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sábado, março 25, 2017

Top 5 elencos do mundo

Três jogadores por posição. Embora a lista da Copa seja composta de 23 jogadores, optei por três por posição para ampliar o leque. Ainda assim, certamente alguns nomes ficaram de fora.

Os 33 atletas de cada seleção a seguir não necessariamente refletem as escolhas de seus treinadores, tampouco o esquema tático, a distribuição das peças e a ordem de titularidade. De qualquer forma, as cinco pranchetas abaixo servem como referência para comparar os principais elencos do futebol mundial no momento. Na minha visão, eis a ordem:

1. França



2. Brasil



3. Espanha



4. Alemanha



5. Argentina



PS: Entre parênteses, a idade do jogador.

sexta-feira, junho 13, 2014

Del Bosque se afunda com medalhões

Quatro holandeses da final de 2010 foram titulares nesta sexta-feira: De Jong e Sneijder, além da dupla Robben e van Persie (dois caras considerados por mim nível 5 na escala de 1 a 6 de craques da Copa). Em relação à Espanha, esse número sobe para sete: Casillas, Sergio Ramos, que jogava na lateral direita, Piqué, Busquets, Alonso, Xavi e Iniesta.

Se deixarmos de lado De Jong, e até Sneijder, veremos que os titulares da Holanda 2010 que jogaram hoje são caras extraclasses, cracaços, jogam até com dengue. Do outro lado, se deixarmos de lado os defensores, que no momento são indiscutíveis lá atrás (apesar da falha grave de Casillas), e pensarmos somente no meio campo, veremos que é exatamente o mesmo meio campo, só que quatro anos mais velho. É verdade, tem a inclusão de Silva. Mas é praticamente a mesma meia cancha. Só que com quatro anos a mais de vida.



Não quero emplacar uma Era Xavi aqui. Longe disso. Porém, você que me segue no Twitter, sabe que desde sempre, desde os últimos meses, desde a temporada 2013/14 toda, na real, eu defendo a passada de bastão do meia de 34 anos, tanto na seleção quanto no clube, para Fàbregas. Por isso fico à vontade para fazer essa abordagem agora, após a goleada. Não posso ser acusado de oportunista, sequer suspeito. E longe de mim querer botar na conta de Xavi a humilhante derrota por 5 a 1 para a Holanda. Entre outros motivos, porque futebol é um esporte coletivo. Sem dúvida, no entanto, o camisa 8 da Roja simboliza o resquício, as cinzas da equipe campeã do mundo. Há quatro anos.

Esse post sobre a renovação de Wenger com o Arsenal ajuda a explicar o que eu penso sobre o assunto. De certa forma, é o que acontece com Xavi, é o que acontece pela Espanha. Uma gratidão eterna pelos feitos do passado, que, se mal administrada, impede a evolução (não é à toa que o campeão do mundo geralmente vai mal na Copa seguinte). Pô, o elenco hispânico é um dos melhores do torneio. Se não tivesse alternativas, vá lá, tudo bem. Mas tem Fàbregas, Mata, Cazorla, Koke no banco de reservas (sem falar no De Gea). E ainda assim, repete o XI de quatro anos atrás. Aí não, né. O próprio Isco, que eu jurava que seria titular nessa Copa, por ser um jogador de habilidade, de beirada de campo, de características inexistentes no plantel, sequer foi convocado.

A falta de jogadores com essas características, aliás, faz com que a Espanha fique refém da faixa central. No 4-2-3-1 espanhol, sendo Silva e Iniesta, dois meias de ofício, os dois "pontas" do time, o jogo fica muito concentrado por dentro, sem homens abertos, afunilado, tiquetaqueado para lá e para cá, sem profundidade, sem atletas para chegar à linha de fundo ou encostar no nove. Em 2010 ainda tinha Pedro. (Ah, Navas se machucou, é verdade. Tem isso. Se bem que provavelmente ele - Isco idem - seria reserva mesmo, então não faz diferença.)

Enfim. Não quero pegar no pé de Xavi. Se há um responsável por essa equipe ter se tornado previsível, esse alguém é o treinador. Se há alguém que precisa entender que se escala pelo que se faz, e não pelo que se fez, esse alguém é o treinador. É ele quem precisa saber diferenciar a obra da pessoa, saber separar o trabalho atual, o rendimento atual, do currículo. E me parece que Del Bosque não conseguiu fazer isso. Ou ao menos não está conseguindo, já que restam dois jogos e a Espanha teoricamente está a duas vitórias das oitavas de final. Se repetir a base do XI do jogo de hoje contra a Holanda (ou melhor, do jogo de quatro anos atrás), todavia, é provável que a atual campeã seja eliminada na fase de grupos.

segunda-feira, julho 01, 2013

Copa é com ele

Felipão nasceu pro mata-mata. Não adianta negar sua natureza. Alguns treinadores são assim. O cara é papa-copa e ponto. No Palmeiras, em 2012, por exemplo, tirou Maikon Leite de pedra e foi campeão da Copa do Brasil. Um ano depois, dessa vez com pés de obra altamente qualificados em mãos, a equipe treinada por ele levantou a Copa das Confederações merecida e indiscutivelmente, passando por cima de seleções graúdas.

Não adianta. Alguns treinadores são assim. Tem na motivação, na liderança, no poder de persuasão, na capacidade de fazer com que seus comandados assumam um foco em comum, o seu ponto forte. Claro que Felipão entende de futebol. Contudo não tenho dúvida de que seu diferencial é seu espírito de líder. E esse espírito, aliado aos treinamentos e ao material humano altamente qualificado (como no caso desse elenco verde e amarelo), faz com que seus times cresçam dentro dos torneios mata-mata.



Só espero que ele não cometa o mesmo erro de Dunga, que "fechou o grupo" muito tempo antes da hora. Neymar e Ganso se tornaram casos clássicos dessa precipitação dunguiana. Felipão é rodado, acredito que não cometerá esse erro. Sem querer brincar de vidente, evidente, imagino que alguns nomes têm grandes chances de pintar na lista de 2014, talvez uns três ou quatro novos nomes em relação à lista de 2013.

Um exemplo? Ramires. Outro? Sandro, jogador de uma posição que está longe de ter um dono da Seleção: a de primeiro volante, hoje ocupada por Luiz Toca Pro Lado Gustavo. Sandro é um senhor cabeça-de-área, noves fora que deve formar dupla no Tottenham com Paulinho na próxima temporada. Se voltar bem do longo período de inatividade em função de uma lesão séria, se voltar jogando a bola que estava jogando antes de se machucar, uma das vagas tem tudo para ser dele. Pode favoritar.

Quanto à Espanha, não sei, não. Não digo que se fingiu de morta para comer a bunda do coveiro. Mas gostei da frase do Marco Nunes no Twitter: "A Espanha veio ao Brasil somente para transar." Haha! Até certo ponto, é uma frase pertinente. Por mais que tenha se falado que a Copa das Confederações é o único título que eles não têm, talvez eles não estivessem tão aí quanto muita gente pensa ou pensava que eles estivessem. Talvez vieram a passeio. Vai saber.

O fato é que minha opinião sobre a Roja continua a mesma: é, ao lado da Alemanha e da Argentina, o principal candidato à Copa do Mundo. Tem outra: vale lembrar que Isco deve ser titular no ano que vem. Claro, vale lembrar também que num torneio mata-mata qualquer um pode morrer, e apenas um pode sobreviver. E em matéria de mata-mata, em matéria das chamadas copas, vale lembrar que Felipão é perito.

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sexta-feira, junho 28, 2013

Prévia de Brasil vs Espanha

É sabido que os laterais da Seleção dão trabalho aos defensores adversários. Por isso penso que Del Bosque não irá escalar nem Iniesta, nem Fàbregas, numa das beiradas do campo. Porque quem for escalado na ponta esquerda, por exemplo, terá de acompanhar as subidas de Daniel Alves, e creio que Iniesta e Fàbregas não serão submetidos a esse "sacrifício".

Quem pode ser escalado por ali? Quem pode dificultar os avanços do lateral-direito do Brasil? Imagino que Pedro - que, justiça seja feita, se jogar por ali, terá como missão não apenas marcar Daniel Alves. Pelo contrário. Se jogar por ali, pela esquerda, o camisa 11 da Roja irá infernizar a vida de seu companheiro de Barcelona. Em relação ao outro lado, em relação às medidas contra as investidas de Marcelo, acredito que o treinador da Espanha irá optar por Jesus Navas - para tentar frear as subidas do lateral do Real Madrid e, claro, para atacar por aquele flanco com muita velocidade.

Confira aqui a prancheta prévia.



Se assim for, partindo do princípio que o meio campo espanhol será formado por Busquets, Xavi e Iniesta, sobra apenas uma vaga do meio pra frente: a de centroavante. E entre Soldado e Torres, aposto que Del Bosque irá de Fàbregas - entre outros motivos, para trabalhar como falso nove, para recuar, se somar à meia cancha e obter superioridade numérica no setor da meia cancha, qualificando assim a posse de bola através do passe.

Dito isso, me parece que o duelo chave da finalíssima da Copa das Confederações, domingo, no Maracanã, tem tudo para ser Paulinho vs Iniesta. Pelo seguinte: Paulinho é a válvula de escape do time de Felipão, peça fundamental para o contra ataque verde e amarelo. E, convenhamos, não é muito a do Iniesta marcar ou acompanhar as arrancadas típicas do ex-corintiano. Em contrapartida, Paulinho deve ter menos liberdade e oportunidade para atacar justamente por, em tese, bater de frente com Iniesta durante boa parte da partida.

Marcação por pressão, abafa, nos primeiros dez minutos e, com ou sem balançar a rede de Casillas, a partir daí se armar para contra golpear - sem abdicar da bola aérea (tiro direto, indireto, cruzamento, escanteio, etc) e dos chutes de longa distância. A estratégia do Brasil deve ser essa. Estratégia que tem grandes chances de dar certo. Mas para tanto é preciso que a Espanha não consiga com frequência as finalizações que em regra consegue (frutos da habitual e exímia troca de passes paciente, e da espera pelo momento exato para se infiltrar na área e executar o arremate).

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segunda-feira, junho 17, 2013

Missão quase impossível

Javi Martínez, Cazorla, Mata, Silva, Navas, Torres, Villa... Isso sem citar Isco, que está disputando a Euro Sub-21. Para um banco de reservas, nada mal. Sem dúvida o elenco mais qualificado do planeta no momento. Talvez não o mais equilibrado, a dupla de zaga carece de suplentes à altura. Porém sem dúvida o plantel com mais talentos individuais, superando o da Alemanha, da Argentina, da Holanda, do Brasil, e por aí vai.

Apesar disso, o destaque da atual seleção campeã mundial e bicampeã europeia não é o fator individual, mas sim o coletivo, que todos estão carecas de saber como funciona: valorização da posse de bola baseada na troca de passes precisos e pacientes, à espera da oportunidade da infiltração, do passe vertical, da finalização. Muito toque no campo do adversário à espera da hora certa de dar o bote. E nos raros momentos em que perde a pelota, retoma-a lá na frente, pressionando o oponente, pois avança em bloco, com o time inteiro compactado. Em resumo, uma aula. Não aprende quem não se interessa.



É impossível vencer a Espanha? Não. Possível é. A bola parada, o contra ataque - e uma pitada de sorte - são os caminhos. Não adianta querer jogar de igual para igual, tentar igualar a posse, porque futebol se joga com apenas uma bola, e quer queira ou não, ela fica a maior parte do tempo (70% em média) nos pés dos espanhóis. Portanto, além da bola parada (tiro livre direito, escanteios, jogadas aéreas, etc), o contra golpe é a estratégia mais indicada para tentar tirar uma casquinha da toda-poderosa Roja. O problema é que nem sempre se consegue encaixar o contra ataque como se imagina ou se ensaia.

É preciso paciência. É preciso ter consciência e compreender que durante boa parte da partida você vai correr atrás da bola. Ou melhor: vai correr sem a bola, preenchendo e diminuindo os espaços no campo defensivo, à espera da retomada, da transição entre defesa e ataque e da progressão em velocidade no espaçoso gramado ofensivo, já que a Espanha se adianta toda e deixa vazios generosos da sua intermediária para trás. É preciso igualmente ter competência para conseguir encaixar o tal do contra ataque, que pode ser raro em 90 minutos. Pode pintar um aqui, outro ali, e por isso é preciso alto nível de concentração para que ele seja bem sucedido. Ou seja: para que termine em gol. Também é preciso eficiência defensiva, pois de nada adianta fazer um e levar três, por exemplo. E é preciso também, por que não?, um pouco de sorte, afinal, trata-se de um jogo. Ah, e é preciso confiança, acreditar na vitória, pois se entrar em campo com espírito de derrotado, já era.

A Espanha de Xaviniesta e companhia é a favorita à Copa das Confederações? É. Por mais que tentem vender um falso favoritismo verde e amarelo, e por mais que, de fato, a seleção de Felipão tenha mostrado relativa evolução de uns jogos para cá, não se pode negar o domínio, o predomínio espanhol. Porém, como tentei explicar nesse post, é sim possível vencer a equipe treinada por Del Bosque. Basta, para isso, que essa conjunção de fatores aconteça. Convenhamos, não é fácil, tampouco provável. Mas não é impossível.

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quarta-feira, abril 10, 2013

Favoritos na Champions e na Copa

Coincidência? Não. Competência. Não à toa, Espanha e Alemanha são as favoritas à Copa do Mundo. Como disse Paul Breitner no Bola da Vez da ESPN Brasil, a força da liga nacional reflete no selecionado nacional, e os semifinalistas da Champions League mostram isso.



É verdade que no caso da Liga BBVA existe um gap imenso entre Barcelona e Real Madrid e os demais. Ainda assim, a base da Fúria é composta por atletas desses dois times. E o mesmo se aplica a Borussia Dortmund e Bayern de Munique, donos da espinha dorsal da seleção germânica.

Repito: não é coincidência. É fruto do belo trabalho realizado na Bundesliga e na Liga BBVA – sempre lembrando da diferença entre os colossos merengue e azulgrená dos demais no caso espanhol. Ainda assim, vale o exemplo.

Quer dizer que taça do mundo vai ficar com Espanha ou Alemanha? Não. Claro que não. Num torneio de mata-mata, tudo pode acontecer. Trata-se de futebol. Contudo é inegável que as equipes de Del Bosque e Löw irão pousar no Brasil com banca de favoritos. Além, claro, da Argentina, especialmente por causa de Lionel Messi. Lembre-se, entretanto: a Argentina não é apenas Messi. Se encontrou e entrosou nas Eliminatórias, e conta com outros nomes como Agüero, Higuaín, Di María e etc.

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terça-feira, março 26, 2013

Milhas de vantagem

Deve dar raiva jogar contra a Espanha. Passar a maior parte do tempo correndo atrás deles para tentar roubar a bola, e na maior parte das vezes não ter sucesso. E depois de assistir a muita troca de passes pacientes - que tira a paciência de muita gente - eles vão lá e abrem o placar. Esse panorama só é possível, esse domínio só é viável, porque há muita qualidade técnica, entrosamento e consciência tática no elenco espanhol. E porque há experiência de sobra.

Nesta terça-feira, em Paris, a França foi a vítima da vez.



O plantel também, mas em especial o onze inicial rojo tem muitos quilômetros rodados. Casillas, Piqué, Ramos, Busquets, Alonso, Xavi, Iniesta, Pedro, Villa... Esses caras são os atuais campeões do mundo e da Europa. Não têm medo de cara feia. Não se intimidam nunca, independentemente de quem esteja do outro lado do campo. Pode ser a Argentina de Messi, a Alemanha de Özil, o Brasil de Neymar, a França de Ribéry... Não importa. Nos jogos grandes, a Fúria cresce.

A probabilidade da equipe titular ser essa em 2014 é tão alta quanto sua média de posse de bola. Uma mudança aqui, outra ali, mas em regra os titulares devem ser, no 4-3-3, Casillas; Arbeloa, Piqué, Ramos e Alba; Busquets, Xavi, Alonso; Pedro (ou Silva), Villa (ou Fàbregas) e Iniesta. Sem falar nos nomes do banco de reservas, como Javi García, Mata, Cazorla, Isco... Convenhamos, um time e um elenco de técnica refinada e experiência invejável, com sede de entrar para a história com um legítimo bicampeonato mundial. Quer queria ou não, a Espanha de Del Bosque é uma das favoritas à Copa do Mundo, ao lado de Argentina e Alemanha. Ou será que um pouco à frente?

PS: Veja aqui a prancheta de França 0-1 Espanha.

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domingo, julho 01, 2012

Fúria, a devoradora de títulos

Qual a receita do sucesso espanhol? Entrosamento, paciência e convicção na filosofia de jogo são alguns dos ingredientes. Além da qualidade técnica (sem ela nada é possível), o grupo campeão da Euro 2008, da Copa de 2010 e da Euro 2012 tem pelo menos três capítulos garantidos no livro das grandes seleções da história do futebol mundial.

Antes da competição, quando se discutia Torres, Llorente ou Negredo como centroavante, Del Bosque apostou em Fàbregas vestido de falso 9, e deu no que deu. Contrariando a preferência de maior parte torcida, inclusive a minha, o treinador manteve o camisa 10 entre os onze, e ele correspondeu as expectativas. Ou melhor: superou-as, pelo menos na decisão diante da Itália.



Neste domingo, no meio de campo, com as integrações de Silva e Iniesta pelo setor, a Fúria dominou a partida ao seu estilo de posse e toque com cinco homens no gramado ofensivo, noves fora a presença do falso 9 - sem falar no apoio dos laterais, em especial Alba, que deixou o dele na final após contra-ataque e assistência de Xavi, o pé pensante da equipe.

E o que falar do sistema defensivo? Quase 1000 minutos sem sofrer gols em mata-mata, graças não somente ao goleiro e à dupla de zaga, mas sim a todo time, que marca por pressão, rouba a bola e a mantém sob domínimo durante a maior parte do tempo (sem a bola o adversário não pode ameaçar). E a força do elenco? Torres e Mata saíram do banco e balançaram a rede na segunda etapa, decretando o 4 a 0 sobre os italianos (e ainda tem David Villa, que perdeu a Euro).

A sorte do Brasil e das demais seleções é que a Copa do Mundo não é amanhã. Porque se fosse, alguns degraus acima do resto, seria difícil tirar a taça da experiente papa-tudo Espanha.

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sexta-feira, outubro 07, 2011

O domínio dos campeões do mundo

Dois jogadores do Chelsea, um do City e o resto dividido entre Barcelona e Real Madrid. Essa foi a Espanha que visitou a República Tcheca, nesta sexta-feira, pelas Eliminatórias da Eurocopa 2012, e conquistou sua sétima vitória em sete jogos: 2 a 0 (Mata e Alonso).

Na teoria os canhotos Silva e Mata são os pontas. Na prática, porém, não atuam como tal. Os camisas 21 e 13 flutuam em demasia pelo corredor central, encostam nos meias, se aproximam um do outro e invertem de lado com relativa frequência. A mobilidade de ambos confunde o adversário e garante a manutenção da posse de bola.



O domínio da posse de bola, aliás, permite que Serio Ramos e Arbeloa avancem simultaneamente, o que não é muito comum no futebol contemporâneo. Isso é possível também graças à qualidade de Xavi e Alonso. Praticamente todas jogadas pelo meio passam pelos pés dos meias.

O domínio da posse de bola, todavia, não foi traduzido em finalizações no primeiro tempo. Apenas duas. Dois gols, é verdade. Mas apenas duas. No segundo, no entanto, esse número cresceu. Foram sete (duas no alvo, cinco fora). Os tchecos, na outra mão, em 90 minutos, arremataram somente duas vezes. As duas para fora.

Para registro, desde os 11 da etapa final, a Espanha jogou com um homem a mais. E no 4-2-3-1, com Puyol (na vaga de Ramos) ao lado de Piqué na zaga, Albiol na lateral direita, Arbeloa na esquerda, Javi Martínez (Alonso) e Busquets de volantes, Xavi por dentro, Mata na direita, Villa (Torres) na esquerda e Silva na frente, em função de sua movimentação, não como referência, mas como "falso 9".

Líderes do Grupo I, Del Bosque e seus comandados chegam a 21 pontos em 21 disputados - seguidos por República Tcheca (10 pontos), Escócia (8), Lituânia (5) e Liechtenstein (4).

Se a Eurocopa fosse amanhã, o favorito teria nome e apelido. E mais: se a Copa do Mundo do Brasil fosse amanhã, o favorito atenderia pelo mesmo nome: Espanha.

segunda-feira, julho 12, 2010

Meu voto é de Villa

Até certa altura do campeonato, para mim o grande jogador do Uruguai era Luisito Suárez. Contudo, com o passar das rodadas, Diego Forlán assumiu esse posto indubitavelmente.

A Bola de Ouro está em bons pés. Todavida meu voto é de David Villa. Apesar de não ter decidido na decisão, o camisa 7 da Fúria foi, na minha opinião, o maior jogador da Copa.



É verdade que na semi e na final ele não brilhou como em outras partidas. Mas sem ele, a Espanha jamais teria chegado tão longe, em especial por causa de suas atuações na fase de grupo, nas oitavas e nas quartas.

A Bola de Ouro está em bons pés, não há dúvida. Forlán jogou demais. Porém meu voto para melhor atleta do Mundial da África do Sul é de David Villa.

Título espanhol: merecido e incontestável

Venceu o melhor futebol. Individual e coletivo. É verdade que coletivamente a Alemanha foi o grande destaque da Copa. No entanto quando se deparou com a Espanha na semifinal, foi engolida. Portanto, a meu ver, o coletivo espanhol foi, no mínimo, tão bom quanto o alemão.



Já no quesito individual, a Fúria foi superior a todo mundo. O melhor elenco da Copa foi o montado por Del Bosque. Nenhuma seleção tinha tanto talento individual quanto a campeã. Talvez quem pudesse chegar perto era a Argentina, que foi atropelada pelo coletivo germânico nas quartas.

Logo, me parece óbvio que o melhor futebol venceu na África do Sul. O grupo mais talentoso, entrosado e eficiente levantou o troféu. O grupo que vem jogando o melhor futebol do planeta há uns três anos, sem jamais abdicar de seu estilo de jogo, se consagrou nos gramados sul-africanos. Título tão incontestável quanto merecido.

sexta-feira, julho 09, 2010

Favoritos a Craque da Copa

É regra: o Bola de Ouro é sempre o destaque maior da seleção campeã. Portanto o título de melhor jogador da Copa do Mundo não vai sair de Xavi, Iniesta, Villa, Sneijder ou Robben.



Para mim os favoritos são Espanha e Villa. A não ser que Xavi ou Iniesta faça uma partida extraordinária, e o camisa 7 um jogo bem abaixo da média, o prêmio não deve sair do recém-contratado do Barcelona. E, claro, a não ser que dê Holanda.

Pelo lado Laranja, a campanha de Sneijder obviamente está muito à frente da de Robben. Além de ser o maestro da equipe, somado aquele primeiro gol contra o Brasil (que na minha interpretação é contra de Felipe Melo), o 10 holandês tem 5 gols, mesmo número do outro artilheiro do torneio: Villa.

quarta-feira, julho 07, 2010

O esquema da Fúria

Del Bosque repetiu o 4-2-3-1, desta vez com Pedro e Iniesta pelas beiradas e Villa na referência do ataque. O jogo diante da Alemanha talvez não sirva como parâmetro, devido ao posicionamento defensivo alemão. No entanto em outras jornadas, quando atuou na ponta esquerda, o camisa 7 rendeu mais.



A diferença de características entre Pedro e Iniesta causa um desequilíbrio sadio à Fúria. Enquanto o 6 gosta de flutuar pelo corredor central para armar as jogadas, o 18 faz as vezes de ponteiro de ofício (embora ambos trocassem de lado eventualmente).

É possível que na final frente a Holanda o técnico espanhol volte com Torres entre os onze, abra Villa na esquerda e Iniesta na direita. Eu pelo menos faria isso.

terça-feira, junho 29, 2010

Não duvide de David

Passadas as oitavas de final, mantenho minha posição: David Villa é o maior jogador da Copa até aqui (ao lado de Messi). Com 4 gols, é um dos artilheiros do torneio. Diante de Portugal, decidiu de novo.



Aquela tese de que craque é aquele que decide, que faz a diferença, quando aplicada num campeonato de pontos corridos, se dilui. Mas num tiro curto, estilo Copa do Mundo, se escancara.

O camisa 7 foi o autor dos dois gols da vitória sobre Honduras, abriu o placar no 2 a 1 em cima do Chile e balançou a rede portuguesa nesta terça-feira. Só passou em branco na estreia frente a Suíça.

Para quem ainda tinha alguma dúvida sobre se ele é merecedor do título de craque (como eu, confesso), Villa mostrou ao mundo (e a mim), que além de ser brilhante tecnicamente, decide. Faz a diferença.

sexta-feira, junho 25, 2010

Futura dupla do Barça se destaca

Özil fez boas partidas. Forlán também. Mas para mim os dois maiores destaques individuais da fase de grupos são David Villa e Lionel Messi. Não necessariamente nesta ordem.



Apesar de ainda não ter balançado a rede, o gênio argentino foi o melhor jogador nos três jogos que a Alviceleste fez, a meu ver. Contra a Nigéria, foi parado por Enyeama. Contra Coreia do Sul e Grécia, parou na trave. É verdade que não foi o Messi do 4 a 1 sobre o Arsenal, mas conduziu o time às vitórias.

Já Villa é um dos goleadores do torneio com 3 gols, ao lado de Higuaín e Vittek. Além de mostrar seu faro de artilheiro nesse início, mostrou sua importância para a Espanha. Seja atuando como ponta-esquerda, seja jogando como centroavante, o camisa 7 tem decidido.

E pensar que eles vão jogar juntos na próxima temporada.

segunda-feira, junho 21, 2010

Tem dia que a bola entra

Todo time tem dificuldades para fazer seu jogo fluir diante de um adversário retrancado. Até o primeiro gol.

Para perfurar o bloqueio é preciso tentar de tudo: jogadas individuais, tabelinhas e enfiadas pelo corredor central, tiros de fora da área. É preciso também ter paciência, fazer a bola girar para que os membros das linhas defensivas se desloquem e os espaços apareçam. Depois do nascimento do primeiro gol, tudo fica mais fácil.



Tome Portugal como modelo. Só marcou aos 30 do primeiro tempo. No segundo a Coreia do Norte abriu as pernas e as oportunidades que surgiram foram convertidas. A Espanha, por exemplo, também criou inúmeras chances contra Honduras. Mas a bola não entrou, por falta de competência, por falta de sorte ou pura e simplesmente por se tratar de futebol. Acontece: tem dia que a bola entra, tem dia que não entra. E que o digam as seleções ibéricas sobre esta segunda-feira.

quarta-feira, junho 16, 2010

Sistema tático espanhol precisa mudar

O 4-2-3-1 da Espanha é pertinente. Alonso e Busquets compõem a dupla de volantes, Silva e Iniesta atuam pelas beiradas, com Xavi por dentro e Villa de centroavante. Contudo, na minha visão, Iniesta não é jogador de lado de campo.



Sei que Fernando Torres vem de uma temporada inconstante por problemas médicos. No entanto é impensável um time sem ele e Villa na frente, por razões óbvias: são craques, exímios finalizadores, cheios de recursos técnicos. Sabem jogar dentro e fora da área.

Se Del Bosque concordar, a estrutura tática deverá ser alterada para o 4-4-2. A dúvida fica no meio-campo: em linha, quadrado ou losango? Ou quem sabe um 4-1-3-2?

Na minha opinião a melhor formação seria o 4-4-2 em quadrado, com dois volantes (Alonso e Busquets/Xavi), dois meias (Xavi/Fábregas e Iniesta) e dois atacantes (Torres e Villa). Resta saber se este esquema está treinado.

segunda-feira, maio 31, 2010

Os homens da bola parada

Não sei ao certo quem são os batedores ditos oficiais das seleções. Nem mesmo a lista abaixo com os principais nomes (sem Alemanha) é 100% segura.

Mas, em tese, a Seleção está a alguns passos atrás das demais, pelo menos nos lances de tiro direto da entrada da área (se Daniel Alves estiver no banco, diga-se).



Argentina: Verón, Messi; Brasil: Elano, Michel Bastos; Espanha: Xavi, Fabregas; França: Gourcuff, Henry; Holanda: Sneijder, Van Persie; Inglaterra: Gerrard, Lampard; Itália: Pirlo, De Rossi; Portugal: Deco, Cristiano Ronaldo.

Em tempos de Zico borbulhando no noticiário, a reclamação por Ronaldinho, no sentido da cobrança de falta, tem fundamento.

quarta-feira, março 03, 2010

França x Espanha: 4-3-3 x 4-5-1?

Confesso que fico confuso. Quando um time atua com dois meio-campistas defensivos, um articulador centralizado, dois homens abertos pelas beiradas e um centroavante, trata-se de um 4-5-1 (4-2-3-1) ou de um 4-3-3 com meio-campo em triângulo (dois volantes e um meia)?

No amistoso desta quarta-feira entre França e Espanha, creio que esta dúvida foi mais sanada que aguçada: a diferença, a meu ver, está na função atribuída aos jogadores dos cantos do campo.

Na França, por exemplo, Henry e Ribéry cumprem o papel de pontas de ofício. Seus movimentos basicamente se restringem a entrar em diagonal ou buscar a linha de fundo.



Já na Espanha, Iniesta e Silva aparecem por dentro em demasia, afunilam o jogo com maior frequência, raramente avançam até o último terço do gramado para cruzar (jogada que cabe aos laterais).

Pelo menos foi com esta impressão que fiquei. Foi o que pude notar.



Mas se por um acaso, ou por uma determinação, os camisas 6 e 21 buscassem menos a faixa central e mais a linha de fundo, ou entrassem mais em diagonal, em direção à área, o sistema seria classificado como um 4-3-3?

Imagino que sim, embora, como admito no início do texto, sigo sem chegar a uma conclusão definitiva (e é evidente que estou aqui para aprender, e toda ajuda é bem-vinda).

A distinção é pequena, porém existe.

Só para registro, na segunda etapa Del Bosque colocou Fernando Torres no lugar de Villa, Xavi no de Fábregas e Albiol no de Puyol - com a mesma planificação tática.