Uma temporada não se faz com onze jogadores, nem com trinta. Além do chamado time titular, o segredo é ter no banco de reservas umas quatro ou cinco peças que joguem com frequência, sem que o nível da equipe caia muito. Ou seja, uma temporada se faz com cerca de 15 ou 16 jogadores (e um pouco de sorte, pois uma lesão grave de um jogador chave pode comprometer o desempenho no ano).
No caso do futebol brasileiro, o calendário é uma barreira a mais (talvez a pior). Em função da existência dos estaduais - essa coisa do século passado - os jogos são pouco espaçados e o desgaste é maior. Enquanto as principais ligas da Europa com 20 clubes (38 rodadas) são disputadas em 40 semanas, por exemplo, o Brasileirão é disputado em 30. Faça as contas. Não precisa ser um gênio para entender o malefício que isso traz. Portanto, sim, essa bizarrice que é o calendário brasileiro precisa sempre ser levada em conta nas análises, ainda mais quando a intenção é falar sobre elenco. Agora, dito isso, diria que o segredo é ter 15 ou 16 jogadores dividindo os minutos da temporada.
No caso do Grêmio, essas peças regulares devem ser Jailson, Cícero, Alisson e Jael. Jailson pode dar uma folga para a dupla de volantes Maicon e Arthur, Cícero é o cara ideal para ocupar a posição de Luan entre linhas, Alisson pode dar descanso tanto para Everton quanto para Ramiro (ele faz as duas beiradas) e Jael é a sombra de André (lembrando que Ramiro e até Cícero podem operar na linha dos volantes). Evidentemente que outras posições também precisam de revezamento, em especial as laterais, mas esses quatro devem ser o "12º jogador" e devem entrar com mais frequência que os outros.
O que não pode acontecer é 100% do time titular ser poupado. O rodízio é necessário para se chegar, na medida do possível, bem física e mentalmente ao final da temporada, porém ele precisa ser feito de maneira equilibrada. Dependendo da exigência da próxima partida e do desgaste no momento, poupa-se dois aqui, três ali, e assim vai se administrando a temporada. O que não pode é 100% dos titulares serem eventualmente poupados. Assim como não é aconselhavél colocar o "12º jogador" somente no segundo tempo dos jogos, porque dessa maneira ele não se sente importante. Ele tem que ser titular eventualmente num time composto por, sei lá, 70% dos titulares. Ele não quer ter 90 minutos apenas naqueles jogos onde o time em campo é o dito reserva na sua totalidade. Para se sentir importante e manter um bom nível de competitividade mesmo sendo um "reserva", às vezes é preciso começar a partida com os melhores.
Se Arthur ficar até dezembro e Renato aprender a rodar o elenco, o Grêmio pode sim conquistar o triplete em 2018. O entrosamento, a continuidade do trabalho, o comando, a experiência, a qualidade dos principais jogadores, o estilo de jogo e o encaixe da equipe são fatores que permitem sim ao Grêmio mirar os títulos do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil. É difícil, claro, mas não impossível, pois o time joga o futebol mais eficiente e atraente do país. Para que isso possa se tornar realidade, contudo, Renato tem que rodar o elenco com mais equilíbrio.
PS: Um clube do sul jamais foi campeão brasileiro na era dos pontos corridos (veja aqui a lista dos vencedores desde 2003). Por essas e outras, na minha visão esse deveria ser o foco do Grêmio neste ano.
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segunda-feira, maio 07, 2018
quinta-feira, novembro 27, 2014
Mais do que um burro com sorte
Nos dois jogos da final da Copa do Brasil o Atlético superou o Cruzeiro em todos os aspectos do esporte: técnico, tático, físico e psicológico. Em outras palavras, o Galo engoliu a Raposa. Tanto no Independência, na ida, quanto no Mineirão, ontem à noite. E se você pensar nos épicos 4 a 1 da volta contra o Corinthians nas quartas e no 4 a 1 da volta contra o Flamengo na semifinal, essa conquista se torna ainda maior, ainda mais valorizada.
Mas antes de qualquer coisa, preciso dizer algo.

Quando Levir chegou ao Atlético falando que para ele jogador era número, torci demais o nariz e critiquei-o com força. Logo pensei: ih, mais um treinador brasileiro ultrapassado engana cartola trouxa (tem vários por aí). Nesse caso específico, sobre jogador ser número, Levir se referia a Diego Tardelli (leia aqui). Logo pensei que com aquele tipo de discurso ele iria perder o vestiário e que não iria durar muito tempo no cargo. O tempo mostrou, no entanto, que minha primeira impressão estava mais do que equivocada.
Não que Levir seja um Guardiola, um Ancelotti ou um Mourinho da vida. Não é isso. Longe disso. Não é porque ele e sua equipe ganharam a Copa do Brasil de maneira heroica que ele se tornou o melhor treinador do país. Não é isso. Longe disso. Contudo seria duma burrice e duma má vontade sem tamanho não reconhecer seus méritos. Méritos que começaram a ficar mais evidentes a cada jogo do Galo e a cada entrevista dada por ele. A impressão, não a primeira, mas a mais recente, que fico, é a de que Levir voltou outro homem do Japão. Tanto no que diz respeito ao profissional quanto no que diz respeito ao ser humano. Por isso, eu que o critiquei tanto em sua chegada, hoje sou só elogios. Sem endeusá-lo, claro, porém só elogios. Parabéns a ele e, obviamente, aos atletas.
PS: Um Burro Com Sorte? é seu livro.
Mas antes de qualquer coisa, preciso dizer algo.

Quando Levir chegou ao Atlético falando que para ele jogador era número, torci demais o nariz e critiquei-o com força. Logo pensei: ih, mais um treinador brasileiro ultrapassado engana cartola trouxa (tem vários por aí). Nesse caso específico, sobre jogador ser número, Levir se referia a Diego Tardelli (leia aqui). Logo pensei que com aquele tipo de discurso ele iria perder o vestiário e que não iria durar muito tempo no cargo. O tempo mostrou, no entanto, que minha primeira impressão estava mais do que equivocada.
Não que Levir seja um Guardiola, um Ancelotti ou um Mourinho da vida. Não é isso. Longe disso. Não é porque ele e sua equipe ganharam a Copa do Brasil de maneira heroica que ele se tornou o melhor treinador do país. Não é isso. Longe disso. Contudo seria duma burrice e duma má vontade sem tamanho não reconhecer seus méritos. Méritos que começaram a ficar mais evidentes a cada jogo do Galo e a cada entrevista dada por ele. A impressão, não a primeira, mas a mais recente, que fico, é a de que Levir voltou outro homem do Japão. Tanto no que diz respeito ao profissional quanto no que diz respeito ao ser humano. Por isso, eu que o critiquei tanto em sua chegada, hoje sou só elogios. Sem endeusá-lo, claro, porém só elogios. Parabéns a ele e, obviamente, aos atletas.
PS: Um Burro Com Sorte? é seu livro.
quinta-feira, julho 31, 2014
Uma saída para Muricy Ramalho
Alexandre Pato é craque. Talvez não seja o jogador que eu e muitas pessoas pensávamos que fosse ser quando surgiu, mas é craque. Seu problema, que durante os anos de Itália se mostrou físico, hoje em dia está bem evidente: é emocional, é comportamental. Contudo não podemos colocar tudo na conta da cabeça dele e ignorar outras questões, como a parte tática, por exemplo.
Pato apresenta uma certa limitação tática. Não é ponta, nem centroavante. Fica no meio do caminho. Quero dizer, até vejo nele um centroavante. Vejo nele muito mais um camisa 9 do que um segundo atacante ou um ponteiro. Entretanto não há como negar que ele não sabe jogar de costas para o gol, uma das funções do centroavante quando o time avança em bloco e mantém a posse no campo ofensivo. Em outas palavras, rende mais em esquemas com dois atacantes (4-4-2, 3-5-2) do que com três (4-3-3, 4-2-3-1).
Na vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, em Ribeirão Preto, Muricy Ramalho trocou o habitual 4-2-3-1 pelo 3-5-2, um velho conhecido seu dos tempos do tricampeonato brasileiro pelo próprio São Paulo. Não sei exatamente o que levou o treinador tricolor a fazer essa escolha, mas sei que essa alternativa pode ser mais pertinente do que aparenta, para o restante da temporada. Insisto: não sei se foi algo casual ou se Muricy pretende adotar essa estrutura daqui pra frente. Só sei que – veja você, logo eu que abomino esquemas com três zagueiros – essa estrutura de ontem à noite pode encaixar de vez a equipe na temporada.
Esse na prancheta foi o time que enfrentou o Bragantino. Rodrigo Caio entre Paulo Miranda e Rafael Toloi, Maicon e Souza volantes, Ganso "enganche", Douglas e Alvaro Pereira nas alas, além dos atacantes Ademilson e Pato. O desempenho coletivo não foi brilhante. Longe disso. Porém quase todas as vezes em que os camisas 10 e 11 se aproximavam, coisa boa saía dali. Vários lances – ou pelo menos alguns, não vamos exagerar – envolvendo Ganso e Pato diretamente, na base da movimentação, da inteligência e da qualidade técnica, levaram perigo ao adversário (por pouco não pintou um golaço no primeiro tempo, numa jogada entre eles e Rodrigo Caio, numa escapada do zagueiro/volante ao ataque). Embora não tenha feito uma partida primorosa individualmente, de fato Pato se encontrou melhor nessa formação.

Mudando um pouco de pato pra ganso, o que mais me chamou a atenção nesse jogo foi a participação de Ganso. Em vários momentos ele voltou à linha dos volantes, eventualmente até atrás de Maicon e Souza, para buscar o jogo e dar início às jogadas. Em vários momentos Ganso apareceu à frente da zaga pedindo a bola no pé, erguendo a cabeça e clareando a saída com passes curtos, médios e até longos, como num lançamento à la Gerson na primeira etapa, justamente para Pato, que não conseguiu dominar a criança.
Quem me acompanha pelo Twitter sabe que, por mim, Ganso jogaria mais recuado. Na minha visão Ganso não é esse camisa 10 que tem que entrar na área que Muricy tanto fala (publiquei um post sobre isso em fevereiro, aliás). Para mim esse discurso do treinador é dar murro em ponta de faca. Se dependesse de mim, independente do esquema tático, Ganso formaria a dupla de volantes com Souza, e Maicon iria para o banco. Não creio que ele viraria o melhor volante do mundo da noite para o dia. Não é isso. Esse mudança exigiria tempo para Ganso se adequar à posição. A cada dia que passa, a cada jogo que vejo, no entanto, tenho mais certeza de que o meio-campista do São Paulo precisa ser no mínimo testado mais atrás.
E é aí que entra minha animação com a possibilidade do 3-5-2 (quem diria, hein). Porque, apesar de eu discordar com veemência dessa afirmação tão corriqueira quando levanto essa hipótese, muitos dizem que com Ganso volante o time ficaria sem poder de marcação (repito: abomino essa tese, para mim Ganso faz tudo que Maicon faz, só que melhor). Para compensar essa suposta fragilidade na marcação, portanto, nada mais conveniente do que um esquema com três zagueiros, sendo que um deles, Rodrigo Caio, pode trabalhar como híbrido. Mal comparando, pode ser o Rafa Marquez do São Paulo, no sentido da variação tática. Dependendo do desenrolar da partida, Caio pode se descolar da linha de três da zaga e se somar ao setor do meio campo. Há um porém nesse caso: isso só aconteceria com eficiência se o time estivesse bem treinado e entrosado, e para isso seria preciso treinamento e repetição, convicção e sequência.
Dessa maneira, a posição que foi de Ganso diante do Bragantino, seria ocupada por Kaká. Um 3-5-2 (veja aqui) com Toloi, Rodrigo Caio e Antonio Carlos na zaga, Souza e Ganso volantes, e Kaká à frente deles, atrás da dupla composta por Pato e Kardec (lembre-se: Pato rende mais formando uma dupla do que num esquema com centroavante e pontas). Dessa forma, Ademilson iria para o banco. Ademilson que, veja você, é escalado mais pelo que faz sem a bola do que pelo que faz com ela. Uma senhora na inversão de valores! Prioriza-se jogadores que fazem o trabalho sujo, sem a bola (marcar lateral virou um parto, é o novo bicho de sete cabeças do futebol brasileiro), em detrimento de atletas que sabem o que fazer com ela no pé. Enfim. Como disse, não sei se Muricy pretende utilizar esse 3-5-2 daqui pra frente. Só sei que é uma baita saída, uma opção pra lá de interessante – desde que Ganso jogue mais recuado, no lugar de Maicon, e Pato compunha o ataque, no lugar de Ademilson, ao lado de Kardec (ou Luis Fabiano).
Pato apresenta uma certa limitação tática. Não é ponta, nem centroavante. Fica no meio do caminho. Quero dizer, até vejo nele um centroavante. Vejo nele muito mais um camisa 9 do que um segundo atacante ou um ponteiro. Entretanto não há como negar que ele não sabe jogar de costas para o gol, uma das funções do centroavante quando o time avança em bloco e mantém a posse no campo ofensivo. Em outas palavras, rende mais em esquemas com dois atacantes (4-4-2, 3-5-2) do que com três (4-3-3, 4-2-3-1).
Na vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, em Ribeirão Preto, Muricy Ramalho trocou o habitual 4-2-3-1 pelo 3-5-2, um velho conhecido seu dos tempos do tricampeonato brasileiro pelo próprio São Paulo. Não sei exatamente o que levou o treinador tricolor a fazer essa escolha, mas sei que essa alternativa pode ser mais pertinente do que aparenta, para o restante da temporada. Insisto: não sei se foi algo casual ou se Muricy pretende adotar essa estrutura daqui pra frente. Só sei que – veja você, logo eu que abomino esquemas com três zagueiros – essa estrutura de ontem à noite pode encaixar de vez a equipe na temporada.
Esse na prancheta foi o time que enfrentou o Bragantino. Rodrigo Caio entre Paulo Miranda e Rafael Toloi, Maicon e Souza volantes, Ganso "enganche", Douglas e Alvaro Pereira nas alas, além dos atacantes Ademilson e Pato. O desempenho coletivo não foi brilhante. Longe disso. Porém quase todas as vezes em que os camisas 10 e 11 se aproximavam, coisa boa saía dali. Vários lances – ou pelo menos alguns, não vamos exagerar – envolvendo Ganso e Pato diretamente, na base da movimentação, da inteligência e da qualidade técnica, levaram perigo ao adversário (por pouco não pintou um golaço no primeiro tempo, numa jogada entre eles e Rodrigo Caio, numa escapada do zagueiro/volante ao ataque). Embora não tenha feito uma partida primorosa individualmente, de fato Pato se encontrou melhor nessa formação.

Mudando um pouco de pato pra ganso, o que mais me chamou a atenção nesse jogo foi a participação de Ganso. Em vários momentos ele voltou à linha dos volantes, eventualmente até atrás de Maicon e Souza, para buscar o jogo e dar início às jogadas. Em vários momentos Ganso apareceu à frente da zaga pedindo a bola no pé, erguendo a cabeça e clareando a saída com passes curtos, médios e até longos, como num lançamento à la Gerson na primeira etapa, justamente para Pato, que não conseguiu dominar a criança.
Quem me acompanha pelo Twitter sabe que, por mim, Ganso jogaria mais recuado. Na minha visão Ganso não é esse camisa 10 que tem que entrar na área que Muricy tanto fala (publiquei um post sobre isso em fevereiro, aliás). Para mim esse discurso do treinador é dar murro em ponta de faca. Se dependesse de mim, independente do esquema tático, Ganso formaria a dupla de volantes com Souza, e Maicon iria para o banco. Não creio que ele viraria o melhor volante do mundo da noite para o dia. Não é isso. Esse mudança exigiria tempo para Ganso se adequar à posição. A cada dia que passa, a cada jogo que vejo, no entanto, tenho mais certeza de que o meio-campista do São Paulo precisa ser no mínimo testado mais atrás.
E é aí que entra minha animação com a possibilidade do 3-5-2 (quem diria, hein). Porque, apesar de eu discordar com veemência dessa afirmação tão corriqueira quando levanto essa hipótese, muitos dizem que com Ganso volante o time ficaria sem poder de marcação (repito: abomino essa tese, para mim Ganso faz tudo que Maicon faz, só que melhor). Para compensar essa suposta fragilidade na marcação, portanto, nada mais conveniente do que um esquema com três zagueiros, sendo que um deles, Rodrigo Caio, pode trabalhar como híbrido. Mal comparando, pode ser o Rafa Marquez do São Paulo, no sentido da variação tática. Dependendo do desenrolar da partida, Caio pode se descolar da linha de três da zaga e se somar ao setor do meio campo. Há um porém nesse caso: isso só aconteceria com eficiência se o time estivesse bem treinado e entrosado, e para isso seria preciso treinamento e repetição, convicção e sequência.
Dessa maneira, a posição que foi de Ganso diante do Bragantino, seria ocupada por Kaká. Um 3-5-2 (veja aqui) com Toloi, Rodrigo Caio e Antonio Carlos na zaga, Souza e Ganso volantes, e Kaká à frente deles, atrás da dupla composta por Pato e Kardec (lembre-se: Pato rende mais formando uma dupla do que num esquema com centroavante e pontas). Dessa forma, Ademilson iria para o banco. Ademilson que, veja você, é escalado mais pelo que faz sem a bola do que pelo que faz com ela. Uma senhora na inversão de valores! Prioriza-se jogadores que fazem o trabalho sujo, sem a bola (marcar lateral virou um parto, é o novo bicho de sete cabeças do futebol brasileiro), em detrimento de atletas que sabem o que fazer com ela no pé. Enfim. Como disse, não sei se Muricy pretende utilizar esse 3-5-2 daqui pra frente. Só sei que é uma baita saída, uma opção pra lá de interessante – desde que Ganso jogue mais recuado, no lugar de Maicon, e Pato compunha o ataque, no lugar de Ademilson, ao lado de Kardec (ou Luis Fabiano).
sexta-feira, novembro 29, 2013
Adidas parabeniza Flamengo
A homenagem abaixo ficou demais. O problema é que, na foto da taça, no momento eternizado, o time está com a camisetinha do marketing da Adidas, e não com o chamado manto sagrado rubronegro.
Ou seja: nota dez pelo vídeo, e nota zero pela camisetinha.
Ou seja: nota dez pelo vídeo, e nota zero pela camisetinha.
quinta-feira, novembro 28, 2013
Defensores na marca do pênalti
Antes de botar Deivid a ver navios, quando Paulinho recebe a bola do Broca do Maraca, Cleberson está vigiando Elias (frame 1). O 4 do Atlético dá até uma olhadinha para conferir a distância do 8 do Flamengo (repare no vídeo). Quando Paulinho deixa Deivid na saudade e chega ao fundo, no entanto, Cleberson, que vinha corretamente acompanhando Elias, se desespera e comete o pecado da marca do pênalti (frame 2).

Ninguém marca a marca do pênalti. Tuitei isso, o gancho para esse post, inclusive. Quando a bola chega ao fundo, dominada, dentro da área, ninguém marca a marca do pênalti. Praxe. Sabedor disso, ao passo que Paulinho passa por Deivid, Elias para de avançar e fica uns três metros ao lado da marca do pênalti, à espera da assistência, livre para marcar, porque seu marcador só teve olhos pra bola e pra meta e se mandou pra pequena área. Paulinho, sabedor disso, rolou para trás com mamão, açúcar e afeto.
Veja bem, não estou pegando no pé de Cleberson, tampouco querendo pegá-lo pra cristo, muito menos pensando em tirar o mérito da jogada da equipe treinada por Jayme. É apenas um fato curioso e recorrente no Brasil e no mundo. Não é apenas uma falha tática. Vai além. Acho que tá no instinto. Quando a bola chega ao fundo da sua área, nas proximidades da meta, o jogador na defensiva sente o perigo, sente a iminente ameaça imposta pelo adversário e quer a todo custo proteger a sua meta, mantê-la intocada, pura, virgem. E, inconscientemente, se atira na frente e esquece a marca da cal.

Ninguém marca a marca do pênalti. Tuitei isso, o gancho para esse post, inclusive. Quando a bola chega ao fundo, dominada, dentro da área, ninguém marca a marca do pênalti. Praxe. Sabedor disso, ao passo que Paulinho passa por Deivid, Elias para de avançar e fica uns três metros ao lado da marca do pênalti, à espera da assistência, livre para marcar, porque seu marcador só teve olhos pra bola e pra meta e se mandou pra pequena área. Paulinho, sabedor disso, rolou para trás com mamão, açúcar e afeto.
Veja bem, não estou pegando no pé de Cleberson, tampouco querendo pegá-lo pra cristo, muito menos pensando em tirar o mérito da jogada da equipe treinada por Jayme. É apenas um fato curioso e recorrente no Brasil e no mundo. Não é apenas uma falha tática. Vai além. Acho que tá no instinto. Quando a bola chega ao fundo da sua área, nas proximidades da meta, o jogador na defensiva sente o perigo, sente a iminente ameaça imposta pelo adversário e quer a todo custo proteger a sua meta, mantê-la intocada, pura, virgem. E, inconscientemente, se atira na frente e esquece a marca da cal.
domingo, outubro 20, 2013
Por que o Corinthians é meu favorito
No mata-mata não sobrevive o mais forte. Sobrevive quem não sofre gol em casa. Por isso penso que o time de Tite irá levantar a Copa do Brasil.
Veja bem, não estou cravando que o Corinthians vai sair classificado da Arena do Grêmio na quarta-feira, nem que vai passar por Inter ou Atlético-PR na semifinal e por quem vier do lado de lá da chave na final (Goiás, Vasco, Botafogo ou Flamengo). Mas se hoje eu fosse apostar no campeão da Copa do Brasil, apostaria no campeão do mundo.

Além da consistência defensiva, privilegiada pelo critério de desempate da competição, um dos fatores que deve potencializar o desempenho corintiano é a vaga na Libertadores. Claro, a vaga na Libertadores é a mesma para todos e todos querem a vaga na Libertadores. A vontade é a mesma. No entanto, devido ao alto investimento feito no clube do Parque São Jorge e devido à repercussão de seus jogos, acredito num algo a mais por parte do Timão (não me refiro à arbitragem, né). Tem mais: o Grêmio, por exemplo, está com a vaga na Libertadores via Brasileirão bem encaminhada. Caso seja eliminado na quarta, vai seguir firme nos pontos corridos e provavelmente vai terminar em segundo, classificando-se diretamente para a fase de grupos do torneio continental.
Outro ponto a favor do meu favoritismo atribuído ao Corinthians é o retorno de Guilherme e Renato Augusto. Embora o ritmo esteja longe do ideal - principalmente o de Renato, que depois de um longo período afastado voltou a jogar neste sábado, contra o Criciúma (jogou 45 minutos) - o ganho técnico com a presença deles é inegável. Em contrapartida, pelo menos para a partida contra o Tricolor, Cássio é desfalque. Um desfalque que, sem exagero, faz a diferença. Ainda assim, não somente em relação ao confronto das quartas de final, mas sim quanto à Copa do Brasil como um todo, por causa dos motivos aqui citados, apostaria no Corinthians. Claro, se vai ser campeão ou não, são outros quinhentos, pois estamos falando de futebol.
Veja bem, não estou cravando que o Corinthians vai sair classificado da Arena do Grêmio na quarta-feira, nem que vai passar por Inter ou Atlético-PR na semifinal e por quem vier do lado de lá da chave na final (Goiás, Vasco, Botafogo ou Flamengo). Mas se hoje eu fosse apostar no campeão da Copa do Brasil, apostaria no campeão do mundo.

Além da consistência defensiva, privilegiada pelo critério de desempate da competição, um dos fatores que deve potencializar o desempenho corintiano é a vaga na Libertadores. Claro, a vaga na Libertadores é a mesma para todos e todos querem a vaga na Libertadores. A vontade é a mesma. No entanto, devido ao alto investimento feito no clube do Parque São Jorge e devido à repercussão de seus jogos, acredito num algo a mais por parte do Timão (não me refiro à arbitragem, né). Tem mais: o Grêmio, por exemplo, está com a vaga na Libertadores via Brasileirão bem encaminhada. Caso seja eliminado na quarta, vai seguir firme nos pontos corridos e provavelmente vai terminar em segundo, classificando-se diretamente para a fase de grupos do torneio continental.
Outro ponto a favor do meu favoritismo atribuído ao Corinthians é o retorno de Guilherme e Renato Augusto. Embora o ritmo esteja longe do ideal - principalmente o de Renato, que depois de um longo período afastado voltou a jogar neste sábado, contra o Criciúma (jogou 45 minutos) - o ganho técnico com a presença deles é inegável. Em contrapartida, pelo menos para a partida contra o Tricolor, Cássio é desfalque. Um desfalque que, sem exagero, faz a diferença. Ainda assim, não somente em relação ao confronto das quartas de final, mas sim quanto à Copa do Brasil como um todo, por causa dos motivos aqui citados, apostaria no Corinthians. Claro, se vai ser campeão ou não, são outros quinhentos, pois estamos falando de futebol.
terça-feira, setembro 24, 2013
No mundo ideal...
No mundo ideal o campeonato para em data FIFA. Quando tem jogo da Seleção o Brasileirão para, as séries A e B param, para que os poucos porém existentes times que tenham jogadores selecionados não sejam desfalcados e prejudicados.
No mundo ideal a Copa do Brasil, a Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana são disputadas não em um, mas sim em dois semestres, paralelamente, ao longo de toda temporada, como ocorre com a Champions League, a Liga Europa e as respectivas copas nacionais, por exemplo.
Os estaduais têm menos datas no mundo ideal, com formatos sensatos, que compreendem e atendem as diferentes demandas e necessidades dos diferentes clubes de diferentes tamanhos. No mundo ideal, por exemplo, o Corinthians não joga, na "primeira fase" do Paulistão, o mesmo número de partidas (dezenove!) que o Linense ou o Penapolense.
E para fechar a janela, ou ao menos para adequá-la ao mercado de transferências, no mundo ideal o calendário do futebol brasileiro corre simultaneamente ao calendário da Europa e de vários outros países do planeta bola.
No mundo ideal a Copa do Brasil, a Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana são disputadas não em um, mas sim em dois semestres, paralelamente, ao longo de toda temporada, como ocorre com a Champions League, a Liga Europa e as respectivas copas nacionais, por exemplo.
Os estaduais têm menos datas no mundo ideal, com formatos sensatos, que compreendem e atendem as diferentes demandas e necessidades dos diferentes clubes de diferentes tamanhos. No mundo ideal, por exemplo, o Corinthians não joga, na "primeira fase" do Paulistão, o mesmo número de partidas (dezenove!) que o Linense ou o Penapolense.
E para fechar a janela, ou ao menos para adequá-la ao mercado de transferências, no mundo ideal o calendário do futebol brasileiro corre simultaneamente ao calendário da Europa e de vários outros países do planeta bola.
sexta-feira, agosto 23, 2013
quinta-feira, julho 12, 2012
Verdão de Felipão e Assunção
Cansei de ouvir ontem e hoje que lá no começo ninguém acreditava no Palmeiras. Tanto parte dos jornalistas quanto parte dos próprios jogadores vieram com esse papo. Particularmente nunca acerto previsões, portanto quando acerto, tenho que puxar a brasa para minha sardinha.
No dia 11 de março, exatos 4 meses antes da finalíssima no Couto Pereira, publiquei a seguinte frase no Twitter: "Escrevi esses dias no facebook.com/blogdocarlao, e mantenho a opinião: para mim o favorito ao título da Copa do Brasil é o Palmeiras." E não é que deu certo?

Primeiro, é preciso ressaltar o trabalho de Felipão. Copeiro, o treinador ergueu seu quarto troféu da Copa do Brasil (Criciúma, Grêmio, Palmeiras e Palmeiras). Se não chega a ser Mourinho ou Guardiola no que diz respeito à tática e à estratégia, Scolari sobra na questão emocional. Sabe como poucos liderar e converter o foco do grupo na mesma direção - o que, num torneio de mata-mata, é fatal.
Segundo, destaca-se o elenco. Wesley mal chegou e se machucou. Luan ficou fora da reta final. Barcos perdeu as partidas contra o Coritiba. Valdivia jogou jogo sim, jogo não. E ainda assim os atletas se superaram, compensaram os importantes desfalques e conquistaram os resultados. Bruno assumiu a trave, Henrique atuou como volante, João Vitor e Mazinho foram os ponteiros, Betinho foi a referência na decisão, Valdivia fez a diferença quando esteve em campo, Maikon Leite cumpriu seu papel quando entrou, Daniel Carvalho idem, Thiago Heleno e Maurício Ramos fecharam a zaga, Artur e Juninho as laterais, e, claro, ele, Marcos Assunção, capitão, o principal nome.
E terceiro, o estilo de jogo. Suportado pela bola parada, muito em função do camisa 20, o Palmeiras resolveu com essa arma. Marcou muito forte durante toda a competição, e a maneira do triunfo, invicta, mostra isso.
Agora, daqui pra frente é necessário orquestrar a renovação de Felipão, utilizar o Brasileirão como laboratório, e contratar jogadores visando 2013 - porque, cá entre nós, na Libertadores o buraco é bem mais embaixo.
No Twitter. No Facebook.
No dia 11 de março, exatos 4 meses antes da finalíssima no Couto Pereira, publiquei a seguinte frase no Twitter: "Escrevi esses dias no facebook.com/blogdocarlao, e mantenho a opinião: para mim o favorito ao título da Copa do Brasil é o Palmeiras." E não é que deu certo?

Primeiro, é preciso ressaltar o trabalho de Felipão. Copeiro, o treinador ergueu seu quarto troféu da Copa do Brasil (Criciúma, Grêmio, Palmeiras e Palmeiras). Se não chega a ser Mourinho ou Guardiola no que diz respeito à tática e à estratégia, Scolari sobra na questão emocional. Sabe como poucos liderar e converter o foco do grupo na mesma direção - o que, num torneio de mata-mata, é fatal.
Segundo, destaca-se o elenco. Wesley mal chegou e se machucou. Luan ficou fora da reta final. Barcos perdeu as partidas contra o Coritiba. Valdivia jogou jogo sim, jogo não. E ainda assim os atletas se superaram, compensaram os importantes desfalques e conquistaram os resultados. Bruno assumiu a trave, Henrique atuou como volante, João Vitor e Mazinho foram os ponteiros, Betinho foi a referência na decisão, Valdivia fez a diferença quando esteve em campo, Maikon Leite cumpriu seu papel quando entrou, Daniel Carvalho idem, Thiago Heleno e Maurício Ramos fecharam a zaga, Artur e Juninho as laterais, e, claro, ele, Marcos Assunção, capitão, o principal nome.
E terceiro, o estilo de jogo. Suportado pela bola parada, muito em função do camisa 20, o Palmeiras resolveu com essa arma. Marcou muito forte durante toda a competição, e a maneira do triunfo, invicta, mostra isso.
Agora, daqui pra frente é necessário orquestrar a renovação de Felipão, utilizar o Brasileirão como laboratório, e contratar jogadores visando 2013 - porque, cá entre nós, na Libertadores o buraco é bem mais embaixo.
No Twitter. No Facebook.
quarta-feira, abril 04, 2012
Luxa cauteloso no Ipatingão
Luxemburgo resgatou o 3-5-2 na partida diante do Ipatinga, nesta quarta-feira, em Minas Gerais, pela 2ª fase da Copa do Brasil. Bastante difundido pelo país em meados dos anos 2000, esse esquema caiu em desuso por aqui, para nossa alegria.
O tempo real do globoesporte.com, antes da bola rolar, reproduziu a explicação do treinador pela opção: "Ficamos muito desfalcados, o Werley vem para jogar, mas não está 100%. Vamos proteger mais. Não é o que eu gosto de fazer. Mas Copa do Brasil não permite erros. Vou jogar de acordo com as circunstâncias".
Portanto está claro que Luxemburgo escolheu essa formação por necessidade. Só entendo, porém, que as peças poderiam ter sido diferentes. No miolo da meia-cancha, por exemplo, a criação ficou sob responsabilidade de Souza e Léo Gago - ótimos jogadores, contudo não para exercerem essa função.

O resultado foi a exploração das jogadas pelos flancos, com Gabriel e Julio Cesar, e o retorno de Bertoglio (e até André Lima) ao meio-campo para buscar a redonda. Só para registro, Marcelo Moreno sentiu aos vinte e poucos do primeiro tempo e foi substituído pelo camisa 99.
Como disse o técnico tricolor, a Copa do Brasil não permite erros. Entretanto penso que Luxa foi cauteloso demais. Apesar da fase, poderia ter iniciado com Marquinhos entre os onze, na vaga de Souza, Léo Gago, ou até mesmo Fernando. Apesar da fase, Marquinhos tem mais qualidade no passe e no cadenciamento - noves fora a experiência.
Ou poderia ter atuado no 4-4-2 mesmo, com Bertoglio de enganche, na ponta de um losango, somado a Fernando, Souza e Léo Gago. E na frente, Marcelo Moreno e André Lima. Ou Marcelo Moreno e Leandro.
No fim das contas, poucas chances foram criadas, para os dois lados (embora, justiça seja feita, os visitantes pressionaram nos minutos finais e quase chegaram ao segundo gol com direito a bola na trave e tudo mais). Somente graças ao arremate de Léo Gago de fora da área, aos 27 da segunda etapa, o Grêmio voltou para Porto Alegre com a vitória por 1 a 0, não evitando assim o confronto de volta, no dia 11, quarta-feira que vem.
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O tempo real do globoesporte.com, antes da bola rolar, reproduziu a explicação do treinador pela opção: "Ficamos muito desfalcados, o Werley vem para jogar, mas não está 100%. Vamos proteger mais. Não é o que eu gosto de fazer. Mas Copa do Brasil não permite erros. Vou jogar de acordo com as circunstâncias".
Portanto está claro que Luxemburgo escolheu essa formação por necessidade. Só entendo, porém, que as peças poderiam ter sido diferentes. No miolo da meia-cancha, por exemplo, a criação ficou sob responsabilidade de Souza e Léo Gago - ótimos jogadores, contudo não para exercerem essa função.

O resultado foi a exploração das jogadas pelos flancos, com Gabriel e Julio Cesar, e o retorno de Bertoglio (e até André Lima) ao meio-campo para buscar a redonda. Só para registro, Marcelo Moreno sentiu aos vinte e poucos do primeiro tempo e foi substituído pelo camisa 99.
Como disse o técnico tricolor, a Copa do Brasil não permite erros. Entretanto penso que Luxa foi cauteloso demais. Apesar da fase, poderia ter iniciado com Marquinhos entre os onze, na vaga de Souza, Léo Gago, ou até mesmo Fernando. Apesar da fase, Marquinhos tem mais qualidade no passe e no cadenciamento - noves fora a experiência.
Ou poderia ter atuado no 4-4-2 mesmo, com Bertoglio de enganche, na ponta de um losango, somado a Fernando, Souza e Léo Gago. E na frente, Marcelo Moreno e André Lima. Ou Marcelo Moreno e Leandro.
No fim das contas, poucas chances foram criadas, para os dois lados (embora, justiça seja feita, os visitantes pressionaram nos minutos finais e quase chegaram ao segundo gol com direito a bola na trave e tudo mais). Somente graças ao arremate de Léo Gago de fora da área, aos 27 da segunda etapa, o Grêmio voltou para Porto Alegre com a vitória por 1 a 0, não evitando assim o confronto de volta, no dia 11, quarta-feira que vem.
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quinta-feira, agosto 05, 2010
Faltam dois terços para o ciclo
Me parece que alguns jogadores não têm noção de sua grandeza, nem do que representam para seu clube e sua torcida.
É evidente que Pará tem sua importância, Durval e Dracena também, Arouca e Wesley mais ainda, Marquinhos, Robinho, André e etc idem. Contudo não há dúvida de que o sucesso do Santos dentro de campo passa principalmente pelos pés de Ganso e Neymar.
O sucesso, aliás, tem seu preço: empresários e gigantes da Europa querendo levar o talento brasileiro a todo custo para o Velho Mundo. Caso a multa rescisória seja paga, tudo bem, o Peixe nada pode fazer. Caso contrário, deve segurar.
O ciclo desta nova geração santástica completou nesta quarta-feira, no Barradão, apenas um terço de sua finalidade. Em um semestre o time comandado por Dorival Júnior levantou a taça do Paulista e a Copa do Brasil, no entanto há ainda dois semestres pela frente: o do Brasileirão e o da Libertadores.
Robinho e André não estão mais na Vila, mas nem por isso as chances estão reduzidas. Keirrison - o logo mais reserva de Pato na Seleção, anote aí - é um substituto mais que à altura do negociado com o Dínamo de Kiev. Já para o lugar de Robinho, ou Júnior irá mudar o esquema e colocar Marquinhos no meio-campo, ou irá encontrar outro ponteiro no elenco e manter o 4-3-3.
Seja como for, a possibilidade desta turma construir uma história inesquecível e conquistar a Tríplice Coroa em 2010 é enorme. E com mais experiência, no ano que vem, os Meninos podem erguer a Copa Libertadores, algo que não ocorre desde o bicampeonato de 62 e 63. Mas, claro, para que este sonho real se materialize, e para que eles sejam eternizados nos corredores da Vila Belmiro, num patamar semelhante ao de Pelé e Coutinho, Ganso e Neymar devem ficar até a metade da próxima temporada. Só espero que eles, em especial o mais jovem, tenham consciência disso.
É evidente que Pará tem sua importância, Durval e Dracena também, Arouca e Wesley mais ainda, Marquinhos, Robinho, André e etc idem. Contudo não há dúvida de que o sucesso do Santos dentro de campo passa principalmente pelos pés de Ganso e Neymar.
O sucesso, aliás, tem seu preço: empresários e gigantes da Europa querendo levar o talento brasileiro a todo custo para o Velho Mundo. Caso a multa rescisória seja paga, tudo bem, o Peixe nada pode fazer. Caso contrário, deve segurar.
O ciclo desta nova geração santástica completou nesta quarta-feira, no Barradão, apenas um terço de sua finalidade. Em um semestre o time comandado por Dorival Júnior levantou a taça do Paulista e a Copa do Brasil, no entanto há ainda dois semestres pela frente: o do Brasileirão e o da Libertadores.
Robinho e André não estão mais na Vila, mas nem por isso as chances estão reduzidas. Keirrison - o logo mais reserva de Pato na Seleção, anote aí - é um substituto mais que à altura do negociado com o Dínamo de Kiev. Já para o lugar de Robinho, ou Júnior irá mudar o esquema e colocar Marquinhos no meio-campo, ou irá encontrar outro ponteiro no elenco e manter o 4-3-3.
Seja como for, a possibilidade desta turma construir uma história inesquecível e conquistar a Tríplice Coroa em 2010 é enorme. E com mais experiência, no ano que vem, os Meninos podem erguer a Copa Libertadores, algo que não ocorre desde o bicampeonato de 62 e 63. Mas, claro, para que este sonho real se materialize, e para que eles sejam eternizados nos corredores da Vila Belmiro, num patamar semelhante ao de Pelé e Coutinho, Ganso e Neymar devem ficar até a metade da próxima temporada. Só espero que eles, em especial o mais jovem, tenham consciência disso.
terça-feira, junho 15, 2010
Nem Dunga tem a resposta
As alterações do segundo tempo foram sintomáticas. A do Ramires no lugar de Felipe Melo nem tanto, porque ela já ocorreu no amistoso contra a Tanzânia. Está claro, pelo menos esta é a impressão, que o 18 é o reserva imediato do 5, e que Kléberson não está nos planos, só será utilizado na Copa em caso de contusões.
Aí vem a pergunta: e o Ganso?

A outra substituição, a meu ver, foi mais reveladora: Nilmar no lugar de Kaká. Na teoria Nilmar entraria no lugar de Robinho, ou no de Luís Fabiano. No entanto entrou no de Kaká. O ponta-direita do Villarreal fez a ponta esquerda, com Daniel Alves aberto na direita, na do Elano, Luís Fabiano na frente, e Robinho centralizado. O 4-2-3-1 permaneceu, com o camisa 11 na do Kaká.
A situação não é tão extrema quanto à de Kléberson, na minha opinião. Creio que ele será aproveitado. No primeiro jogo, porém, Júlio Baptista ficou no banco. Quem ocupou a posição do Kaká quando necessário foi Robinho, e não Júlio. E aí vem a pergunta: e o Ganso? Por que não foi convocado na vaga do inútil Kléberson (no sentido literal) para atuar na posição do camisa 10?
Aí vem a pergunta: e o Ganso?

A outra substituição, a meu ver, foi mais reveladora: Nilmar no lugar de Kaká. Na teoria Nilmar entraria no lugar de Robinho, ou no de Luís Fabiano. No entanto entrou no de Kaká. O ponta-direita do Villarreal fez a ponta esquerda, com Daniel Alves aberto na direita, na do Elano, Luís Fabiano na frente, e Robinho centralizado. O 4-2-3-1 permaneceu, com o camisa 11 na do Kaká.
A situação não é tão extrema quanto à de Kléberson, na minha opinião. Creio que ele será aproveitado. No primeiro jogo, porém, Júlio Baptista ficou no banco. Quem ocupou a posição do Kaká quando necessário foi Robinho, e não Júlio. E aí vem a pergunta: e o Ganso? Por que não foi convocado na vaga do inútil Kléberson (no sentido literal) para atuar na posição do camisa 10?
quinta-feira, maio 20, 2010
Peixe vence final antecipada
Não é desrespeito, não é menosprezo nem desprezo. Quando digo que Santos x Grêmio foi a final antecipada da Copa do Brasil, penso na qualidade destes times.

Claro que o Vitória pode ser campeão, como o Atlético-GO também poderia, até porque se trata de um mata-mata. A questão é outra: a força dos elencos e das comissões técnicas do Peixe e do Tricolor.
Para mim Santos x Grêmio foi a final antecipada porque Santos e Grêmio estão, na minha opinião, entre as três ou quatro, ou cinco, melhores equipes do país.
Se os treinadores e as principais peças forem mantidas até o fim da temporada (Ganso, Neymar, Arouca, Wesley de um lado, Victor, Borges, Jonas, Douglas do outro), tenho convicção de que ambos vão brigar pelo título do Brasileiro.

Claro que o Vitória pode ser campeão, como o Atlético-GO também poderia, até porque se trata de um mata-mata. A questão é outra: a força dos elencos e das comissões técnicas do Peixe e do Tricolor.
Para mim Santos x Grêmio foi a final antecipada porque Santos e Grêmio estão, na minha opinião, entre as três ou quatro, ou cinco, melhores equipes do país.
Se os treinadores e as principais peças forem mantidas até o fim da temporada (Ganso, Neymar, Arouca, Wesley de um lado, Victor, Borges, Jonas, Douglas do outro), tenho convicção de que ambos vão brigar pelo título do Brasileiro.
quinta-feira, maio 06, 2010
Disputa de 180 minutos
O Grêmio deu azar no sorteio.
Não que Neymar seja jogador de Vila Belmeiro, mas é bem mais produtivo para o Peixe tê-lo atuando em casa do que fora.

A partida de ida é na próxima quarta-feira, no Olímpico, e a de volta é no dia 19, em Santos. Caso o Tricolor abra uma boa vantagem no primeiro duelo (ou seja: vença sem sofrer gol), o Alvinegro terá a chamada força máxima no segundo para tentar reverter.
De qualquer maneira, com ou sem fulano nesse ou naquele jogo, é um confronto sem favorito, na minha opinião. Grêmio e Santos (e Cruzeiro) são os times que apresentaram o melhor futebol até aqui no ano.
Dois campeões estaduais, treinados por grandes profissionais da nova geração, que privilegiam o toque de bola, a ofensividade, e que sabem explorar como poucos o material humano de altíssima qualidade que têm em mãos.
Não que Neymar seja jogador de Vila Belmeiro, mas é bem mais produtivo para o Peixe tê-lo atuando em casa do que fora.

A partida de ida é na próxima quarta-feira, no Olímpico, e a de volta é no dia 19, em Santos. Caso o Tricolor abra uma boa vantagem no primeiro duelo (ou seja: vença sem sofrer gol), o Alvinegro terá a chamada força máxima no segundo para tentar reverter.
De qualquer maneira, com ou sem fulano nesse ou naquele jogo, é um confronto sem favorito, na minha opinião. Grêmio e Santos (e Cruzeiro) são os times que apresentaram o melhor futebol até aqui no ano.
Dois campeões estaduais, treinados por grandes profissionais da nova geração, que privilegiam o toque de bola, a ofensividade, e que sabem explorar como poucos o material humano de altíssima qualidade que têm em mãos.
quinta-feira, abril 29, 2010
O losango do Galo
Em regra, quando o Atlético não tinha a bola, Tardelli e Muriqui voltavam à linha do meio-campo, cada um aberto de um lado, para serem lançados no contra-ataque quando o time retomava ela.
Os atacantes alvinegros, aliás, merecem um parágrafo à parte. A movimentação deles deixa qualquer defesa confusa. Sempre a mil por hora, trocam de lado, aparecem pelos flancos, pelo centro, pela grande área, pequena área, etc.

Contra o Santos, o Galo se postou no 4-4-2 em losango, com Zé Luís na cabeça-de-área, Fabiano e Corrêa no apoio e Ricardinho na articulação. Júnior e Carlos Alberto, os laterais, avançavam sem pudor.
Na segunda etapa, Luxemburgo tirou o camisa 7 e colocou o volante Jonílson. Adiantou o 8, e trocou o losango pelo quadrado. E aos 21 minutos, foi a vez de Ricardinho dar lugar ao lateral-esquerdo Leandro, e de Júnior ser deslocado à meia esquerda.
Sobre o resultado, a vitória é indiscutível. No entanto, no mata-mata, quem leva gol em casa tem a corda no pescoço.
Os atacantes alvinegros, aliás, merecem um parágrafo à parte. A movimentação deles deixa qualquer defesa confusa. Sempre a mil por hora, trocam de lado, aparecem pelos flancos, pelo centro, pela grande área, pequena área, etc.

Contra o Santos, o Galo se postou no 4-4-2 em losango, com Zé Luís na cabeça-de-área, Fabiano e Corrêa no apoio e Ricardinho na articulação. Júnior e Carlos Alberto, os laterais, avançavam sem pudor.
Na segunda etapa, Luxemburgo tirou o camisa 7 e colocou o volante Jonílson. Adiantou o 8, e trocou o losango pelo quadrado. E aos 21 minutos, foi a vez de Ricardinho dar lugar ao lateral-esquerdo Leandro, e de Júnior ser deslocado à meia esquerda.
Sobre o resultado, a vitória é indiscutível. No entanto, no mata-mata, quem leva gol em casa tem a corda no pescoço.
segunda-feira, abril 26, 2010
Até onde vai o Grêmio?
Fossati deve escalar os reservas no Olímpico. Por isso quando penso no Grêmio, penso nos torneios nacionais.
No Gre-Nal deste domingo a equipe treinada por Silas deu uma pista sobre seu patamar no cenário tupiniquim. Bateu um dos seletos participantes da Libertadores por 2 a 0, fora de casa, com autoridade.

Qualquer um pode morrer no mata-mata. Mas, a meu ver, apenas um time pode parar o Santos na Copa do Brasil: o Grêmio. Se passarem por Fluminense e Atlético-MG, os prováveis campeões paulista e gaúcho de 2010 se enfrentam na semifinal.
Na longa maratona dos pontos corridos, o presságio é mais árduo. Porém se as principais peças do elenco forem mantidas até o final do ano, e a comissão técnica, o Tricolor vai brigar pelo título, imagino eu.
E essas peças atendem pelo goleiro Victor (o melhor em atividade por aqui há tempos), pelo zagueiro-central Mário Fernandes (a maior revelação brasileira desde Breno), pelo meia-esquerda Douglas (na minha visão o grande camisa 10 do Brasil, depois de Ganso), e pela dupla de ataque formada por Jonas e Borges (para mim, entre as três mais notáveis do país).
No Gre-Nal deste domingo a equipe treinada por Silas deu uma pista sobre seu patamar no cenário tupiniquim. Bateu um dos seletos participantes da Libertadores por 2 a 0, fora de casa, com autoridade.

Qualquer um pode morrer no mata-mata. Mas, a meu ver, apenas um time pode parar o Santos na Copa do Brasil: o Grêmio. Se passarem por Fluminense e Atlético-MG, os prováveis campeões paulista e gaúcho de 2010 se enfrentam na semifinal.
Na longa maratona dos pontos corridos, o presságio é mais árduo. Porém se as principais peças do elenco forem mantidas até o final do ano, e a comissão técnica, o Tricolor vai brigar pelo título, imagino eu.
E essas peças atendem pelo goleiro Victor (o melhor em atividade por aqui há tempos), pelo zagueiro-central Mário Fernandes (a maior revelação brasileira desde Breno), pelo meia-esquerda Douglas (na minha visão o grande camisa 10 do Brasil, depois de Ganso), e pela dupla de ataque formada por Jonas e Borges (para mim, entre as três mais notáveis do país).
quinta-feira, abril 15, 2010
Neymar no topo da artilharia*
Eis os números dos goleadores do país na temporada.

Neymar (19 gols), André (17), Vagner Love (16), Jonas (15), Diogo Galvão (15), Ciro (14), Robert (13), Willian (13), Adriano (12), Alecsandro (12), Betinho (12), Bruno Mineiro (12), Kléber (12), Obina (12), Ariel (11), Borges (11), Carlinhos Bala (11), Ganso (11), Washington (11).
* Correção: Neymar é o vice-artilheiro. Confira aqui a lista detalhada.

Neymar (19 gols), André (17), Vagner Love (16), Jonas (15), Diogo Galvão (15), Ciro (14), Robert (13), Willian (13), Adriano (12), Alecsandro (12), Betinho (12), Bruno Mineiro (12), Kléber (12), Obina (12), Ariel (11), Borges (11), Carlinhos Bala (11), Ganso (11), Washington (11).
* Correção: Neymar é o vice-artilheiro. Confira aqui a lista detalhada.
Peixe, o Barça do Brasil
Parece-me nítido que só uma equipe no mundo apresenta um futebol tão excitante quanto o Barcelona: o Santos. Ou vice-versa.

Os times treinados por Dorival Júnior e Pep Guardiola conseguem conventer talento individual em produtividade coletiva como nenhum outro. Fontes inesgotáveis de dribles desconcertantes, enfiadas surpreendentes e penetrações brilhantes a tabelas por dentro.
No entanto as semelhanças não param por aí. A maior delas, a meu ver, está na raiz. Não apenas pela bola apresentanda neste ano, mas principalmente porque ambos privilegiam a arte, e não a força, para mim o Santos é o Barça brasileiro, vide este post.

Os times treinados por Dorival Júnior e Pep Guardiola conseguem conventer talento individual em produtividade coletiva como nenhum outro. Fontes inesgotáveis de dribles desconcertantes, enfiadas surpreendentes e penetrações brilhantes a tabelas por dentro.
No entanto as semelhanças não param por aí. A maior delas, a meu ver, está na raiz. Não apenas pela bola apresentanda neste ano, mas principalmente porque ambos privilegiam a arte, e não a força, para mim o Santos é o Barça brasileiro, vide este post.
quarta-feira, abril 14, 2010
quinta-feira, julho 02, 2009
Timão ergue Copa do Brasil no 1º tempo
Sem dúvida estão entre os três melhores times do país e com certeza vão brigar pelo título do Brasileiro. Mas apesar da disparidade não ser um abismo, muito pelo contrário, na final da Copa do Brasil o Coringão foi significativamente superior ao Colorado.

E muito se deve ao primeiro tempo dos 180 minutos. Que foi pra lá de equilibrado, por sinal. O Inter teve chances para marcar ao menos um golzinho no Pacaembu, o que alteraria o panorama da volta. Entretanto 2 a 0 num mata-mata com este regulamento é uma vantagem fatal. Gol fora de casa é meio caminho andado.
Quando se inicia com dois tentos à frente no placar, a partida ganha outros contornos. O Timão chegou ao Beira-Rio no lucro, não precisava se expor. Se fecharia (como se fechou, com até mesmo Ronaldo atrás da linha do meio-de-campo por vários momentos) e cedo ou tarde daria o bote. Só não se imaginava que fosse tão cedo. Ao marcar o primeiro o Corinthians colocou nove vírgula nove dedos na taça, e ao fazer o segundo ergueu-a, ainda na primeira etapa.
Nasce nesta semana o dono da Copa do Brasil de 2009 e o maior candidato à Libertadores de 2010, o ano do centenário alvi-negro (se Mano Menezes, o melhor técnico do país, continuar no cargo).

E muito se deve ao primeiro tempo dos 180 minutos. Que foi pra lá de equilibrado, por sinal. O Inter teve chances para marcar ao menos um golzinho no Pacaembu, o que alteraria o panorama da volta. Entretanto 2 a 0 num mata-mata com este regulamento é uma vantagem fatal. Gol fora de casa é meio caminho andado.
Quando se inicia com dois tentos à frente no placar, a partida ganha outros contornos. O Timão chegou ao Beira-Rio no lucro, não precisava se expor. Se fecharia (como se fechou, com até mesmo Ronaldo atrás da linha do meio-de-campo por vários momentos) e cedo ou tarde daria o bote. Só não se imaginava que fosse tão cedo. Ao marcar o primeiro o Corinthians colocou nove vírgula nove dedos na taça, e ao fazer o segundo ergueu-a, ainda na primeira etapa.
Nasce nesta semana o dono da Copa do Brasil de 2009 e o maior candidato à Libertadores de 2010, o ano do centenário alvi-negro (se Mano Menezes, o melhor técnico do país, continuar no cargo).
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