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terça-feira, março 10, 2015

Um ano depois, a ficha cai

No dia 21 de fevereiro de 2014 publiquei um post intitulado "É hora de repensar Ganso" (confira aqui na íntegra). Um ano depois, Muricy Ramalho comentou a possibilidade de jogar (ou não) com Ganso mais recuado, como segundo volante (leia aqui). Comentário esse que foi citado por Casagrande no Bem, Amigos! da última segunda, quando ele chegou a comparar Ganso com Pirlo (veja no vídeo abaixo).

Comparação, aliás, que já havia sido feita no próprio Bem, Amigos!, naquele episódio histórico, quando Seedorf deu um banho de água fria na pachecada (relembre aqui). O que mais me chamou a atenção naquela ocasião, todavia, não foi o choque de sinceridade que o holandês deu nos outros membros do programa, mas sim estas aspas, que naturalmente ganharam pouco destaque na imprensa ignorante em tática: "Se ele (Ganso) vai jogar como armador, na frente da defesa, aí tá tudo legal." No post "É hora de repensar Ganso", citei elas em negrito.



Somente agora, um ano depois, depois de cegamente ter dado tanto murro em ponta de faca, Muricy percebe que Ganso não é o camisa 10 que entra na área que ele tanto reclamava. Por sinal, como destacou Dassler Marques no Twitter, são "terríveis para PH Ganso os quase quatro anos de carreira com Muricy. Não evoluiu absolutamente nada como jogador. 2015 dele é ridículo". De fato. Não diria que são quase quatro anos jogados fora, mas sem dúvida são quase quatro anos de pouquíssima evolução - graças a ele, tudo bem, mas muito graças ao treinador, sim, senhor.

Que Casagrande tenha se dado conta dessa possibilidade somente agora, não me surpreendo. Não o considero um bom comentarista (como pessoa, baseado na biografia Casagrande e Seus Demônios, o admiro). Que a ficha tenha caído somente agora no orelhão de Muricy, contudo, não admito. Até porque ele ganha muita grana para ocupar o cargo que ocupa, sem entregar um produto final à altura (o conceito de custo-benefício não existe no Brasil). E você que me acompanha pela Internet, em especial pelo Twitter, sabe que quando o assunto é Paulo Henrique Ganso, eu fico bem à vontade para falar.

PS: No vídeo acima Casagrande diz que Pirlo joga como segundo volante, porém nós sabemos que, há anos, ele joga à frente da zaga, como primeiro volante ou cabeça de área (prefiro chamar de cabeça de área). É assim no 4-4-2 em losango da Juventus de Allegri, que tem Marchisio e Pogba como carrileros e Vidal espetado, mais próximo da dupla de ataque. E era assim nos tempos de Conte (3-5-2) e nos tempos de Milan de Allegri, Leonardo e Ancelotti. Sem falar na seleção italiana.

quinta-feira, dezembro 11, 2014

O craque incompreendido

"Se Ganso não é craque, redefinam o conceito."

"Se você acha que Ganso não é acima da média, só te digo uma coisa: refaça as contas."

"Só eu acho que Ganso está milhões de vezes mais para volante do que para winger?"

"Ganso é jogador de faixa central, que entra pouco na área. Ponto."

"A vida é muita curta para não testar Ganso como volante."

"Ganso funciona como volante num time bem treinado, de posse e passe. Num time de chutão e correria, ligação direta e etc, não."

"Uma coisa é Ganso ser volante num time espalhado, latifúndios entre os três setores. Outra é num time compactado, sincronizado, bem treinado."

"São Paulo classificado à Libertadores 2015. Agora chega de insistir com Ganso pela beirada, né, Muricy?"

Tem este aqui também. E este aqui.

São tweets recentes sobre o meio-campista do São Paulo. Há tantos outros mais para trás, mas não consegui encontrá-los. Em sua maioria, elogiando-o. Ou "cobrando" sua ida à Europa para ontem (tipo aqui e aqui). E por aí vai.

Você que me segue no Twitter, então, sabe da minha admiração pelo futebol de Paulo Henrique Ganso. E o vídeo abaixo ajuda a explicá-la.



PS: Este post aqui reforça minha tese sobre Ganso volante.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

É hora de repensar Ganso

"Camisa 10 tem que entrar na área!"

Quantas vezes você ouviu Muricy Ramalho bater nessa tecla? Pois é. Sempre que o assunto é Paulo Henrique Ganso, o treinador do São Paulo - desde os tempos de Santos, diga-se - solta a frase feita: "Camisa 10 tem que entrar na área!"

Concordo com Muricy. O chamado camisa 10 tem de entrar na área. Se você joga com dois pontas, o cara mais próximo do centroavante pela faixa central é o chamado camisa 10. Por essas e outras ele precisa entrar na área, precisa finalizar, precisa fazer gol.

Ganso, porém, não é esse camisa 10. Está mais para, como dizem na Itália, regista do que para trequartista. Pode soar estranho, mas num 4-4-2 em losango, por exemplo, talvez a posição mais indicada para Ganso fosse à frente da zaga, e não atrás dos atacantes. Para a função que executa com maestria (a armação), Ganso precisa de gente se movimentando na frente dele, de companheiros dando opção para seus preciosos passes - os esperados e inesperados.



Às vezes penso, e chego a ter a pretensão de ter certeza de que, se jogasse na Europa, Ganso seria escalado mais atrás. Como tuitou Rogerio Jovaneli, Seedorf deu a dica naquele Bem, Amigos! clássico (relembre aqui). Quando Pirlo foi citado por Galvão Bueno, o holandês disse, se referindo ao jogador do São Paulo: "Se ele vai jogar como armador, na frente da defesa, aí tudo legal." Quem sou eu para discordar del Professore, né?

No caso de Ganso, “camisa 10 tem que entrar na área!” talvez é murro em ponta de faca (e sei que isso é difícil de entrar na nossa cabeça). É verdade que em 2010 ele jogava por dentro da linha de três, à frente de Arouca e Wesley, entre Robinho e Neymar, atrás de André. Mas aquele time tinha Neymar, não pode ser parâmetro. Com Neymar no time até Zé Love virou craque (juro, ouvi comentarista usar esse termo na época). E outra: aquela fase esplendorosa foi antes do rompimento do ligamento cruzado anterior. Ponderação feita, o fato é que, na sua função, na armação das jogadas, Ganso, esse sim, é craque. No entanto seu posicionamento em campo, avançado, pode estar cortando suas asinhas.

PS: Em 80 partidas pelo Tricolor, Ganso marcou 5 gols.

quinta-feira, julho 18, 2013

Momento nostalgia

Nessa época, Ganso fazia mais sucesso que Neymar.



Será que nunca mais será o mesmo?

quinta-feira, abril 18, 2013

Ganso vale a pena

Se foi o melhor em campo ou não, não importa. Porém, que Ganso jogou bem contra o Galo, nesta quarta-feira, jogou. Não só pelo belo passe para Osvaldo que antecedeu o gol de Ademilson, mas também pelo primeiro tempo. Na verdade, para mim, o primeiro tempo dele foi melhor que o segundo. Contudo não podemos nos prender apenas a essa partida, e sim tentarmos ampliar o potencial do camisa 8 para toda temporada e para os próximos anos.



Quem me acompanha pelo blog, pelo Twitter e pelo Facebook sabe que sou fã do futebol de Paulo Henrique Ganso. Defendo-o com unhas e dentes, desde o não tão longínquo ano de 2010, passando pelo pós-cirurgia em 2011, pela fase conturbada em 2012, e agora pela retomada em 2013. Estamos falando de apenas quatro temporadas, e de um atleta de 23 anos. Não é mais um menino, mas também não se trata de um veterano, tem uns 8, 9, 10 anos em alto nível pela frente. E justamente por isso, tende a evoluir.

Com a bola no pé, conhecemos seu talento. Visão de jogo, velocidade de raciocínio e técnica refinada. Qualidades raras. Falta a ele, no entanto, com a bola, infiltrar-se mais na área e finalizar com mais frequência. Fora isso, um craque peculiar com a bola no pé. Sem ela, todavia, falta a ele - e está até virando clichê - ser mais participativo, se movimentar mais, preencher os espaços e dar o bote no adversário. Correr mais e olhar menos, algo que se aprende com o tempo. O mais difícil, o talento, ele já tem. Só falta um pouco de raça, de inquietação, de insatisfação com o erro e com a derrota - coisas que se adquirem com o tempo, ao contrário do talento, que você nasce com. Ou não.

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sexta-feira, março 15, 2013

O ovo ou a galinha?

Paulo Henrique Ganso não tem uma sequência como titular porque tem jogado mal, ou tem jogado mal porque não tem uma sequência como titular? Não sou muito fã desses dilemas. Mas como sou fã assumido de seu futebol, fico com a segundo opção, pois sem sequência não há confiança.



Na verdade, a meu ver, Ganso não joga mal quando entra. Não chega a ser o craque de 2010, porém não joga mal. O problema é que entra sempre no segundo tempo, ou quando começa entre o onze, começa com o "time B", sem os melhores ao seu lado.

A campanha na Libertadores indica que a má fase do São Paulo não tem nada a ver com a presença do camisa 8 na equipe. A suposta crise não passa pela eventual mudança da estrutura tática, nem pelo eventual reposicionamento de outros altetas, para que ele se encaixe. Uma das provas disso é que, mesmo com Ganso e Cañete - dois meias - à disposição, Ney Franco foi no 3-5-2 contra o Arsenal, nesta quinta (2 a 1 para os argentinos).

Só para não passar em branco, em relação à formação "ideal", relembro essa prancheta, com Wellington, Jadson e Ganso na meia cancha, e Cañete (ou Aloísio) na ponta direita. Para mim, essa é a alternativa mais pertinente ao Tricolor.

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sábado, setembro 15, 2012

Possível São Paulo Henrique Ganso

4-2-3-1. Eis o esquema tático adotado pelo técnico Ney Franco no São Paulo. E, penso eu, mesmo com a chegada de Paulo Henrique Ganso, a estrutura deve ser mantida.

Se assim for, é provável que Jadson seja deslocado à ponta esquerda, para que o ex-santista se encaixe no seu habitat natural: a faixa central. Dessa forma, em tese, o camisa 10, destro, tenderá a cortar para dentro para ajudar Ganso na criação das jogadas - sem abdicar, no entanto, de se infiltrar na área.



Quanto ao resto da equipe, não há muito mistério. Wellington e Denilson devem compor a dupla de volantes, se revezando no avanço à frente. E Lucas deve continuar na dele (a ponta direita), com Luis Fabiano na referência e a linha de quatro formada por Douglas, Tolói, Rhodolfo e Cortez.

Acredito que futebol seja como andar de bicicleta. Não se esquece. A confiança, porém, pode ir e voltar. É o caso de Ganso. Para mim, craque, que atravessa por um período ruim devido a problemas extra-campo, mas que vai reencontrar a bola de 2010 e ser aplaudido por quem hoje o enterra. Repito: craque.

E outra: não tenho dúvida que o São Paulo vai, num futuro próximo, vender o meia por três, quatro vezes mais do que pagou.

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sexta-feira, agosto 31, 2012

São Paulo deveria tentar Neymar

É papel do treinador participar da composição do elenco. É ele quem, em tese, deve dar o veredicto sobre contratações de jogadores. Na prática, porém, pelo menos no Brasil, não é assim. Muitas vezes o técnico chega no meio da temporada e tem de se adaptar ao plantel, e não o contrário.

É o caso de Ney Franco. Chegou ao São Paulo no meio do ano, encontrou dificuldades dentro de campo nas primeiras semanas, mas hoje engata uma série de vitórias e pontos somados que aproximam o Tricolor do G4. E o mais importante: com o time jogando bem.

Embora muitas pessoas não deem bola à questão tática, a escolha do esquema tem sim a ver com a formação do elenco, com a contratação de atletas para serem encaixados na estrutura tática que o treinador utiliza. No caso do São Paulo, é o 4-2-3-1. E algumas vagas, entre elas a do meia, já estão preenchidas. Por essas e outras o clube do Morumbi não precisa de Ganso. Ou melhor: não "precisa".



Após várias temporadas atrás de um 10 (desde a saída de Danilo, talvez), o São Paulo finalmente encontrou um. Jadson vem sendo um dos principais atletas da equipe, não só por suas assistências e gols, mas também pela experiência, pela maneira de distribuir o jogo, de se comportar no gramado, etc. Enfim, é o meia que o Tricolor tanto procurava. Por isso não "precisa" de Ganso.

Claro que Ganso é bem-vindo em qualquer lugar. Apesar da fase que atravessa, é craque, e não desaprendeu a jogar. Repito: craque. Vai dar a volta por cima e ser elogiado por quem hoje o critica. No entanto, taticamente, as necessidades são-paulinas para essa função são bem atendidas por Jadson.

No 4-2-3-1 de Ney Franco, se Ganso vier, Jadson deve ser deslocado à ponta esquerda. Destro, tem qualidade e velocidade para se adaptar à beirada. Com Lucas na dele, à direita da linha de três, Ganso atuaria pela faixa central, e Luis Fabiano, na referência, iria sair na cara do gol a todo instante. Poderia dar certo. Teria tudo para dar certo. Porém é importante entender que a carência do elenco não é por um meia. Se tem uma posição que é preciso reforçar é a ponta esquerda (Maicon tem jogado por ali, e Osvaldo entrado no segundo tempo). De meia o São Paulo está servido. Falta ao time um ponta-esquerda. Por isso Juvenal Juvêncio e cia deveriam desistir de Ganso e tentar... Neymar!

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segunda-feira, julho 23, 2012

Talento para inglês ver

Um é especulação, outro é informação, e o outro é fato consumado. Oscar vai assinar com o Chelsea na sexta-feira, está em todos os sites. Alex Ferguson admite interesse do Manchester United em Lucas mas nega acordo. E Ganso, ele mesmo, é cotado na rota do Arsenal.

A oferta pelo são-paulino seria de € 33 milhões. A pelo colorado gira em torno de € 32 milhões. E a pelo santista (esse mais no campo do especulação do que qualquer outra coisa) poderia chegar a € 30 milhões.

Insisto: a única transação aparentemente concretizada é a de Oscar. Lucas e, mais ainda Ganso, não têm, em princípio, nada solidificado. Contudo, caso as três transferências se confirmem, a Premier League seria mais verde e amarela do que nunca (não sei se em quantidade de atletas, mas com certeza em talento).



Entre eles, talvez quem poderia ter mais dificuldades de se adaptar ao futebol inglês seria Paulo Henrique Ganso. Como disse Oscar em entrevista coletiva nesta semana, "Eu não digo que sou o camisa 10 clássico, mas um moderno. Hoje você tem que marcar, não pode parar de correr um minuto." Convenhamos, Ganso não se destaca pela sua participação sem a bola. No entanto ele pode, e deve, mudar.

Claro que é muito prematuro projetar as equipes, primeiro porque as trocas entre os clubes não foram feitas ou sequer cogitadas (Ganso, por exemplo), e segundo porque os elencos não estão fechados, a janela europeia só se fecha no final de agosto. Mas só para não perder o gancho, no habitual 4-2-3-1 de Arsène Wenger, o camisa 10 do Peixe entraria na dele, a faixa central, entre os ponteiros Walcott e Arshavin (ou Rosicky).

Já o 7 do São Paulo ocuparia, ou melhor, brigaria pela vaga do flanco direito do provável, ou possível, 4-4-1-1 do United 2012/2013. Com Rooney na referência e Kagawa mais atrás, Lucas teria tudo para ser o right-winger, com Nani ou Young (e Valencia?) na outra beirada, e Carrick e Scholes (Giggs, Anderson?) por dentro. Ferguson pode também jogar no 4-4-2 com Rooney e Welbeck/Chicharito no setor ofensvio, mas indepentende disso, a disputa do brasileiro seria pela extrema direita, com totais condições de sucesso.

Quanto a Oscar, o único que sabemos estar de fato indo para o Chelsea, Di Matteo deve escalá-lo, caso seja titular (tem bola para isso), assim como Ganso no Arsenal, pela faixa central do 4-2-3-1 azul. Se Mikel e Lampard forem mesmo os volantes, a exemplo da temporada passada, a alternativa mais previsível é Ramires na direita, Mata na esquerda e Torres na frente. Todavia há Hazard, 21 anos, grande reforço vindo do Lille. São, portanto, em tese, três vagas para quatro ou cinco candidatos.

Reconhecida pela maioria da crônica esportiva como o principal campeonato nacional do planeta, a Premier League podeira ficar ainda mais atrativa, ao menos para nós brasileiros, com as chegadas das principais joias do nosso futebol (depois de Neymar). Obviamente o Brasil (o país) iria perder com isso. Em contrapartida o Brasil (a seleção) iria ganhar, além dos próprios jogadores e suas naturais evoluções.

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domingo, abril 15, 2012

Ganso, o Messi dos três pontos

Em abril de 2010, o goleiro do Guarani evitou a cesta.



Um mês antes, o do Monte Azul não conseguiu. Chuá!



Agora foi a vez do arqueiro do Catanduvense.



Se Messi nos mal acostumou aos gols de cobertura dentro da área, Ganso pode fazer o mesmo com seus arremessos de três pontos.

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segunda-feira, março 05, 2012

A volta do que não foi

Reconheço que às vezes eu também caio na armadilha, mas tento evitá-la ao máximo. Refiro-me a análises imediatistas aplicadas ao futebol, seja para o lado do bem, na hora de elogiar, seja para o lado do mal, na hora de criticar.

Enterrado por muitos em função de uma fase ruim, aos poucos Ganso vai retomando o caminho da glória e do reconhecimento. Em função de uma fase ruim, parte dos torcedores e da imprensa chutaram Ganso para escanteio, mas a volta por cima vai acontecer antes do esperado.



Vamos relembrar: o camisa 10 foi lançado entre os profissionais em 2009, salvo engano por Vagner Mancini - a exemplo de Neymar. Ainda em 2009, passou pelas mãos de Luxemburgo, sem chegar perto do destaque que iria obter na temporada seguinte, a de transição entre promessa e realidade.

A afirmação veio em 2010. Naquele time treinado por Dorival Júnior, campeão do Paulistão e da Copa do Brasil, Ganso foi o maestro daquela equipe que jogava no 4-2-3-1, com Arouca e Wesley de volantes, Neymar e Robinho nas pontas, e André de centroavante. Apesar da diferença de característica, de posição e de função, à época alguns colocavam Ganso acima do próprio Neymar - entre eles, admito, eu também.

Eis que em agosto daquele ano, pelo Brasileiro, diante do Grêmio, no Olímpico, Paulo Henrique rompeu o ligamento do joelho, passou por cirurgia e ficou afastado por aproximadamente seis meses. E voltou somente em 2011, quando foi crucificado por parte da mídia e da torcida.

Mas vamos relembrar: além de voltar de uma cirurgia compliacada, e de se machucar novamente, dessa vez com menos seriedade, Ganso atrevessava por um impasse em relação a seu passe. Divergências entre diretoria santista e procuradores do atleta, problemas em relação à renovação do contrato e outras coisas extra-campo desaguaram no gramado e comprometeram o rendimento do jogador.

Agora em 2012, porém, pelo menos nesse início de semestre, se ainda não foi genial como em 2010, Ganso já mostrou que, obviamente, não desaprendeu a jogar bola. Ao que parece, após um sombrio 2011, 2012 é o ano da reafirmação, da ressurreição - se é que um dia seu futebol chegou a morrer.

A notícia é boa não só para o Santos de Muricy Ramalho, mas também para a Seleção de Mano Menezes e para os clubes grandes da Europa que têm interesse no meia.

sexta-feira, abril 22, 2011

Data: agosto. Destino: Milão

O próprio já admitiu: "Meu futuro é na Itália." O meia, porém, diz ainda não saber se vai para a Inter ou para o Milan.



Propostas e salários à parte, segundo enquete realizada aqui no blog, o melhor destino para Ganso é o time rubronegro, resultado com o qual eu concordo.

No clube de Berlusconi, onde atualmente Boateng é o último homem do meio-campo (até outro dia era Robinho), o santista seria titular absoluto, enquanto no rival, Sneijder ocupa a posição.

Não que Ganso jogue menos que o holandês. Pelo contrário. Para mim, joga muito mais. No entanto, devido ao histórico do nerazzurri, talvez a titularidade não viria da noite pro dia.

Em contrapartida, no entanto, como citou Arthur Nonnig, nesta coluna, no Goal.com, a pressão seria maior no Rossonero, onde o camisa 10 protagonizaria a reformulação do elenco (que, aliás, carece de bons laterais e conta com vários veteranos).

Contudo, na minha opinião, com a categoria que lhe caracteriza, Paulo Henrique tiraria isso de letra, porque tem bola para tal.

Não sei de você, mas se dependesse de mim (e de Mano Menezes, certamente), Ganso deveria desfilar pelos gramados da Bota trajado de vermelho e preto, portanto. O que deve ocorrer, independente da cor que irá defender, a partir de agosto.

quarta-feira, março 23, 2011

Como seria o Real Madrid com Ganso

É. Parece que Ganso vai mesmo alçar voos mais altos já na próxima janela. Segundo os jornais esportivos, a Inter de Milão é o único clube a manifestar real interesse no jogador. Eu, porém, gostaria de vê-lo com a camisa do Madrid.

O 10 da Vila iria cair como uma luva no 4-2-3-1 de José Mourinho. Seria o pé pensante do time, à frente dos volantes e entre os pontas Cristiano Ronaldo e Di María.



Mas seria difícil tirar Özil da equipe. Ele vem jogando muito bem. Quem acabaria pagando o pato, imagino, seria Di María. Em outras oportunidades, aliás, o argentino ficou no banco e o alemão na banda direita (veja aqui).

Assim sendo, Di María e Özil disputariam a ponta direita, enquanto a meia central e a ponta esquerda teriam donos absolutos: Ganso e Cristiano Ronaldo.

E quanto a Kaká? Bem. Se eu fosse dirigente merengue já teria mexido os pauzinhos para vendê-lo (provavelmente por algo na casa dos 40 milhões de euros), e com o dinheiro, comprar a joia santista.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Ronaldinho e Neymar devem pintar

Ganso e Neymar são titulares absolutos até 2014, a não ser que ocorra o milagre de aparecer dois jogadores melhores que eles neste período.

Contra os EUA, ambos jogaram. Para os treinamentos em Barcelona, apenas 'estrangeiros' foram chamados. Diante do Irã e da Ucrânia, um não foi convocado por causa de contusão, o outro por confusão.

Baixada a poeira, Neymar deve pintar na lista para enfrentar a Argentina por dois motivos: primeiro porque é o dono da 11, e segundo, para ganhar experiência. Já Ganso, só em 2011.

Desde a perda de Ganso, aliás, Mano testou primeiro Carlos Eduardo na posição do camisa 10, contra o Irã, depois Elias, contra a Ucrânia.

Outros meias poderiam ser considerados, como Bruno César e Douglas. No entanto, para o amistoso do dia 17, e somente para o amistoso do dia 17, tô apostando em Ronaldinho.

Primeiro porque ele tem condições técnicas para exercer a função de articulador central no 4-2-3-1 verde-amarelo, e segundo porque ele impõe respeito em qualquer um, inclusive nos hermanos.

Quando voltar aos gramados, porém, acredito que Ganso reassume a 10 da Seleção, o barco segue sua rota normalmente, e Ronaldinho fica de fora dos planos de Mano.

quarta-feira, setembro 29, 2010

O melhor 'playmaker' está aqui

Após nove dias ausente, retorno ao blog pautado pela volta dos camisas 10 aos campos, graças ao Redação SporTV desta quarta, que citou esta reportagem de capa da Four Four Two. Não tenho a revista em mãos, mas aproveito o gancho para abordar o tema.

Em atividade no Brasil temos D'Alessandro, Douglas, Conca, Montillo, Valdivia e Bruno César. Não sei se outros nomes como Giuliano, Souza, Deco, Maicosuel, Carlos Alberto, Elias, Lucas e Diego Souza podem ser classificados 'camisas 10'. Podem?

Já nos gramados da Europa desfilam jogadores da estirpe de Sneijder, Xavi, Özil e Fábregas. Se você considerar estes '10', ainda tem Lampard, Gerrard, Kaká, Iniesta e Ronaldinho. Messi não conta, joga em qualquer posição, cumpre qualquer função. É gênio.

De volta ao lado de cá, existe outro 'playmaker' que, para mim, supera todos os lembrados neste post, em especial por sua técnica e sua inteligência tática: Paulo Henrique Ganso. Messi não conta.

É evidente que o craque da Vila não tem a estrada da maioria, tampouco enfrentou as potências do Velho Mundo. É óbvio também que posso me enganar redondamente. Porém não quero esperá-lo virar o destaque de uma campanha vitoriosa de Champions League para considerá-lo o melhor meia do planeta.

Na minha opinião camisa 10 da classe, da elegância e da categoria de Ganso hoje em dia não há.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Ganso e Kaká juntos?

Mano, quando Kaká estiver em forma e jogando bem ao ponto de voltar à Seleção, ele jogará em uma das beiradas, vai disputar vaga com Ganso ou o esquema será alterado?

Se tivesse oportunidade, faria esta pergunta ao treinador do Brasil.



Entendo que no 4-2-3-1, ou 4-3-3 em triângulo (dois volantes e um meia), Kaká e Ganso não têm espaço juntos. Escalar tanto um quanto outro pelos lados do campo seria um equívoco, porque nenhum dos dois têm características para esta posição. Vá lá, pode ser que Kaká se adapte a ela, no entanto penso que Neymar e Robinho (ou Nilmar, Carlos Eduardo, etc) encaixam por ali com perfeição.

Na disputa entre Ganso e Kaká, o 10 do Peixe leva vantagem porque é mais meia-armador que meia-atacante. Para a estratégia de Mano (manutenção da posse de bola), o garoto nascido no Pará é peça fundamental. É mais produtivo à equipe que o atleta do Real Madrid.

Portanto, a única opção para ter os dois ao mesmo tempo é a mudança do sistema do time, para o 4-4-2 em quadrado (dois volantes e dois meias), ou para o 4-3-3 em triângulo invertido (um volante e dois meias). Desta maneira eles jogariam lado a lado, e é óbvio que poderia dar certo. Todavida tenho minhas dúvidas se Mano faria isso (eu não faria), pois o próprio já deixou claro sua predileção pelo 4-2-3-1.

quinta-feira, maio 13, 2010

O meia dos ovos de ouro

Quantas vezes você viu Kaká colocar o companheiro na cara do gol como fez Ganso na partida desta quarta contra o Grêmio, no segundo e no terceiro gol do Santos?

Nem me refiro ao Kaká do Real Madrid. Puxe pela memória, lembre-se do Kaká do Milan ou o da Seleção. Não é regra. Não foram tantas. Ao menos, com menor frequência que o camisa 10 da Vila costuma fazer, correto?

Ganso joga mais que Kaká? Não sei. Prefiro não cravar que não, nem dizer que sim. Só sei que não tenho receio algum, de verdade, em fazer esta comparação. O fato concreto é que suas características são diferentes. Um é meia-armador, o outro é meia-atacante.

Na minha visão, craque que é craque vai bem contra o Monte Azul ou contra o Barcelona. Craque que é craque faz a diferença frente o Naviraiense ou diante do Chelsea. Para mim, Ganso pertence a este patamar, e só o tempo vai confirmar ou desmentir esta afirmação.

Kaká é mais jogador que Ganso? Não sei. Só sei que o meia santista está entre os cinco melhores da posição/função no mundo. Isso, claro, na minha opinião.

segunda-feira, maio 03, 2010

A flexibilidade de Ganso

Ganso tem chances de ser titular. Com a 7, não com a 10.

No 4-5-1 (4-2-3-1) da Seleção, o santista, na minha visão, ameaçaria mais Elano, Ramires e Daniel Alves, as opções para o lado direito da linha de três do meio-campo, do que Kaká, o meia central.

O esquema verde-amarelo pode ser considerado assimétrico porque os jogadores das beiradas, Robinho e Elano, têm características distintas: um é condutor de bola e o outro é passador. Esta é uma peculiaridade do time de Dunga e Jorginho. Ao contrário de boa parte das equipes que adotam essa estrutura tática, o Brasil não tem dois homens velozes pelas pontas. Apenas um.

Para cumprir este papel pelo lado destro, de lançador e de eventual terceiro volante, cobrindo as subidas de Maicon, Paulo Henrique, a meu ver, tem mais condições que Elano e Ramires (Daniel Alves já não sei).

Contudo, se essa hipótese tiver fundamento e se materializasse, Ganso seria escalado como no Mundial do Egito, quando particularmente discordei do treinador Rogério. A diferença é que Kaká representa mais para a Seleção principal, em todos os sentidos, do que Giuliano para a Sub-20.

O fato é que, se for convocado, o camisa 10 da Vila pode jogar em mais de uma posição e executar várias funções.

Camisa nota dez

Ganso me lembrou Denílson contra a Turquia em 2002. Apenas pelo fato de prender a bola no campo de ataque e fazer o tempo passar.



Não é exagero dizer que, contra o Santo André, Paulo Henrique levou o time nas costas. A assistência genial para o segundo gol de Neymar fica em segundo plano, perto do que ele fez no segundo tempo.

Apontar suas qualidades é chover no molhado. Não há dúvidas de que se trata do melhor camisa 10 do Brasil. E se você não considerar o Kaká um camisa 10, um meia clássico (muitos não consideram), pode-se afirmar, sem medo de errar, que Ganso é o melhor 10 brasileiro da atualidade, aqui e lá fora (talvez, superior a Alex).

quarta-feira, abril 14, 2010

Mestre de obras-primas

Como diria Parreira, o gol é só um detalhe.



Veja aqui outra cesta de Ganso. Não deu nem aro.