sábado, maio 27, 2017

Os reforços que o Chelsea precisa

O XI do campeão da Premier League 2016/17 todos nós sabemos de cor e salteado: Courtois; Azpilicueta, David Luiz e Cahill; Moses, Kanté, Matic e Alonso; Pedro, Diego Costa e Hazard. (Willian até foi o titular na primeira metade da temporada, mas depois Pedro conquistou a vaga na bola. É verdade que houve o episódio do falecimento da mãe do jogador brasileiro entre uma coisa e outra, e isso o abalou bastante, porém, no fim das contas, o ponta espanhol ganhou a posição.) Isso tudo, claro, distribuído no 3-4-3.

Desde a mudança para o 3-4-3, por sinal, logo após aquela derrota por 3 a 0 para o Arsenal, no Emirates, na 6ª rodada, o Chelsea fez 32 jogos na Premier League, e os números impressionam: 27 vitórias, 2 empates, 3 derrotas, 75 gols marcados, 24 gols sofridos, 18 clean sheets. Impressionam também a importância e a influência do trabalho de Conte nesta temporada. Seu 3-4-3, em ideia e execução, merece um capítulo à parte no livro da história da tática no futebol. Recomendo, aliás, a análise feita por Eduardo Cecconi em seu blog sobre o 3-4-3 do Conte (veja aqui).

Devido ao sucesso na temporada, é evidente que na próxima essa estrutura será mantida. Portanto, na hora de reforçar o elenco, a movimentação nesta janela de transferências deve ser baseada no 3-4-3 e no seu funcionamento. Hoje, este é o elenco do Chelsea (Fàbregas também pode jogar na linha dos volantes e Pedro também faz a reserva de Hazard):



Em relação ao XI inicial, creio que a prioridade é trazer alguém para jogar ao lado de Kanté. A temporada de Matic foi muito boa, sem dúvida, contudo, para dar um passo à frente e fazer bonito na Champions League 2017/18, é preciso outra peça para formar dupla com Kanté (Fàbregas não é esse cara). A opção ideal seria Verratti (Verratti seria a opção ideal para vários times, na verdade). A notícia, entretanto, é que ele seguirá no PSG. Outras alternativas que passam pela minha mente são Nainggolan, Vidal, Keïta (Leipzig)... Só não entra na minha cabeça, apesar das especulações, a possibilidade desse cara ser Bakayoko. Não é de hoje que se fala em Bakayoko no Chelsea, mas, na minha visão, não faz sentido, uma vez que, para o Chelsea dar o salto de qualidade necessário para fazer bonito na UCL, Kanté precisa de um volante mais criativo ao seu lado.

A segunda peça na lista de prioridades em relação ao XI inicial, acredito eu, seria para ocupar o lugar de Pedro/Willian. Embora Pedro tenha recuperado seu futebol, e apesar de suas características preencherem os quesitos para triunfar no modelo de Conte, para subir de patamar a equipe precisa de um ponta-direita melhor. Traoré pode ser esse jogador? Talvez. Emprestado ao Ajax, o burquino de 21 anos pode agregar mais agressividade à posição. Canhoto, ele pode adicionar mais dribles e gols ao jogo do Chelsea que Pedro e Willian. Sem falar que ele também seria opção para jogar como centroavante.

Para encerrar as possíveis chegadas para o XI titular, se Diego Costa sair, tenho minhas dúvidas sobre se Batshuayi assume a camisa 9. Se sim, é um problema a menos (Batshuayi titular e Traoré reserva). Se não, alguém deve chegar. Quem? Fala-se em Lukaku. Mas Belotti e Aubameyang me parecem encaixar melhor no estilo de Conte. Não sei. Vamos ver. Isso, claro, se Diego Costa sair (para a China).

De qualquer forma, para subir um degrau na próxima temporada, o Chelsea precisa dessas duas ou três peças para o time titular, e de algumas outras para compor o plantel. Com a saída de Terry, por exemplo, outro zagueiro deve pintar (provavelmente o dinamarquês Christensen, 21 anos, emprestado ao Mönchengladbach). Baba Rahman, 22, também pode voltar do empréstimo ao Schalke para ser o reserva de Alonso. Enfim. Seja como for, o fato é que o campeão inglês precisa de uns poucos porém bons reforços para fazer frente aos gigantes da Europa (e para defender o título da Premier League).

quinta-feira, maio 25, 2017

Beleza é fundamental?

Existem basicamente dois estilos de jogo. Um valoriza a posse de bola e a troca de passes e o outro prioriza a negação dos espaços e as transições rápidas. Não há um certo nem um errado, pois ambos têm o mesmo objetivo: vencer. Ganha-se das duas maneiras e perde-se das duas maneiras. O ideal, na verdade, seria dominar os dois modelos, ter um time capaz de executar (bem) as duas ideias. Mas isso é para poucos. São raros os treinadores e principalmente elencos capazes de fazer isso. Raríssimos. O fato, todavia, é: não há certo nem errado.

No mata-mata ou nos pontos corridos, você pode ser campeão das duas formas: jogando um futebol à la Guardiola ou praticando um futebol à la Mourinho. Um futebol de pressão, posse e passe ou um futebol de defesa baixa e contra ataque. Os dois caminhos podem levar ao troféu. Os dois são eficientes. Talvez um um pouco mais aqui, o outro um pouco mais ali, mas no fim das contas, ambos são eficientes (claro, desde que bem executados). A questão é: qual é o mais agradável? Porque, além de ser uma competição, o futebol é, mais do que nunca, entretenimento. Na era da globalização, com jogos transmitidos ao vivo em alta qualidade para os quatro cantos do mundo (em especial os grandes torneios da Europa), mais do que nunca, futebol é entretenimento. Logo, sob o ponto de vista do espectador/torcedor, qual é o mais prazeroso de se assistir? O "estilo Mourinho" ou o "estilo Guardiola"? E mais: sob o ponto de vista do atleta, qual é o mais prazeroso de se jogar?

O conceito de beleza é bastante relativo. O que é bonito para mim pode não ser para você e vice-versa. Eu sei. Dito isso, particularmente prefiro o estilo de pressão, posse e passe, pois o time fica mais tempo com a bola no pé e é com a bola no pé que as coisas acontecem. Evidente que se o time fica com a bola mas não consegue avançar terreno, não consegue criar chances de gol, o jogo se torna feio (e ineficiente). Mas nesse caso a ideia é mal executada, e a comparação deve ser feita entre modelos bem executados. E quando as duas ideias são bem executadas, particularmente me agrada mais o "estilo Sarri" do que o "estilo Ranieri". E como grande produto de entretenimento global que é o futebol, acredito que o "estilo Sampaoli" coloque mais pessoas em frente à TV do que o "estilo Simeone". Ou me equivoco ao pensar assim? Pois, sob o ponto de vista do espectador/torcedor, custo a crer que há mais pessoas que prefiram ver, no longo prazo, uma equipe que fica mais tempo sem a bola do que com ela. E, principalmente, sob o ponto de vista do atleta, custo a crer que há quem prefira jogar mais tempo sem a bola do que com ela.

Enfim. Não há certo nem errado. E cada caso é um caso. Só acho que um clube do tamanho do Manchester United, por exemplo, uma multinacional gigantesca com consumidores por todo o planeta, deveria ter um time capaz de envolver o adversário com a bola, e não um time que conquista uma Liga Europa com 33% de posse na final, tendo como principal arma a saída longa para o "camisa 10" Fellaini ganhar em cima, diante de uma equipe que possui uma média de idade de 22 anos. Ainda mais quando se tem um elenco tão caro quanto o dos Red Devils. Enfim. O estilo de jogo de Mourinho e suas estratégias - que fique claro - são mais do que legítimos. Isso é óbvio. Só acho pouco para o Manchester United. E isso não é tão óbvio.

sexta-feira, maio 05, 2017

Dois nomes para o Barcelona

Luis Enrique matou o lado direito do Barcelona nesta temporada, e a razão vai além da saída de Daniel Alves. Mesmo sem o lateral-direito brasileiro, o treinador espanhol deveria ter criado mecanismos que gerassem amplitude e profundidade pela direita, mas ele não foi capaz disso (esses mapas de passes aqui ajudam a revelar o problema).

Dito isso, de fato o Barcelona precisa contratar um lateral-direito. Apesar de ter feito boas partidas, Sergi Roberto não é o cara para ocupar essa posição. Não é a dele. E Aleix Vidal, quando começou a engrenar e ganhar a confiança de Luis Enrique, se machucou, praticamente perdeu a temporada e virou uma incógnita para a seguinte. Ou seja, é preciso contratar. E a alternativa mais indicada é Bellerín (22 anos), jogador nascido em Barcelona e produto da cantera azulgrana. Sua situação no Arsenal não é das melhores e, embora seu preço seja salgado, o clube catalão deve tentá-lo na janela de verão.

O outro nome é Verratti (24 anos). É fácil indicá-lo, aliás, pois se trata de um craque que seria titular em todos os times do planeta, de olhos fechados. Não precisa ser nenhum gênio para perceber que o italiano é a contratação ideal para o Barcelona (e para tantas outras equipes). Além de agregar um poder de marcação que nenhum meio-campista do elenco do Barça possui, Verratti pode jogar nas três posições da meiuca. Naturalmente joga como interior, jogou a vida toda assim no PSG, mas também pode fazer o pivote quando Busquets estiver lesionado, suspenso ou poupado. Uma das carências que ficou escancarada nesta temporada, inclusive, é a reserva de Busquets.

Poder de marcação e versatilidade tática à parte, Verratti agregaria, claro, qualidade à fase ofensiva do jogo, com sua movimentação, intensidade, dinamismo, controle, criatividade, visão e passe. Com ele no gramado o time teria a pausa necessária mesmo quando Iniesta é desfalque (quando Iniesta foi desfalque nesta temporada, por sinal, o meio campo culé desapareceu). Imaginando o retorno do 4-3-3 para a próxima temporada, o meio teria, no caso, Busquets de pivote e Verratti e Iniesta de interiores. Rakitic? No banco. Ou em outro clube. Na verdade, seria uma boa vendê-lo para fazer caixa, assim como Arda.

Enfim. Está meio evidente que Bellerín e Verratti são os dois nomes para o Barcelona na janela do meio do ano. No entanto não vai ser fácil tirá-los do Arsenal e do PSG. Porém, não impossível, uma vez que a vontade do jogador (quase) sempre prevalece, e ao que parece ambos estariam a fim de jogar no Barça de Messi, Suárez e Neymar.

sábado, março 25, 2017

Top 5 elencos do mundo

Três jogadores por posição. Embora a lista da Copa seja composta de 23 jogadores, optei por três por posição para ampliar o leque. Ainda assim, certamente alguns nomes ficaram de fora.

Os 33 atletas de cada seleção a seguir não necessariamente refletem as escolhas de seus treinadores, tampouco o esquema tático, a distribuição das peças e a ordem de titularidade. De qualquer forma, as cinco pranchetas abaixo servem como referência para comparar os principais elencos do futebol mundial no momento. Na minha visão, eis a ordem:

1. França



2. Brasil



3. Espanha



4. Alemanha



5. Argentina



PS: Entre parênteses, a idade do jogador.

quinta-feira, março 02, 2017

A variação tática de Luis Enrique

No último domingo, dia 26 de fevereiro, o Barcelona visitou o Atlético de Madrid pela 24ª rodada da Liga, e nele Luis Enrique adotou uma variação entre o 4-4-2 em linha (sem a bola, como mostra a imagem logo abaixo) e o 3-4-3 com um losango no meio campo (com a bola).



Diante do time de Simeone, Sergi Roberto, o então lateral-direito na fase defensiva, se incorporava ao meio campo na fase ofensiva, como interior-direito, deixando a zaga para o trio Piqué, Umtiti e Mathieu, enquanto o canhoto Rafinha pela direita e o destro Neymar pela esquerda geravam amplitude (e Suárez profundidade, na referência).



Dessa maneira Messi atua como o típico enganche daqueles times argentinos que jogavam no 4-4-2 em losango, com liberdade total para buscar a bola na altura do pivote e ver o jogo de frente se assim interpretar necessário. Dessa maneira, no entanto, o camisa 10 cai pouco pelo flanco direito, lugar de onde costumava partir em diagonal driblando os adversários e finalizando com curva por fora no canto oposto do goleiro, "à la Robben".

Três dias depois, nesta quarta-feira, o Barcelona recebeu o Sporting pela 25ª rodada da Liga, e Luis Enrique repetiu a variação 4-4-2/3-4-3. Só que dessa vez quem se incorporou ao meio campo na fase ofensiva não foi o lateral-direito, e sim um dos zagueiros: no caso, Busquets, que formou a dupla do miolo com Umtiti na fase defensiva (imagem abaixo).



Com a bola, a defesa ficava a cargo de Mascherano, Umtiti e Alba, ao passo que Busquets se deslocava uns metros à frente para preencher a posição que é seu habitat natural, de pivote, compondo assim o quarteto do meio, com Rakitic e Denis interiores e Messi enganche (Rafinha e Neymar na amplitude e Suárez na referência).



Em matéria de resultado, não dá para falar que não deu certo. Vitória por 2 a 1 sobre o Atlético no Calderón e goleada por 6 a 1 sobre o Sporting no Camp Nou. Essa variação, todavia, não me parece a mais adequada ao Barcelona, pois a transição entre as duas fases do jogo se torna lenta, sem falar que algumas peças não são as mais indicadas para executar determinadas tarefas (Rafinha não é winger, doble pivote com Denis e Rakitic - ou André Gomes, Iniesta -  perde força na marcação, etc). Em outras palavras, essa variação, no fim das contas, prejudica os aspectos individual e coletivo da equipe, por mais que a intenção do treinador obviamente não seja essa.

De qualquer forma, o fato é que ontem Luis Enrique informou ao público que seu contrato com o Barcelona não será renovado, e o gigante catalão terá outro técnico na próxima temporada. Minha aposta? Jorge Sampaoli, claro. Pois, noves fora seu excelente currículo, além de futebolisticamente ser a cara do Barça (pressão, posse, passe, domínio, superioridade numérica, ocasiões de gol), Sampaoli é argentino, assim como o gênio e dono do time.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Como encaixar Diego, Conca e Berrío?

Mancuello tem jogado a partir da direita neste início de temporada. No 4-2-3-1 de Zé Ricardo, Rômulo e Arão são os volantes e Diego atua como "10", atrás de Guerrero, com Mancuello e Everton nas beiradas. Pelo fato de ser canhoto (e de ser mais meia do que ponta), o argentino tende a transitar pela faixa central com naturalidade, onde soma esforços criativos com Diego, deixando o flanco para o lateral Pará. Sem dúvida a ideia é boa e pelo visto está dando certo. Porém, fica a pergunta: onde entra Berrío? E Conca?

Bom. Antes de qualquer coisa é preciso questionar essa obsessão que nós temos em querer encaixar todos os reforços no mesmo XI. Como diz o próprio nome, apenas onze jogadores começam a partida, e inevitavelmente alguns atletas com estirpe de titular acabam ficando de fora. Por essas e outras é fundamental saber rodar o elenco. Dito isso, no entanto, é preciso sim ter em mente o chamado "XI ideal", a chamada "força máxima", para quando se tem todos os jogadores à disposição - embora isso seja meio raro no futebol brasileiro. Por isso fica a pergunta: e Conca? E Berrío?

Uma coisa me parece evidente: Berrío é extremo-direito e chegou para ser titular. Seu lugar, portanto, em tese, é a ponta direita, lugar preenchido hoje por Mancuello. Ou seja, se a ideia do treinador é seguir com o 4-2-3-1, de duas, uma: ou ele mantém o canhoto Mancuello à direita e joga Berrío para o lado esquerdo, ou ele faz o contrário (põe Berrío na direita e Mancuello na esquerda). O xis da questão aí passa pelas características dos envolvidos. Uma coisa é jogar com o "meia" canhoto criativo à direita e outra é jogar com o típico "winger", destro, mais físico. Com um a tendência é a circulação pela faixa central visando a elaboração das jogadas. Com o outro, a tendência é a chegada forte, velocidade, explosão. Surge então outra pergunta: é melhor ter o "meia" canhoto Mancuello a partir da direita ou o "winger" destro Berrío?



Talvez a saída seja mesmo passar Mancuello para a esquerda, para deixar Berrío na sua praia (a extrema direita). Embora seja mais fácil para o canhoto argentino transitar pela faixa central a partir da direita, ele tem mais condições de atuar a partir da esquerda do que Berrío (ainda que isso possa alterar o funcionamento do time). E isso serve para o outro meia argentino canhoto do elenco: Conca. Com Diego e Berrío no mesmo XI, no 4-2-3-1, o que sobra para Conca? A beirada esquerda (e para Mancuello, a reserva). No fim das contas, independente do esquema tático, o fato é que está se desenhando uma briga entre Conca e Mancuello por uma vaga. E para o Flamengo isso é ótimo, pois revela a qualidade do plantel. Resta saber como Zé Ricardo vai administrar isso.

O cenário, então, é este: um 4-2-3-1 com Rômulo e Arão volantes, Diego atrás de Guerrero, Berrío na direita e, na esquerda, Conca ou Mancuello (ou Everton). Convenhamos, um senhor XI, que tem tudo para dar certo e brigar por títulos graúdos. Ainda penso, entretanto, que há outra alternativa que poderia deixar o time um pouco mais equilibrado, uma vez que a ideia de ter Mancuello fechando o lado do campo na fase defensiva não me parece a mais indicada. Na verdade, mais Conca do que Mancuello. Mancuello nem tanto. Mais Conca mesmo. Confesso que tenho dificuldade de imaginá-lo fechando o lado do campo na fase defensiva. Posso estar errado, mas tenho a impressão de que estouraria no lateral com frequência. Qual a alternativa, então? Para mim, mudar a estrutura tática. Passar para um 3-4-2-1, com Berrío na ala direita e os meias Conca e Diego próximos ao centroavante (prancheta abaixo). Dessa forma, Conca seria menos exigido sem a bola, de modo que o equilírio do time seria mantido.



Enfim. De qualquer maneira, acho que Zé Ricardo faz bem em tentar encaixar seus principais jogadores no esquema que é adotado desde o ano passado (4-2-3-1). Trata-se da manutenção de uma ideia que deu/está dando certo - e que tende a dar mais certo com Mancuello do que com Conca. Só espero que ele esteja aberto a novas ideias e variações, como, por exemplo, um 3-4-2-1 (ou 3-4-3, se preferir) onde o veterano Conca - especialmente ele - se sinta mais confortável, sem que maiores sacrifícios sejam necessários.

PS: Para entender melhor o funcionamento do 3-4-3, leia aqui a análise feita por Eduardo Cecconi em seu blog. Vale muito a pena.

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Olho na joia do Borussia Dortmund

Costumo dizer que jogador completo não é o cara que faz gol com a direita, a esquerda e de cabeça. Jogador completo é o que domina a arte do passe, do drible e da finalização no alto nível, de maneira semelhante. Geralmente esse jogador atua na ponta, ou a partir dela, como Messi, Neymar, Hazard, Mahrez, Robben, Griezmann, etc; mas também há exemplos no meio campo (Pogba) e na referência do ataque (Suárez). Repare, no entanto, que estamos falando da elite da elite aqui. Porque, de fato, são raros os jogadores que podem ser enquadrados nessa categoria de "jogadores completos". E um deles, além dos citados acima, é o camisa 7 do Dortmund (ou pelo menos ele está a caminho de ser).



Aos 19 anos de idade, em sua primeira temporada no BVB, Ousmane Dembélé já é um dos três jogadores mais importantes da equipe - para não dizer o mais importante. Claro. Aubameyang é o artilheiro do time, Weigl é o eixo entre defesa e meio/ataque, Reus é ídolo e tudo mais, porém quem tem desequilibrado a favor do Borussia Dortmund, na prática, é Dembélé. E tem desequilibrado porque, além da personalidade, do forte lado emocional que possui, o jovem francês é mestre no drible e no passe. E quando aprimorar a finalização, quando pegar gosto de verdade pelo gol, se tornará world class. Okay. "Mestre" talvez seja exagero, pois se trata de um atleta de 19 anos. Contudo, sua qualidade no drible e no passe fica mais evidente a cada semana que passa.

E seus números também revelam isso. Somando Bundesliga e Champions League, Dembélé tem 11 assistências (e 5 gols) em 21 jogos na temporada, sem falar que a maior média de dribles por partida do campeonato alemão é dele (e uma das maiores da UCL). De fato, seu número de gols não está à altura de seus dribles e seus passes. Mas é importante lembrar que estamos falando de um jogador de 19 anos, que chegou agora a um grande clube da Europa, e que tem tudo, mas tudo, para evoluir - ainda mais atuando no time do ousado e ofensivo Thomas Tuchel. O treinador alemão, aliás, já disse que Dembélé "tem o que têm os Bolas de Ouro". Empolgou? Talvez sim. Ou, talvez não, pois só o tempo dirá se ele se juntará a Neymar, Dybala e os outros na corrida pela Bola de Ouro, quando a hegemonia Messi-CR7 acabar.

PS: Outro detalhe que vale a pena ser citado é que o Dortmund pagou ao Stade Rennais apenas € 15 milhões por Dembélé na última janela de verão. Isso mesmo. Apenas quinze milhões de euros.

segunda-feira, novembro 28, 2016

A evolução do Chelsea de Conte

Esquema tático não joga sozinho. Sem os movimentos e as tomadas de decisões condicionados pelo treinador através de treinamentos e orientações, o esquema tático por si só não quer dizer muita coisa, não é definitivo. Feita essa ressalva, a estrutura tática, a distribuição das peças e a ocupação dos espaços são sim importantes. Porque vira e mexe leio alguém dizer que "o esquema tático não importa", e disso eu discordo em gênero, número e grau.

Desde que passou para o 3-4-3, o Chelsea de Conte não perdeu na Premier League. Pelo contrário, só ganhou: 7 vitórias em 7 rodadas seguidas. Aliás, é a melhor sequência do Chelsea no torneio desde Mourinho na temporada 2006/07 (9 vitórias). A última derrota foi aquele 3 a 0 para o Arsenal, quando o time de Conte ainda atuava com linha de quatro atrás. Então quer dizer que qualquer equipe que começar a jogar no 3-4-3 vai começar a ganhar todos os jogos? Claro que não. No entanto é inegável o crescimento do Chelsea desde que o técnico italiano mudou o esquema, e isso não é uma mera coincidência.



Nesta sequência de 7 vitórias, o Chelsea sofreu apenas um gol. Foram seis "clean sheets", e isso tem tudo a ver com a segurança defensiva que o time adquiriu após a mudança. No 3-4-3, David Luiz joga protegido pelos zagueiros das beiradas (Azpilicueta e Cahill), sem falar que na tomada de decisão, um de seus pontos fracos, ele evoluiu nesta temporada. Outro ponto positivo, no aspecto defensivo, é a presença de dois volantes como Kanté e Matic no meio. Ou seja, além dos três zagueiros e do goleiro (e dos dois disciplinados alas que fecham e formam uma linha de cinco lá atrás), há um doble pivote com dois atletas com alto poder de marcação - e que também sabem jogar com a bola no pé.

Não foi apenas no quesito defensivo, todavia, que o Chelsea melhorou desde a mudança para o 3-4-3. Ofensivamente o time também cresceu, em especial por causa de Hazard. Coberto por Alonso, com menos responsabilidades defensivas e mais liberdade, tempo e energia para se dedicar às construções e finalizações das jogadas, o belga está mais perto da meta e flutuando pela faixa central do que nunca. E os números mostram isso: ele está criando mais, está arrematando mais, está participando mais, está marcando mais gols. E com isso cresce o futebol de Diego Costa - um dos artilheiros da competição - e do time como um todo.

Enfim. Como eu disse antes, não basta o treinador adotar o "esquema da moda" e esperar que sua equipe comece a render naturalmente. Futebol é mais complexo do que isso, e o trabalho do treinador nunca foi tão importante quanto é hoje em dia (e Conte está mostrando isso no Chelsea, entre outros). Contudo, guardadas as proporções, a distribuição das peças em campo é sim relevante e influencia no desenvolvimento do jogo.

sábado, outubro 01, 2016

A posição do camisa 10

Te pergunto: se Coutinho jogasse no Barcelona, seria opção para o lugar de Iniesta ou de Neymar? De Iniesta, né? Ele poderia jogar nas duas, eu sei, mas me parece evidente que sua posição "ideal" no 4-3-3 do Barça seria a meia esquerda (Iniesta) e não a ponta esquerda (Neymar), por exemplo.

No Liverpool de Klopp, Coutinho atua na ponta esquerda. Sem a posse da bola fecha o flanco esquerdo do campo, de modo que, com ela, naturalmente circula pela faixa central, vindo da esquerda, buscando o espaço entre linhas para o passe ou o arremate de direita. Seu arremate de direita de fora da área, da meia esquerda, inclusive, já virou um clássico.



Em jogo válido pela 7ª rodada da Premier League, neste sábado, diante do Swansea, fora de casa, o XI inicial do Liverpool foi o habitual: Henderson volante, Lallana e Wijnaldum nas meias, Mané e Coutinho nas pontas, mais Firmino centroavante (4-1-4-1). Ainda no primeiro tempo, contudo, Klopp foi forçado a mexer no time, devido à lesão de Lallana (23'). Atrás no placar (Fer marcou no minuto 8), o treinador alemão colocou Sturridge, passou Firmino para a ponta esquerda e Coutinho para o lugar onde, na minha visão, ele pode render mais: a meia esquerda (prancheta acima).

E o futebol de Coutinho cresceu. Principalmente no segundo tempo. Mais presente, o camisa 10 deu a dose de criatividade e fluência que a equipe estava tanto precisando pelo corredor central. Com os elétricos Mané e Firmino abertos (o primeiro mais aberto que o segundo) e o móbil Sturridge no comando do ataque, o Liverpool passou a controlar o jogo, algo que não havia conseguido na primeira etapa. As associações começaram a surgir com mais frequência, as chances começaram a ser criadas, a pressão a aumentar, até a virada chegar: 2 a 1 (Firmino e Milner).

Vitória importantíssima para quem quer brigar pelo título, pois acaba com o estigma de que o Liverpool 2016/17 vai bem contra times "grandes" e mal contra times "pequenos". Enfim. Só espero que Klopp considere jogar mais vezes com Coutinho na meia esquerda do 4-1-4-1/4-3-3. Assim como Tite na Seleção (Casemiro volante, Fernandinho e Coutinho nas meias, Douglas Costa e Neymar nas pontas, mais Jesus centroavante, por exemplo).

domingo, setembro 25, 2016

Gabigol estreia no "tudo ou nada"

Talvez é cedo para afirmar, mas o 4-3-3 parace ser a estrutura tática titular da Inter de Frank de Boer, com Medel à frente da zaga, Banega e João Mário nas meias, Candreva e Perisic nas pontas, mais Icardi na referência. O chamado plano A não deve fugir disso. E nesse caso, a briga de Gabriel Barbosa por uma vaga no XI inicial será com Candreva, pela ponta direita.



Em outro caso, no 4-4-2 em linha (plano B), a briga de Gabigol deve ser com Eder, por uma vaga no ataque ao lado de Icardi (Candreva e Perisic abertos, além da dupla de volantes). Num 4-4-2 em linha, claro, Gabigol de segundo atacante é o mais lógico. Ainda mais quando se tem dois wingers natos como Candreva e Perisic. Na partida deste domingo, contra o Bologna, todavia, o brasileiro entrou na extrema direita, na vaga de Candreva (Eder e Icardi na frente, Perisic na outra extrema, além da dupla de volantes). Mas trava-se de um empate em casa contra o Bologna, trava-se de um "tudo ou nada" nos últimos 15, 20 minutos. Obviamente o 4-4-2 mais racional tem Candreva e Perisic abertos e Gabigol e Icardi na frente.

De qualquer forma, uma coisa me parece evidente: esse 4-4-2 deve ser o plano B de De Boer, uma carta na manga para ser utilizada eventualmente, uma vez que Banega e João Mário são titularíssimos, essenciais, e o melhor esquema para encaixá-los é o 4-3-3 (detalhe: João Mário não foi relacionado para o jogo contra o Bologna). E no 4-3-3 a briga de Gabriel será pela ponta direita, com Candreva. Uma coisa que pode pesar a favor do brasileiro é a diagonal. Destro, Candreva em regra busca a linha de fundo e o cruzamento. Algo que ele faz bem, diga-se de passagem. Mas com o canhoto Gabigol na ponta direita, a Inter ganha uma arma fundamental: a entrada na diagonal, que abre o ângulo para o arremate (ou para o passe). Algo que ele faz bem, diga-se. Porém de resto a vantagem inicial nessa provável disputa por uma vaga no XI inicial é de Candreva, jogador da seleção italiana, experiente, de mais intensidade e força física.

sexta-feira, setembro 02, 2016

Top 10 elencos Premier League 2016/17

A discordância é livre.

1. Manchester United Football Club



2. Manchester City Football Club



3. Chelsea Football Club



4. Tottenham Hotspur Football Club



5. Arsenal Football Club



6. Liverpool Football Club



7. Everton Football Club



8. West Ham United Football Club



9. Leicester City Football Club



10. Stoke City Football Club



PS: Os esquemas táticos das pranchetas acima, as ordens de titularidade e as distribuições dos jogadores naturalmente não devem estar 100% corretas.