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quarta-feira, novembro 18, 2015

Pontas de ponta na Seleção

Willian sempre foi ponta-esquerda e Douglas Costa sempre foi ponta-direita. Nos tempos de Shakhtar, em diferentes momentos, o posicionamento inicial deles sempre foi este: destro à esquerda e canhoto à direita, como mostram estas quatro pranchetas do Futebol de Botão (veja aqui, aqui, aqui e aqui). No entanto, como você sabe, Willian costuma jogar à direita no Chelsea e Douglas Costa à esquerda no Bayern. Por quê? Simples: porque no Chelsea tem um tal de Hazard e no Bayern tem um tal de Robben.

Okay. A explicação não é tão simples assim, em especial no que diz respeito ao time de Guardiola. Mesmo sem Robben no XI, Douglas Costa cansou de jogar aberto na esquerda nesta temporada. Mesmo sem Robben na equipe, Götze e Coman (e Müller) atuaram na ponta direita, enquanto Douglas seguiu na esquerda. Essa escolha, porém, está ligada à estratégia do treinador. Na ponta esquerda, o canhoto Douglas Costa gera amplitude e profundidade, e pode cruzar para matadores como Müller e Lewandowski, por exemplo. Já na Seleção, quando está aberto no flanco esquerdo, ele não tem para quem cruzar (ainda mais quando o centroavante é Neymar, como foi no 3 a 0 sobre o Peru, nesta terça, na Fonte Nova). Sem falar que o time de Dunga ataca com poucos homens na área.



O fato é que Douglas Costa rende mais pela direita, assim como Willian rende mais pela esquerda. Mas como você sabe, no Chelsea e no Bayern, Hazard é o dono da ponta esquerda e Robben o dono da ponta direita (e ainda assim, mesmo "fora de posição", Douglas Costa e Willian voam na Inglaterra e na Alemanha). Na Seleção, porém, fica evidente – e a partida contra o Peru foi sintomática – que essa é a melhor opção. Porque com as pernas invertidas (canhoto na direita e destro na esquerda), o ponta de qualidade – como são Willian e principalmente Douglas – entra na diagonal driblando e criando ângulo para o passe ou para o arremate com a parte de dentro do pé bom (sem falar na abertura do corredor para o lateral subir).

Portanto, uma coisa é mais do que certa: a ponta direita da Seleção deveria ser de Douglas Costa. Disso, não tenho dúvida. Daqui até a Copa 2018. Em contrapartida, só não cravo a mesma coisa em relação a Willian na esquerda porque o Brasil já possui o melhor ponta-esquerda do planeta, e ele atende pelo nome de Neymar Jr. Isso mesmo: o melhor ponta-esquerda do planeta. Como falso nove ou até segundo atacante no 4-4-2, por exemplo, Neymar é um ótimo jogador, pois é (muito) craque e se adapta bem. Mas como ponta-esquerda, o destro Neymar destrói. É o melhor do mundo na posição. Logo, não me parece inteligente tirá-lo dali, por mais que a crise da camisa nove seja inegável e preocupante. Em outras palavras, de uma coisa eu tenho certeza: independente do esquema (4-2-3-1 ou 4-1-4-1) e das outras peças, a Seleção deveria jogar com Douglas Costa na ponta direita e Neymar na ponta esquerda. Disso, meu caro, não tenho dúvida.

PS: Guardiola já deu a deixa. Leia aqui.

sexta-feira, outubro 18, 2013

O que esperar da Bósnia?

A Bósnia e Herzegovina terminou com o quarto melhor ataque na classificação geral das Eliminatórias Europeias com 30 gols (vídeo). Ficou atrás apenas de Alemanha, Holanda e Inglaterra. Dzeko (10 gols) e Ibisevic (8) foram os artilheiros do time. O atacante do City, inclusive, foi o vice-goleador geral, atrás somente de van Persie (11).

quinta-feira, outubro 17, 2013

Imagina na Copa

Dona do melhor ataque na classificação geral das Eliminatórias Europeias, a invicta Alemanha marcou 36 gols (vídeo) em 10 jogos (9 vitórias e 1 empate). Özil foi o artilheiro com 8 gols em 10 jogos, seguido de Reus (5 tentos em 6 partidas) e quatro jogadores com 4 gols cada: Schürrle, Götze, Klose e Müller.



O esquema tático base é o 4-2-3-1, mas existem algumas variações, como o 4-1-4-1. Contra a Irlanda, na penúltima rodada, por exemplo, Khedira atuou centralizado, com Kroos e Schweinsteiger lado a lado por dentro, e Müller e Schürrle por fora, pelas beiradas, além de Özil na frente, vá lá, como falso nove (embora, na posse da bola, trabalhasse como meia que é).

Seja como for, seja com quem for, independente do esquema adotado e das peças escolhidas para compor o chamado XI ideal, a Alemanha chega ao Brasil no ano que vem como uma das três principais favoritas ao título.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Imagina na Copa

Cabeça de chave em 2014, a Bélgica terminou o Grupo A das Eliminatórias Europeias com 8 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota. Marcou 18 gols (vídeo) e sofreu 4. Kevin De Bruyne foi o artilheiro com 4 tentos em 10 partidas. Depois dele, cinco jogadores com 2 gols: Lukaku, Mirallas, Kompany, Hazard e Benteke.



Lembre-se que Lukaku (Everton), Mirallas (Everton), Kompany (City), Hazard (Chelsea), Benteke (Aston Villa), Mignolet (Liverpool), Courtois (Atlético), Alderweireld (Atlético), Vermaelen (Arsenal), Witsel (Zenit), Fellaini (United), Vertonghen (Tottenham), Dembélé (Tottenham), são titulares, peças importantes em seus clubes. Isso sem falar em Chadli (Tottenham), Defour (Porto), Van Buyten (Bayern), Mertens (Napoli)...

Quanto à análise tática, passo a bola para Eduardo Cecconi.

terça-feira, março 26, 2013

Milhas de vantagem

Deve dar raiva jogar contra a Espanha. Passar a maior parte do tempo correndo atrás deles para tentar roubar a bola, e na maior parte das vezes não ter sucesso. E depois de assistir a muita troca de passes pacientes - que tira a paciência de muita gente - eles vão lá e abrem o placar. Esse panorama só é possível, esse domínio só é viável, porque há muita qualidade técnica, entrosamento e consciência tática no elenco espanhol. E porque há experiência de sobra.

Nesta terça-feira, em Paris, a França foi a vítima da vez.



O plantel também, mas em especial o onze inicial rojo tem muitos quilômetros rodados. Casillas, Piqué, Ramos, Busquets, Alonso, Xavi, Iniesta, Pedro, Villa... Esses caras são os atuais campeões do mundo e da Europa. Não têm medo de cara feia. Não se intimidam nunca, independentemente de quem esteja do outro lado do campo. Pode ser a Argentina de Messi, a Alemanha de Özil, o Brasil de Neymar, a França de Ribéry... Não importa. Nos jogos grandes, a Fúria cresce.

A probabilidade da equipe titular ser essa em 2014 é tão alta quanto sua média de posse de bola. Uma mudança aqui, outra ali, mas em regra os titulares devem ser, no 4-3-3, Casillas; Arbeloa, Piqué, Ramos e Alba; Busquets, Xavi, Alonso; Pedro (ou Silva), Villa (ou Fàbregas) e Iniesta. Sem falar nos nomes do banco de reservas, como Javi García, Mata, Cazorla, Isco... Convenhamos, um time e um elenco de técnica refinada e experiência invejável, com sede de entrar para a história com um legítimo bicampeonato mundial. Quer queria ou não, a Espanha de Del Bosque é uma das favoritas à Copa do Mundo, ao lado de Argentina e Alemanha. Ou será que um pouco à frente?

PS: Veja aqui a prancheta de França 0-1 Espanha.

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sexta-feira, março 22, 2013

A passos firmes e largos

Exemplar a movimentação de Mesut Özil. Sem a posse da bola, o camisa 8 aperta o zagueiro ou marca o volante adversário. Com a posse (maior parte do tempo), volta para buscar o jogo - até antes da linha de Khedira e Schweinsteiger, inclusive - e articular as jogadas, além de preencher o corredor central ofensivo, quando encosta no cara mais avançado do time (no caso do 3 a 0 sobre o Cazaquistão, Mario Götze).

Em função dessa movimentação do atleta do Real Madrid, pode-se interpretar uma variação entre o 4-4-2 em linha e o 4-2-3-1 no esquema tático alemão. Mas isso é um detalhe pouco relevante, convenhamos.

Götze no ataque foi opção de Löw, já que os centroavantes Gómez e Schürrle estavam no banco. E atuando como falso nove, digamos assim, a estrela do Borussia Dortmund correspondeu. Como era de se esperar, não jogou enfiado entre os zagueiros - apesar de ter feito a parede para quem vinha de trás em vários momentos. Se deslocou bastante, caiu pelos lados e eventualmente recuou para auxiliar na criação, revezando-se com Özil uma vez aqui outra ali. Mas em regra, na medida do possível, Götze foi a referência do ataque germânico.



Entre os volantes, ainda que com boa presença no campo defensivo do frágil e retrancado Cazaquistão, Khedira jogou mais preso e Schweinsteiger mais solto, aparecendo com frequência na frente com qualidade no toque de bola, velocidade na transição, penetração na área e finalização. Seus avanços protagonizaram boas chances ao longo da partida, tanto é que numa delas o 7 balançou a rede, aos 20 do primeiro tempo (Götze fez o segundo dois minutos depois).

Entre os wingers, pouco se viu. Se pela faixa central Schweinsteiger, Özil e Götze deitaram e rolaram, pelas extremas Müller e Podolski (substituiu o titular Draxler logo aos 16) pouco produziram. Atuaram bem abertos e executaram poucas diagonais, limitando-se a trabalhar com os laterais, em especial na primeira etapa. Na etapa final, porém, justiça seja feita, Podolski foi mais participativo, chamou mais o jogo. Müller nem tanto, embora tenha feito o terceiro gol aos 73’.

Além dos três pontos, a vitória sobre o Cazaquistão nessa sexta-feira garantiu a permanência na liderança do Grupo C, com 13 pontos (4 vitórias e 1 empate). Suécia e Irlanda brigam pela segunda colocação. Claro que a Alemanha vai se classificar para a Copa do Mundo sem sustos. E vai chegar, passo a passo, quer queira ou não, com status de favorita (para mim, ao lado Espanha e Argentina).

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sexta-feira, novembro 11, 2011

Messi falso 9 na seleção: sim ou não?

Não é de hoje que a Argentina joga no 4-4-2 em losango. Ainda com Batista, esse era o esquema adotado, com Mascherano, Gago, Di María e Messi no meio (veja aqui).

Sabella mantém a estrutura tática. Na vitória por 4 a 1 sobre o Chile, no dia 7 de outubro, a meia-cancha foi formada por Braña, Banega, Di María e Sosa, com Messi no ataque (aqui).

Nesta sexta, no 1 a 1 com a Bolívia em pleno Monumental, Alvarez compôs a dupla de ataque com Higuaín, no mesmo sistema. O 10 foi o ponta de lança, se projetando à frente e caindo pela direita.



A gente precisa parar de traçar um paralelo entre a equipe dos hermanos e a catalã por causa do gênio argentino. É evidente que a Albiceleste jamais vai jogar como o Barcelona, por uma série de motivos (alguns deles aqui).

Só para me contrariar, porém, esbocei a Argentina num 4-3-3 com Messi de falso nove, posição que atua com Guardiola. (Aliás, para refrescar a memória, ele começou como ponta-direita com Rijkaard, seguiu como ponta-direita com Pep - Eto'o era o centroavante -, e só assumiu a faixa central depois da saída de Ibrahimovic.)

Sei que Barcelona é Barcelona e Argentina é Argentina. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. No entanto, se Sabella quisesse repetir pelo menos a estrutura tática e o posicionamento de Messi, seria algo mais ou menos assim.



O canhoto Di María jogaria aberto na direita (onde joga no 4-2-3-1 do Real Madrid), o destro Agüero aberto na esquerda, e Messi no centro, voltando para ajudar na distribuição e alimentar as entradas em diagonal dos pontas.

Sem desmerecer Higuaín ou qualquer outro, na teoria esse time teria tudo para dar certo. Se não a nível Barcelona, poderia render muito mais do que vem rendendo (pelo menos no que diz respeito ao setor ofensivo, já que o treinador e os caras do ataque nada podem fazer quanto a erros individuais da defesa, como cansou de cometer Demichelis contra a Bolívia).

Sem querer comparar mas já comparando, a pergunta que fica é a seguinte: vale a pena tentar Messi de falso nove, posição onde se tornou artilheiro absoluto no clube, ou é melhor manter o 4-4-2 em losango (ou outro esquema) com Higuaín na referência?

sexta-feira, outubro 07, 2011

4-4-2 em losango na Argentina

Ou 4-3-1-2, se preferir.



A imagem é do SPORT TV.

O domínio dos campeões do mundo

Dois jogadores do Chelsea, um do City e o resto dividido entre Barcelona e Real Madrid. Essa foi a Espanha que visitou a República Tcheca, nesta sexta-feira, pelas Eliminatórias da Eurocopa 2012, e conquistou sua sétima vitória em sete jogos: 2 a 0 (Mata e Alonso).

Na teoria os canhotos Silva e Mata são os pontas. Na prática, porém, não atuam como tal. Os camisas 21 e 13 flutuam em demasia pelo corredor central, encostam nos meias, se aproximam um do outro e invertem de lado com relativa frequência. A mobilidade de ambos confunde o adversário e garante a manutenção da posse de bola.



O domínio da posse de bola, aliás, permite que Serio Ramos e Arbeloa avancem simultaneamente, o que não é muito comum no futebol contemporâneo. Isso é possível também graças à qualidade de Xavi e Alonso. Praticamente todas jogadas pelo meio passam pelos pés dos meias.

O domínio da posse de bola, todavia, não foi traduzido em finalizações no primeiro tempo. Apenas duas. Dois gols, é verdade. Mas apenas duas. No segundo, no entanto, esse número cresceu. Foram sete (duas no alvo, cinco fora). Os tchecos, na outra mão, em 90 minutos, arremataram somente duas vezes. As duas para fora.

Para registro, desde os 11 da etapa final, a Espanha jogou com um homem a mais. E no 4-2-3-1, com Puyol (na vaga de Ramos) ao lado de Piqué na zaga, Albiol na lateral direita, Arbeloa na esquerda, Javi Martínez (Alonso) e Busquets de volantes, Xavi por dentro, Mata na direita, Villa (Torres) na esquerda e Silva na frente, em função de sua movimentação, não como referência, mas como "falso 9".

Líderes do Grupo I, Del Bosque e seus comandados chegam a 21 pontos em 21 disputados - seguidos por República Tcheca (10 pontos), Escócia (8), Lituânia (5) e Liechtenstein (4).

Se a Eurocopa fosse amanhã, o favorito teria nome e apelido. E mais: se a Copa do Mundo do Brasil fosse amanhã, o favorito atenderia pelo mesmo nome: Espanha.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Maradona estica carreira até a Copa?

Os jogadores argentinos comemoraram a sofrida classificação à la Dunga em 94: não pouparam os jornalistas. Maradona idem.

Pela figura que representa, e não pelo treinador que é, confesso que gostaria de ver Diego Armando à beira do campo na África do Sul.



Contudo deve ser feito o que é melhor para a seleção argentina. E, quem sabe, a troca de comando seja necessária.

Mas, mesmo que Maradona não tenha conseguido formar um time após um ano de trabalho (o que evidencia sua fragilidade como técnico), repito: gostaria de vê-lo na Copa. Os torcedores, talvez não.

domingo, outubro 11, 2009

Jogo em La Paz é zero à esquerda

O principal adversário do Brasil não foi a altitude: foi a vaga já garantida na Copa. Fato este que, com certeza, não vai pesar em Campo Grande. Em casa, o apetite será outro.

Tudo bem que a partida em La Paz não servia para nada (nem para classificação, nem para testes). Mas daí a deixar a flagelada Bolívia obter posse de bola de Barcelona é demais.

Foi o que se viu no primeiro tempo.



Na segunda etapa a equipe de Dunga melhorou, com Diego Tardelli no lugar de Adriano, e Alex no de Diego Souza.

Na minha opinião este jogo, desde o início, era mais pro meia do Spartak do que pro do Palmeiras. Jogo para cadenciar, para ter a bola no pé e fazê-la correr, e não para correr atrás dela, seja na hora de atacar ou de marcar (embora, diga-se, o gol brasileiro tenha sido anotado num contra-ataque).

Mas, como se sabe, esse duelo não é válido nem para a tabela, porque o passaporte está carimbado, e nem para a avaliação de atletas, por causa da altitude.

sábado, outubro 10, 2009

Argentina transborda emoção

A tempestade que caiu sobre Buenos Aires dramatizou ainda mais a partida entre Argentina e Peru.

Na primeira etapa os anfitriões até que foram bem, mas não chegaram ao gol. No segundo, após balançar a rede, quando deveriam se inflar e administrar a vantagem, se apequenaram. Eu jurava que o visitante iria abrir as pernas. No entanto botou as asas de fora. A Argentina se encolheu, e o Peru cresceu.

Quando a seleção peruana empatou o jogo, o mundo, que já caia em forma de chuva, desabou. E só não desabou de vez porque Palermo marcou o gol da vitória no finzinho.



Dramático, pobre tecnicamente, porém riquíssimo em emoção. Épico. Assim foi o duelo deste sábado, no Monumental de Nuñez.

Se, na próxima e última rodada, os uruguaios vencerem os hermanos em Montevidéu, e o Equador bater o Chile fora de casa, para minha profunda tristeza, Messi e cia não irão à África do Sul.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Nilmar de rosas

Quando o assunto é Nilmar me sinto muito à vontade para falar, quem acompanha o Blog do Carlão sabe que eu sou o fã número 1 do craque.

Repito: craque.



Fosse eu Carlos Alberto Parreira teria levado Nilmar à Copa de 2006. E se eu fosse Dunga, transformaria Nilmar em titular sem titubear.

O "problema" é que o esquema titular da Seleção é o 4-5-1 (4-2-3-1), e imagino que a comissão técnica não pense no atacante do Villarreal na posição/função de Robinho. Como escrevi no post anterior, para mim Nilmar pode sim atuar pela beirada. Contudo não sei se Dunga e Jorginho pensam assim.

Agora, no 4-4-2 em losango, o sistema reserva do Brasil (utilizado contra o Chile), não tenho dúvida alguma, mas nenhuminha mesmo, de que Nilmar deveria ser o par de Luís Fabiano.

Depois da apresentação desta quarta-feira Nilmar está nas nuvens, mergulhado num mar de rosas, sonhando acordado. Com certeza não vai dormir esta noite.

Assim como Robinho. Só que este por outro motivo.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Seleção: 4-5-1 ou 4-4-2?

Apesar dos inúmeros desfalques, se Dunga não surpreender, o Brasil que entra em campo na noite desta quarta-feira não tem mistério: Júlio César; Maicon, Luisão, Miranda e André Santos; Gilberto, Felipe, Elano, Júlio Baptista e Nilmar; Adriano.

Ou seria Gilberto, Felipe, Elano e Júlio Baptista; Nilmar e Adriano?

A dúvida é esta: o Brasil vai no 4-5-1 habitual, com Nilmar no lugar e na função de Robinho, como extremo pelo lado esquerdo, ou vai no 4-4-2 em losango, com Nilmar de segundo atacante de fato?

Esta é a primeira opção:



Na minha opinião o jogador que atua pela beirada tem de ter velocidade e habilidade, para fazer a diagonal. Estas características são peculiares do atacante do Villarreal. Nilmar é um velocista e um driblador nato. Por isso, para mim, ele cairia como uma luva nesta posição.

No entanto nem todo mundo pensa assim, e é bem possível que Dunga e Jorginho também não pensem desta forma. Se assim for, a Seleção deve jogar no seu esquema reserva, o 4-4-2 em losango, com Elano mais recuado, Gilberto Silva centralizado e dois atacantes efetivos:



Neste modelo o camisa 11 tem a obrigação de cair pelos dos lados, é o dito segundo atacante, ou atacante de movimentação, enquanto o 9, no caso Adriano, é o centroavante.

Contudo como o Imperador tem cacoete de sair da área, neste segundo sistema os espaços podem ser bem divididos entre ele e Nilmar. Já no primeiro, no 4-5-1, Adriano não pode se afastar da área em demasia, senão o ataque fica sem referência.

Portanto, em função do estilo de jogo do flamenguista e do ex-colorado, é provável que a Seleção se apresente no 4-4-2 em losango. Resta-nos esperar para ver.

PS.: O pontilhado na seta de Elano significa que ele é mais um lançador do que um condutor de bola.

domingo, setembro 06, 2009

A consolidação do grupo

Apesar de ter conquistado o título, o Brasil foi muito mal na Copa América de 2007. É verdade que Dunga e Jorginho não contaram com seus principais atletas - Kaká e Ronaldinho. Em contrapartida quem convocou Afonso, Fernando e etc foram eles. (Vale lembrar que Ricardo Teixeira pediu à comissão técnica que jogadores desconhecidos fossem chamados, que novos talentos fossem achados. Afonso foi um erro. No futuro Felipe Melo seria um acerto.)

Paralelamente às Eliminatórias e aos amistosos caça-níqueis, depois da Copa América vieram os Jogos Olímpicos. Dunga e Jorginho tiveram de engolir o primeiro sapo em público: Ronaldinho. Por determinação do presidente da CBF o jogador do Milan foi a Pequim. O futebol apresentado na China foi fraco, e as críticas, que já não eram poucas, cresceram.

No entanto na transição de 2008 para 2009 a Seleção principal ganhou corpo. O padrão tático se consagrou, Ronaldinho foi barrado, Luís Fabiano se firmou, Felipe Melo foi encontrado. Não que a partir daí só vieram mares de rosas. Pelo contrário. Não foram poucos os joguinhos meia-boca feitos no Brasil, pelas Eliminatórias. Contudo, no frigir dos ovos, a Seleção de Dunga obteve identidade.

Aí veio a Copa das Confederações, ainda fresca na nossa memória. Campeão jogando bem. Resultado: da África do Sul o grupo voltou fortalecido. Afirmado. Seguro. Maduro.

E agora este mesmo grupo se classifica à Copa do Mundo com um 3 a 1 em cima da Argentina, na Argentina. E o que me conforta é saber que a seriedade, a disciplina e o comprometimento, qualidades peculiares desta turma, ainda estarão vivas em julho do ano que vem.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Craques incontestáveis

O brasileiro é a eficiência em pessoa.



O argentino é a genialidade de chuteira.

quinta-feira, junho 11, 2009

O amadurecimento verde-amarelo

A Seleção mostrou maturidade tática no 2 a 1 sobre o Paraguai nesta quarta-feira, no Mundão do Arruda.



Um dos sintomas desta virtude é a variação do plano tático em pleno jogo, sem recorrer à substituição.

De início a equipe de Dunga e Jorginho se postou no 4-4-2 com o meio-de-campo em losango (Gilberto na cabeça-de-área, Felipe na esquerda, Elano na direta, Kaká na articulação), mas ainda no primeiro tempo, em função da necessidade da partida, mudou para o 4-2-3-1. No caso do Brasil a diferença é sutil, mas existe.

Não se trata de nenhuma revolução, de nenhuma Holanda de 74, obviamente. Mas o fato é que depois de praticamente três anos de trabalho, é nítido o amadurecimento tático apresentado pelo time.

segunda-feira, junho 08, 2009

Bela dúvida: Pato ou Nilmar?

Quem é mais centroavante: Nilmar ou Pato? Não me refiro à quem joga mais ou à quem é mais ou menos craque, mas sim às características de cada um. Quem é mais camisa 9: Nilmar ou Pato?

Tinha a impressão de que Pato fosse mais forte que Nilmar, porém li que o atacante do Internacional mede 1,80 e tem 73 quilos, enquanto o do Milan tem 1,79 e 71 quilos. Praticamente a mesma coisa.

Dunga diz que quem melhor se adaptar ao time e ao adversário será o escolhido para enfrentar o Paraguai no Recife, nesta quarta-feira. Eu achava que seria Alexandre Pato por jurar que ele fosse mais forte fisicamente que Nilmar (logo mais próximo de Luís Fabiano). No entanto este argumento é inválido, como mostra a ficha dos jogadores.



Apesar de ser fã xiita do futebol do Nilmar, eu iria de Alexandre Pato - e acredito que Dunga irá - porque, na minha opinião, ele tem mais cacoete de centroavante. Embora o atacante do Inter tenha feito muitos gols de uns tempos para cá, entendo que Pato é mais goleador, mais artilheiro, mais matador. E outra: o Paraguai não vai ser abrir e deixar espaços para o Brasil explorar o contra-ataque (com a velocidade de Nilmar) como deixou por exemplo o Uruguai.

Por isso, no 4-2-3-1 verde-amarelo, imagino que o '1' do esquema será Alexandre Pato.

sábado, junho 06, 2009

Brasil joga bem e faz história

A Seleção nunca tinha ganhado do Uruguai em Montevidéu em competições oficiais. Nunca. Mas neste sábado os comandados de Dunga trataram de quebrar este tabu com categoria. O 4 a 0 foi nada menos que a maior derrota da Celeste no Centenário.



História à parte, dentro de campo o Brasil jogou bem porque contra adversários que vão para cima e deixam espaços o Brasil sempre vai bem (e olha que se o gramado fosse bom a goleada seria maior).

Quem se destacou e merece um parágrafo exclusivo é Daniel Alves. Não só nesta vitória, mas também contra o Peru no Beira-Rio, o jogador do Barcelona foi decisivo. Se o técnico tiver sensibilidade irá transformá-lo em titular, pois sem dúvida alguma com ele o time se torna mais técnico, ofensivo e ousado.

quinta-feira, abril 02, 2009

Seleção fez o dever de casa sem brilhar

Não é preciso ter um pouquinho de cérebro para reconhecer a fragilidade da seleção peruana. Derrotá-la por 3 a 0 em pleno Beira-Rio era o mínimo que se esperava da Seleção.



No frigir dos ovos, o time de Dunga não jogou bem. Demonstrou vontade, é verdade. Em vinte minutos eles correram mais que em noventa em Quito. Mas o resumo da ópera não foi animador.

Apesar de ter feito um gol na base da sorte (dividida) e da categoria (finalização), Felipe Melo e seu companheiro Gilberto Silva erraram passes infantis. Na minha opinião os volantes obrigatoriamente têm de ter qualidade com a bola no pé.

No primeiro tempo os laterais inexistiram. Kleber chegou à linha de fundo somente uma vez, e Daniel Alves apoiou só a minutos do final da primeira etapa. No segundo tempo ambos se soltaram mais, principalmente Daniel Alves, que aproveitou bem a oportunidade.

Porém o futebol apresentado pela Seleção não foi só desgraça. Luís Fabiano mostrou porque é o dono da nove, e Elano, porque é o homem de confiança de Dunga.

Apenas um adendo: Pato deveria ter entrado antes. O técnico da Seleção só o colocou em campo porque saiu o terceiro gol. Se continuasse 2 a 0, Dunga o mandaria ao gramado a 15 minutos do fim da partida. Faltou sensibilidade a ele. Pelo contexto da situação, era jogo para o ex-atleta do Inter entrar antes.

No entanto deve-se admitir uma bola dentro de Dunga: Ronaldinho no banco. Se ele tinha alguma dúvida que era reserva, esta foi sanada ontem. Um chá de cadeira pode fazer bem a Ronaldinho. Se não quiser ser reserva de Robinho e Elano, o gaúcho terá de ralar. Agora, se ele se acomodar e aceitar o assento à beira da cancha na boa, é caso de não convocá-lo por enquanto.

Na cabeça de Dunga o que importa é se classificar para a Copa do Mundo, dane-se o bom futebol. Sua receita é 'ganhar em casa e empatar fora'. Depois se vê o que se faz. Este pensamento é equivocado. A equipe já deveria estar sendo moldada visando o ano que vem. Entretanto há uma Copa das Confederaçõs no meio do caminho. Se não convencer, se der vexame no mês que vem na África do Sul, pode ocorrer uma reviravolta.