domingo, agosto 21, 2016

O reforçado Barcelona 2016/17

Com as chegadas de Umtiti, Digne, André Gomes e Denis Suárez, Luis Enrique tem agora em mãos peças de qualidade para rodar o elenco. Não que o elenco da temporada passada fosse ruim, mas o acréscimo desses quatro atletas (saíram Daniel Alves, Adriano, Vermaelen, Bartra) coloca o plantel em outro patamar. Se na temporada 2015/16 o treinador não rodou o elenco como deveria ou poderia, nesta não há desculpas para não fazê-lo, pois os "reservas" de alto nível chegaram nesta janela.

Soma-se a essas contratações o atual desempenho de Arda Turan, que foi julgado e condenado por muita gente precipitadamente, uma vez que não pôde jogar a metade inicial da temporada passada e sofreu para se adaptar ao estilo do novo time. Mas que agora, em 2016/17, tendo participado da pré-temporada e tudo mais, tem se mostrado uma opção muito interessante. Claro. Não tem vaga no "XI de gala", contudo pode atuar em quatro posições do 4-3-3 (nas duas meias e nas duas pontas) e isso é ótimo para ele e para o treinador (e para a equipe). Diante do Betis, no sábado, na primeira rodada da Liga, no Camp Nou, por exemplo, ele foi o substituto do campeão olímpico Neymar.



Com o canhoto Umtiti na zaga ao lado de Piqué, Sergi Roberto na lateral direita e Denis na do Iniesta, na meia esquerda, o Barça atropelou a equipe de Sevilha por 6 a 2, com direito a hat-trick de Suárez (com direito a gol de falta), dois de Messi e um de Arda, que abriu o placar após receber um passe de Alba, que havia se projetado na linha de fundo para receber aquele passe na diagonal clássico de Messi, aquele fatal, que geralmente encontra o ponta-esquerda ou o lateral-esquerdo no espaço (nesse caso, encontrou o lateral-esquerdo, pois o ponta-esquerda já estava dentro da área, numa região mais centralizada, à espera da assistência de Alba, que veio).

Além de Arda, outra grata surpresa do início desta temporada tem sido Denis Suárez, jogador que inicialmente eu havia pensado que fosse jogar na ponta esquerda, que seria o primeiro reserva de Neymar, porém que tem atuado na meia esquerda, com a camisa 6 (ex-Dani Alves e, claro, ex-Xavi), enquanto Turan tem se mostrado o primeiro reserva de Neymar. Soma-se ao ex-jogador do Villarreal o português André Gomes, e chegamos a cinco opções para as duas meias: Iniesta, Rakitic, Denis, André e Rafinha; de modo que as duas pontas ficam para Messi, Neymar, Arda e Munir (sem falar em Busquets e Samper para pivote). Ou seja, do meio para frente, todos têm um substituto imediato. Todos, menos Luis Suárez. A janela se fecha dia 31 de agosto e fala-se muito em Paco Alcácer, do Valencia. Mas a verdade é que, mesmo se o Barcelona não trouxer ninguém para a posição, quando Luis Enrique quiser rodar o elenco e descansar o uruguaio, Messi, Neymar ou Munir pode jogar como centroavante, com Arda numa das pontas (o problema é se Suárez se lesionar).

Em relação à linha defensiva, também são dois atletas por posição: Sergi Roberto e Aleix Vidal para a lateral direita, Alba e Digne para a esquerda, e Mascherano, Piqué, Umtiti e Mathieu para a dupla de zaga. Resta saber se chega alguém para a reserva de ter Stegen, já que a ida de Bravo para o Manchester City está acontecendo neste exato momento, enquanto termino este texto. Enfim. O fato é que agora Luis Enrique tem peças de qualidade no banco para girar o elenco. Se não girar, o time pode sentir fisicamente na reta final da temporada, como sentiu na anterior. Cabe ao treinador convencer os "titulares", em especial o trio MSN, de que rodar o elenco é preciso, de que eles não podem jogar os 90 minutos de todas as partidas.

sexta-feira, agosto 19, 2016

A estreia de Pogba pelo United

Apesar dos dois gols marcados por Ibrahimovic na vitória por 2 a 0 sobre o Southampton, nesta sexta-feira, em casa, pela segunda rodada da Premier League, para mim o melhor jogador da partida foi o estreante Pogba.

Posicionado no tradicional 4-2-3-1 de Mourinho, o novo camisa 6 do United formou o "doble pivote" com Fellaini, de modo que o belga guardou mais a posição, enquanto o francês fez o vai e vem pela esquerda (Mata e Martial fizeram as beiradas - com Mata ocupando a faixa central na fase ofensiva, liberando o corredor para Valencia - e Rooney atuou atrás do centroavante sueco).



O mapa de calor de Pogba, aliás, revela a presença do meio-campista por praticamente todo o terreno, de área a área, com ênfase no lado esquerdo. Em recente entrevista concedida a Henry, por sinal, Pogba se definiu como um box-to-box, um atleta que joga de área a área, que defende e ataca. E no 4-2-3-1 de Mourinho, de fato, ele terá de ser mais box-to-box do que nunca, pois na Juventus ele jogava - e voou assim - como meia-esquerda, sempre com um "primeiro volante" centralizado (Pirlo, Marchisio, etc).



Em outras palavras, o homem dos € 105 milhões terá de se adaptar à filosofia do novo treinador, pois embora o 4-1-4-1 seja talvez o esquema mais indicado para tirar o seu máximo, Mourinho aparentemente não irá abrir mão do seu habitual 4-2-3-1 (estrutura básica do seu Chelsea e do seu Real Madrid, por exemplo).

De qualquer forma, Pogba foi o melhor da partida contra o Southampton. Partida, diga-se, onde o United teve dificuldade para criar chances e teve menos posse de bola que o adversário em pleno Old Trafford. Nesse quesito, todavia, creio que não podemos esperar algo muito diferente disso, já que Mourinho prioriza o estilo reativo.

quinta-feira, julho 21, 2016

Perguntas e respostas sobre o Bayern

Na segunda partida do Bayern sob o comando de Ancelotti, nesta quarta-feira, o time se estruturou com duas linhas de quatro e dois atacantes, com uma leve variação para o 4-3-3 (veja aqui). Eu sei que é impossível querer tirar conclusões pelo jogo de ontem, porém acho que podemos sim tentar imaginar a equipe, com suas peças principais, nesse esquema tático (4-4-2 em linha).

No amistoso contra o Manchester City, na Allianz Arena, a linha de quatro defensiva teve Feldhahn e Martínez na zaga e Rafinha e Bernat nas laterais, enquanto a do meio campo teve Alonso e Lahm por dentro e Benko e Alaba abertos, com Benko bem mais espetado que Alaba, que por sua vez cobria com frequência as subidas de Bernat pelo flanco esquerdo; no ataque, Ribéry na movimentação, caindo bastante pela esquerda, e Green na referência.

Utilizar Lahm e Alaba no meio campo, aliás, foi praticamente uma homenagem a Guardiola, agora treinador do City. Em condições normais de temperatura e pressão, todavia, com todos os atletas à disposição, Lahm e Alaba devem ser, naturalmente, os laterais do time, com Boateng e Hummels na zaga (confesso que vou ser surpreendido se Ancelotti optar por Lahm e/ou Alaba no setor do meio campo ao longo da temporada, pois há outras peças qualificadas para isso). E é justamente a partir daí que surge a pergunta: como será que será do meio pra frente?

Como disse, não dá para tirar muitas conclusões baseado num jogo de pré-temporada. Contudo, caso a ideia de Ancelotti seja mesmo estruturar a equipe no 4-4-2 em linha, qual será sua dupla de volantes? Alonso e Vidal? Renato Sanches e Vidal? Kimmich e Vidal? Thiago e Vidal? Martínez e Vidal? Veja só. Opções não faltam. Na minha opinião, no entanto, será Renato (ou Alonso) e Vidal (sempre lembrando que a rotação do plantel é necessária e saudável). Honestamente, não sei se Thiago tem a dinâmica e o poder de marcação para formar dupla de volantes com Vidal, sendo que em tese ele seria mais "primeiro volante" do que segundo (para mim Thiago é meia de 4-3-3). Mas pode ser que eu esteja enganado. Vamos ver.

Em relação às beiradas, quatro são as alternativas naturais: Robben, Douglas Costa, Ribéry e Coman (além de Benko e até mesmo Alaba). Não quer dizer que nenhum deles possa jogar como atacante de movimentação no 4-4-2 em linha, claro (como fez Ribéry contra o City). Mas em tese eles são os wingers do elenco. Logo, em princípio, baseado na temporada passada do brasileiro, pensaria nos canhotos Douglas Costa e Robben nas pontas. Mas não sei até que ponto dá para contar com o holandês, que se machuca com frequência e já no primeiro amistoso desta pré-temporada sofreu uma lesão muscular e para por seis semanas. Portanto, aposto em Douglas Costa e Ribéry nas extremas (canhoto à direita e destro à esquerda).

Quanto ao ataque, caso Carlo Ancelotti de fato esteja pensando numa dupla propriamente dita na frente, a escolha é evidente: Müller e Lewandowski. Não sei você, mas não consigo imaginar o treinador italiano utilizando Müller numa das beiradas (mesmo num 4-3-3), como fez Löw na última Euro, por exemplo. Ou seja, se eu não estiver enganado, é provável que o XI do Bayern 2016/17 tenha Neuer no gol, Boateng e Hummels na zaga, Lahm e Alaba nas laterais, Renato (ou Alonso) e Vidal por dentro, Douglas Costa e Ribéry (ou Robben) pelas beiradas, mais Müller e Lewandowski na frente. Convenhamos, nada mal. Mas, de novo, ainda não dá para saber se essa é de fato a ideia de Ancelotti. Seja ela qual for, uma coisa é certa: o Bayern entra na Champions League como um dos três principais favoritos ao título, se não o principal.

domingo, junho 26, 2016

Griezmann do Atlético na França

Deschamps tem variado entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1 na Euro 2016. Na primeira rodada a França atuou com Pogba e Matuidi nas meias e Griezmann e Payet nas pontas do 4-3-3 (Kanté volante). Mas foi só na segunda etapa, distribuída no 4-2-3-1, com Payet pela faixa central e Coman e Martial abertos (Pogba e Griezmann foram sacados), que a equipe da casa engrenou e alcançou a vitória sobre a Romênia.

Já na segunda rodada, contra a Albânia, o treinador francês manteve a estrutura tática que deu mais certo na primeira, com Coman, Payet e Martial na linha de três, Kanté e Matuidi volantes, mais Giroud na referência. Ou seja, iniciou com Pogba e Griezmann na reserva, injustificável e equivocadamente. Ambos entraram no segundo tempo, claro. E com o time postado no 4-3-3, os gols da vitória por 2 a 0 saíram (um deles de Griezmann).

Na terceira rodada, com a vaga nas oitavas já garantida, a França "poupou" uns atletas e atuou com Cabaye volante e Sissoko e Pogba nas meias do 4-3-3. Dessa vez Pogba trabalhou na meia esquerda, onde rende mais e onde joga na Juventus, por exemplo. O problema é que Matuidi é canhoto, e com ambos no XI, geralmente Pogba é "sacrificado" na meia direita, para que Matuidi fique na esquerda. Geralmente. Pois nas oitavas, pelo menos a mim, Deschamps surpreendeu e inverteu eles de lado.

Diante da Irlanda, neste domingo, a França começou com o destro Pogba na meia esquerda e o canhoto Matuidi na meia direita do 4-3-3 (Kanté à frente dos zagueiros; canhoto Griezmann na ponta direita e destro Payet na ponta esquerda). Apesar de não ter feito uma grande partida, Paul Pogba estava nitidamente na sua praia na meia esquerda. Matuidi, em contrapartida, se mostrou relativamente desconfortável na meia direita. Durou até o intervalo. Em desvantagem no placar (Irlanda fez 1 a 0 logo aos 2 minutos de jogo) e com Kanté amarelado, Deschamps voltou para o segundo tempo com uma mudança esperada: trocou o 4-3-3 pelo 4-2-3-1, com Coman na vaga do volante do Leicester. O que não era esperado, pelo menos por mim, era o posicionamento das peças em campo.

Na segunda etapa, Pogba e Matuidi, agora formando a dupla de volantes do 4-2-3-1, inverteram de lado (o futebol de Matuidi cresceu pela esquerda). O que chamou a atenção, no entanto, foi a distribuição dos homens mais da frente: Coman e Payet pelas beiradas e Griezmann por dentro. Isso mesmo. Até então, na competição, quando variou para o 4-2-3-1, Deschamps utilizou Payet pela faixa central. Diante da Irlanda, entretanto, Payet permaneceu à esquerda e Griezmann veio para dentro. E foi por ali, pela faixa central, que ele fez os dois gols da virada sobre os irlandeses. Porque é por ali, pela faixa central, encostando no centroavante, que ele rende mais, sem tanto desgaste defensivo, com maior região de atuação, mais perto da área. É por ali que ele mais se aproxima do Griezmann do Atlético. E é por ali, provavelmente, que ele vai enfrentar a Inglaterra ou a Islândia nas quartas, com Payet na ponta esquerda e Coman na ponta direita (e Pogba e Matuidi volantes, até porque Kanté está suspenso).

sábado, junho 11, 2016

Payet na mira do PSG?

Ontem fiz uma comparação no Twitter que algumas pessoas acharam sem sentido: Lucas Moura ou Payet? Tem sentido porque, partindo do princípio de que o francês possa interessar ao Paris Saint-Germain, ambos brigariam pela mesma vaga no XI. Apesar de suas características serem de fato diferentes, dependendo do treinador, do esquema tático adotado e da distribuição das peças, eles seriam concorrentes diretos. Por isso tuitei: "Concordamos que Payet é mais jogador que Lucas Moura, né?"

No 4-3-3 da temporada 2015/16, por exemplo, o meio campo teve Thiago Motta volante, Verratti e Matuidi nas meias, Di María e Cavani nas pontas, mais Ibrahimovic centroavante. Com a saída do craque sueco, naturalmente o camisa 9 uruguaio passa a ser o centroavante, abrindo-se assim uma vaga numa das pontas (em tese na ponta esquerda, já que o canhoto Di María em regra joga na direita com Blanc; na Argentina, joga pela esquerda). Vaga que, numa eventual chegada de Payet, seria disputada entre ele e Lucas. Por isso a pergunta: Payet ou Lucas?

Lembre-se: no 4-2-3-1 de Bilic, no West Ham, o destro Payet joga na ponta esquerda. É a partir dali que ele arma o jogo, que entra em diagonal com o drible, visando o passe ou o arremate, quase sempre com eficiência. Dessa maneira, Payet voou na temporada. Por essas e outras (pela momentânea "carência" na ponta esquerda do PSG, pelo poder financeiro do PSG e pela fase, qualidade e nacionalidade do atleta francês de 29 anos) creio que seja bem possível essa negociação. Entretanto, claro, posso estar viajando. Pode ser que Payet não vá para o PSG, ou porque o clube não o quer, ou porque ele não quer ir para lá. Pode ser que ele siga na Premier League. Propostas não vão faltar. Mas caso ele realmente vá para o PSG, em tese, sobra para Lucas.

Digo em tese porque a troca no comando da equipe francesa está prestes a acontecer, e Unai Emery deve assumir o lugar de Laurent Blanc. Emery que adotava basicamente o 4-2-3-1 no Sevilla, e que se tiver a mesma ideia para o PSG, poderia encaixar Lucas e Payet no mesmo XI: um 4-2-3-1 com Verratti e Matuidi volantes, Di María e Lucas abertos, e Payet por dentro, atrás de Cavani (Thiago Motta iria para a reserva). Embora seu posicionamento inicial seja a ponta esquerda no West Ham (e no 4-3-3 da França), Payet tem bola de sobra para atuar pela faixa central (como ocorreu no segundo tempo da partida contra a Romênia na estreia da Euro 2016, na sexta-feira, quando Deschamps trocou o 4-3-3 habitual pelo 4-2-3-1, com Coman e Martial abertos e Payet atrás de Giroud).

Enfim. De qualquer forma, esse papo de Payet no Paris Saint-Germain é apenas especulação da minha parte. Por isso a despretensiosa comparação com Lucas. Lucas que, apesar de ser um excelente winger e de ainda ter apenas 23 anos, corre o risco de ser um eterno reserva no PSG, clube que atingiu o mais alto patamar, de uns dias para cá, sempre com um dos cinco melhores elencos da Europa. Ainda assim, dependendo do treinador, do esquema tático e da distribuição das peças, pode ser que o brasileiro conquiste a titularidade definitiva. Vamos ver.

segunda-feira, abril 25, 2016

O jogador mais completo da PL 2015/16

Jogador completo não é o que chuta com as duas pernas e faz gol de cabeça. Jogador completo é o que sabe passar, sabe driblar e finalizar. Pois quando você tem a bola, no fim das contas, são essas as três opções que lhe restam. E os jogadores que dominam esses três recursos com eficiência semelhante, em alto nível, são os mais completos, uma vez que são os jogadores com maior influência no jogo. O cara que faz gol com as duas pernas e de cabeça obviamente tem seus méritos. Mas isso não faz dele um jogador "completo", já que estamos falando apenas de "finalização" e deixando de lado o "passe" e o "drible". O conceito de "completo", tecnicamente falando, na minha opinião, é a conjunção desses três fatores.

Claro. Diferentes posições e funções exigem diferentes recursos. Um zagueiro ou um volante, por exemplo, não necessariamente precisa ser bom no drible e/ou na finalização para ser considerado bom. O próprio centroavante, um jogador de ataque, não necessariamente precisa ter drible e/ou passe de alto nível para ser um centroavante de alto nível (há controvérsias). E assim vai. A lista é longa. Por essas e outras, quando analisamos e juntamos os jogadores que reúnem o passe, o drible e o arremate, notamos que, em regra, esses caras são os pontas do time, os wingers. São geralmente os pontas de pé invertido (destro na esquerda ou canhoto na direita), que entram na diagonal driblando, criando ângulo para o passe ou a finalização com a parte interna do pé. Mas lembre-se: regras têm exceções.

Nesse caso, Paul Pogba é uma delas. O meio-campista da Juventus reúne o drible, o passe e o arremate em alto nível, mesmo atuando numa faixa mais povoada do gramado. Outra exceção é Suárez. O centroavante do Barcelona também domina o drible, o passe e o arremate como poucos, apesar de ser o "último homem". E certamente há mais exceções. Em regra, no entanto, esses três recursos vitais são encontrados reunidos, quando são encontrados, nos pontas. Messi é o melhor exemplar de todos, fácil. Mas podemos citar também Robben, Neymar, Di María, talvez Hazard, Cristiano Ronaldo, Douglas Costa, entre outros. Além de Mahrez. Mahrez? Exato. Riyad Mahrez, eleito no fim de semana o melhor jogador da temporada inglesa.

Aos 25 anos de idade, Mahrez é hoje um dos poucos atletas capazes de driblar, passar e finalizar, em alto nível, com eficiência semelhante. E seus números na Premier League 2015/16 ajudam a comprovar isso: são 17 gols e 11 assistências em 34 jogos pelo Leicester. E no quesito drible, possui a segunda melhor média por jogo (3.3), abaixo apenas de Zaha (3.7) e acima de todos os demais, como Barkley (3.1), Alexis (3.1), Dembélé (2.9), Bolasie (2.8), Martial (2.7), Hazard (2.6), Willian (2.5), Payet (2.4) e etc (dados do whoscored.com). Seu número de passes-chave (não de assistências) pode não ser tão grande porque o estilo de Ranieri não favorece isso como o de Wenger, Pellegrini ou Pochettino. Ainda assim, a temporada do ponta-direita canhoto do Leicester serve para confirmá-lo, sem sombra de dúvidas, como um jogador, acima de tudo, completo.

quinta-feira, abril 14, 2016

Barça pagou o pato pelo rodízio zero

Este dado estatístico é bastante significativo: pela primeira vez na carreira Messi fica cinco jogos seguidos sem marcar gol ou dar assistência pelo Barcelona (450 minutos). O gênio argentino desaprendeu a jogar bola? Não. Porém, sem tirar os méritos dos adversários, fica evidente que alguma coisa se passa. E para mim está evidente que se trata de um problema físico. Não de uma lesão específica, mas sim de um cansaço generalizado, que veio a estourar nesta reta final da temporada.

Quando digo cansaço generalizado, não me refiro somente a Messi, mas sim ao time como um todo, em especial ao trio MSN. Porque o trio MSN joga todo santo jogo, jamais é poupado, tampouco substituído. Messi, Suárez e Neymar jogam praticamente os 90 minutos de praticamente todas as partidas. "Mas Cristiano Ronaldo também joga todas as partidas", argumentará alguém. Sim. Porém Cristiano Ronaldo fisicamente é um fenômeno (mérito dele, trabalha para isso). E só ele joga praticamente todos os jogos os 90 minutos. Todos os outros grandes craques, aqui ou ali, são poupados. Basta reparar no Bayern de Guardiola, por exemplo. Ou no próprio Real Madrid, no PSG, etc.

Outro detalhe: nas datas FIFA, nas Eliminatórias da Copa do Mundo, o trio MSN precisa atravessar o oceano Atlântico, enquanto outros craques se deslocam dentro da Europa. Eu sei. Eles não vêm nadando para a América do Sul, vêm de avião. Contudo, no longo prazo, isso pesa. Por isso precisam ser eventualmente poupados. (Mais um detalhe: nesta temporada o Barça participou do Mundial de Clubes no Japão; querendo ou não, mais viagens e mais datas. Sem falar nas Supercopas da Espanha e da Europa.)

No frigir dos ovos, o rodízio no Barcelona foi quase zero. O elenco é curto, sem dúvida. Ainda assim, Arda, por exemplo, poderia ter tido muito mais minutos. Deveria ter jogado mais vezes nas pontas (Messi e Neymar) e nas meias (Rakitic e Iniesta). "Mas o nível não é o mesmo", poderá argumentar alguém. Sim. Mas nenhum jogador que entrar no lugar de Messi, Neymar e Suárez irá manter o mesmo nível. Não há substitutos à altura. E isso acontece nos outros clubes também.

No fim das contas, portanto, fica a pergunta: Luis Enrique não rodou o elenco porque o elenco é curto demais ou porque as estrelas do ataque dão chilique ao serem poupadas/substituídas? Acredito que um pouco de cada. O elenco precisa sim ser maior, precisa ter peças de reposição mais qualificadas (não à altura, mas mais qualificadas). Assim como os três sul-americanos do ataque precisam entender que não podem jogar todas os 90 minutos. E Luis Enrique, no papel de líder, de treinador, precisa saber convencê-los disso sem gerar conflitos.

quarta-feira, março 09, 2016

Por que Willian não entra no "meu" XI

Escalem Firmino, Jonas, Pato, Gabriel, a tiazinha do café ou até mesmo um cone como centroavante da Seleção. Mas, por favor, não tirem Neymar da ponta esquerda. Sim. Eu sei. A crise da camisa 9 é inegável e preocupante. Mas para mim é evidente que colocar Neymar nessa posição não é a opção mais inteligente. Pelo seguinte: Neymar é o melhor ponta-esquerda do mundo na atualidade, é ali que ele se sente à vontade e desequilibra, e tirá-lo dali seria um tiro no pé.

Com Neymar na ponta esquerda, onde entraria Willian, então? Na ponta direita, seria a resposta mais óbvia. Até porque é por ali que geralmente ele joga no Chelsea. No entanto, adepto dos pontas de pés invertidos que sou, essa posição, na "minha" Seleção, seria ocupada por Douglas Costa. Se o lado esquerdo seria do destro Neymar, o lado direito, sem dúvida, seria do canhoto Douglas Costa. Dessa forma os dribles entrando na diagonal e as finalizações com a parte interna do pé no canto oposto do goleiro ocorreriam com mais naturalidade. Mas é claro: isso não é uma regra. É óbvio que você pode jogar com um destro na ponta direita. Existem milhões de maneiras de se formar um time. Eu apenas prefiro o inverso, pelos motivos citados.

Com Douglas e Neymar nas pontas, sobraria a Willian, então, a faixa central. Ele tem jogado por ali no Chelsea de Hiddink, inclusive, com Pedro e Hazard nas beiradas. Contudo, para atuar por dentro, Coutinho preenche melhor os requisitos. Tem mais passe e visão de jogo. Talvez não tenha a chegada na área que Willian tem, porém é mais camisa 10. Por essas e outras, Willian não seria titular na "minha" Seleção. Apesar da excelente fase, hoje o jogador do Chelsea seria, na "minha" Seleção, banco do Neymar. Willian, aliás, sempre foi ponta-esquerda no Shakhtar. Só não joga na ponta esquerda no Chelsea porque por lá tem um tal de Hazard (o mesmo se aplica a Douglas Costa, que sempre foi ponta-direita na equipe ucraniana).

Enfim. O fato é que para as três posições da linha de três, o Brasil está muito bem servido. Neymar, Willian e Felipe Anderson seriam minhas opções para a ponta esquerda; Douglas Costa, Lucas Moura (destro) e Gabriel Barbosa (ou Hulk) seriam minhas opções para a ponta direita; e Coutinho, Oscar e Lucas Lima seriam minhas opções para a faixa central. O grande problema, claro, é na frente. Quem seria o centroavante? Talvez Firmino. Ou Jonas. Ou Pato. Não sei. Só sei que tirar Neymar da sua praia para colocá-lo numa zona desconfortável não é a melhor ideia.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Top 10 elencos do Brasil 2016

A discordância é livre.

1. Sociedade Esportiva Palmeiras



2. Clube Atlético Mineiro



3. Cruzeiro Esporte Clube



4. Sport Club Corinthians Paulista



5. Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense



6. São Paulo Futebol Clube



7. Clube de Regatas do Flamengo



8. Fluminense Football Club



9. Sport Club Internacional



10. Santos Futebol Clube



PS: Os esquemas táticos das pranchetas acima, as ordens de titularidade e as distribuições dos jogadores naturalmente não devem estar 100% corretas. Sem falar em um ou outro atleta que possa ter ficado de fora.

sexta-feira, janeiro 29, 2016

As alternativas de Bauza com Calleri

O argentino Jonathan Calleri (22 anos) fica somente até o dia 30 de junho, o que naturalmente faz dele um titular absoluto no time do também argentino Bauza. A questão é: como encaixá-lo numa equipe com Kardec (e Ganso)? Porque, embora a temporada sequer tenha começado para valer, tudo indica ou indicava que o treinador do São Paulo optaria pelo 4-2-3-1, com Michel Bastos, Ganso e Centurión na linha de três, mais Kardec na frente. Com a chegada de Calleri, no entanto, esse desenho pode ser alterado. Ou não.

Digo ou não porque Kardec já fez e faz a beirada do campo se for preciso. Logo, dessa forma Calleri assumiria o comando do ataque, e a linha de três seria composta por Michel, Ganso e Kardec. Contudo é inegável que Kardec não tem a velocidade e a habilidade (características fundamentais para atuar aberto) dum Centurión da vida, por exemplo. Por isso, de fato, fico na dúvida: Bauza vai abrir Kardec na beirada e fim de papo ou vai alterar o esquema? Ou vai colocá-lo no banco?

Caso Patón não opte por Kardec na beirada, eis algumas alternativas: o 4-4-2 em linha, o 4-4-2 em losango e o 3-5-2 - a menos provável e talvez a que mais me agrade. Repare que nas três há uma dupla de ataque propriamente dita. Nem Kardec nem Calleri fariam a beirada do campo. Dessas maneiras, ambos ficariam mais próximos da área. O ponto é: no 4-4-2 em linha, Ganso teria de ser deslocado à beirada. Tudo bem que com a bola viria para a faixa central, mas sem ela teria de fechar o flanco do campo, acompanhar lateral, e isso é loucura para um atleta com suas características. Pode ser que desse certo, como chegou a dar naquele São Paulo de Muricy e Kaká, no segundo semestre de 2014. Contudo, me parece uma ideia meio sem pé nem cabeça. Ganso é visão e passe. É jogador de faixa central. Por essas e outras, essa alternativa, com o camisa 10 pela beirada, não me agrada.

Também não me agrada tanto a ideia do 4-4-2 em losango, com Ganso enganche, porque o 4-4-2 em losango em tese entrega as beiradas para o rival. Eu sei que não é tão simples assim. Porém como a maioria dos times hoje em dia joga com pontas (wingers), o 4-4-2 em losango, por concentrar os meio-campistas na faixa central, deixa os laterais muito expostos, ficam toda hora no mano a mano, quando não sofrem com a dobradinha feita pelo lateral e pelo ponteiro do adversário. Por essas e outras, essa ideia não me agrada tanto. Nem tanto pelas peças, mas mais pela estrutura tática mesmo (sempre lembrando que, obviamente, o que mais importa é o funcionamento do time, é o conceito de jogo e sua aplicação).

Por fim, o 3-5-2. Disse que talvez seja o sistema que mais me agrade nesse caso porque talvez seja o sistema que melhor equacione as questões Calleri, Kardec e Ganso. E Lugano. Porque no 3-5-2, Ganso não precisaria fazer a beirada. Tampouco Kardec. Ganso seguiria na praia dele, a faixa central, ao lado de Thiago Mendes e mais um (Hudson), e Kardec formaria a dupla de ataque com Calleri. As beiradas ficariam por conta dos alas (quatro nomes para duas vagas: Bruno, Michel, Mena e Carlinhos). E lá atrás, o veterano Lugano jogaria mais protegido, com Rodrigo Caio na sobra e Breno do outro lado. Por essas e outras, me parece a melhor alternativa. Mas como disse, talvez essa seja a menos provável. Seja como for, agora é aguardar para ver como Bauza vai solucionar esse "problema".

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Para onde vai Pogba?

No fim das contas o que prevalece é a vontade do jogador. Ainda mais em casos como este, pois conta-se nos dedos das mãos os jogadores do planeta que podem escolher onde jogar. Nesses casos a maior oferta financeira não necessariamente significa negócio fechado. Não cola a máxima “quem pagar mais, leva”. As questões de campo pesam bastante (companheiros de elenco, lugar no time, treinador, papel na Champions League, etc). E, certamente, a estrela da Juventus está colocando todos os fatores possíveis na balança (a cidade também, o país, etc).

Barcelona, Real Madrid, PSG e Manchester City. Acho que não foge desses quatro clubes. Se for mesmo sair da Juve na próxima janela de verão, no meio de 2016, são esses os clubes que melhor equacionam as questões de campo e financeira (Bayern, por exemplo, não costuma pagar valores astronômicos em contratações). Obviamente não se trata de um jogador barato. Hoje o francês de 22 anos (faz 23 em 2016) é avaliado na casa dos € 100 milhões (o salário também não deve ser nada baixo). Um valor que em tese seria pesado para o próprio Barcelona. Em tese. Mas se partirmos do princípio de que a questão financeira não é problema para nenhum dos clubes citados, aí caímos no que realmente interessa: no campo e bola.



Paul Pogba é titular em todas as equipes da Europa, e acho que isso não se discute, né? Porém em alguns times ele entraria mais facilmente; noutros, um pouco menos. Para ser mais específico, no Barcelona um pouco menos. Não por questão de bola, de estilo de jogo e etc, mas sim pelos inevitáveis efeitos colaterais, digamos assim. Porque hoje os titulares das meias do 4-3-3 culé são Rakitic (27 anos) e Iniesta (31 anos), e Arda (28 anos) e Rafinha (22 anos) seus reservas. Eu sei. Hoje Pogba está jogando mais que todos eles. Na minha opinião, mais até que Iniesta. Hoje. Mas é claro que eu não cogito um XI sem Iniesta. Portanto, sobraria para Rakitic – o que não chegaria a ser nenhum absurdo, nenhuma falta de respeito e reconhecimento com o croata. Não há como negar, todavia, uma possível saia justa no vestiário.

Pogba joga na meia esquerda do 4-3-3. Na verdade, na Juventus, tem jogado na meia esquerda dum 3-5-2 (Marchisio volante e Khedira na meia direita). Num time taticamente estruturado no 4-3-3, como é o Barcelona, sua praia seria a meia esquerda. Onde joga Iniesta. Ou seja, ou Pogba seria deslocado à meia direita, ou Iniesta faria a meia direita (acho que Iniesta acabaria sendo deslocado, pois teria/tem mais condições de fazer isso). O que determinaria essa definição, no entanto, seria o rendimento coletivo. Mas enfim. O fato é que o Barcelona teria Busquets na cabeça de área, e Iniesta e Pogba nas meias. E à sua frente, Pogba teria nada menos que o trio MSN – algo que deve pesar e muito.

No 4-3-3 do Real Madrid do também francês Zinedine Zidane, Pogba entraria no XI sem maiores efeitos colaterais. Com Kroos na cabeça de área e Modric na meia direita, Pogba chegaria para assumir a meia esquerda sem rodeios. Isco e James seriam reservas ou procurariam outro clube. Simples assim. Kroos, Modric e Pogba no meio campo? Nada mal. E à sua frente, Pogba teria o trio BBC. Não chega a ser um MSN, mas, convenhamos, também é um senhor ataque. E estilo de jogo por estilo de jogo, talvez o de Pogba tenha mais a ver com o do Madrid do que com o do Barça. Talvez.

Já no 4-3-3 do PSG, quem perderia a vaga é Thiago Motta (se bem que Blanc o ama). O hoje meia-direita Verratti seria recuado para jogar como “primeiro volante” (onde deveria jogar desde sempre, mas Blanc é teimoso), de modo que Pogba e Matuidi fariam as meias. Nesse caso, vale ressaltar que Matuidi é canhoto. Logo, provavelmente Pogba teria de fazer a meia direita (de novo, nenhum bicho de sete cabeças). Dessa forma o PSG teria o cracaço Verratti na cabeça de área e os franceses Pogba e Matuidi nas meias. Porque ainda tem isso. Querendo ou não, o fato de se tratar de um time de Paris pode pesar na decisão do francês Pogba. Não sei até que ponto, mas pode pesar.

Entre os quatro citados, acho que o Man City corre por fora – se é que está/entrou nessa corrida. Mesmo contando com o fator Guardiola – se é que Guardiola assume o City já na próxima temporada. Apesar do poderio financeiro do clube inglês, sei lá, não vejo Pogba voltando para Manchester (ele foi “revelado” pelo United). Mesmo contando com o fator Pep. Até porque acredito que a filosofia de jogo de Pep não casa tanto com o estilo de jogo de Pogba. O que não quer dizer que não daria certo. Apenas são diferentes. De qualquer forma, é mais difícil imaginar como seria a meiuca do City se Pogba fosse para lá. Fernandinho, Pogba e Silva? Fernandinho, Pogba e De Bruyne? E Touré? Deve sair. Enfim. Por essas e outras, acho que o City corre por fora – se é que o City está/entrou nessa corrida.

Contudo, como eu disse no início do texto, o que prevalece é a vontade do jogador. Se Pogba quiser ir para o Barcelona, vai acabar indo para o Barcelona. Se quiser ir para o Real Madrid, vai acabar indo para o Real Madrid. O mesmo serve para o PSG, para o Man City e para qualquer outro clube (Chelsea, etc). E se quiser seguir na Juventus, claro, Pogba vai seguir na Juventus (o que é mais improvável). De qualquer forma, o fato é que ele é jogador para estar em time que briga pelo título da Champions League quase todos os anos, e esses candidatos se resumem a apenas quatro ou cinco clubes no máximo. E outro fato é que a questão financeira não será exclusivamente determinante nesse caso. A questão de campo e bola vai pesar bastante, e é isso que esse texto tenta analisar.