terça-feira, agosto 19, 2014

Quatro alternativas na prancheta

Já que ninguém na entrevista coletiva foi capaz de perguntar ao treinador da Seleção qual o esquema tático que ele pretende utilizar, vou me permitir uma especulação bastante ampla, envolvendo quatro possibilidades: o 4-2-3-1, o 4-1-4-1, o 4-4-2 em linha e o 4-4-2 em losango. Baseado em quê? Em nada. Ou melhor, baseado no futebol que vejo por aí. Mas como nenhum repórter perguntou na coletiva a respeito, permito-me atirar para todos os lados.

Partindo do imaginário e sensato princípio de que Dunga não irá jogar com três zagueiros, a linha de quatro da defesa não desperta mistérios: Maicon, Miranda, David Luiz e Filipe Luis. Pode ser que Danilo seja titular e Maicon banco num primeiro momento? Pode ser. Mas não creio. Se eu estiver certo, portanto, minha especulação começa para valer do meio para frente, uma vez que o setor da defesa estaria em tese definido.

Quanto ao goleiro, por ora Jefferson deve assumir a camisa 1, né.

No 4-2-3-1 - esquema adotado por Dunga em sua passagem anterior pela Seleção -, imagino que a dupla de volantes seria composta por Luiz Gustavo mais um. Tentando pensar com a cabeça de Dunga, não acredito que ele começaria de cara com dois volantes “menos marcadores”. Logo, no 4-2-3-1, penso que Luiz Gustavo seria o primeiro volante e Fernandinho o segundo. Ramires e Elias, nesse caso, correriam por fora. Ramires, aliás, correria por fora em dois frontes, pois, como você sabe, ele joga tanto como segundo volante quanto pela extrema direita (raciocínio que também se aplica ao 4-1-4-1 e ao 4-4-2 em linha). Já na linha de três desse 4-2-3-1, se Dunga mantivesse Neymar na sua praia - a ponta esquerda -, a meia central seria a meu ver disputada por Oscar e Coutinho, enquanto a ponta direita, por ora, seguiria com Hulk. Em relação ao camisa 9, nesse esquema, acho que ele iria de Tardelli, por ser o cara mais próximo de um camisa 9, digamos assim.



Veja bem. Quando digo que me permito atirar para todos os lados, pois nenhuma pista foi dada na coletiva (pois ninguém perguntou), digo que me permito atirar para todos os lados no sentido apenas das estruturas táticas. Minha especulação se limita ao mero esquema tático, às possibilidades que fazem sentido com os nomes da lista de Dunga. No entanto ela para por aí, na distribuição do time sem a bola. Quanto à proposta de jogo do técnico da Seleção, se ele pretende adotar um estilo de posse e troca de passes, ou se pensa numa maneira de priorizar o contra ataque, já não posso dizer nada.

Por que ninguém perguntou, hein?

Na segunda hipótese por mim levantada, no 4-1-4-1, que também varia para o 4-3-3, quando os pontas pressionam na marcação, me parece indiscutível que o cabeça de área, o cara entre as duas linhas de quatro, seria Luiz Gustavo. Até achei que Fernando (City, ex-Porto) seria convocado, confesso. Talvez até seja o jogador mais indicado para essa posição no momento. Mas, como disse Dunga, essa lista é somente a primeira lista. E baseado nessa lista, me parece evidente que, no 4-1-4-1, Luiz Gustavo seria o homem ideal para jogar à frente da zaga. Em relação ao resto do time, preciso separar o que eu faria e o que eu acho que Dunga faria.

Pois nesse 4-1-4-1, esse seria meu XI, com Coutinho e Oscar nas meias (e não vem ao caso eu defender o meu ponto de vista). Já Dunga, no 4-1-4-1, que eu nem sei se passa pela cabeça dele, imagino que usaria, na linha de quatro do meio campo, volantes mais volantes. Na medida em que eu, na comodidade da poltrona, falo que escalaria Éverton Ribeiro, Oscar, Coutinho e Neymar na linha de quatro (vide o link), acredito que Dunga atuaria com Fernandinho e Ramires ou Elias por dentro. Em outras palavras, no miolo da meiuca, enquanto eu optaria por Luiz Gustavo, Oscar e Coutinho, penso que Dunga optaria por Luiz Gustavo, Fernandinho e Ramires/Elias. Quanto às beiradas, penso que ele iria de Oscar e Neymar, e a camisa 9 ficaria com Tardelli (outra possibilidade seria Neymar falso nove, e Willian ou Hulk num dos flancos).



A terceira alternativa por mim especulada, o 4-4-2 em linha, é semelhante ao 4-2-3-1. É uma variação natural. Basta imaginar os pontas do 4-2-3-1 se alinhando aos volantes, e o camisa 10 encostando no centroavante que, violá, eis o 4-4-2 em linha, muitas vezes compactado lá atrás, à espera da retomada de bola e da transição rápida. Justamente por isso, se Dunga quisesse utilizar o 4-4-2 em linha, acredito que sabiamente ele optaria por Neymar no ataque, e não na beirada, como winger. Dessa forma, a questão que surgiria seria: quem jogaria ao lado de Neymar no ataque, e qual seria a linha de quatro da meia cancha?

Bom. Tanto Hulk quanto Tardelli, e até mesmo Ricardo Goulart, nesse 4-4-2 em linha, poderiam render ao lado de Neymar. Com dois jogadores no setor para dividir os espaços, a presença do dito centroavante de área torna-se ainda mais dispensável. Talvez Tardelli fosse o melhor parceiro para Neymar nesse esquema. Mas, por alguns motivos de dentro e de fora de campo, talvez Dunga optasse por Hulk (lembre-se, é delicado e até irresponsável tentar pensar com a cabeça do outro, como estou fazendo). Quanto à linha de quatro, imagino que Dunga iria cometer o erro de Felipão e de outros e escalar Oscar numa das beiradas, com Luiz Gustavo e Fernandinho (ou Ramires, ou Elias) volantes, e Willian na outra beirada (ou Ramires).

Éverton Ribeiro e o próprio Coutinho, diga-se, também seriam opções nesse esquema, para fechar os lados sem a bola. Mas aí acho que já estou teclando mais com a minha cabeça. Enfim.



Por fim, a quarta e última hipótese por mim levantada, e talvez a que menos me agrade e a que menos eu acho ter chances na mente de Dunga: me refiro ao 4-4-2 em losango. Ou 4-4-2 diamante. Ou 4-3-1-2. A nomenclatura não é tão importante assim. Não nesse caso. E não vem ao caso discuti-la agora. O fato é que, nesse esquema tático, assim como aconteceria no 4-4-2 em linha, a dupla de ataque mais indicada passaria por Neymar mais um. Talvez Hulk. Talvez Tardelli. O xis da questão, contudo, estaria no setor do meio de campo.

Insisto: eu ficaria surpreso se Dunga escolhesse esse esquema. Entretanto, como me permiti atirar para todos os lados nesse post e chutar várias opções (quatro, na verdade), preciso avaliar em todas as possibilidades, embora eu pense que o 4-4-2 em losango correria muito por fora.

Dito isso, de novo preciso separar aqui o que eu faria e o que eu acho que Dunga faria. Porque nesse esquema, imagino que Dunga jogaria com “três volantes”, mais o chamado camisa 10. Ou seja, Luiz Gustavo cabeça de área, Fernandinho e Ramires (ou Elias) carrilleros, e Oscar (ou Philippe Continho) enganche. Eu, nesse esquema - e em todos os outros, na verdade -, jogaria com Coutinho e Oscar juntos. Nesse esquema, nesse 4-4-2, eu escalaria Luiz Gustavo, Fernandinho, Coutinho e Oscar no meio campo. Porém como eu não escalo nada, só especulo, essa na prancheta abaixo é a possibilidade que eu acho que Dunga adotaria (sempre lembrando que eu acredito que o 4-4-2 em losango nem passe pela cabeça dele).



Bom. Para quem é/está revoltado com a CBF e o futebol brasileiro de uma forma geral, até que alonguei demais no post. Fazer o quê. Acontece. Como diria Roberto Carlos, a carne é fraca. Seja como for, como eu disse, nenhum repórter na coletiva desta terça-feira perguntou a Dunga sobre o esquema ou os esquemas táticos que ele tem em mente nesse primeiro momento, por isso me permiti uma especulação em grande escala, até certo ponto irresponsável, pois é sempre delicado, quando não prepotente, tentar pensar com a cabeça alheia. Vamos ver qual vai ser. No dia 5 de setembro a Seleção enfrenta a Colômbia, em Miami, e no dia 9 faz o amistoso com o Equador, em Nova Jersey.

PS: Aí no primeiro treino de Dunga, ele aparece com três zagueiros. Haha! Era só o que me faltava.

Um comentário:

Peterson Pereira Zanchin disse...

Esquece esse negocio de 4-1-4-1. Essa distribuição tática que você fez do Chelsea é o mesmo esquema da Alemanha na Copa e do Real Madri na conquista da Champions. É um 4-3-2-1 com um cabeça-de-área (Xabi Alonso), dois volantes laterais (Modric e Di Maria), dois extremos e um atacante centralizado.