segunda-feira, novembro 05, 2007

É Seleção

Que saudade dos 40!

Lembra-se da impossível Máquina do Rive Plater? Tinha na linha de frente Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Ángel Labruna e Félix Loustau.

O Vasco de 42 alinhava Alfredo II, Ademir, Nino, Villadoniga e Orlando.

E o São Paulo de 43? Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Pardal no ataque.

E o que dizer do Rolo Compressor? A artilharia perfilava Tesourinha, Rui, Adãozinho, Eliseu e Carlitos.

Que saudade dos 40!

Época em que a zaga tinha 2 zagueiros, a meia-cancha, 3, e 5 (5!) no ataque. Era o 2-3-5.

Bons tempos.

Em sessenta, veio a transição. Recuou-se os jogadores. Do 2-3-5 para o 4-2-4.

Fiquemos apenas num exemplo: o maior Botafogo de todos os tempos.

Na infantaria do Glorioso, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.

Do 4-2-4, a partir de 70, migrou-se para o 4-3-3.

Outro ilustre exemplo: o campeoníssimo Internacional.

A trinca avante do vitorioso do Brasileirão de 75 era formada por Valdomiro, Flávio e Lula.

O 4-3-3 ainda tem seus raros exemplares espalhados na contemporaneidade. Pelos Países Baixos e seus descendentes. O Barcelona, do técnico holandês Frank Rjikaard, por exemplo.

Dos 4-4-2 e 3-5-2 da vida temos vários exemplos recentes. Não convém apontá-los.

Muito menos os - Deus nos livre - 4-5-1, 3-6-1. Um! Apenas um atacante! Ah, se meu avô estivesse vivo... Bem fez ele de partir antes de ver estas temeridades.

Embora estes esquemas, com um atacante, tentem cavar seu espaço, e já que os pontas são mais raros que jacarés com mamilo, o clássico 4-4-2 impera nos gramados. Dois atacantes. Vá lá, agradável é. Dois atacantes. Em regra, um centro-avante de referência, e um segundo-atacante, como Bob, que gosta das pontas.

Há quem tente jogar sem centro-avante.

Há quem jogue com dois. Como o Brasil, na Copa de 2006.

Particularmente, dois centro-avantes não é do meu agrado.

Dois segundo-atacantes, é. Desde que sejam rápidos e habilidosos. Como o Corinthians de 2005, com Tevez e Nilmar.

Fiz esta rápida introdução, desenterrei fabulosos times, relembrei linhas de frente fenomenais, saudosos ataques, para falar justamente dele: Nilmar.

O fato mais importante que aconteceu neste fim de semana foi a volta de Nilmar ao retângulo verde.

Nilmar é destes segundo-atacantes, leve e hábil, que cai pelos dois lados, deixa o zagueiro caído, e vai para dentro. É um atacante ímpar, como poucos no mundo. É jogador de Seleção (desde 2006, no mínimo). Forma, ao lado de um bom centro-avante, um ataque perfeito. Ao lado de Pato, por exemplo.

Ao lado de Robinho, é o melhor segundo-atacante brasileiro.

Não vi, ontem, o jogo do Inter contra o Vasco. Só os melhores momentos. E vi que Nilmar deixou as lesões e os beques para trás, e voltou a ser o velho Nilmar. O Nilmar do Corinthians, infernal. Ou o Nilmar do próprio Inter, quando revelou-se.

E espero que seja o Nilmar da Seleção, pois talento assim não se desperdiça. Aproveita-se. Ao máximo.

12 comentários:

Chilavert disse...

Nilmar é craque. Pato é fraude.

carlão disse...

Ambos craques.

Dupla perfeita.

Net Esportes disse...

Do São Paulo eu conheço o Leônidas da Silva, Diamante Negro, inventor na bicileta... um dos maiores craques que já passaram no tricolor, eternizado no Memorial das conquitas lá no Morumbi !!

carlão disse...

Sinto decepcionar-lhe, mas Leônidas não inventou a bicicleta.

Tudo bem, inventou-a em gramas brasileiras.

Mas a jogada já havia sido inventada pelo chileno Ramón Unzaga.

Fora do Brasil a bicicleta é chamada de "chilena", pois numa excurssão do Colo-colo pela Europa, o atacante David Arellano aplicou a "chilena" nos campos espanhóis. Isto em 1927.

Por ter vindo do Chile, os jornalistas da Espanha deram àquela jogada o nome de "chilena".

A bicicleta de Leônidas não é plágio da "chilena". Apenas foi inventada depois, sem ter conhecimento da original.

Zaca disse...

Nenhum Grêmio nessa história? hahahahaha
Consigo imaginar o porque.
Mas realmente, Nilmar é um jogador a se ver jogar. Infelizmente (pra mim) é do Internacional. Mas, eu gosto dele, é um guri bom, tem muita malicia dentro do campo e pouquissima fora dele. Daqueles jogadores de vestirem a camisa da seleção e se imortalizarem por suas atitudes dentro e fora do campo.
Sim, sou fã do Nilmar. Terei de torcer contra ele.
abs

carlão disse...

Fosse eu técnico, voltaria ao 2-3-5.

Já pensou na linha de frente formada por Robinho, Kaká, Ronaldinho, Nilmar e Pato!?

obs.: sei que maliciosos são, e entenderam a brincadeira.

Ruben Fontes Neto disse...

Se ele jogar na Europa quem sabe...
atuando no Brasil vai ser difícil ele chegar na seleção. E não adianta falar que é melhor que Vagner Love e Afonso, pq lá na Europa também têm melhores mas o teimoso Dunga não ta nem aí...

Victor Hugo Antinossi disse...

Pelo amor de Deus. Recupera logo Nilmar. É sonho acreditar que veremos Dunga convocar 4 atacantes:
Robinho (Real Madrid)
Nilmar (Internacional)
Fred (Lyon)
Pato (Milan) ???

Não dá mais Vágner Love!

gerson sicca disse...

Excelente post! E Nilmar saiu do mesmo celeiro de ases que formou o inesquecível rolo compressor e a máquina de 1970, que contribuiu muito para revolucionar o futebol brasileiro.
Nilmar é o jogador capaz de desmontar a defesa adversária só com sua movimentação.
Outra:ontem ele saiu de campo agradecendo a força q Fernandão deu pra ele na recuperação, incentivando-o a voltar com força total. Isso mostra a importância do capitão colorado para o grupo.

Sidarta disse...

Mas Robinho, Pato, Nilmar e Ronaldinho (qdo atacante) se equivalem como segundo atacantes que abrem o jogo.

O Robinho lá no Real tem aquele holandês com faro de gol.

Abraços,

carlão disse...

Sidarta, Pato é centro-avante típico.

Tem habilidade suficiente para cair pelos lados, é verdade. Mas rende muito, mas muito mais perto da área. É um finalizador nato. Chuta muito bem com os dois pés, tem força física, grande arranque, tem drible, cabeceio excelente, visa o gol sempre. É o legítimo camisa 9.

Renan Turra Silva disse...

O Flávio Minuano é autor de mais de 1000 gols né?!
...
Quanto ao Nilmar, jogou muito diante do Vasco. Perdeu vários gols, mas, já que ele próprio criou as oportunidades, não merece ser crucificado. Jogador de Seleção.