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quarta-feira, julho 08, 2015

7 a 1 não foi pouco. Ficou de graça

"Ainda não é o suficiente." Quando perguntado sobre Dunga na Seleção, essas foram as palavras de Daniel Alves. Palavras sobre o atual "treinador" da Seleção. Uso aspas na palavra treinador porque Dunga não é treinador de futebol. Aliás, o que te leva a crer que Dunga é treinador de futebol? Baseado em que você acredita que Dunga é treinador de futebol? Pois caso você não saiba, a função do treinador vai muito, mas muito (mas muito mesmo) além de escolher o esquema tático, as peças e fazer as substituições na hora do jogo. O jogador joga o jogo e o treinador treina o time nos treinamentos. E é aí que o Brasil parou no tempo. É aí que os treinadores brasileiros estagnaram: nos treinamentos. A metodologia que vigora no "país do futebol" é ultrapassada. Pergunte ao jogador que sai daqui para jogar na Europa, e ele te dirá, se for sincero. Agora reflita: se no quesito treinamento os treinadores brasileiros são ultrapassados, imagine Dunga, que nem treinador é.

Pois é. 7 a 1 não foi pouco. Ficou de graça.

Mas voltando às palavras de Daniel Alves sobre Dunga. Elas foram ditas no Bola da Vez que foi ao ar na noite desta terça-feira, na ESPN Brasil. "Ainda não é o suficiente." Uma frase sincera e necessária (a sinceridade é uma das grandes virtudes do ser humano, mas poucos conseguem adquiri-la), entre tantas outras. Como, por exemplo, esta sobre o 7 a 1: "Taticamente a gente não tava preparado. Futebol é preparação." Se taticamente a Seleção não estava preparada, a responsabilidade é do treinador. A "culpa" (complicado usar essa palavra, mas já foi; com aspas) de Bernard, David Luiz e etc é insignificante perto da de Felipão. Da de Felipão e da de Parreira, diga-se, pois Parreira jogou merda no ventilador ao falar "já estamos com a mão na taça" antes da competição começar. Se o emocional da Seleção já estava fragilizado porque não havia uma filosofia de jogo inteligente bem definida e assimilda (isso mina a confiança), ele ficou ainda mais frágil com a declaração de Parreira, que botou mais peso sobre os ombros dos atletas (sem falar no fato de jogar em casa e sofrer com a pressão doentia feita pela imprensa e pela torcida no sentido da "obrigação" de conquistar o título).

Outro ponto interessante tocado por Daniel, que por sinal eu tenho levantado há bastante tempo nas redes sociais e aqui no blog, e você é prova disso, foi sobre a Neymar-dependência. Ele não usou esse termo, nem estas palavras, contudo deixou nítida sua insatisfação em relação ao modo como o coletivo é tratado na Seleção. O que vimos na Copa do Mundo 2014, por exemplo, foi o sacrifício do coletivo em pról do individual. Foi um time estruturado com duas linhas de quatro, com o melhor armador do elenco escalado na beirada, para o craque Neymar ficar livre, não precisar marcar lateral, e decidir quando a bola chegar. Uma estratégia dos anos 90 em pleno século XXI. E sabe o que é mais inacreditável e revoltante? Que Dunga repete a mesma receita um ano após o 7 a 1.

Pois é. Não foi pouco. Ficou de graça.

Enfim. Assista abaixo o Bola da Vez com Daniel Alves. Modéstia à parte, você que segue o @blogdocarlao no Twitter vai identificar nas ideias do ex-lateral da Seleção várias coisas que eu falo há meses, nesta relevante entrevista, conduzida por Dan Stulbach.



PS: Leia aqui e aqui dois posts publicados à época da Copa.

quinta-feira, junho 18, 2015

Os 20 melhores da temporada 2014/15

1. Lionel Messi (27 anos)



2. Neymar Jr. (23 anos)



3. Cristiano Ronaldo (30 anos)



4. Luis Suárez (28 anos)



5. Carlos Tevez (31 anos)



6. Eden Hazard (24 anos)



7. Paul Pogba (22 anos)



8. Sergio Agüero (27 anos)



9. Marco Verratti (22 anos)



10. Diego Costa (26 anos)



11. Antoine Griezmann (24 anos)



12. James Rodríguez (23 anos)



13. Harry Kane (21 anos)



14. Kevin De Bruyne (23 anos)



15. Manuel Neuer (29 anos)



16. Arjen Robben (31 anos)



17. Ivan Rakitic (27 anos)



18. Memphis Depay (21 anos)



19. Alexandre Lacazette (24 anos)



20. Nicolas Otamendi (27 anos)



A discordância é bem-vinda.

sexta-feira, junho 12, 2015

Uma grande briga de foice no escuro

"No mínimo vinte jogos." Foi o que disse Juan Carlos Osorio, sobre o tempo adequado para se avaliar o trabalho de um treinador. No mínimo vinte jogos.

Imagino que esse número cause espanto, já que treinador no Brasil fica, em média, cerca de quinze jogos no cargo. Isso mesmo. O treinador no Brasil fica em média apenas quinze jogos no cargo. É sério. Veja aqui e se envergonhe. Ou seja, pela lógica do respeitado Osorio – com a qual eu concordo e levanto bandeira há anos, por sinal –, a maioria dos treinadores no Brasil é demitida antes mesmo de poder ter seu trabalho avaliado com um mínimo de justiça. Em outras palavras, a cabeça acaba rolando antes mesmo de o treinador ter a oportunidade de se defender, digamos assim. Logo, o que acontece é uma covardia. E todos nós temos parcela nisso. Nós torcedores, nós jornalistas, nós dirigentes.

Já escrevi sobre isto aqui no blog, inclusive. Essa média, constrangedora, é tão baixa (de longe a mais baixa entre as principais ligas do mundo) porque nossos cartolas não entendem nada de futebol, porque não entendem nada de campo e bola. E essa falta de conhecimento (teórico mesmo) resulta na falta de convicção, que por sua vez resulta em decisões equivocadas. A mais comum delas? A demissão precoce do treinador – um hábito extremamente prejudicial ao futebol jogado dentro de campo, no frigir dos ovos. Em muitos dos casos, com menos de três meses de trabalho. Ou até dois. Ou um. Não duvide. Eles se superam.

E por que isso acontece? Por que essas decisões equivocadas são tomadas ano após ano, rodada após rodada, desde que nos entendemos por gente? Por que o Brasil lidera de longe esse embaraçoso porém revelador ranking de país que mais demite treinador? Porque nossos dirigentes dão ouvidos às cornetas sopradas pela imprensa e, consequentemente, pela torcida. Quando o time não consegue o resultado imediato positivo, a corneta, na maioria das vezes sem fundamento, começa na imprensa, se espalha pela torcida, ecoa pelos corredores do clube, e o dirigente acaba caindo no canto da sereia.

Se entendesse minimamente de futebol, o presidente do clube seria convicto e simplesmente ignoraria as cornetadas da imprensa e da torcida. Largaria um "conversem com minha mão" e ponto final. Mas como não entende e não tem convicção, cede à pressão externa. O problema é que grande parte da imprensa esportiva brasileira também não entende nada de futebol. Boa parte também não tem conhecimento (teórico mesmo) de campo e bola. O torcedor, coitado, nem se fala, tem menos ainda, ao ponto de embarcar na onda da imprensa sem sequer questioná-la. Enfim. No fim das contas, o cartola opta por demitir o treinador com menos de três, dois meses de trabalho, porque leva a sério análises de pessoas que não entendem de futebol. E isso ajuda a explicar por que o futebol brasileiro é uma grande briga de foice no escuro. E por que a frase de Osorio pode ter causado espanto em muita gente. "Como assim vinte jogos no mínimo?! Perdeu três, tá fora! Não adianta! É cultural!"

Pois é. Sete a um não foi pouco. Ficou de graça.

terça-feira, junho 02, 2015

Seleção da temporada europeia

A corneta é livre.



PS: Cristiano Ronaldo ficou de fora porque no 4-3-3 ele briga pela ponta esquerda, e a temporada de Neymar foi superior, na minha visão (Hazard idem). Não se faz o balanço exclusivamente pelo número de gols. É preciso medir outros fatores.

domingo, abril 26, 2015

Sinuca de bico no futebol brasileiro

Pode contar. São raros os times brasileiros que conseguem trocar mais de dez passes consecutivos no campo ofensivo. A maioria deles, na maioria das vezes, quando está com a bola no campo ofensivo, não consegue chegar a esse número. Antes dessa marca ser alcançada, antes do décimo passe ser atingido, alguma coisa acontece. Pode reparar. Ou a bola é finalizada (para a interceptação da defesa, para fora, para a defesa do goleiro ou para o fundo da rede), ou a bola é perdida (um passe errado ou um desarme), ou a bola sai pela lateral, ou a bola sai pela linha de fundo (escanteio ou tiro de meta), ou a bola volta para o campo defensivo (quando a contagem é zerada), ou rola alguma jogada individual (com ou sem sucesso), ou (esta acontece com frequência) alguma falta é marcada. E por aí vai. Preste atenção. Repare nos jogos do Brasileirão, quando ele começar. Sempre há um desfecho desses antes do décimo passe ser trocado. Ou quase sempre.

O que isso quer dizer? Muita coisa.

Quer dizer primeiramente que a posse da bola não é valorizada. Quer dizer que, na hora do jogador tomar a decisão do que fazer quando está com ela no pé, valorizar a posse é uma das últimas das suas escolhas. Em regra ou ele vai tentar um drible, ou vai tentar um cruzamento para a área, ou tentar queimar para o gol se tiver a chance, ou vai tentar cavar uma falta, ou vai dar um passe forçado, um passe com baixa margem de segurança (em boa parte das vezes, vai errar). Raramente vai valorizar a posse da bola. Raramente vai tentar o passe seguro, o passe com boa margem de segurança. Em regra vai optar pela alternativa mais arriscada e muitas vezes menos eficiente, menos eficaz. Essa decisão (a meu ver equivocada) só é tomada, porém, porque o jogador não é orientado para fazer diferente, porque não é treinado para fazer diferente, porque não o explicaram como fazer diferente.

Como se valoriza a posse de bola? Justamente com a troca de passes curtos. O problema é que, sem compactação e movimentação, essa troca de passes se torna praticamente inviável. Essa troca de passes pacientes e seguros só pode ser bem sucedida se houver compactação. E no país do 7 a 1, no país do “4-1-4-1 é linha de ônibus” e “compactação é uma palavra que está na moda” (frases de um jornalista importante do SporTV), convenhamos que compactação não é um ponto forte (nas fases defensiva e ofensiva). Muito pelo contrário. É um ponto fraco. É um dos vários calcanhares de Aquiles. Portanto, antes de pensar em implantar a valorização da posse da bola na filosofia do jogo, é preciso aprender a jogar compactado. O problema é que, me parece, são raros os treinadores em atividade no Brasil que sabem como fazer isso. Em outras palavras, para aprender a valorizar a posse é preciso saber trocar passes, e para saber trocar passes é preciso jogar compactado, mas poucos treinadores do Brasil sabem compactar suas equipes. Ou seja, nosso futebol se encontra numa sinuca de bico.

terça-feira, abril 21, 2015

O diagnóstico do futebol brasileiro

Por que os cartolas brasileiros demitem os treinadores como demitem? Por que eles trocam de treinador como trocam de gravata? Entre outros motivos, porque eles não têm convicção alguma nas suas escolhas. E por que eles não têm convicção alguma nas suas escolhas? Porque eles não entendem nada de futebol, porque não possuem conhecimento de campo e bola – conhecimento teórico mesmo, não precisa ter sido jogador.

Aí acontece o seguinte.

Como não têm convicção, porque não têm conhecimento, nossos cartolas cedem à pressão da torcida e da imprensa quando os resultados imediatos são negativos. O problema é que, tanto a torcida quanto a imprensa, de uma forma geral, também não entendem nada de futebol. Tanto a torcida quanto a imprensa, também não possuem conhecimento de campo e bola – teórico mesmo (sem falar que boa parte da imprensa é composta por torcedores).

Em outras palavras, nossos cartolas dão ouvidos às cornetas porque não entendem nada de futebol. E tomam as decisões que tomam porque se baseiam nas análises imediatistas e amadoras (cornetas) de pessoas que também não entendem nada de futebol (torcida e imprensa). Ou seja, é um círculo vicioso. Um círculo onde a ignorância (falta de conhecimento) e o imediatismo triunfam. E quem paga o pato é o futebol brasileiro.

quarta-feira, março 11, 2015

Futebol brasileiro, um deserto de ideias

Troca é progresso. Autossuficiência é regresso. A ausência da troca leva à estagnação. A presença dela leva à inovação e eleva o nível. Isso se aplica à economia, à tecnologia e a vários outros aspectos da sociedade. Inclusive ao futebol (o futebol reflete a sociedade). Por essas e outras, o futebol brasileiro encontra-se onde se encontra. O terreno que um dia foi muito fértil, hoje é um deserto. Graças ao isolamento intelectual das pessoas que trabalham nele e com ele, o futebol brasileiro se encontra fora do circuito do conhecimento, imerso na própria ignorância.

O que mais me incomoda nessa história toda é que as ferramentas estão aí. Vivemos na era mais globalizada da história da humanidade. Nunca antes na história da humanidade (últimos 200 mil anos, digamos) foi tão fácil realizar a troca. Não apenas a troca de bens, produtos e serviços, mas principalmente a troca de informação, a troca de conhecimento, a troca de ideias. Em especial, graças à Internet (sua linda!). E é justamente nessa gloriosa fase da história da humanidade - a mais gloriosa de todas até aqui - que o futebol brasileiro se isola. Justamente na época em que o conhecimento tem tudo para fluir e triunfar, a ignorância impera e prevalece. Quando na verdade deveria se globalizar, o futebol brasileiro se isola (no campo e bola e no campo das ideias, já que o primeiro é consequência do segundo).

Não duvido que a Major League Soccer, por exemplo, ultrapasse o Brasileirão logo, logo. Bom. No que diz respeito à média de público, já ultrapassou (a liga chinesa também). Mas me refiro ao campo e bola mesmo, dentro das quatro linhas. Deve ultrapassar logo, logo. Veja bem: me refiro à MLS como um todo e não aos jogadores americanos em si. São coisas diferentes. A cada dia que passa a MLS deve importar mais material humano de qualidade, não só para o campo e bola, mas também para o campo das ideias. Enquanto no Brasil ainda se queima treinadores estrangeiros (por uma série de motivos), nos Estados Unidos (e na China), penso eu, eles serão bem-vindos. Ou melhor, serão requisitados, para acelerar a elevação do nível. E nessa esteira devem vir os treinadores “locais”. Não tenho dúvida de que eles, os americanos e os chineses, para não citar outros exemplos, estão antenados ao mundo global em que vivemos, ao contrário do treinador padrão brasileiro, que vive ilhado no campo das ideias. E o reflexo disso nós vemos no campo e na bola.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Substituição na lista dos 23 sub-23

Pela segunda vez na semana, quero dar a mão à palmatória. Na quarta-feira passada, publiquei uma lista dos 23 melhores jogadores sub-23 do mundo, na minha visão, e acabei deixando dois nomes essencias de fora (confira aqui). Um pouco por falta de cuidado da minha parte, um pouco por ignorância da minha parte, deixei de fora dois nomes obrigatórios, e por isso resolvi fazer essa substituição sete dias depois. (A outra cagada que cometi, a outra mão à palmatória, foi no caso "Dudu no Corinthians", retratada neste post sobre o Palmeiras.) Refiro-me a Depay e Kovacic.

Memphis Depay. Holandês. Ponta-esquerda. Completa 21 anos em 2015.



Mateo Kovacic. Croata. Meia-atacante. Completa 21 anos em 2015.



PS: Para Depay e Kovacic entrarem na lista eu tiraria, obviamente, os dois últimos colocados (Emre Can e Adnan Januzaj).

terça-feira, novembro 04, 2014

Brasileiro, o eterno adolescente

Why do brazilian soccer players have one name?

Se você digitar "why do bra" no Google, uma das sugestões é esta: "why do brazilian soccer players have one name" (veja aqui). Sugestão essa que me deu o gancho para esse post, pois tenho uma tese sobre isso há algum tempo, e essa é uma boa oportunidade para externá-la. Acredito ter uma resposta sobre por que jogadores brasileiros tem apenas um nome. E ela, acredite, está escrita no inconsciente coletivo.

É comum vermos, nas transmissões dos jogos europeus, antes da bola rolar, quando aparecem as listas com os jogadores dos dois times, seus nomes completos. Ou ao menos dois nomes, geralmente o primeiro e o último. Por exemplo: Lionel MESSI, Zlatan IBRAHIMOVIC, Arjen ROBBEN, e por aí vai. Quando se trata de jogadores brasileiros, no entanto, nessa lista pré-jogo, aparece apenas um nome, sendo muitas vezes o apelido: KAKÁ, ROBINHO, RONALDINHO, etc.

Claro. Como em toda regra, há exceções. Salvo engano, no caso de Oscar, por exemplo, aparece Oscar EMBOABA. Salvo engano. Não tenho certeza. Ainda assim, o nome que ele leva na camisa é o primeiro nome, e não o sobrenome, como habitualmente ocorre na Europa e talvez no mundo todo (Messi é Messi na camisa, e não Lionel ou Leo). A pergunta é: por quê? Por que isso em regra acontece com os brasileiros e com os demais futebolistas do planeta não? Sobre os demais futebolistas do planeta não posso falar com tanta propriedade, contudo quanto aos brasileiros, permito-me opinar. E a resposta, como disse, está no inconsciente coletivo.

Isso acontece porque o Brasil é um país adolescente. Um país que sofre da Síndrome de Peter Pan. Um país onde ninguém assume a responsabilidade pelos seus atos e a culpa é sempre do outro (responsabilidade é coisa de adulto). Um país onde tudo é deixado para a última hora, à espera de uma salvação que vem de cima. Um país que não desmama e não consegue andar com as próprias pernas. Um país onde sempre se reclama e nunca se aceita a decisão que vem de cima. Sempre cabe recurso. Sempre há uma brecha jurídica. Sempre se dá um jeitinho. Enfim. São inúmeras as características. Uma das razões para essas características tão peculiares aos brasileiros existirem é o fato do Brasil ser um país novo, foi "descoberto" há 500 anos. Outra é a maneira como ele foi colonizado (recomendo Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre).

Esse comportamento adolescente e até certo ponto infantil é refletido no futebol mais do que você imagina (lembre-se, futebol é reflexo da sociedade). Isso fica evidente quando vemos que, no Brasil, o perfil do treinador que faz sucesso é o perfil do "paizão". Veja só, o treinador, esse representante da figura patriarcal, é tratado no Brasil orgulhosa e abertamente como "paizão". Quantas e quantas vezes você viu e ouviu o jogador dizer "ele é como um pai para mim"? Milhares, não? Pois é. Em outras palavras, a partir do momento em que o treinador é visto como o pai, o jogador é visto como o filho. Simples assim. É assumidamente o adolescente. Aí é preciso fazer concentração (na Europa não tem, né?) para castigar o filho adolescente, para evitar que ele saia com os amigos indesejáveis e beba, use drogas e etc.

São vários os exemplos. Infelizmente não tenho todos na ponta da língua, tampouco dos dedos. Mas eles estão aí, na nossa cara. E, além desse papo de "paizão" e da concentração (creche), essa questão do nome na camisa, do "why do brazilian soccer players have one name", é apenas outro exemplo.

O cara pode ter 30 anos de idade, e ainda leva na camisa o apelido de infância. Robinho, Ronaldinho, Juninho (repare no diminutivo). Kaká, Dedé, Vavá (repare nas sílabas repetidas, coisa de bebês que estão aprendendo a falar - gugu dada). Em relação aos jogadores que usam o primeiro nome e não os apelidos, talvez haja uma evolução, mas a diferença não é tão grande assim. Pois, enquanto os outros levam o sobrenome às costas, enquanto os outros levam o nome da família na camisa (Messi, Ibrahimovic, Robben), os brasileiros usam o primeiro nome, o nome do filho (Oscar, Adriano, Lucas). Ou seja, o eterno adolescente (forever young) que não atinge a maturidade para carregar o nome da família nas costas (é muito peso, né?).

Enfim. Sei que minha tese carece de detalhes e carece de aprofundamento, até porque não sou tão entendido no assunto assim (psicologia), embora entenda um pouco. E até porque é somente um curto post num blog, e não uma tese de mestrado ou doutorado. No entanto me parece evidente que essa característica infantil está enraizada nos brasileiros (não apenas nos jogadores e sim em toda a sociedade, diga-se de passagem). A escolha pelo primeiro nome na camisa ou pelo apelido pode ter lá justificativas racionais, contudo me parece nítido que isso faz parte do nosso inconsciente coletivo. E essa cultura ajuda a explicar, na minha visão, "why do brazilian soccer players have one name".

sexta-feira, setembro 26, 2014

Acabou a pizza

Quando pessoas que eu não confio tomam decisões positivas para o mundo, eu desconfio. Sempre me pergunto o que pode haver por de trás delas, quem vai ganhar e quem vai perder com elas (ganhar e perder o quê?), quais as segundas ou terceiras intenções delas, ou melhor, qual a verdadeira intenção delas, essas coisas. Portanto qualquer medida dita positiva tomada por essa cúpula da FIFA, eu naturalmente recebo com o pé atrás, ressabiado. Feita essa pequena ressalva, confesso que recebo a notícia desta sexta-feira com bastante satisfação (leia aqui).

O mundo precisa mudar (já está mudando, na verdade). Nós, seres humanos, precisamos entrar logo na era do consumo racional (já estamos entrando). E o futebol, uma das melhores representações da nossa sociedade, se não a melhor, obviamente está inserido nesse contexto. Ao adotarem essa medida, de cortarem os intermediários das negociações de jogadores (justo a mão de obra), Blatter e sua turma em tese tornam o esporte mais popular do mundo mais sustentável, com gastos mais racionais, mais próximos do seu real valor, deixando o dinheiro onde ele deve estar, onde ele pode dar retorno ao seu meio, e não “perdido” pelo meio do caminho.

Claro que essa medida sozinha não vai mudar o mundo. Mas nada no mundo muda sozinho. Toda mudança ocorre por uma soma de fatores. Nada ocorre isoladamente. Enfim. O fato é que essa decisão da FIFA é apenas mais um fator nessa conta gigantesca que temos de fechar o quanto antes, não só em relação ao futebol, mas em relação ao planeta, do qual, lembre-se, o futebol faz parte. Afinal estamos todos, e tudo, no mesmo barco.

terça-feira, setembro 23, 2014

Uma cornetada na imprensa esportiva

Costumo dizer que o futebol é o segundo esporte mais popular do Brasil.

O primeiro é discutir a arbitragem.

Há quem diga que se discute arbitragem em demasia por aqui porque esse tipo de debate gera mais audiência (viva o poder econômico!). Pode até ser. Mas é simplório demais acreditar exclusivamente nisso. Na minha modesta visão, se fala de arbitragem em excesso por aqui porque basicamente faltam capacidade e conhecimento para se falar de futebol, para se comentar o campo e bola propriamente dito.

Pense comigo. O que é mais fácil? Analisar o jogo tática e tecnicamente ou ficar gastando minutos, até horas, falando de erros ou acertos de arbitragem? Obviamente é mais fácil falar de arbitragem. Mas como disse, não acho que fazem isso por maldade, puramente em nome da audiência. De uma maneira geral, acho que fazem isso por incompetência mesmo, pois debater o campo e bola exige um conhecimento que a maioria, ou boa parte, dos jornalistas não possui.

No entanto o buraco é mais embaixo. Vai além. A discussão envolvendo a arbitragem (essa praga verde e amarela) é apenas um grão de areia nesta vasta duna de ignorância (ignorância no sentido da falta de conhecimento). Repare. Assista aos programas, ouça-os, leia os blogs, colunas e afins, e você verá que se gasta mais tempo e linhas com o extracampo do que com o jogo jogado em si. Fala-se muito mais do dirigente, da torcida, da crise, da polêmica, da fofoca e o caramba do que do campo e bola. Fala-se, de uma maneira geral, muito mais dos problemas e soluções extracampo do que do que acontece de fato dentro das quatro linhas. Por quê? Por maldade? Pelo sensacionalismo? Pela audiência? Pode ser. Mas não tenho dúvida de que, também, por incapacidade – salvo poucas e boas exceções (sim, elas existem).

Quem me segue nas redes sociais sabe que eu costumo dizer que o futebol é o segundo esporte mais popular do país, atrás das discussões de arbitragem – essa paixão nacional, ao lado da bunda. E sabe também que costumo dizer que, se o futebol brasileiro está nivelado por baixo, a imprensa esportiva brasileira – salvo exceções – está no mesmo caminho, nivelada por baixo. Basta analisar as análises com senso crítico para perceber isso.

quinta-feira, maio 22, 2014

O ciclo vicioso do futebol brasileiro

Já disse e repito. Não me canso de repetir. Muitas vezes só a repetição salva.

Entre outros motivos, o troca-troca de treinadores existe basicamente porque os dirigentes brasileiros não entendem nada de futebol. Isso mesmo. Não têm conhecimento de campo e bola, teórico mesmo, para terem convicção na hora de contratar e/ou bancar o técnico. E justamente por não entenderem nada de futebol, os presidentes de futebol dão ouvidos às cornetas de parte da torcida e da imprensa (que por suas vezes também não entendem nada de futebol), cedem à pressão disseminada pela mídia e pelos corredores dos clubes, demitem o treinador com menos de uma temporada de trabalho e deixam as corrosivas multas rescisórias nas contas da entidade.

Por que eles contratam e, principalmente, demitem sem se importar com a multa rescisória? Porque eles sabem que pouco tempo depois vão sair do clube e a bomba cairá no colo dos presidentes seguintes (a gente vê esse tipo de comportamento na política e entre as autoridades de uma forma geral, pelo menos no Brasil; a responsabilidade é sempre passada adiante). Não pretendo, no entanto, me aprofundar nos lados econômico e sociológico da questão - se bem que nenhum fato acontece devido a uma causa específica, mas sim a várias. Quero aqui, nesse post, na medida do possível, me ater ao tempo de contrato que em regra vigora no Brasil.

Na vida, no mundo, no tudo, vários são os fatores que influenciam o mesmo acontecimento. Nada ocorre em função de um agente causador isolado. E no caso do futebol não é diferente (lembre-se: o futebol reflete a sociedade). Dito isso, além da baixa qualidade dos gramados, do calendário desumano (sem tempo para treinar), da incompetência de vários treinadores (mesmo com tempo para treinar), da ineficiência tática das categorias de base e etc, outra razão, entre tantas, pela qual o futebol brasileiro encontra-se na areia movediça que se encontra, é a falta de continuidade no comando (já escrevia isso em 2007, "o segredo do sucesso, no futebol brasileiro, é a continuidade do trabalho").

Sim, me refiro à falta de continuidade no trabalho do treinador. Porque, no Brasil, e imagino que só no Brasil (são muitas as coisas que acontecem "só no Brasil", né?), a regra é o contrato por uma temporada. Ou, no caso de Ricardo Gareca no Palmeiras, que assina até metade de 2015, pelo período um ano. (Oh, Deus, dai-me força e paciência para continuar esse post!) Metade de dois mil e quinze. Metade da temporada. Metade. Ou seja: terminar no meio, e não no fim. Faz sentido? Não, claro que não. O pior, porém, não é o caso de Gareca no Palmeiras (foi só um exemplo, que deu origem a essa pauta, aliás). O pior é que o contrato de 12 meses, ou um ano, ou uma temporada, como queira chamar, é a norma entre os cartolas brasileiros. E, obviamente, nenhum - ou melhor, quase nenhum - trabalho se sustenta.

Talvez os dirigentes não saibam (prometo não me alongar, último parágrafo, esse papo me tira do sério e estou ficando nervoso), mas uma das funções do treinador é montar o elenco (por que você acha que na Europa o cargo não é coach, e sim manager?). Uma das funções do treinador é, dentro das limitações orçamentais do clube, dizer e explicar aos seus superiores: "Quero esse, esse e aquele jogadores porque minha ideia de jogo é essa, meus esquemas táticos prediletos são esses, e no momento não temos no elenco atletas para cumprir essas e essas funções". Mais ou menos por aí. Por essas e outras, sim, o treinador precisa assistir aos jogos (de preferência aos que poucos assistem) e estar atento ao mercado. Contudo, se o seu contrato é por apenas uma temporada (a regra no Brasil), essa montagem torna-se inviável, para não dizer impossível (sem falar que os frutos geralmente são colhidos a partir da segunda temporada de trabalho; sem tempo para se desenvolver, as sementes jamais viram frutos).

Prometi que era o último parágrafo, mas não resisti, acho que menti (sou brasileiro, e para nós promessa é dúvida). O buraco é mais embaixo.

O pior, na verdade, é que não basta contratar o treinador por apenas uma temporada. O pior, na verdade, é que o treinador é avaliado com menos de uma temporada. Se o contrato (lembre-se: ridículo) de uma temporada fosse respeitado até o final, pelo menos, e a avaliação fosse feita somente ao final da temporada, menos mal (Moyes e Tata tiveram seus contratos rompidos, por exemplo, mas pelo menos uma temporada foi completada em ambos os casos). Mas nem isso. Com quatro, cinco, seis meses, quando não antes, o trabalho do treinador já é colocado em cheque, e muitas vezes sua cabeça acaba rolando.

Aí voltamos ao começo desse post.

O presidente, sem conhecimento de futebol (campo e bola) para bancar o treinador, dá ouvido às cornetas da imprensa e da torcida (que geralmente só falam besteiras), cede à impregnante e repugnante pressão e, sem condição de cometer uma avaliação decente, demite o treinador - o que significa multa para os cofres do clubes, novo treinador chegando (com contrato até o fim daquela temporada, claro), reformulação do elenco para se adequar à filosofia do novo treinador, se é que ele tem alguma, e etc, etc, blá, blá.

Ou seja: o futebol brasileiro encontra-se num terrível ciclo vicioso.

Como mudar esse panorama? Particularmente sou um cara otimista com as novas gerações. Na minha visão, portanto, esse panorama será alterado, para melhor, quando as velhas gerações que estão no poder (e aí não me refiro somente ao futebol, mas ao planeta como um todo, em todas as suas esferas) se aposentarem ou morrerem de vez. Uma hora eles vão morrer (todos vamos, né, mas pela ordem natural eles vão antes) e o osso será largado. Aí entrarão as novas gerações (me refiro à geração do meu e do seu filho, que ainda nem temos, e por diante), mais informadas, mais antenadas, mais globalizadas, mais discernidas, mais conscientes do que é certo e do que é errado. E gradativamente a maneira de como o jogo é jogado será alterada (tanto no futebol quanto na vida).

domingo, junho 24, 2012

Liga Blog do Carlão

Enquanto o blog anda meio desligado (não por muito mais tempo!) por motivos de força maior, fique ligado na liga criada com cinco rodadas de atraso (antes tarde do que nunca) no Cartola. Procure por "Blog do Carlão" e mostre que este blogueiro não sabe nada de futebol.



No Twitter. No Facebook.

quarta-feira, junho 20, 2012

Just a few more days

Percebe-se que o Blog do Carlão está às traças. Estou por fora da Euro 2012, do início do Brasileirão, da reta final da Libertadores, da Copa do Brasil, das transferências, das valorizadas polêmicas... Enfim, do futebol como um todo.

Pelo seguinte: estou me mudando para o Rio de Janeiro, e ainda não estou devidamente instalado no meu novo lar. Mas, ao que tudo indica, em no máximo duas semanas estarei de volta pra valer.

Valeu!

sexta-feira, novembro 11, 2011

O 11 do futebol mundial atual

Inspirado pelo Marca, em função da data de hoje, levantei a bola no Twitter: qual o onze ideal da atualidade? Como pode-se ver, a supremacia é azulgrená.

Quatorze pessoas escalaram suas seleções. Messi e Xavi foram as únicas unanimidades. Cristiano Ronaldo recebeu 13 de 14 votos possíveis, Daniel Alves 12 e Casillas 10.



Entre os zagueiros, Piqué e Thiago Silva receberam 9 votos cada. O terceiro foi Vidic, com 6. Já na lateral esquerda, Marcelo goleou: 9 votos, contra 2 de Bale, 2 de Lahm e 1 de Evra.

No meio-campo, Xavi tem a companhia de Schweinsteiger e Iniesta, ambos com 9. O quarto meio-campista, portanto sem vaga no onze inicial, foi Yaya Touré, com 4. E na frente, somado a Cristiano Ronaldo e Messi, Neymar. O craque da Vila superou Rooney por 7 a 5.

PS: Os "eleitores", pela ordem: @mariopordeus, @daniipessanha, @lbertozzi, @blogdocarlao, @fefeu, @MatheusGomesBFR, @arthurbarcelos_, @Taisser_Gustavo, @eduardocecconi, @GuCarratte, @ricardo_jsj, @DavidZanbianchi, @MarceloManoel e @a4lMichelCosta.

domingo, setembro 13, 2009

A primeira vez a gente não esquece

Tive a oportunidade e o prazer de participar neste domingo do Sala de Domingo, programa da Rádio Gaúcha apresentado por Nando Gross.

Para conferir este produtivo e proveitoso bate-papo, baixe o arquivo em MP3 aqui.

terça-feira, julho 28, 2009

Pontapé inicial

O primeiro movimento da vida é o chute.

Na barriga da mãe.

Que tem a forma de uma bola.

Por essas e outras o futebol é popular e fascinante.

terça-feira, junho 09, 2009

Primeiro mundo é outra história

Vi na lista dos jogadores mais caros da história no Blog do PVC que Rio Ferdinand, o bom zagueiro do Manchester United, custou 47 milhões de dólares, cerca de 30 milhões de euros.

Nada como uma transação entre clubes europeus.

E a gente aqui, na América Latina, com as veias abertas.

sexta-feira, maio 25, 2007

RMP cita Carlos Pizzatto

Primeiro, Juca Kfouri.

Agora, Renato Maurício Prado.

O próximo é Armando Nogueira.

Depois, João Saldanha, Nelson Rodrigues, Mário Filho...

O mundo repercute, e o sucesso sobe à cabeça de Carlão.