esquemas táticos: no 4-1-4-1 ou no 4-4-2 em losango. Foi assim na temporada passada e está sendo assim nessa. Na derrota desta terça por 3 a 1 para o Manchester City, no Etihad Stadium, pela 2ª rodada da Premier League, por exemplo, o 4-1-4-1 foi o escolhido, com Sterling (direita), Henderson, Allen e Coutinho (esquerda) na linha de quatro do meio campo, Gerrard atrás dela, e Sturridge à frente. Nesse esquema, por exemplo, o canhoto Sturridge seria deslocado à beirada para Balotelli entrar no time, vide essa prancheta.



Já no 4-4-2 em losango, a outra estrutura geralmente utilizada por Rodgers, a entrada do ex-milanista aconteceria de forma mais natural, com menos efeitos colaterais, digamos assim. Nesse esquema ele formaria a dupla com o camisa 15, enquanto o completo Sterling trabalharia como enganche, e Henderson e Coutinho seriam os carrilleros. Essa formação não é novidade para ninguém, diga-se de passagem. Todos os jogadores citados estão acostumados a atuar e a render em diferentes posições - graças ao seu treinador. Nessa formação, Balotelli teria um companheiro de ataque propriamente dito (prancheta abaixo).



Talvez num primeiro momento Balotelli seja mesmo reserva. Convenhamos, faria sentido. Mas quando for titular, baseado no histórico recente da equipe do Liverpool, não consigo pensar em alternativas diferentes dessas duas. Se você tiver outra(s) ideia(s), comente. Seja como for, no 4-1-4-1 ou no 4-4-2 em losango, o fato é que ele tem bola para arrumar uma vaguinha no XI. A questão é: terá cabeça? Particularmente acredito que sim, pois Rodgers é muito Rei Midas e tira ouro de pedra.

Os caminhos do Madrid sem Di María

Demorou um pouco, mas Carlo Ancelotti encontrou o chamado XI ideal. Entre idas e vindas, foi somente na reta final da vitoriosa temporada passada que o treinador definiu o 4-4-2 em linha como esquema tático titular. Foi estruturado dessa maneira que o Real Madrid bateu o Barcelona na final da Copa do Rei (naquele jogo do golaço de Bale, que ele corre por fora do campo), eliminou o Bayern da Champions League, e bateu o Atlético na final, naquela partida que eternizou Di María por sua jogada na prorrogação. Justamente Di María, que agora está de partida, e que era, talvez, a peça mais importante desse sistema.

Born to be winger. Assim defino Di María. Como descrevi nesse post, ele é polivalente, joga em todas. É craque. Isso nós sabemos. Porém se há uma posição onde o argentino rende mais, tanto para ele quanto para o coletivo, essa posição é pela beirada. Tanto pela direita quanto pela esquerda. Tanto é que com Mourinho atuou na ponta direita por muito tempo, e com Ancelotti acabou assumindo um papel fundamental na esquerda. Canhoto, no 4-2-3-1 do técnico português, em regra Di María jogava à direita, com Özil por dentro e Cristiano Ronaldo à esquerda. Já na temporada passada (em especial na reta final) virou peça-chave no 4-4-2 em linha do técnico italiano. Aqui pela esquerda.



Como escrevi nesse post, James Rodríguez também é versátil. Pode render pela extrema esquerda dum 4-4-2 em linha fácil. Porém se há alguém no mundo que preenche os pré-requisitos para ocupar essa faixa do gramado com autoridade, esse alguém se chama Ángel Di María. Ou seja, no fim das contas, quando Ancelotti finalmente encontrou o chamado time ideal, ele foi desmontado pelo presidente do clube. Ou melhor, foi remontado. Mas foi remontado com uma peça totalmente diferente. Tiraram um quadrado do quebra-cabeça de Ancelotti e lhe deram um triângulo para pôr no lugar (algo semelhante aconteceu na "troca" de Özil por Bale). Veja bem, por mais que James seja excelente, talvez até mais craque que o próprio Di María (o tempo dirá), suas características são bem diferentes da do argentino. James é meia. Di María é winger. Born to be winger. Para jogar pela beirada desse esquema com duas linhas de quatro, mais os dois atacantes, talvez seja o melhor do mundo. Portanto seria tolice insistir nesse 4-4-2 sem Di María e com James pelo flanco. Correto? Errado. Eu pelo menos penso assim. Pelo seguinte...

Se por um lado James não é o típico winger como é Di María, por outro a manutenção desse esquema pode privilegiar a estrela da companhia. Escrevi sobre isso esses dias (confira aqui). Nesse esquema tático Cristiano Ronaldo fica mais perto do gol, tem uma faixa maior do gramado para circular, e tem menos responsabilidades defensivas. No 4-3-3 ou no 4-2-3-1, por exemplo, ele teria de acompanhar o lateral adversário. No 4-4-2 em linha, não. Se bem que, quando Alonso, Modric e Kroos são titulares, Ancelotti escala CR7 na ponta esquerda mesmo (ou James, quando CR7 está fora). No entanto, caso o coletivo não encaixe depois dessas reposições, é provável que essa minha previsão, de "Ronaldo mais artilheiro do que nunca", não se confirme. Enfim. O fato é que, sem Di María (talvez o melhor winger de 4-4-2 da atualidade), Ancelotti terá outra equipe nas mãos. Equipe que deve variar entre o 4-4-2 com Bale e James nas extremas, e o 4-3-3 com Alonso, Modric e Kroos na meiuca. Seja como for, mesmo sem a peça-chave chamada Di María, o Real Madrid tem no elenco peças de sobra à altura para substitui-lo. Não peças parecidas, de características parecidas, é verdade. Mas sem dúvidas à altura.

PS: Na imagem, as duas linhas de quatro do time que recebeu o Córdoba, nesta segunda, no Bernabéu, pela primeira rodada da Liga 2014/15. Placar: 2 a 0 para os donos da casa, gols de Benzema e Ronaldo, os atacantes que não apareceram no print acima.