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quarta-feira, novembro 15, 2017

O grande erro de Tite

Dono do Bordeaux, Malcom é hoje o segundo melhor ponta brasileiro na Europa. Destaque do atual campeão francês, Fabinho é peça chave no meio campo do Monaco. Fundamental no Watford, Richarlison é considerado uma das melhores contratações da última janela da Premier League. Regista do Napoli de Sarri, Jorginho tem características que nenhum outro pivote do elenco tem. E David Neres está voando com a camisa do Ajax.

Esses são alguns nomes que Tite podia ter testado nos amistosos contra Japão e Inglaterra, agora em novembro. Se não todos eles, pelo menos uns três (Jorginho, Fabinho e Malcom, eu diria). Jorginho já era. Entrou em campo pela Itália contra a Suécia - foi o melhor jogador da partida, diga-se - e não pode mais vestir a amarelinha. Quanto a Fabinho, abrir mão de um cara versátil como ele numa Copa - joga em alto nível na do Daniel Alves, na do Casemiro e na do Paulinho - me parece burrice. E Malcom, como eu disse, é hoje o segundo melhor ponta do Brasil na Europa, só fica atrás de Neymar.

Esse foi um erro de Tite. Fato. Perdeu a oportunidade de testar novos atletas. Aparentemente ele fechou o grupo antes da hora. Insistir em Taison, Giuliano, Diego Souza e etc e ignorar/desconsiderar nomes como os citados é algo no mínimo questionável. No entanto, esse não foi e nem é o maior erro do treinador da Seleção. O maior erro do treinador da Seleção, o grande erro de Tite, não passa pela convocação geral, e sim pelo XI inicial, pela formação do chamado time titular.

Particularmente Ederson seria meu goleiro, e não Alisson. E, obviamente, Thiago Silva seria meu zagueiro, e não Miranda, não só porque Thiago Silva é mais zagueiro do que Miranda, mas também para aproveitar o entrosamento de PSG com Marquinhos. Dito isso, o verdadeiro vacilo de Tite está mais para a frente, na meia esquerda. Sim, me refiro a uma tecla que venho batendo no Twitter há mais de um ano: Coutinho precisa jogar na do Renato Augusto.



Coutinho precisa jogar na do Renato Augusto por vários motivos. Um deles é que, com Coutinho na do Renato Augusto, o meio campo fica mais criativo, pois na fase ofensiva a contribuição de Coutinho é infinitamente maior que a de Renato Augusto. Coutinho é mais dinâmico, mais associativo, tem mais passe, mais drible, mais arremate, mais aceleração, mais visão, mais tudo. Além disso, com Coutinho na do Renato Augusto, Neymar não precisa cair tanto por dentro para armar as jogadas, como aconteceu nesta terça, contra a Inglaterra (veja aqui o mapa de passes do 11tegen11). Com Coutinho na do Renato Augusto, na meia esquerda do 4-3-3, o principal atacante do Brasil não fica sobrecarregado e pode se dedicar mais à conclusão das jogadas (aliás, Tite está repetindo um erro que Felipão cometeu em 2014: é tudo no Neymar).

Outro detalhe: não é apenas o rendimento coletivo da equipe que sobe com Coutinho na do Renato Augusto, mas também o rendimento individual do próprio Coutinho, que, destro, tem na finalização de fora da área a partir da esquerda um de seus pontos fortes, algo que praticamente desaparece quando ele é escalado a partir da direita. Como costumo dizer, há quem chame Coutinho a partir da beirada direita de "ponta construtor", de "meia aberto". Já eu chamo de desperdício.

"Coutinho não tem o poder de marcação de Renato Augusto", alguns dirão. Pode até ser. Mas no fim das contas, botando tudo na balança, há mais prós do que contras nessa troca. Muito mais. Sem falar que, com essa troca, abre-se uma vaga na ponta direita, que pode ser ocupada por Willian ou por um canhoto como Douglas Costa ou Malcom. E ainda tem outro detalhe: com Coutinho na do Renato Augusto uma eventual variação para o 4-2-3-1 fica mais viável e eficiente, e sem precisar recorrer ao banco de reservas.

Enfim. Você que me segue no Twitter sabe que eu canto essa pedra há bastante tempo. Chego até a me tornar, eu sei, repetitivo e chato, de tanto que insisto nisso. Mas quando a coisa é óbvia e está na nossa cara, é difícil ficar calado. De qualquer forma, a boa notícia é que ainda há tempo para Tite cair na realidade e se dar conta de que, para enfrentar seleções da elite europeia, por exemplo, é preciso mais. O Brasil pode ser campeão na Rússia com Renato Augusto interior-esquerdo e Coutinho a partir da direita? Pode. Claro. Copa é Copa. São sete jogos. Tiro curto. Mas com Coutinho na do Renato Augusto, a probabilidade disso acontecer cresce.

quarta-feira, julho 23, 2014

Os craques da Copa 2014

Messi foi eleito o melhor pela FIFA.

Robben foi eleito o melhor pela maioria.

E James foi o artilheiro com 6 gols em 5 jogos.



Sem dúvida, os três grandes destaques individuais do torneio.

quinta-feira, julho 10, 2014

Uma final à altura da Copa

É mais difícil a Argentina passar pela Holanda do que pela Alemanha. Escrevi isso algumas vezes no Twitter, entre o 7 a 1 eterno, desde que o primeiro finalista foi definido, e a partida desta quarta-feira, na Arena Corinthians. Escrevi que era mais difícil a Argentina passar pela Holanda do que pela Alemanha porque o time treinado por Van Gaal é muito mais pragmático, burocrático, e se defende muito melhor.

Ou melhor, não sei se "se defende melhor" é a colocação correta, mas o fato é que a Holanda de Van Gaal oferece menos espaços ao adversário do que a Alemanha de Löw. No 3-5-2 holandês, algumas vezes com os alas alinhados aos zagueiros, o campo defensivo laranja está quase sempre preenchido, com os espaços estrategicamente ocupados, para que os craques da frente possam decidir. Deu certo ao longo da Copa do Mundo, porém não contra a Argentina.

A Alemanha, em contrapartida, não tem no ataque (setor) seu ponto forte, apesar de Müller. O diferencial alemão, como você sabe, é o meio campo. São os dois meio-campistas do Bayern (Schweinsteiger e Kroos), e o volante do Real Madrid (Khedira), que fazem o jogo acontecer. Quando eles saem para o jogo, a equipe toda avança, em bloco, para manter a compactação, e em função disso, oferecem espaços aos adversários. E quando o avanço em bloco não é bem feito (lembre-se, ninguém é perfeito), abrem-se espaços entre os setores. Ou seja, os espaços que não existiram diante da Holanda devem dar as caras na finalíssima, para a Argentina.

Sim, Messi não conseguiu jogar contra a Holanda. Aliás, ele ainda não se apresentou no padrão Messi nessa Copa. Foi decisivo em vários confrontos, tem quatro gols na competição, assistência, mas ainda não atuou no padrão Messi. Em especial contra a Holanda, o time que melhor sabia se defender na Copa, e o time que tinha De Jong. Claro, o duelo não foi apenas De Jong vs Messi. Sempre que Messi pensava em tocar na bola, De Jong já estava em cima, com no mínimo mais um na cobertura. A tarefa de De Jong era clara: parar Messi. E até certo ponto essa tarefa com cumprida. Projetando a final do Maracanã, no entanto, não vejo nenhum jogador alemão com o poder de marcação/destruição de De Jong. Em outras palavras, a Alemanha não tem um De Jong, a Alemanha não se defende como se defende o time de De Jong, não nega os espaços como o time de De Jong, e justamente por isso Messi e cia deverão ter mais espaços para atacar ou contra atacar.

Veja bem, não estou dizendo que a Holanda é mais time que a Alemanha. Não é isso. Coletivamente, a Alemanha tem mais time. Muito mais. É muito mais equilibrada entre seus setores. O que estou dizendo é que, ao contrário da Holanda, a Alemanha "deixa" o adversário jogar. Vai pra cima com o time todo, e consequentemente oferece espaços ao adversário. Portanto espero um jogaço aberto, lá e cá, com muitos gols (desde que os goleiros não fechem as porteiras), ou ao menos com várias chances criadas, ao contrário de Holanda 0-0 Argentina. E, convenhamos, a Copa das Copas merece uma final assim. Se essa expectativa vai se confirmar ou não, só saberemos no domingo, a partir das 16h.

domingo, julho 06, 2014

Hora de tirar as cartas da manga

Na Copa das Confederações o Brasil jogou no 4-2-3-1, com Luiz Gustavo e Paulinho volantes, Hulk na ponta direita, Neymar na ponta esquerda e Oscar por dentro, atrás de Fred. Já na Copa do Mundo, Felipão optou por Oscar fechando um das beiradas sem a bola, para deixar Neymar solto para decidir. Para mim, como você sabe (escrevi sobre isso), esse "sacrifício" do meia do Chelsea - um jogador coletivo, que faz o time jogar, em nome da capacidade de decisão de Neymar - nunca valeu a pena, e evidentemente não é agora, sem Neymar, que vai valer.



Felipão não tem motivo para escalar Oscar pela beirada agora. Ainda mais porque Willian, o provável herdeiro da vaga de Neymar no XI (da vaga, não necessariamente da posição), é um ponta-esquerda nato. Lembre-se, Willian foi ponta-esquerda durante seus vários anos de Shakhtar, e só não joga na ponta esquerda no seu clube atual porque no seu clube atual tem um tal de Hazard. Portanto, se Felipão pensa em jogar no 4-2-3-1, não há motivos para não escalar Oscar por dentro e Willian à esquerda (em especial Oscar por dentro). Não vou ficar surpreso, contudo, se Scolari colocar, sei lá, o canhoto Hulk à esquerda, para duelar com Lahm, Willian por dentro, e Oscar à direita.

Quem decide é o técnico, claro. Mas só para deixar clara minha opinião, eu iria no 4-2-3-1, com Oscar pela faixa central e Willian aberto na esquerda, além de Luiz Gustavo e Fernandinho volantes, e na ponta direita... Bernard.

E Hulk, Carlão? Iria com Hulk falso nove, e deixaria Fred na reserva. Pelo seguinte: acredito que a Alemanha terá mais posse de bola, e que o contra ataque pode ser uma arma fundamental do Brasil. E, convenhamos, com todo respeito, na hora do contra ataque Fred mais atrapalha do que ajuda. Ah, tem uma coisa. Hulk não sabe jogar de costas para o gol. É verdade. Justamente por isso falo em "falso nove". O atacante do Zenit não jogaria ali para fazer o pivô, mas sim para ser peça importante na hora de contra golpear.

Não menos importante seria Bernard. Pelo seguinte: com Willian na ponta esquerda, Oscar na faixa central do 4-2-3-1, e Hulk improvisado como falso nove, sobraria a ponta direita, região do campo onde atua Höwedes, o lento e pesado zagueiro alemão improvisado na lateral esquerda. Como a linha de zaga alemã joga adiantada, e Höwedes sobe sim ao ataque (sem perigo, mas sobe), a velocidade às suas costas deve ser uma jogada explorada pelo Brasil. E uma vez que nessa hipótese Hulk seria o centroavante, Oscar o meia-central e Willian o ponta-esquerda, restariam no elenco "apenas" dois nomes indicados para jogar pelo flanco direito: Ramires e Bernard. E uma vez que Bernard é mais ofensivo que Ramires, e que Höwedes não assusta tanto no ataque, creio que Bernard seria o nome mais indicado para explorar os espaços às costas do lateral-esquerdo da Alemanha.

Enfim. Eu escolheria esse time (veja aqui). Dessa forma, Luiz Gustavo bateria de frente com Kroos, Fernandinho com Khedira, e Oscar com Schweinsteiger. Isso se Löw repetisse a meiuca que enfrentou a França, nas quartas (veja aqui). Como disse, entretanto, mesmo sem Neymar, não vou me surpreender se Felipão seguir "sacrificando" Oscar. Desde o começo da Copa está nítido para mim que sua visão de futebol é diferente da minha. Mas é óbvio que a minha visão de futebol não importa nesse caso, o que importa é a visão de quem está no comando, e esse alguém é Luiz Felipe Scolari. E obviamente ele tomará as decisões que julga serem as melhores para o Brasil.

Aliás, mais do que nunca o trabalho de Felipão será posto à prova, pois o cara que decide sozinho não está mais lá. Mais do que nunca o time terá de se apresentar como time na essência da palavra, terá de ser mais coletivo e menos dependente de um jogador. Mais do que nunca, é a hora do famoso dedo do treinador. Resta-nos aguardar para ver quais cartas ele tem na manga.

quinta-feira, julho 03, 2014

Pré-jogo de França vs Alemanha

Neuer não é louco. Na partida diante da Argélia, pelas oitavas de final, ele não atuou praticamente como líbero só para sair bem na foto. Suas saídas do gol, providenciais, diga-se de passagem, se fizeram necessárias, uma vez que a lenta e pesada zaga alemã jogou bastante adiantada, lá em cima, para que o time ficasse compactado. Contra os argelinos, deu certo. Contra os franceses, pode significar a eliminação.

Na minha visão, Löw faz uma cópia mal feita do Bayern de Guardiola e da Espanha de Del Bosque. Já escrevi sobre isso, inclusive (leia aqui). Mas o que mais me incomoda, confesso, não é nem a cópia na cara dura. O que mais me incomoda não é nem a presença de Lahm no meio campo. O que mais me incomoda, eu acho, não é nem a opção por dois zagueiros de ofício nas laterais. O erro maior de Joachim, a meu ver, está na escolha de meias nas pontas. Repare na diferença: os dois pontas da Alemanha são meias (Özil e Götze); já os pontas da França são pontas (Valbuena e Griezmann).



A jogada francesa, convenhamos, está mais do que anunciada: Valbuena e Griezmann puxando os contra ataques, com espaços siderais às costas dos laterais alemães. Como o time alemão valoriza a posse de bola e joga lá em cima, inevitavelmente seu campo defensivo fica vazio, apenas com Neuer fazendo aquele papel de líbero, digamos assim. Logo, na velocidade, é muito provável que os ponteiros da França ganhem praticamente todas da lenta e pesada linha de defesa da Alemanha. E se Neuer não estiver na ponta dos cascos como esteve contra a Argélia, vai catar cavaco, vai ficar a ver navios.

Da Alemanha, não se pode dizer o mesmo. Não se pode esperar essa velocidade toda. Uma vez que seus pontas são meias de ofício, o jogo tende a ser concentrado pela faixa central, ainda mais quando seus laterais têm dificuldade para chegar à linha de fundo. Veja bem, não que Boateng e Höwedes sejam proibidos de chegar à linha do fundo. Não são. Imagino que não são. Porém é inegável que essa não é a praia deles. Em contrapartida, é verdade, a equipe treinada por Löw deve ter a superioridade numérica no meio campo, pois Götze e Özil naturalmente se aproximam por ali. Contudo, não tenho dúvida de que Deschamps preparou seu time para anular a troca de passes alemã, ou ao menos neutralizá-la. Ou seja, é provável que o trio Cabaye, Pogba e Matuidi mais marque do que ataque (sem abdicar das escapadas de Matuidi, claro).

Segundo meu palpite, você sabe, passa a França, justamente pelos fatores apontados nesse post. Mas como você sabe também, futebol é futebol, e no mata-mata qualquer um pode matar, qualquer um pode morrer. Só para deixar claro, não acho que a França seja essa favoritaça toda. Não é isso. Porém, a julgar pelas teimosias de Löw (se Schürrle for titular, por exemplo, a história muda um pouco), e pelo desempenho francês diante da Nigéria, em especial no segundo tempo, com Griezmann na vaga de Giroud, acredito que a França tenha sim um ligeiro favoritismo. Se será confirmado ou não, saberemos nesta sexta, quando a bola rolar no Maracanã, a partir das 13h.

segunda-feira, junho 30, 2014

Ainda há tempo para mexer no time

Que Löw se inspira no Bayern de Guardiola e na Espanha de Del Bosque, parece-me evidente. A cópia está sendo mal feita, é verdade, mas me parece claro que ela de fato existe. A própria movimentação de Neuer, em especial na partida contra a Argélia, nesta segunda-feira, e a presença de Lahm no meio campo, desde o começo do torneio, indicam isso. Como você sabe, é assim que funciona no time treinado por Pep. E é assim que funciona (quer dizer, não funcionou) na equipe espanhola, não no que diz respeito a lateral "improvisado" no meio ou à função do goleiro, mas sim em relação aos meias de ofício nas pontas (Silva e Iniesta na Roja, Özil e Götze na Alemanha).



Quando se joga com dois meias de ofício nas duas pontas, a tendência é a centralização do jogo, a valorização da posse da bola, a troca de passes, e a carência de infiltrações e finalizações, em contrapartida. Em outras palavras, o time fica pouco vertical e pouco aberto. No 4-3-3 (4-1-4-1) de Joachim Löw, os jogadores das extremas são o canhoto Özil (à direita) e o destro Götze (à esquerda). Ah. Justiça seja feita. O dono da ponta esquerda se machucou e perdeu a Copa (Reus). Tem isso. Ainda assim, há no elenco outras opções mais pertinentes para ocupar as beiradas, ou pelo menos uma delas - embora Löw insista num XI inicial com muitos meio-campistas para poucos atacantes (o mesmo problema da Espanha). Schürrle, Podolski ou Draxler, a meu ver, poderia solucionar essa questão.

Outra questão que me parece inexplicável é a obsessão de Löw por dois zagueiros de ofício nas laterais. Não bastasse escalar dois meias na pontas, ele escala dois zagueiros nas laterais. Confesso que tento entender, mas não consigo. Ou melhor, consigo em partes, pois só vejo um argumento a favor dessa escolha: a bola parada, a jogada aérea, defensiva e ofensiva. Portanto a pergunta a ser feita é: vale a pena? Vale a pena jogar com laterais lentos, pesados e sem tanta qualidade técnica, em prol da força aérea e da suposta segurança lá atrás? Não creio. Para não perder a comparação com o Bayern de Guardiola, lembre-se que no clube bávaro os laterais são intensamente acionados (Rafinha e Alaba), e correspondem muito bem, obrigado (lá tem abertura de jogo).

Veja bem, só para deixar claro, não sou contra a ideia de Lahm na meia cancha. Na verdade não morro de amores, mas também não sou totalmente contra. Só entendo que com dois laterais que na real são zagueiros, e dois pontas que na verdade são meias, Löw complica a vida da Alemanha. Pelo menos um dos dois laterais, e um dos dois pontas, têm que ser do ramo. Agora resta saber se Löw se manterá fiel às suas questionáveis convicções, ou se mudará o time para o confronto das quartas de final diante da França, no Maracanã, dia 4, sexta-feira, às 13h.

A Seleção não tem obrigação de vencer

Após Mano ter sido apunhalado pelas costas pelo cara que manda na CBF, em sua primeira entrevista coletiva no comando da Seleção, em novembro de 2012, Felipão assumiu a responsabilidade: "Nós temos obrigação sim de ganhar o título em casa." Na verdade, dividiu-a com os jogadores, uma vez que treinador não entra em campo.

Já em março desse ano, depois da vitoriosa porém não inquestionável campanha feita na Copa das Confederações, Parreira disse: "Nós somos, entre aspas, o país do futebol que perdeu a primeira Copa em casa e tem a obrigação de ganhar a segunda em casa. Isso nos dá responsabilidade muito grande, mas não está nos atingindo."

Em maio, dois meses depois, às vésperas da estreia da Copa do Mundo, o auxiliar técnico do Brasil apareceu com essa pérola: "O que aprendi em seis ou sete Copas? Que ganhar fora do campo é o mais importante, e não é fácil. Envolve parte operacional, logística, planejamento, relacionamento com torcedores, imprensa, ambiente de trabalho. E isso nós já conseguimos, portanto já estamos com uma mão na taça."

Agora fica mais fácil entender por que os atletas brasileiros estão à flor da pele, não?



Quando você para para analisar o discurso dos comandantes dessa árdua missão, você compreende por que boa parte dos jogadores da Seleção está emocionalmente um caco. Não quero entrar aqui na discussão sobre se o choro em si, antes, durante e depois dos jogos, é benéfico, maléfico ou insignificante (na minha visão é maléfico, mas como disse, não quero entrar nessa discussão). No entanto está mais do que evidente que o elenco não está sabendo lidar com a pressão, não? E se o elenco não está sabendo lidar com a pressão, não está muito em função do discurso de seus comandantes.

"Libertadores é obrigação!" Quantas vezes você já viu essa faixa estendida por torcedores de clubes brasileiros? Muitas, independente do clube. Vez ou outra alguns torcedores, que têm todo o direito de expressarem suas opiniões e seus pontos de vista, decretam que os jogadores do time para o qual eles torcem têm "obrigação" de vencer determinada competição. Ou seja, a partir do momento em que você acredita que seu time tem obrigação de vencer tal competição, você automaticamente desrespeita e menospreza todos os outros participantes dessa competição. Mas tudo bem. Da torcida não espero racionalidade e inteligência emocional. Já da comissão técnica de uma equipe que disputa uma Copa do Mundo, espero.

Espero, por sinal, que Felipão e Parreira tenham lido o livro do Bernardinho - Transformando Suor em Ouro. (Na verdade não devem ter lido, senão não teriam feito o que fizeram nem o que estão fazendo.) Uma das frases desse livro que mais me marcou, entre tantas outras, fala sobre isso: você não tem a obrigação de ser campeão; você tem a obrigação de fazer o seu melhor. É mais ou menos por aí. Ninguém tem obrigação de ganhar nada, mas todos têm obrigação de dar o seu máximo. A preparação é o que interessa, o resto é consequência. Ao aceitar o discurso "temos obrigação de vencer a Copa em casa", contudo, o técnico da Seleção aumenta ainda mais a pressão sobre os jogadores, que já era enorme. Resultado: a maioria deles está emocionalmente na TPM, sensível, imprevisível, sem saber lidar com a situação.

Veja bem, não sou daqueles que acha que o lado emocional é o maior responsável pelo desempenho ruim do Brasil na Copa até aqui. Inclusive penso que só se discute esse assunto - de maneira superficial, o que é pior - e se ignora, talvez por falta de capacidade, outros "xises" da questão, como a parte tática, por exemplo. Aliás, quando Carlos Alberto Parreira opina que "ganhar fora do campo é o mais importante", ele minimiza o campo e bola e revela a fragilidade tática, o baixo entendimento, da comissão técnica do Brasil nesse quesito crucial. (Esse post, entretanto, tem como foco o lado emocional da coisa, e não o tático, que já foi por mim abordado aqui e aqui.)

Enfim. Se psicologicamente alguns jogadores estão na capa da gaita, ou ao menos muito instáveis, mais frágeis, pode ter certeza de que a aceitação do discurso "temos obrigação de vencer a Copa em casa" por parte de quem comanda, e o posicionamento na linha "Copa se ganha fora do campo, já estamos com uma mão na taça", têm um peso gigante nisso. Tanto Felipão quanto Parreira têm sim culpa pelo turbulento momento que atravessa a seleção brasileira, não necessariamente pelo que estão fazendo agora, mas em especial pelo que fizeram antes, pelas posições que tomaram. Em outras palavras, eles não foram capazes de blindar o grupo. Muito pelo contrário.

sábado, junho 28, 2014

Felipão erra ao quadrado

Se você conhecer outro, por favor, me conte. Mas até onde sei, só existe um argumento mais ou menos convincente a favor de Oscar numa das beiradas: deixar Neymar "livre". Em vez de escalar o ponta-esquerda nato Neymar na ponta esquerda, o que naturalmente iria exigir dele a marcação ao lateral-direito (como acontece no Barcelona, por exemplo), Felipão o escala solto, para circular atrás do centroavante e por onde ele bem entender, enquanto o "trabalho sujo" de marcar o lateral adversário fica a cargo de Oscar (contra o Chile, assim como diante da Croácia, Oscar atuou à direita e Hulk à esquerda - sendo que, com a bola, o canhoto Hulk rende mais pela direita).



Há quem goste desse argumento, especialmente no nosso país. Há quem diga que o craque do time não precisa marcar ninguém. Há quem pense que o craque do time precisa estar descansado para poder decidir quando a bola chegar nele. Há quem acredite que a individualidade pode ser mais decisiva do que a coletividade. Claro. Cada caso é um caso. Eu, no entanto, no caso brasileiro, discordo com veemência, por dois motivos (um de ordem tática e outro de ordem emocional). Em outras palavras, uma escolha mal feita por parte do treinador acarreta em dois erros.

Em primeiro lugar, a razão crucial: ao "sacrificar" Oscar numa das beiradas, Felipão mata o meio de campo. O setor mais importante do jogo de futebol, o meio de campo, no caso da seleção brasileira, praticamente inexiste porque o principal meio-campista da equipe é escalado pelo flanco. Ao optar por Oscar pela beirada (para que Neymar não precise marcar o lateral e fique livre para decidir), a meia cancha carece de aproximação, carece de criação, carece de troca de passes, etc. Ao optar por Oscar pela beirada (para que Neymar não precise marcar o lateral), o segundo volante fica isolado pela faixa central, e essa região do gramado, tão vital, é oferecida de bandeja ao oponente. Esse é o motivo tático.

O segundo motivo é simbólico. Pois, ao optar por um esquema para deixar o camisa 10 livre, leve e solto, Felipão nas entrelinhas diz: estou preparando o terreno para que o cara do time decida. Ou seja, o já pressionado Neymar (22 anos), por tudo o que representa, por se tratar de uma Copa no Brasil, fica ainda mais pressionado. É evidente, o time vai sempre depender do craque do time. É evidente que a Argentina depende de Messi, que o Brasil depende de Neymar, e assim por diante. Mas, ao optar por Oscar pela beirada, além de matar o meio campo verde e amarelo, Luiz Felipe Scolari aumenta ainda mais essa dependência, e põe mais peso ainda sobre os ombros do já pressionado Neymar, como quem diz: eles estão correndo por você, agora vá lá e resolva.

sexta-feira, junho 27, 2014

Por que dois jogos seria justo

"Vamos jogar a punição absurdamente lá em cima, assim ninguém vai reclamar que o tiramos da Copa."

Me parece que esse foi o raciocínio dos caras da FIFA. Quem achava que um jogo estaria de bom tamanho para Suárez, ao ver a punição de 9 jogos, mais 4 meses, pensou: "Hm, acredito que eu estava sendo bonzinho demais com Luisito". O comentário do PVC, por exemplo, foi mais ou menos nessa linha (ele usou a palavra "brando").

É justamente esse tipo de pensamento coletivo que a FIFA pretendia, na minha visão.



Tirando os uruguaios, hoje pouquíssimas pessoas entendem como absurdo terem o tirado da Copa. Graças à severa punição da FIFA, quem defendia um ou dois jogos de suspensão para Suárez, hoje já tem outra opinião: "É. Tá certo. Viajei. Um ou dois jogos seria pouco mesmo." Não, meu caro, quero te dizer que não viajaste. É justamente esse tipo de pensamento que a FIFA pretendia pôr na cabeça da opinião púlbica. E pelo visto, claro, eles conseguiram.

Outro argumento a favor de Suárez (a favor no sentido de ir contra a pena que foi dada, não no sentido de achar que ele não merecia punição alguma) é a questão da proporcionalidade. Muito ouvi conversas do tipo: "Se ele foi suspenso por 10 jogos na mordida anterior, dessa vez o castigo deve ser, no mínimo, semelhante." Pela mordida que deu em Ivanovic, o atleta do Liverpool pegou um gancho de 10 partidas (as quatro últimas da temporada 2012/13 e as seis primeiras da temporada 2013/14). Dez jogos num campeonato de pontos corridos, que possui 38 rodadas, representam 26% do torneio. Na Copa do Mundo, onde na melhor das hipóteses você faz 7 jogos, 26% do torneio representam 1.82 (arredondando para cima, 2 jogos).

Não sei se ficou clara minha conta, mas estou tentando tratar a questão pela proporcionalidade das coisas. Se um dos argumentos foi baseado na punição anterior, na quantidade de jogos pela mordida em Ivanovic, esqueceu-se da proporção dos certames. É mais ou menos isso, 10 jogos num campeonato de pontos corridos se equivalem a 2 jogos numa Copa do Mundo. Mas, em vez de pegar 2 jogos de gancho, não: Suárez pegou 9 (eliminado), além de 4 meses, sem falar que foi praticamente criminalizado por uma das instituições mais suspeitas do planeta (que a FIFA não tem moral para julgar ninguém, não tem, mas essa é outra discussão).

Enfim. Desde a mordida em Chiellini, na minha interpretação dos fatos, Luis Suárez merecia um jogo, merecia perder a partida das oitavas. Depois que fiz minhas contas em relação à punição anterior, okay, cheguei à conclusão de que dois jogos (1.82) estariam de bom tamanho (oitavas e possíveis quartas). E por mais que surjam opiniões de todos os lados e todos os gostos, entre leigos e ditos especialistas, mantenho-me com a minha: o mais justo seria dois jogos. De qualquer forma, inocentes somos nós que pensamos que a justiça é cega, e que essas decisões são tomadas imparcialmente, visando apenas o moral e o bom exemplo, ignorando interesses de terceiros (sem falar na má fé de quem julga).

quinta-feira, junho 26, 2014

Seleção da fase de grupos da Copa

Com dor no coração, deixei Cuadrado, James, Alexis e Müller de fora.



A corneta é livre.

terça-feira, junho 24, 2014

À sombra do astro do time

Coitado do Cavani. Quero dizer. Coitado nada. Ele ganha e muito bem para fazer o que faz. Mas, convenhamos, coitado dele. Tanto no PSG quanto no Uruguai, ele joga fora de posição. Centroavante de ofício, camisa 9 nato, matador raro, de técnica, habilidade e força física, tanto no clube quanto na seleção Edinson é deslocado, por causa de Ibrahimovic e Suárez. Ou melhor, por causa de seus respectivos treinadores, que julgam essas as melhores escolhas (discordo do primeiro caso e até concordo com o segundo).



No 4-3-3 do Paris Saint-Germain, Cavani joga na ponta direita (confira aqui na prancheta). Particularmente acho que caberia um 4-4-2 em linha no time francês, com Ibrahimovic e Cavani revezando-se nas funções do ataque, mas essa é outra discussão, merece um post à parte. O fato é que, mesmo fora de posição, em regra na ponta direita do 4-3-3 de Laurent Blanc, ele marcou 25 gols em 44 jogos na temporada 2013/14 (veja esse vídeo). Já na temporada anterior, pelo Napoli, jogando como centroavante que é, Cavani fez 38 gols em 43 partidas (veja esse vídeo). O uruguaio já expressou publicamente sua insatisfação em atuar fora de sua posição, inclusive. Como disse, porém, ele ganha e muito para acatar as ordens do técnico.

Diante da Itália, na terceira rodada do Grupo da Morte, em Natal, nesta terça-feira, Cavani foi de novo "sacrificado" - o que não é novidade -, dessa vez não pela beirada do campo, mas sim pela faixa central. No 3-6-1 adotado por Tabárez, sem a bola ele marcou Pirlo, para que Suárez fosse o último homem (confira aqui na pranheta). O curioso é que, no Liverpool, quando Rodgers opta pelo 4-1-4-1, geralmente Suárez fecha o lado do campo e Sturridge é o nove (veja aqui). Nos Reds, Suárez é o "sacrificado", enquanto na Celeste, Cavani se "sacrifica" por ele (é verdade que Luisito vem de cirurgia, contudo isso acontece mesmo em condições normais de temperatura e pressão). De qualquer forma, mesmo fora de sua praia, tanto no PSG quanto na seleção, são admiráveis a obediência e o comprometimento do camisa 21 uruguaio com o coletivo, à sombra da estrela da companhia.

segunda-feira, junho 23, 2014

Antes tarde do que nunca

Em tempo, às vésperas de enfrentar o Chile nas oitavas da Copa, pinta uma mudança no time: Paulinho finalmente sai. Com todo respeito, vinha sendo escalado pelo que fez, não pelo que faz, e isso pode fazer a diferença num torneio desses.

Na enquete aqui do blog, sobre essa possível mexida, aliás, a maioria votou em Hernanes - eu votei em Ramires (sabemos de nada!). Nem um, nem outro. Quem herda a vaga do volante do Tottenham, como você sabe, é o volante do Manchester City, que entrou no segundo tempo da partida contra Camarões e mudou a cara da equipe.



De fato, Fernandinho é um misto de Hernanes e Ramires, digamos assim. Entre os quatro volantes do elenco, talvez seja o mais completo. Consegue aliar passe (Hernanes) e condução (Ramires, Paulinho). Sabe se infiltrar e sabe distribuir. Sabe acelerar e sabe cadenciar. Sabe aparecer lá na frente e sabe preencher aqui atrás. Sabe também finalizar, sabe marcar gol... Enfim. No fim das contas, sábia foi a decisão de Felipão de mexer. Decisão tomada com atraso, é verdade, mas como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

sábado, junho 21, 2014

Daqui pra frente vai ser diferente

É fisicamente impossível atacar sem se expor. A partir do momento em que um time vai para cima do outro, inevitavelmente surgem espaços às suas costas. Se o time que avança com a bola sobe a linha de defesa e ataca compactado, abrem-se espaços às costas dos zagueiros. Se o time que avança segura os defensores lá atrás, abrem-se espaços entre os setores. Ou seja, é impossível atacar sem se expor (é uma via de mão dupla, toma lá dá cá, acontece dos dois lados).

Quando tuitei, durante a partida deste sábado, no Mineirão, que era bom para a Argentina que o Irã "gostasse do jogo", obviamente sabia do risco que era ter o Irã mais próximo da área argentina. Não menos óbvio, no entanto, seriam os espaços que iriam começar a surgir. E, convenhamos, até então os iranianos estavam muito bem retrancados (mérito deles, diga-se). Dentro das propostas de cada um, aliás, a equipe treinada por Queiroz foi superior à treinada por Sabella, que não soube encontrar o caminho do gol em meio a tantos caras de vermelho.



Virou até um clichê de uns tempos para cá (na verdade esse clichê deve existir desde sempre), quando falamos da Seleção, afirmar que "o Brasil tem dificuldades de enfrentar adversários que se fecham lá atrás", que com espaços a Seleção consegue mostrar seu futebol. Ora! Todo time do mundo gosta de jogar com espaços. Todas seleções do planeta preferem atacar com espaços. É mais fácil com espaços, ainda mais quando se tem atletas velozes e habilidosos. E com a Argentina não é diferente. Pelo contrário. Mas nem sempre isso é possível, pois dependendo da estratégia do oponente, serão dez jogadores atrás da linha da bola, compactadíssimos, preenchendo os espaços. Uma vez que o adversário começa a sair para o jogo, contudo, os espaços inevitavelmente aparecem, assim como a possibilidade da transição rápida, do contra ataque. É aí que aparece um Robben, um Neymar, um Messi, um Di María, um Agüero...

Claro. A Argentina jogou mal contra o Irã. Sem dúvida. Não fosse o golaço de Messi no minuto final, o vexame estaria consumado. Como disse, dentro da proposta de cada um, o Irã foi melhor que a Argentina, levou mais perigo ao gol adversário do que o contrário, graças também à eficiência dos iranianos no papel defensivo, sem a bola, à aplicação tática dos jogadores e etc. Daqui pra frente, entretanto, imagino que os argentinos não irão pegar nenhuma equipe tão retrancada assim (sem tirar os méritos de quem a executou; a chamada retranca é legítima e até certo ponto admirável). Daqui pra frente, entretanto, é provável que a Argentina enfrente times que batam de frente com ela desde o minuto inicial, que saiam mais para o jogo desde o seu início, e que consequentemente deixam espaços para os contra golpes. E no contra golpe, devido aos jogadores que possui, convenhamos, a Argentina é letal.

quinta-feira, junho 19, 2014

Lamouchi mata Touré e Bony

Sou fã do 4-4-2 em linha. É o esquema tático mais charmoso e eficiente da história do futebol. Reconheço, no entanto, que ele se tornou praticamente impraticável a ferro e fogo, por uma questão matemática. Como a maioria dos times utiliza três jogadores no miolo do meio campo, a inferioridade numérica se torna inevitável. Por isso, para evitar esse dois contra três no setor mais importante do gramado, um dos atacantes do 4-2-2 em linha precisa marcar o primeiro homem da meia cancha adversária, o que configura o dito 4-4-1-1.

No caso da Costa do Marfim, o 4-2-3-1 é adotado, sendo que muitas vezes, sem a bola, os wingers se alinham aos volantes, e o meia-central circula por trás do centroavante (ou seja, variação para o 4-4-1-1). A distribuição dos jogadores é pertinente. Porém, a meu ver, as peças escolhidas pelo treinador são equivocadas. Em especial porque Yaya Touré joga atrás de Bony, quando na verdade o mundo todo sabe que o melhor volante do mundo na atualidade rende mais quando vem de trás. No Manchester City, por exemplo, em sua melhor temporada na carreira, ele formou a dupla com Fernandinho (esse mais recuado) ou Javi García.



O problema de se ter Touré avançado é que os volantes marfinenses são limitadíssimos com ela nos pés. Não se espera de Tioté e Die construções de jogadas, apenas destruições. Logo, Yaya precisa voltar para buscar a bola, e Bony fica totalmente isolado, distante do resto da equipe, já que Gervinho e Gradel atuam bem abertos, e que o cara que deveria encostar nele precisa se afastar para buscar o jogo mais atrás. No fim das contas, são dois erros em um, pois tanto Yaya quanto Bony pagam o pato.

Qual a solução? Na minha visão, Didier Drogba.

Pelo seguinte: com Drogba em campo, na vaga de um dos volantes, Touré voltaria a sua praia, ao lado de Tioté ou Serey Die, vindo de trás, como gosta, onde rende mais, enquanto Bony teria a companhia de Drogba. No mesmo 4-4-1-1, diga-se, Drogba jogaria atrás do centroavante, sem a bola marcando o primeiro volante adversário, e com ela trabalhando próximo a Bony (confira aqui nessa prancheta). Dessa maneira o latifúndio que existe entre os setores de meio e ataque desapareceria. E o próprio Touré teria mais opções quando dominasse a bola, levantasse a cabeça e olhasse pra frente. Teria à frente dois caras fortes e técnicos, infernizando a vida dos zagueiros. Hoje, todavia, quando domina, levanta a cabeça e olha pra frente, Touré vê apenas um dos dois, a milhas de distância.

Enfim. Não acho que necessariamente seja o caso Drogba e Bony titulares, nesse 4-4-1-1, com Touré volante, pela faixa central da linha de quatro do meio campo. Não acho nenhum absurdo que eles comecem juntos também. Mas ao menos no segundo tempo, Sabri Lamouchi poderia arriscar, né, uma vez que nas duas partidas anteriores (Japão e Colômbia) ele sacou justamente Bony para pôr Drogba.

Ah, e tem outra: além do benefício tático e técnico que essa mudança traria ao time, o poder de fogo, o poder de finalização, o cheiro de gol, aumentaria significativamente. Vamos ver qual vai ser. Após a derrota por 2 a 1 para a Colômbia, nesta quinta-feira, em Brasília, a Costa do Marfim fecha a fase de grupos contra a Grécia, dia 24, em Fortaleza.

Sai Paulinho, entra Hernanes?

"Se for para Paulinho sair do time titular na próxima rodada, qual a melhor opção para entrar?" Segundo o resultado da enquete do blog, com 46% dos votos, Hernanes. Ele foi o eleito para entrar na vaga do volante do Tottenham, na partida contra a já eliminada seleção camaronesa, segunda, em Brasília. Ramires e Fernandinho ficaram empatados com 25%, e a alternativa "outro" obteve 4%.



O voto é secreto, mas faço questão de abri-lo. Votei em Ramires.

Por mais que o miolo do meio campo do Brasil esteja carecendo de posse e passe (talvez seja o grande defeito do time na Copa), e por mais que Ramires seja um infiltrador nato, e não um passador, confesso que votei nele. Porque penso que o volante do Chelsea é um dos melhores na função de flecha, de infiltração, de aceleração vertical, e isso é uma arma letal contra qualquer um (Paulinho também é bom nisso, mas está mal tecnicamente).

Mas e o passe no meio campo, Carlão? Não é esse o problema da Seleção na Copa? Bom. Tem isso. É verdade. Como disse, o grande defeito da equipe verde e amarela na competição é a meia cancha, é a falta de qualidade no passe e a falta de aproximação no setor mais essencial de todos. Sim, nesse caso, faria mais sentido Hernanes. Esse problema, no entanto, poderia ser simplesmente resolvido se Felipão escalasse Oscar na faixa central.

Luiz Felipe Scolari, aliás, tem em mãos um dos melhores meias-centrais do mundo, porém o escala pela beirada. Vai entender. E quem paga o pato com esse erro são os outros centro-campistas, em especial o isolado segundo volante, já que Luiz Gustavo atua mais colado na linha dos zagueiros do que qualquer outra coisa. Ou seja, no fim das contas, se Oscar continuar pelos flancos, acho que não há Ramires, nem Fernandinho ou Hernanes que resolva (o que, claro, não isenta Paulinho de suas fracas exibições contra Croácia e México).

terça-feira, junho 17, 2014

Mexer ou não mexer, eis a questão

Nesta terça-feira, contra o México, no Castelão, Oscar começou o jogo pelo corredor esquerdo, ainda no primeiro tempo inverteu com Ramires e passou para o direito, e na segunda etapa atuou pela faixa central.

Aí te pergunto: será mesmo que isso ajuda? Será mesmo que é benéfico à equipe? Porque às vezes me pergunto até que ponto essa troca de posições é positiva. Ou melhor: me pergunto até que ponto ela é negativa. Pois vejo mais pontos negativos do que positivos nessas mexidas constantes no posicionamento dos jogadores, em especial de Oscar e Neymar, os dois grandes craques do elenco verde e amarelo.

Muitos dizem que isso, essa mudança, "confunde a marcação adversária", opinião da qual eu discordo com força. O que confunde a marcação do adversário é a movimentação pertinente dos jogadores com a bola. Já sem ela, como tem acontecido com a Seleção, na minha visão não adianta nada. Ou melhor: confunde os próprios brasileiros, já que ela impede a repetição, e sem repetição não há entrosamento.

Perguntei, inclusive, durante a partida, no Twitter: "Se Oscar rende mais por dentro e Neymar por fora, por que escalar Oscar por fora e Neymar por dentro?" Juro que não entendo. E discordo quando argumentam, em favor de Neymar pela faixa central, que "o craque do time tem que ter liberdade para criar". Quero dizer. Na verdade, concordo em partes. Desde que a origem do camisa 10 seja a ponta esquerda, porque partindo dali, com a bola dominada, ele entra infernalmente na diagonal.

Falando em camisa 10, aliás, o verdadeiro camisa 10 do Brasil, o único meia de ofício no plantel brasileiro, chama-se Oscar. Não espero de Luiz Gustavo e Paulinho (jogadores do corredor central), por exemplo, aquele passe vertical, aquela enfiada. Do Oscar, em contrapartida, espero. Jogando pela beirada, contudo, fica difícil isso acontecer.

Enfim. Como costumo dizer, o craque se adapta (tanto é que Oscar foi bem demais contra a Croácia, mesmo atuando pelo lado do campo). Mas sem dúvida, pelo menos na minha cabeça, o rendimento individual e coletivo da equipe seria melhor com Oscar por dentro e Neymar por fora, com cada um na sua praia, com cada um no seu quadrado.

Dito isso, registrada minha queixa, reconheço que no momento a prioridade não é essa questão do reposicionamento desses atletas. No momento, na minha interpretação, e creio que na de várias pessoas, o primeiro passo para o encaixe é a saída de Paulinho do XI (tem sido escalado pelo que fez, não pelo que faz). A pergunta é: Felipão concorda? Eu, honestamente, acredito que sim, até porque ele teve 90 minutos diante do México e o treinador não vai se sentir culpado ao substituí-lo. Com um fundinho de torcida, confesso, aposto que o volante do Tottenham será reserva contra Camarões, dia 23, em Brasília.

Wilmots complica Bélgica na estreia

Não entendi a escolha de Marc Wilmots. Juro que tentei, dentro das minhas limitações, entendê-la, mas confesso que não consegui. Não compreendi por que Chadli, do Tottenham, jogador de beirada de campo, winger, ponta, como queira, foi escalado pela faixa central, ao lado de Dembélé (completaram o time De Bruyne na extrema direita e Hazard na esquerda, além de Lukaku na referência e Witsel à frente da zaga).

No 4-1-4-1 da Bélgica, na minha visão, não faz sentido colocar Chadli por ali (se alguém quiser me ajudar a entender, estou à disposição). Ainda mais quando se enfrenta um oponente "retrancado", o que exige velocidade por fora e passe de qualidade por dentro (o que se viu foi o inverso). Justiça seja feita, porém, não se pode dizer que o péssimo primeiro tempo diante da Argélia, no Mineirão, nesta terça-feira, foi fruto exclusivo dessa opção infeliz do treinador. Não se pode botar a conta toda nessa decisão equivocada. Mas que ela foi a maior responsável, foi, pois ela implica em efeitos colaterais.



Outras escolhas de Wilmots também foram infelizes, é verdade, como deixar Fellaini no banco. Claro, falar depois é fácil, né. Depois que o meio-campista do Manchester United entrou e praticamente mudou o jogo (beijo, Moyes!), em especial por causa da bola aérea, é cômodo apontar o erro inicial do técnico. Contudo, caso Wilmots não tivesse inventado moda com Chadli pela faixa central (why?!), o provável parceiro natural de Dembélé, desde o pontapé inicial, teria sido Fellaini.

No amistoso do dia 26 de maio, contra Luxemburgo, aliás, esse foi o time, com o 8 no XI, ao lado de De Bruyne (confira aqui na prancheta). Ou seja, optar por Chadli pela faixa central não queima apenas o próprio Chaldi, que fica perdido por ali, mas também significa o remanejamento de outros jogadores, como deslocar De Bruyne à beirada direita (em vez de contar com Mertens ou Mirallas por ali, que são da posição, são do ramo).

Enfim. Dentro das minhas limitações de informação e até de conhecimento, parece-me que baixou o Professor Pardal em Wilmots, que ele quis criar algum elemento para surpreender o adversário. Sei lá. Quis encaixar bola no quadrado e quadrado na bola (naqueles brinquedos de crianças e macacos, sabe?). Em outras palavras, complicou, quando na verdade a simplicidade muitas vezes é o segredo do sucesso.

Menos mal que, em tempo, o treinador belga corrigiu no intervalo (assim como fez Sabella no Maracanã, contra a Bósnia), e aos poucos foi encontrando a equipe, com Mertens e Fellaini entre os onze. Registrada minha cornetada, o fato é a que Ótima Geração não estreou bem. A essa altura do campeonato, entretanto, o que importa são os três pontos, e eles vieram. Aos trancos e barrancos, mas vieram (2 a 1 de virada). Agora é se preparar para pegar a Rússia, no Rio, dia 22, também às 13h, de preferência com Fellaini titular e um ponta-direita de ofício na ponta direita.

domingo, junho 15, 2014

Não se mexe no Quarteto Fantástico

Não sei se foi preocupação excessiva com Dzeko, se foi uma consequência dos treinamentos... Só sei que, diante da Bósnia, na estreia da Copa, neste domingo, no Maracanã, Sabella mudou o XI e o esquema tático habituais da Argentina: trocou o 4-4-2 em losango pelo 3-5-2, e quem pagou o pato foi Higuaín.

Sem o centroavante do Napoli, o time ficou sem profundidade. Sem Gonzalo para aprofundar a defesa adversária, as linhas da Bósnia ficaram próximas e a marcação em Messi era sempre dobrada. Os espaços ficaram escassos, e o desempenho do 10 foi bastante abaixo da média. Basicamente foi anulado na ponta direita, no primeiro tempo.

Falei em 3-5-2, mas pode-se ler 3-4-3, já que Messi atuou na ponta direita mesmo, enquanto Agüero trabalhou na referência (não é a dele), e Di María caiu quase sempre pela ponta esquerda. Ou seja, com três homens na zaga, dois nas alas e, digamos assim, três no ataque, o miolo da meia cancha ficou exposto demais com Mascherano e Maxi Rodríguez. Resultado: nos primeiros 45 minutos a Argentina sofreu defensiva e ofensivamente, sem e com a bola.



Sabella corrigiu no intervalo. Foi sábio e não insistiu no erro. Reconheceu que a mudança feita por ele não deu certo - pelo contrário, deu errado com força - e voltou à etapa final com a equipe habitual. Fez duas substituições (Campagnaro e Maxi por Higuaín e Gago) e voltou com a linha de quatro na defesa, a trinca formada por Mascherano, Gago e Di María. E Messi virou enganche, desprendido da ponta direita, centralizado, atrás da dupla Higuaín e Agüero.

Dessa maneira, no 4-3-1-2, com Messi recompondo sem a bola lentamente, literalmente andando em campo (Di María, em compensação, é o demônio nesse aspecto), a Argentina se reencontrou, se reergueu tanto defensiva quanto ofensivamente, atingiu o equilíbrio, e merecidamente alcançou a vitória (2 a 1).



Sem dúvida, esse é o caminho. Sabella, penso eu, se deu conta de que no Fantastic Four não se mexe. Imagino eu, se deu conta de que, independente das características do adversário, Di María, Messi, Agüero e Higuaín jogam juntos, não só por uma questão técnica, mas também pela questão tática. Pois com o centroavante do Napoli no gramado, o rendimento dos demais cresce (em especial o de Messi e Agüero). E o esquema mais indicado para encaixar os quatro é esse 4-4-2 em losango mesmo (4-3-1-2).

Sem querer comparar mas já comparando, pode-se traçar um paralelo, por exemplo, com o time de van Gaal. Que joga no 3-5-2 (3-4-1-2), é verdade, porém deixa os três caras mais adiantados sem tantas responsabilidades defensivas. Na Holanda, Sneijder, Robben e van Persie correm bem menos sem a bola do que os outros sete companheiros de linha. Na Argentina, mal comparando, isso ocorre com Messi, Agüero e Higuaín.

Enfim. Espero que na segunda rodada, contra o Irã, dia 21, sábado, em Belo Horizonte, Sabella inicie com o XI da segunda prancheta.

sexta-feira, junho 13, 2014

Del Bosque se afunda com medalhões

Quatro holandeses da final de 2010 foram titulares nesta sexta-feira: De Jong e Sneijder, além da dupla Robben e van Persie (dois caras considerados por mim nível 5 na escala de 1 a 6 de craques da Copa). Em relação à Espanha, esse número sobe para sete: Casillas, Sergio Ramos, que jogava na lateral direita, Piqué, Busquets, Alonso, Xavi e Iniesta.

Se deixarmos de lado De Jong, e até Sneijder, veremos que os titulares da Holanda 2010 que jogaram hoje são caras extraclasses, cracaços, jogam até com dengue. Do outro lado, se deixarmos de lado os defensores, que no momento são indiscutíveis lá atrás (apesar da falha grave de Casillas), e pensarmos somente no meio campo, veremos que é exatamente o mesmo meio campo, só que quatro anos mais velho. É verdade, tem a inclusão de Silva. Mas é praticamente a mesma meia cancha. Só que com quatro anos a mais de vida.



Não quero emplacar uma Era Xavi aqui. Longe disso. Porém, você que me segue no Twitter, sabe que desde sempre, desde os últimos meses, desde a temporada 2013/14 toda, na real, eu defendo a passada de bastão do meia de 34 anos, tanto na seleção quanto no clube, para Fàbregas. Por isso fico à vontade para fazer essa abordagem agora, após a goleada. Não posso ser acusado de oportunista, sequer suspeito. E longe de mim querer botar na conta de Xavi a humilhante derrota por 5 a 1 para a Holanda. Entre outros motivos, porque futebol é um esporte coletivo. Sem dúvida, no entanto, o camisa 8 da Roja simboliza o resquício, as cinzas da equipe campeã do mundo. Há quatro anos.

Esse post sobre a renovação de Wenger com o Arsenal ajuda a explicar o que eu penso sobre o assunto. De certa forma, é o que acontece com Xavi, é o que acontece pela Espanha. Uma gratidão eterna pelos feitos do passado, que, se mal administrada, impede a evolução (não é à toa que o campeão do mundo geralmente vai mal na Copa seguinte). Pô, o elenco hispânico é um dos melhores do torneio. Se não tivesse alternativas, vá lá, tudo bem. Mas tem Fàbregas, Mata, Cazorla, Koke no banco de reservas (sem falar no De Gea). E ainda assim, repete o XI de quatro anos atrás. Aí não, né. O próprio Isco, que eu jurava que seria titular nessa Copa, por ser um jogador de habilidade, de beirada de campo, de características inexistentes no plantel, sequer foi convocado.

A falta de jogadores com essas características, aliás, faz com que a Espanha fique refém da faixa central. No 4-2-3-1 espanhol, sendo Silva e Iniesta, dois meias de ofício, os dois "pontas" do time, o jogo fica muito concentrado por dentro, sem homens abertos, afunilado, tiquetaqueado para lá e para cá, sem profundidade, sem atletas para chegar à linha de fundo ou encostar no nove. Em 2010 ainda tinha Pedro. (Ah, Navas se machucou, é verdade. Tem isso. Se bem que provavelmente ele - Isco idem - seria reserva mesmo, então não faz diferença.)

Enfim. Não quero pegar no pé de Xavi. Se há um responsável por essa equipe ter se tornado previsível, esse alguém é o treinador. Se há alguém que precisa entender que se escala pelo que se faz, e não pelo que se fez, esse alguém é o treinador. É ele quem precisa saber diferenciar a obra da pessoa, saber separar o trabalho atual, o rendimento atual, do currículo. E me parece que Del Bosque não conseguiu fazer isso. Ou ao menos não está conseguindo, já que restam dois jogos e a Espanha teoricamente está a duas vitórias das oitavas de final. Se repetir a base do XI do jogo de hoje contra a Holanda (ou melhor, do jogo de quatro anos atrás), todavia, é provável que a atual campeã seja eliminada na fase de grupos.