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domingo, outubro 04, 2015

Bayern atropela Dortmund

Na prática, um 3-3-4. Com a bola, foi assim que o Bayern de Guardiola se posicionou, diante do Borussia Dortmund, neste domingo, na Allianz Arena, pela 8ª rodada da Bundesliga: num 3-3-4. Com a posse, o lateral-direito Lahm ocupava o corredor central, para evitar a inferioridade numérica no setor, ao lado de Thiago (Alonso cabeça de área), de modo que Müller se somava a Lewandowski no ataque, e Götze e Douglas Costa davam amplitude, colados às linhas laterais (a linha de fundo era deles). Na defesa, Alaba, Boateng e Javi Martínez marcavam Aubameyang e Mkhitaryan.



No 4-4-2 em losango do treinador Thomas Tuchel, Aubameyang e Mkhitaryan atuaram abertos (Reus começou no banco e entrou no segundo tempo), com Kagawa enganche (vs Alonso), o jovem Weigl à frente da zaga, Gündogan na maior parte do tempo duelando com Thiago, e Sokratis na lateral direita, para marcar o já conhecido Douglas Costa. Como era de se esperar, fora de casa, a estratégia do BVB estava voltada ao contra ataque. No entanto, o contra golpe amarelo não pintou e bordou, como de costume, pois do outro lado havia uma equipe que sabe e soube neutralizar o adversário. E que conta com um grande goleiro (Neuer fez umas duas ou três defesas difíceis).

A superioridade do Bayern ficou refletida no placar final: 5 a 1. Müller fez dois, Lewandowski fez dois e Götze um; Aubameyang fez o de honra do Dortmund. Um massacre. Mais um na temporada 2015/16, imposto pelo time mais bem treinado da atualidade. Em seu terceiro ano no clube alemão, mais do que nunca, Guardiola tem a equipe nas mãos. Mais do que nunca os jogadores têm assimiladas suas ideias de jogo, seus conceitos. Sem abrir mão de sua filosofia, mas sempre agregando variações ao repertório (dois gols contra o Dortmund nasceram de passes longos de Boateng, por exemplo), Pep vai conduzindo o Bayern a outra temporada espetacular, suportado pela fase iluminada de jogadores como Lewandowski, Thiago, Douglas Costa e etc. Sem dúvida, é o time a ser batido na Europa.

terça-feira, outubro 07, 2014

Os números dizem o quê?

Esse post no Facebook me gerou uma dúvida: a média de gols dos artilheiros do Brasileirão é realmente muito mais baixa do que a média dos goleadores das principais ligas da Europa? Resolvi chutar o achismo para escanteio e dei uma vasculhada nos números das últimas cinco temporadas.



Eu sei que a comparação seria mais precisa se eu pegasse a relação entre gols e partidas jogadas por cada artilheiro em cada campeonato. No entanto, peguei os números absolutos mesmo. Outra coisa, é preciso lembrar que as ligas alemã e portuguesa têm 18 clubes, logo, 34 rodadas, e não 38 como as demais, o que sem dúvida compromete um pouco o resultado final do cálculo. Dito isso, vamos lá.

A média mais alta, evidentemente, é a da liga espanhola (38 rodadas): 40.2 gols. Nas últimas cinco temporadas, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se revezaram no topo da artilharia. Em 2013/14, Ronaldo marcou 31 gols; em 2012/13, Messi marcou 46; em 2011/12, Messi marcou 50; em 2010/11, Ronaldo marcou 40; e em 2009/10, Messi marcou 34.

A Premier League e a Serie A (38 rodadas) estão empatadas com a segunda melhor média: 27.2 gols. Nas últimas cinco temporadas do Inglês, estes foram os números: em 2013/14, Suárez fez 31 gols; em 2012/13, Van Persie fez 26; em 2011/12, Van Persie fez 30; em 2010/11, Tevez fez 20; e em 2009/10, Drogba fez 29. Já nas últimas cinco temporadas do Italiano, estes foram os números: em 2013/14, Immobile fez 22 gols; em 2012/13, Cavani fez 29; em 2011/12, Ibrahimovic fez 28; em 2010/11, Di Natale fez 28; e em 2009/10, Di Natale fez 29.

A terceira média mais alta é a da Bundesliga, com 24.8 gols (34 rodadas). Detalhe: nas últimas cinco temporadas, o artilheiro não se repetiu. Em 2013/14, Lewandowski marcou 20 gols; em 2012/13, Kießling marcou 25; em 2011/12, Huntelaar marcou 29; em 2010/11, Mario Gomez marcou 28; e em 2009/10, Dzeko marcou 22.

A quarta média mais alta, nessas últimas cinco temporadas, é a da Ligue 1 (38 rodadas): 24 gols. Em 2013/14, Ibrahimovic fez 26 gols; em 2012/13, Ibrahimovic fez 30; em 2011/12, Giroud fez 21; em 2010/11, Sow fez 25; e em 2009/10, Niang fez 18.

A quinta melhor média é a da liga portuguesa, com 22.8 gols (34 rodadas). Nas últimas cinco épocas, estes foram os números: em 2013/14, Jackson marcou 20 gols; em 2012/13, Jackson marcou 26; em 2011/12, Lima e Cardozo marcaram 20 cada; em 2010/11, Hulk marcou 23; e em 2009/10, Falcao e Cardozo marcaram 25 cada.

Por fim, a sexta melhor média, ou a pior entre elas, é a do Brasileirão (38 rodadas): 21.2 gols. A exemplo da Bundesliga, nas últimas cinco temporadas o goleador não se repetiu: em 2013, Éderson fez 21 gols; em 2012, Fred fez 20; em 2011, Borges fez 23; em 2010; Jonas fez 23; e em 2009, Adriano e Tardelli fizeram 19 cada.

Enfim. Não sei até que ponto esses dados estatísticos e essa conta talvez um pouco mal feita podem dizer alguma coisa (se é que podem, pois futebol é um esporte coletivo, que vai muito além dos números). Só sei que, por uma série de fatores que renderiam um livro, de uns tempos para cá, os artilheiros do Brasileirão têm ficado bem aquém dos artilheiros da grandes ligas da Europa, não só em relação à questão técnica, mas também quanto ao número de gols propriamente dito.

quarta-feira, maio 21, 2014

Os golaços da Bundesliga 2013/14

Costumo dizer que o campeonato alemão é um campeonato inglês com torcida argentina.

Se o Bayern fez o que fez na temporada, méritos dele.

quarta-feira, março 26, 2014

Em time que está ganhando se mexe

A média de posse de bola do campeão da Bundesliga é de 71%. Isso mesmo: setenta e um por cento. Em 27 rodadas o Bayern venceu nada menos do que 25 partidas e empatou somente 2; marcou 79 gols e sofreu 13 (mais dados aqui). Título histórico, conquistado de maneira invicta. Isso mesmo: nenhuma derrota. Entre tantos números expressivos, porém, quero me ater ao da posse de bola.

Na Champions League esse número cai para 65%, mas ainda é o primeiro entre os quadrifinalistas da competição (confira aqui). Na UCL 2012/13, sob o comando de Heynckes, a média do time bávaro foi de 54%, atrás apenas de Porto (56%) e Barcelona (66%). Já nessa temporada, sob Guardiola, o salto foi/está sendo impressionante, não só quantitativa, mas qualitativamente. Não se trata apenas da estatística em si, não se trata apenas do número, do salto de 54% para 65%, mas sim do salto dentro de campo, do que o Bayern faz com a bola no pé nesse tempo. Há quem não goste desse estilo de jogo. Há quem ache chato de se ver (me pergunto o que é legal, chutão e correria?). Enfim, a filosofia Tiki-Taka foi implantada e os frutos estão sendo colhidos com antecedência.



Rafinha foi o maior beneficiado pela chegada de Guardiola a Munique. De eterno reserva do considerado melhor lateral-direito do mundo, o brasileiro virou titular, assumiu a posição com autoridade e de quebra pode pintar na lista dos 23 de Felipão para a Copa. Tudo isso graças à sacada de Pep, mais uma na carreira: Lahm no meio campo. No começo, claro, causou espanto, surpresa, como toda mudança, toda inovação. Aos poucos, todavia, os olhares de desconfiança foram substituídos por olhares de admiração. O técnico espanhol chegou a dizer, inclusive, que Lahm é o jogador mais inteligente com quem ele já trabalhou. Por essas e outras, o lateral, hoje volante, é peça fundamental no melhor time do planeta (veja isso). Rafinha agradece.

Na verdade essa sacada causou mais espanto ainda porque Guardiola bateu de frente com uma máxima do futebol e mostrou que, sim, em time que está ganhando se mexe. A versão 2013/14 do Bayern consegue ser superior à anterior, que conquistou a tríplice coroa. Se os títulos serão conquistados de novo agora são outros quinhentos. O fato é que, em relação ao time da temporada passada, esse é muito melhor. Queira ou não, goste ou não, o estilo de posse e passe é seguro e eficiente, além de ser encantador. Estilo de posse e passe com objetividade, sempre em busca do próximo gol. Estilo que não é inédito, estilo que se viu em outras equipes do passado, mas que no dito futebol moderno, mais físico, compactado e globalizado do que nunca, foi reinventado por Pep e seus 43 anos de idade.

sábado, novembro 23, 2013

Götze, o personagem do dia

O torcedor distorce. Frase de Armando Nogueira.



Mario Götze não foi o primeiro nem será o último a trocar de time, a mudar para o rival por uma questão financeira e/ou esportiva. Futebol é profissão. Exigir amor à camisa é o mesmo que querer transar ou fazer amor com uma puta de graça, é o mesmo que querer pegar uma carona com um taxista, e por aí vai. Dentro da legalidade, o jogador tem o direito de jogar onde bem entender, e essa escolha cabe a ele e somente a ele.

No Brasil, por exemplo, o amadorismo acabou em 1933, porque vários atletas estavam indo trabalhar em outros países da América do Sul por dinheiro. Na Alemanha eu não sei quando acabou, mas com certeza faz tempo. Portanto esse papo de Judas é uma tremenda babaquice. Uma babaquice justa que pertence ao torcedor e apenas ao torcedor.

Se o torcedor do Borussia Dortmund leva uma bandeirinha dessas para o estádio, beleza, compreensível. Bela sacada. Inteligente. Bem-humorada. Agora, quando comentaristas e veículos da imprensa, seja no site ou na rede social, começam a usar a palavra Judas, mesmo que entre aspas, como vi aos montes hoje, para se referir ao camisa 19 do Bayern, a figura muda de patamar.

Como dizia Armando Nogueira, o torcedor distorce. Muitas vezes é irracional. Entende-se. No entanto, vamos tentar usar a cabeça e deixar esse papo de Judas para os torcedores, porque quando o jornalista embarca nessa, está abraçando a hipocrisia e chutando o próprio profissionalismo para escanteio.

PS: Götze fez o primeiro gol do Bayern (imagem) na vitória por 3 a 0 sobre o Dortmund, neste sábado, na sua antiga casa, em jogo válido pela 13ª rodada da Bundesliga.

quarta-feira, abril 11, 2012

Dortmund abre bela vantagem

Alaba. Talvez foi por causa da presença dele, do inexperiente lateral-esquerdo do Bayern, que o Dortmund explorou as tramas ofensivas pelo flanco direito com mais frequência do que pelo esquerdo. Pela direita, em regra com Piszczek e Kuba (Gündogan ou Kagawa), os donos da casa construíram boas jogadas, em especial no primeiro tempo.

Pela esquerda, Schmelzer mais guardou posição do que apoiou, e Grosskreutz não buscou a linha de fundo, nem a diagonal. Cá entre nós, não foi empolgante a partida do camisa 19 nesta quarta-feira, pela 30ª rodada da Bundesliga.



Embora muitos interpretem o esquema tático adotado por Jürgen Klopp como 4-2-3-1, para mim trata-se de um 4-4-2 em linha, que pode variar para o 4-4-1-1, de acordo com o posicionamento de Kagawa. Entendo que o japonês cumpre a função do segundo atacante, que cai pelos lados, alimenta o centroavante e ajuda o meio-campo, geralmente cercando o primeiro volante, quando o oponente mantém a posse da bola na intermediária do Borussia Dortmund.

Nessa estrutura tática, enxergo no 23 um atacante de movimentação, e não um meia-armador ou meia-atacante. Ele mais flutua entre as costas dos volantes adversários e a linha de zagueiros, próximo ao centroavante, do que bate de frente com os volantes adversários.

Quanto aos wingers, foram aplicados sem a bola, em vários momentos, inclusive, dando o primeiro combate em Robben e Ribéry. Quanto a Lewandowski, trabalha como referência típica. E em relação aos "volantes", foram bastante contidos. Gündogan e Kehl pouco apareceram no apoio. Talvez por isso o jogo da equipe de amarelo se concentrou mais pelos flancos do que pela faixa central.

No fim das contas, a vitória por 1 a 0 (gol de Lewandowski) deixou o líder numa condição confortável na tabela. A oito rodadas do término, o Dortmund conta com 69 pontos, seguido pelo Bayern, o segundo colocado, com 63.

No Twitter. No Facebook.

sábado, maio 23, 2009

Grafite pinta e borda na Alemanha

Pela primeira vez em seus 63 anos de vida o Wolfsburg se torna campeão alemão.

Wolfsburg do capitão Josué, que, apesar da estatura, se deu muito bem na Alemanha. E de Grafite, outro ex-são-paulino, que marcou nada menos que 28 gols, igualando o recorde da competição pertencente ao também brasileiro Aílton.

Com o 5 a 1 de hoje em cima do Werder Bremen - dois do homem - a equipe brilhantemente comandada por Felix Magath fez história na Wolksvagem Arena.



Resta saber o que este time, com a dupla de frente formada por Grafite e Dzeko (vice-goleador da Bundesliga com 26 gols), pode fazer a nível de Europa.

sábado, abril 04, 2009

Pintura em grafite

Artilheiro isolado do Campeonato Alemão, hoje com 20 gols, Grafite pincelou uma obra-prima no 5 a 1 sobre o Bayer de Munique.