quarta-feira, julho 22, 2015

O novo nove chega sob cornetadas

Desde sua estreia, em setembro de 2012, Christian Benteke marcou 42 gols na Premier League. Nessa lista, está atrás apenas de Robin van Persie (44), Luis Suárez (53) e Sergio Agüero (55). Convenhamos, uma marca e tanto para o centroavante belga. Estar atrás apenas desses três craques não é pouca coisa. Sem falar que eles eram/são mais experientes e jogaram/jogam em times melhores. Benteke fez o que fez com a camisa do tradicional porém modesto Aston Villa, cercado de atletas em tese não tão bons quanto os das equipes de Manchester, por exemplo. Portanto, trata-se de um feito e tanto, ele ter se destacado como se destacou. Afinal, estamos falando da principal liga (em todos os sentidos) de futebol do mundo. Logo, não é à toa que o Liverpool está pagando por ele € 46 milhões.



Primeiro ponto: o Liverpool precisava contratar um camisa 9. Ainda que com características um pouco distintas, esse camisa 9, na temporada passada, foi Sturridge. Ou melhor, era para ter sido, já que ele se machucou e ficou um tempo longe dos gramados (quando voltou, sem ter feito pré-temporada, não conseguiu repetir o futebol de 2013/14). E nesse tempo, enquanto Sturridge esteve fora, quem foi o centroavante do time? Sterling. Isso mesmo. Balotelli e Lambert não corresponderam e Rodgers jogou com Sterling “improvisado” na frente. No fim das contas, a temporada 2014/15 mostrou que o barato pode sair caro, e que o elenco carecia de um camisa 9 de peso. Carecia. Pois ele chegou.

A pergunta é: vale € 46 milhões? Veja bem. Não tenha dúvida de que o Villa foi bem na negociação (até por conhecer a necessidade do Liverpool). Dito isso, eu diria que vale. Por uma regra básica de economia: quem determina o preço é o mercado. Estamos em 2015. Hoje em dia “qualquer” transação gira em torno dos € 30 milhões (repare nas aspas do qualquer). Os números são outros. Os números subiram. Sempre sobem. E vão continuar subindo. Pode ter certeza de que, sei lá, em menos de dez anos transações acima dos € 100 milhões serão “comuns” (repare nas aspas). Portanto, hoje, em pleno 2015, € 46 milhões por um centroavante (artigo raro) de 24 anos, que já foi testado e aprovado na Premier League (e não no Brasileiro, Holandês ou Italiano), não se trata de nenhum absurdo. Não estou dizendo que é barato. Apenas estou afirmando que não é nenhuma loucura, como a maioria tem dito por aí (o ser humano e seu hábito de ouvir e repetir mentiras sem questioná-las). Aliás, o que mais se lê e ouve por aí são cornetadas (críticas sem fundamento). Se alguém te disser que foi um absurdo o preço pago pelo Liverpool, por favor, pergunte-o por quê. Peça-o para explicar por que ele acha isso. E se esse alguém for você, se você acha um absurdo o preço pago pelo Liverpool por Benteke, me diga por quê. Comente. Argumente. Só não me venha com "é caro" ou "não vale tudo isso" e ponto final, beleza?

PS: Veja abaixo lances de Benteke na última temporada. E leia aqui um post recente sobre a situação do Liverpool.

quinta-feira, julho 16, 2015

Possível Manchester United 2015/16

Van Gaal terminou a temporada passada jogando no 4-1-4-1. Foi nesse esquema tático que a equipe, enfim, engrenou. Com todos à disposição, Carrick era o cabeça de área, Herrera e Fellaini os meias, Mata e Young os pontas, e Rooney o centroavante (além de Valencia e Blind nas laterais, da dupla de zagueiros e de De Gea). Logo, me parece sensato imaginar que o 4-1-4-1 será a estrutura adotada na temporada 2015/16. Aliás, em função das chegadas de Schneiderlin e Schweinsteiger, mais do que sensato, me parece óbvio imaginar isso. Nesse caso, Carrick e Fellaini perdem espaço.

Morgan Schneiderlin chega para assumir a primeira posição do meio campo. O francês de 25 anos chega para agregar tanto sem a bola quanto com ela. Alto e forte, Schneiderlin consegue aliar poder de marcação à técnica como poucos no mundo (digamos que agora o United tem um Matic para chamar de seu). Já Schweinsteiger, dispensa comentários. Ou seja, titulares absolutos. Assim sendo, no 4-1-4-1, sobra uma vaga na meia cancha. Que, me parece, a julgar pelo futebol que jogou na segunda metade da temporada passada, pela idade e pelo potencial, será preenchida por Herrera. A importância de Fellaini na jogada aérea é inegável, eu sei. Mas, no fim das contas, para uma filosofia de posse e passe, para o bem do coletivo, Herrera se encaixa melhor.



Em relação às pontas, se Di María ficar, obviamente a melhor alternativa é com ele e Depay. Ambos são wingers natos, de altíssimo nível - nesse caso, pés trocados (canhoto na direita e destro na esquerda). Mas como Di María é reserva com van Gaal, é bem possível que ele seja negociado - a não ser que eles tenham se entendido. Se sim, o United terá dois dos melhores wingers do mundo em campo. Se não, terá Mata, que também é canhoto, e que foi titular na segunda metade da temporada passada, justamente por ali, à direita. Ou Young, que foi quem "colocou" Di María no banco, e que é mais da posição que Mata. É inferior tecnicamente, mas é winger de ofício; Mata, por ali, joga no "sacrifício" (embora jogue por ali há anos).

Em relação ao centroavante, acredito que seguirá sendo Rooney. Até pelos reforços que já chegaram, não faria sentido, pelo menos na minha cabeça, contratar um nove e deslocar Rooney para o meio campo ou para a ponta. A não ser que van Gaal pense em passar para o 4-4-2 em linha. Aí, tudo bem. Aí faria sentido (Di María/Mata, Schneiderlin, Schweinsteiger e Depay na linha de quatro, mais Rooney e o outro atacante). Porém, partindo do princípio de que o 4-1-4-1 será o esquema utilizado, se chegar um nove, será para ser o banco do camisa 10, creio eu. Um bom banco, diga-se, até porque seus reservas na última temporada foram van Persie e Falcao. Só isso.

As dúvidas, ao menos na minha cabeça, passam mais pelo gol e pela lateral direita. Se De Gea for mesmo para o Real Madrid, não tenho ideia de quem poderia chegar para vestir a camisa 1. E não tenho certeza se Darmian toma a vaga do Valencia assim, da noite para o dia. Enfim. No que diz respeito às peças propriamente ditas, o ponto fraco está na zaga. Não que Jones e Rojo (ou Smalling) sejam ruins. Não são. Mas que há uma distância entre eles e o resto do time, há. E contratando do jeito que está contratando nessa janela, é bem possível que um zagueiro acabe chegando. Seja como for, com um novo zagueiro ou não, com Di María ou não, com De Gea ou não, o fato é que o elenco do United 2015/16 já está mais qualificado que o 2014/15.

PS: Numeração não confirmada.

quarta-feira, julho 08, 2015

7 a 1 não foi pouco. Ficou de graça

"Ainda não é o suficiente." Quando perguntado sobre Dunga na Seleção, essas foram as palavras de Daniel Alves. Palavras sobre o atual "treinador" da Seleção. Uso aspas na palavra treinador porque Dunga não é treinador de futebol. Aliás, o que te leva a crer que Dunga é treinador de futebol? Baseado em que você acredita que Dunga é treinador de futebol? Pois caso você não saiba, a função do treinador vai muito, mas muito (mas muito mesmo) além de escolher o esquema tático, as peças e fazer as substituições na hora do jogo. O jogador joga o jogo e o treinador treina o time nos treinamentos. E é aí que o Brasil parou no tempo. É aí que os treinadores brasileiros estagnaram: nos treinamentos. A metodologia que vigora no "país do futebol" é ultrapassada. Pergunte ao jogador que sai daqui para jogar na Europa, e ele te dirá, se for sincero. Agora reflita: se no quesito treinamento os treinadores brasileiros são ultrapassados, imagine Dunga, que nem treinador é.

Pois é. 7 a 1 não foi pouco. Ficou de graça.

Mas voltando às palavras de Daniel Alves sobre Dunga. Elas foram ditas no Bola da Vez que foi ao ar na noite desta terça-feira, na ESPN Brasil. "Ainda não é o suficiente." Uma frase sincera e necessária (a sinceridade é uma das grandes virtudes do ser humano, mas poucos conseguem adquiri-la), entre tantas outras. Como, por exemplo, esta sobre o 7 a 1: "Taticamente a gente não tava preparado. Futebol é preparação." Se taticamente a Seleção não estava preparada, a responsabilidade é do treinador. A "culpa" (complicado usar essa palavra, mas já foi; com aspas) de Bernard, David Luiz e etc é insignificante perto da de Felipão. Da de Felipão e da de Parreira, diga-se, pois Parreira jogou merda no ventilador ao falar "já estamos com a mão na taça" antes da competição começar. Se o emocional da Seleção já estava fragilizado porque não havia uma filosofia de jogo inteligente bem definida e assimilda (isso mina a confiança), ele ficou ainda mais frágil com a declaração de Parreira, que botou mais peso sobre os ombros dos atletas (sem falar no fato de jogar em casa e sofrer com a pressão doentia feita pela imprensa e pela torcida no sentido da "obrigação" de conquistar o título).

Outro ponto interessante tocado por Daniel, que por sinal eu tenho levantado há bastante tempo nas redes sociais e aqui no blog, e você é prova disso, foi sobre a Neymar-dependência. Ele não usou esse termo, nem estas palavras, contudo deixou nítida sua insatisfação em relação ao modo como o coletivo é tratado na Seleção. O que vimos na Copa do Mundo 2014, por exemplo, foi o sacrifício do coletivo em pról do individual. Foi um time estruturado com duas linhas de quatro, com o melhor armador do elenco escalado na beirada, para o craque Neymar ficar livre, não precisar marcar lateral, e decidir quando a bola chegar. Uma estratégia dos anos 90 em pleno século XXI. E sabe o que é mais inacreditável e revoltante? Que Dunga repete a mesma receita um ano após o 7 a 1.

Pois é. Não foi pouco. Ficou de graça.

Enfim. Assista abaixo o Bola da Vez com Daniel Alves. Modéstia à parte, você que segue o @blogdocarlao no Twitter vai identificar nas ideias do ex-lateral da Seleção várias coisas que eu falo há meses, nesta relevante entrevista, conduzida por Dan Stulbach.



PS: Leia aqui e aqui dois posts publicados à época da Copa.

segunda-feira, junho 29, 2015

A árdua tarefa do Liverpool

A realidade é outra. Com o recente crescimento (financeiro) de Chelsea e Manchester City, o Liverpool perdeu a cadeira cativa na maior competição de clubes do planeta. De uns anos para cá, a verdade é que os Reds ficam mais fora da Champions League do que dentro. E isso tem reflexo direto na janela de transferências. Grana à parte, na hora do atleta decidir entre o clube A ou B, se o A estiver na UCL e o B não, a chance do A ser o escolhido aumenta consideravelmente.

Sem dúvida que a Premier League é um atrativo e tanto para quem vem de outro país jogar no Liverpool. Sem falar na tradição e etc. Mas ficar de fora da Liga dos Campeões é frustrante para os jogadores do mais alto escalão. E a tendência é que o time fique mais fora do que dentro da UCL pelos próximos anos. Portanto é natural que em certas ocasiões o Liverpool seja o clube B e não o A. Isso sem falar na grana, já que um jogador de altíssimo nível, do alto escalão, custaria uns, sei lá, € 60 milhões (fora o salário). Ou seja, para voltar a ser um clube de Champions League, digamos assim, o Liverpool terá de batalhar sem o dinheiro e sem os craques extraclasse de outras equipes. É possível? É. Mas não existem garantias de que sim. Nem de que não.



Pontos corridos é elenco. Não adianta. Em regra acabam no topo da tabela os clubes com os melhores elencos, os elencos mais fartos em quantidade e qualidade, os melhores distribuídos, de preferência com dois jogadores por posição, sem carências pontuais, que podem ser fatais. É assim em todos os campeonatos de pontos corridos e na Premier League não é diferente. E por uma questão financeira, em regra, Man City, Man United, Chelsea e, vá lá, Arsenal, possuem elencos superiores ao do Liverpool. Logo, em regra, City, United, Chelsea e Arsenal são/serão os ingleses na Champions League, uma vez que as vagas inglesas na UCL vêm do G4 da PL. Apesar disso tudo, no entanto, pode ser que o Liverpool vire a exceção e comece a terminar no G4 com mais frequência. Como? Com inteligência e continuidade.

Continuidade no sentido de dar tempo ao treinador. (Nesse ponto os caras que mandam no Liverpool foram bem, ao manter Brendan Rodgers. Tê-lo demitido seria um erro.) E inteligência no sentido da montagem do elenco. No sentido de aproveitar as oportunidades que o mercado oferece e reforçar o plantel de acordo com as carências identificadas, sempre colocando o custo-benefício na ponta do lápis. Claro. Nenhuma contratação tem garantia, vide a última janela de verão do próprio Liverpool, com Balotelli principalmente, mas também Lovren e Markovic, pelos valores pagos por eles. Ainda assim, aos poucos, entra janela, sai janela, o elenco vermelho vai sendo melhorado. Já está evidente que o 2015/16, por exemplo, é bem superior ao 2014/15. Mais completo. Pelo menos no papel. Agora vamos ver se no campo, na prática, os jogadores, sob o comando de Rodgers, conseguem deixar o Liverpool mais dentro do que fora da Champions League (sem falar na possibilidade de título da Premier League). Mas sabemos que a tarefa não é fácil, pois se o elenco do Liverpool melhora, o do City, do United, do Chelsea e do Arsenal (e do Tottenham) também melhoram.

segunda-feira, junho 22, 2015

Um "treinador" dos anos 90 em 2015

O problema da Seleção não está nas suas peças, nem na sua estrutura tática. O problema está no seu (mau) funcionamento. E seu treinador tem tudo a ver com isso. Tudo bem que a safra de jogadores não é a melhor dos últimos tempos, porém ela não é ruim, como muitos pensam e afirmam sem receio e responsabilidade. Não existem três ou quatro craques no mesmo XI como em outros carnavais, é verdade. Contudo o nível da maioria dos atletas é alto – embora a crise da camisa 9 seja inegável.

Sem dúvida falta um centroavante à altura. O cara para assumir a referência do ataque da Seleção, hoje não existe – e nem deve existir pelos próximos três, quatro anos. E isso é preocupante, pois esse papo de que não se joga mais com centroavante nos dias de hoje é pura balela, alimentada pelo medo e pela ignorância (Suárez, Lewandowski, Cavani, Diego Costa, Ibrahimovic, Kane e outros mandam um abraço – embora Cavani jogue na ponta esquerda do PSG). Talvez outra posição que também não esteja bem servida seja a de goleiro (Diego Alves à parte, diria que nenhum goleiro brasileiro se destaca na Europa). Mas, ponderado isso, de resto, o elenco é bom, sim, senhor!

Quem tem um Thiago Silva e um Miranda na zaga, por exemplo? (Sem falar em David Luiz, que pode jogar como cabeça de área, e Marquinhos, como lateral.) Danilo, agora no Real Madrid, tem tudo para se firmar na lateral direita (Mayke pode ser seu reserva). Já na esquerda, Marcelo ainda tem muita lenha para queimar (Filipe Luis pode ser seu reserva). No meio campo, Luiz Gustavo é absoluto. É o Matic brasileiro (calma, a comparação não é das melhores, mas eu sei que você entendeu). Casemiro, agora de volta ao Real Madrid, deve figurar na lista das Eliminatórias com frequência. Tem também Fernandinho (sem falar em Lucas Silva, Hernanes, Ramires). Outros nomes como Oscar, Coutinho, Lucas Moura e Willian também são animadores. Não são do nível de Kaká ou Ronaldinho, eu sei, mas, convenhamos, são ótimas alternativas (Coutinho em especial). Enfim. Opções para formar um bom plantel, o Brasil tem. O problema é fazê-las render dentro de campo.

Por que o time não rende dentro de campo o que poderia render? Bueno. Primeiramente é preciso fazer uma ressalva, curta e grossa: Dunga não é treinador de futebol. Dito isso, o time não rende dentro de campo porque é treinado por uma pessoa com conceitos de futebol ultrapassados. Exemplo: seus volantes são praticamente nulos na fase ofensiva. Quando o time está com a bola, o papel da dupla de volantes se restringe a proteger a zaga e a cobrir as subidas dos laterais. Só aí ele prende duas peças (seus cães de guarda), independente da qualidade técnica e do que eles podem oferecer à equipe, para que os laterais subam e para que o craque decida lá na frente. Ou seja, sacrifica o coletivo e a faixa central – logo a faixa entral –  em busca do resultado feio e fácil, digamos assim (em busca do resultado acima de tudo, aliás). Quer coisa mais anos 90 do que isso? Em pleno 2015, quando está mais do que provada a importância dos volantes na fase ofensiva (e a Alemanha mostrou isso no 7 a 1, cacete!), Dunga segue agarrado às ideias da década do tetra.

quinta-feira, junho 18, 2015

Os 20 melhores da temporada 2014/15

1. Lionel Messi (27 anos)



2. Neymar Jr. (23 anos)



3. Cristiano Ronaldo (30 anos)



4. Luis Suárez (28 anos)



5. Carlos Tevez (31 anos)



6. Eden Hazard (24 anos)



7. Paul Pogba (22 anos)



8. Sergio Agüero (27 anos)



9. Marco Verratti (22 anos)



10. Diego Costa (26 anos)



11. Antoine Griezmann (24 anos)



12. James Rodríguez (23 anos)



13. Harry Kane (21 anos)



14. Kevin De Bruyne (23 anos)



15. Manuel Neuer (29 anos)



16. Arjen Robben (31 anos)



17. Ivan Rakitic (27 anos)



18. Memphis Depay (21 anos)



19. Alexandre Lacazette (24 anos)



20. Nicolas Otamendi (27 anos)



A discordância é bem-vinda.

domingo, junho 14, 2015

Dunga reforça a Neymar-dependência

Dunga aparentemente repete Felipão. Engessa o time coletivamente para que o talento possa decidir. Opta por um esquema tático e uma distribuição de peças que privilegiam o craque do time, para que ele fique "livre" e possa resolver. Em outras palavras, sacrifica o coletivo em nome do individual. A pergunta é: o sacrifício vale a pena?



Particularmente, creio que não. (Bati bastante nesta tecla durante a Copa do Mundo, aliás, e pelo visto vou continuar a bater nessa segunda era Dunga.) Creio que não porque, acima de tudo, como a própria Alemanha mostrou ao mundo naquela goleada histórica, o futebol é um esporte coletivo. Sem dúvida o talento individual merece ser valorizado. Porém o talento individual não se sustenta sem um coletivo muito bem estruturado. E isso significa, entre outras coisas, que certas peças, as que mais podem contribuir nesse sentido, não podem ser limitadas a funções burocráticas, para que, no fim das contas, o craque decida. No fim das contas, no caso da Seleção, essa medida apenas reforça a chamada Neymar-dependência.

Há quem pense que esse sacrifício vale a pena. Há quem diga que o craque do time tem mesmo que ficar "livre", que jamais pode correr atrás de lateral, por exemplo, para estar inteiro fisicamente e poder decidir quando a bola chegar. Eu discordo. Acho um pensamento retrógrado. Pois, mais do que nunca (e o 7 a 1 mostrou isto, embora muitas pessoas no Brasil ainda não tenham compreendido), o futebol é jogado coletivamente. "Todos" atacam e "todos" defendem. As tarefas são bem divididas. Portanto, a exemplo do que fez Felipão na Copa com Oscar, quando Dunga opta por colocar o cara mais pensador da equipe (Coutinho) na beirada, para "marcar lateral", para que Neymar resolva, ele mata o meio campo (o setor mais importante do jogo) e revela que está na contramão do dito futebol moderno.

PS: Eu sei que Coutinho sentiu e não enfrentou o Peru, neste domingo. Foi apenas um exemplo. Mas é provável que, na próxima partida, o 4-4-2 em linha seja mantido, e que Willian e Coutinho ocupem as beiradas (Firmino e Neymar no ataque, além da dupla de volantes). Aí sim, nesse caso, estarei apenas me antecipando. Caso contrário, retiro o que escrevi em relação a ele.

sexta-feira, junho 12, 2015

Uma grande briga de foice no escuro

"No mínimo vinte jogos." Foi o que disse Juan Carlos Osorio, sobre o tempo adequado para se avaliar o trabalho de um treinador. No mínimo vinte jogos.

Imagino que esse número cause espanto, já que treinador no Brasil fica, em média, cerca de quinze jogos no cargo. Isso mesmo. O treinador no Brasil fica em média apenas quinze jogos no cargo. É sério. Veja aqui e se envergonhe. Ou seja, pela lógica do respeitado Osorio – com a qual eu concordo e levanto bandeira há anos, por sinal –, a maioria dos treinadores no Brasil é demitida antes mesmo de poder ter seu trabalho avaliado com um mínimo de justiça. Em outras palavras, a cabeça acaba rolando antes mesmo de o treinador ter a oportunidade de se defender, digamos assim. Logo, o que acontece é uma covardia. E todos nós temos parcela nisso. Nós torcedores, nós jornalistas, nós dirigentes.

Já escrevi sobre isto aqui no blog, inclusive. Essa média, constrangedora, é tão baixa (de longe a mais baixa entre as principais ligas do mundo) porque nossos cartolas não entendem nada de futebol, porque não entendem nada de campo e bola. E essa falta de conhecimento (teórico mesmo) resulta na falta de convicção, que por sua vez resulta em decisões equivocadas. A mais comum delas? A demissão precoce do treinador – um hábito extremamente prejudicial ao futebol jogado dentro de campo, no frigir dos ovos. Em muitos dos casos, com menos de três meses de trabalho. Ou até dois. Ou um. Não duvide. Eles se superam.

E por que isso acontece? Por que essas decisões equivocadas são tomadas ano após ano, rodada após rodada, desde que nos entendemos por gente? Por que o Brasil lidera de longe esse embaraçoso porém revelador ranking de país que mais demite treinador? Porque nossos dirigentes dão ouvidos às cornetas sopradas pela imprensa e, consequentemente, pela torcida. Quando o time não consegue o resultado imediato positivo, a corneta, na maioria das vezes sem fundamento, começa na imprensa, se espalha pela torcida, ecoa pelos corredores do clube, e o dirigente acaba caindo no canto da sereia.

Se entendesse minimamente de futebol, o presidente do clube seria convicto e simplesmente ignoraria as cornetadas da imprensa e da torcida. Largaria um "conversem com minha mão" e ponto final. Mas como não entende e não tem convicção, cede à pressão externa. O problema é que grande parte da imprensa esportiva brasileira também não entende nada de futebol. Boa parte também não tem conhecimento (teórico mesmo) de campo e bola. O torcedor, coitado, nem se fala, tem menos ainda, ao ponto de embarcar na onda da imprensa sem sequer questioná-la. Enfim. No fim das contas, o cartola opta por demitir o treinador com menos de três, dois meses de trabalho, porque leva a sério análises de pessoas que não entendem de futebol. E isso ajuda a explicar por que o futebol brasileiro é uma grande briga de foice no escuro. E por que a frase de Osorio pode ter causado espanto em muita gente. "Como assim vinte jogos no mínimo?! Perdeu três, tá fora! Não adianta! É cultural!"

Pois é. Sete a um não foi pouco. Ficou de graça.

domingo, junho 07, 2015

A primeira de muitas

Até onde o trio MSN pode levar o Barcelona? Na verdade, no quesito troféus, já levou ao topo, com a conquista da Tríplice Coroa (Champions League, La Liga e Copa do Rei). Portanto, no que diz respeito aos títulos, a pergunta é: por quanto tempo o trio MSN pode manter o Barcelona no topo? Porque nada além da Tríplice Coroa na próxima temporada será satisfatório – pergunte a Guardiola, que sofre com isso no Bayern até hoje. Já em relação ao campo e bola propriamente ditos, aí sim a pergunta cabe: até onde o MSN pode ir? Porque, lembre-se, 2014/15 foi apenas a primeira temporada dos três juntos, a segunda de Neymar no clube – sem falar que Suárez estreou somente em outubro, por causa da punição da FIFA, pela mordida em Chiellini. Por essas e outras, tudo me leva a crer que o desempenho deles será ainda melhor em 2015/16.



O que significa desempenho? Não necessariamente títulos. Pode ser que o Barcelona não conquiste a UCL, a Liga e a Copa do Rei na temporada que vem, e ainda assim o desempenho de Messi, Suárez e Neymar seja superior ao da temporada 2014/15 (gols, assistências, passes, dribles, entrosamento, etc). Por que acredito nisso? Primeiro porque sou otimista. E segundo porque estamos falando do melhor ponta-direita do mundo (diga-se, o único gênio em atividade no planeta), do melhor ponta-esquerda do mundo (futuro Bola de Ouro; diria que um dos três finalistas neste ano) e do melhor centroavante do mundo. Lembrando que Messi tem 27 anos, Neymar 23 e Suárez 28. Ou seja, o auge de Neymar ainda está lá na frente, enquanto Messi e Suárez o vivem hoje (ainda na ascendente). Logo, a tendência é que na próxima temporada o trio MSN renda ainda mais (e na próxima, e na próxima...).



Seja como for, o fato é que esse Barcelona, campeão da Copa do Rei, da Liga e da Champions League, será lembrado como o time de Messi, Suárez e Neymar. Será lembrado como o primeiro com os três juntos. Rakitic e Iniesta, os meias do 4-3-3, também serão lembrados, claro. Daniel Alves e Alba, os laterais da equipe, também serão lembrados. O cabeça de área Busquets também será lembrado. A exemplo dos zagueiros Mascherano e Piqué. Os goleiros Ter Stegen e Bravo, idem. Assim como Pedro, Rafinha, Mathieu e etc. Até Douglas será lembrado! Além do treinador Luis Enrique, claro. Mas sem dúvida alguma, a temporada 2014/15 entra para a história como a primeira que reuniu os três atacantes sul-americanos. A primeira repleta de grandes golaços, de lindas assistências, de dribles desmoralizantes e de troféus na prateleira. A primeira de muitas. Já que a tendência é o rendimento só aumentar – individual e coletivamente.

PS: Veja aqui os números e todos os gols do trio MSN.