quinta-feira, outubro 09, 2014

A areia movediça do futebol brasileiro

Esse baita levantamento publicado no mexicano El Economista (veja aqui), repercutido por Ubiratan Leal na Trivela, me deu um gancho inevitável para falar de novo de um velho assunto conhecido nosso. De um assunto difícil de ser abordado sem cair na repetição de argumentos anteriores, admito. De um assunto até certo ponto vergonhoso de ser tocado, se comparado com o que vemos por aí, tamanho é o nosso atraso. Mas colocar o dedo na ferida é bom e eu gosto, então, vamos lá: troca-troca de treinadores.

Os números são assustadores. De 2002 para cá, dos 10 clubes que mais trocaram de treinador no mundo, 7 são brasileiros (imagem abaixo). É isso mesmo: 7 dos 10 clubes que mais trocaram de treinador no mundo de 2002 para cá são brasileiros. Nada menos do que 70%. Inacreditável! Enquanto na Premier League, por exemplo, um treinador fica em média 2.6 temporadas no cargo, no Brasileirão essa média é de 0.4. Ou seja, na média o treinador que trabalha no Brasil não fica nem meia temporada num clube. Já na Alemanha, traçando outro parâmetro, enquanto a média de partidas de um treinador no comando de um clube é de 54.4, no Brasil é de 15.2. Em outras palavras, na média, troca-se de treinador no Brasil a cada 15 jogos.

Não precisa desenhar, né? Ou precisa?



Como disse, é praticamente impossível analisar o futebol brasileiro sem cair na repetição (e na irritação). Portanto faço questão de lembrar desse tweet, uma síntese - modéstia à parte muito bem feita por mim - dos problemas que enfrentamos nos gramados (campo e bola, dentro das quatro linhas mesmo) do nosso país, o chamado país do futebol (aham, sei): "Sem convicção não há manutenção. Sem manutenção não há continuidade. Sem continuidade não há entrosamento. Sem entrosamento não há título." Ah, e sem conhecimento não há convicção.

Insisto. Dos 10 clubes que mais trocam de treinador, 7 são brasileiros. Sete!

Depois algumas pessoas ainda vêm dizer que o 7 a 1 não tem explicação. Claro que tem! Ô, se tem! E essa incapacidade de pensar e agir no longo prazo são uma delas! Essa incapacidade de enxergar além do amanhã! Esse vício pelo imediatismo, pelas análises imediatistas, pelas tomadas de decisões imediatistas! Imediatismo que está enraizado em todos os setores (dirigentes, jornalistas, treinadores, jogadores, torcedores). Sim! Todos nós temos culpa! Porque achamos normal trocar de treinador no meio da temporada! Porque achamos normal o contrato padrão do clube com o treinador ter duração de apenas uma temporada! E o pior: achamos normal quando esse contrato - ridículo, de apenas uma temporada - é quebrado! Ora! Esse contrato tem de ser por, no mínimo, duas temporadas! No mínimo! E, obviamente, precisa ser cumprido até o fim!

Como disse, é impossível analisar o futebol brasileiro sem cair na irritação. E na repetição. Logo, não estou escrevendo nada de novo. Escrevi sobre isso em posts anteriores, e nas redes sociais, porém esse levantamento do El Economista me deu um gancho irresistível para eu expor minha visão, e por que não?, dar uma desabafada.

Enfim. É isso. Enquanto as pessoas que trabalham no futebol brasileiro não entenderem que futebol se faz no longo prazo, enquanto não entenderem que se trata de um esporte coletivo e que um time não nasce da noite para o dia, enquanto não entenderem que, para o fruto ser colhido, é preciso esperar a planta crescer e se desenvolver, vamos continuar na mesma areia movediça de sempre. Enquanto não chutarmos o imediatismo para escanteio, vamos continuar levando 7 a 1 da Alemanha.

2 comentários:

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Anônimo disse...

Tem a lista dos que menos trocaram nesse tempo, aqui no Brasil? Parece que Beto Zini fez história... []s, Rodrigo.