Uma temporada não se faz com onze jogadores, nem com trinta. Além do chamado time titular, o segredo é ter no banco de reservas umas quatro ou cinco peças que joguem com frequência, sem que o nível da equipe caia muito. Ou seja, uma temporada se faz com cerca de 15 ou 16 jogadores (e um pouco de sorte, pois uma lesão grave de um jogador chave pode comprometer o desempenho no ano).
No caso do futebol brasileiro, o calendário é uma barreira a mais (talvez a pior). Em função da existência dos estaduais - essa coisa do século passado - os jogos são pouco espaçados e o desgaste é maior. Enquanto as principais ligas da Europa com 20 clubes (38 rodadas) são disputadas em 40 semanas, por exemplo, o Brasileirão é disputado em 30. Faça as contas. Não precisa ser um gênio para entender o malefício que isso traz. Portanto, sim, essa bizarrice que é o calendário brasileiro precisa sempre ser levada em conta nas análises, ainda mais quando a intenção é falar sobre elenco. Agora, dito isso, diria que o segredo é ter 15 ou 16 jogadores dividindo os minutos da temporada.
No caso do Grêmio, essas peças regulares devem ser Jailson, Cícero, Alisson e Jael. Jailson pode dar uma folga para a dupla de volantes Maicon e Arthur, Cícero é o cara ideal para ocupar a posição de Luan entre linhas, Alisson pode dar descanso tanto para Everton quanto para Ramiro (ele faz as duas beiradas) e Jael é a sombra de André (lembrando que Ramiro e até Cícero podem operar na linha dos volantes). Evidentemente que outras posições também precisam de revezamento, em especial as laterais, mas esses quatro devem ser o "12º jogador" e devem entrar com mais frequência que os outros.
O que não pode acontecer é 100% do time titular ser poupado. O rodízio é necessário para se chegar, na medida do possível, bem física e mentalmente ao final da temporada, porém ele precisa ser feito de maneira equilibrada. Dependendo da exigência da próxima partida e do desgaste no momento, poupa-se dois aqui, três ali, e assim vai se administrando a temporada. O que não pode é 100% dos titulares serem eventualmente poupados. Assim como não é aconselhavél colocar o "12º jogador" somente no segundo tempo dos jogos, porque dessa maneira ele não se sente importante. Ele tem que ser titular eventualmente num time composto por, sei lá, 70% dos titulares. Ele não quer ter 90 minutos apenas naqueles jogos onde o time em campo é o dito reserva na sua totalidade. Para se sentir importante e manter um bom nível de competitividade mesmo sendo um "reserva", às vezes é preciso começar a partida com os melhores.
Se Arthur ficar até dezembro e Renato aprender a rodar o elenco, o Grêmio pode sim conquistar o triplete em 2018. O entrosamento, a continuidade do trabalho, o comando, a experiência, a qualidade dos principais jogadores, o estilo de jogo e o encaixe da equipe são fatores que permitem sim ao Grêmio mirar os títulos do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil. É difícil, claro, mas não impossível, pois o time joga o futebol mais eficiente e atraente do país. Para que isso possa se tornar realidade, contudo, Renato tem que rodar o elenco com mais equilíbrio.
PS: Um clube do sul jamais foi campeão brasileiro na era dos pontos corridos (veja aqui a lista dos vencedores desde 2003). Por essas e outras, na minha visão esse deveria ser o foco do Grêmio neste ano.
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segunda-feira, maio 07, 2018
quinta-feira, maio 28, 2015
Onde o Cruzeiro errou na Libertadores
Quando um time argentino elimina um brasileiro em gramados brasileiros na fase de mata-mata, nós rasgamos elogios ao tradicional adversário: "Como eles jogam bem fora de casa!" E morremos de inveja. Admita. De fato, jogam mesmo. Mas por quê? Por que não é raro? Por que nos acostumamos a ver time argentino eliminar brasileiro no Brasil? E por que muitas vezes o visitante coloca o mandante na roda?

Isso acontece, em primeiro lugar, porque eles são organizados no quesito tático do esporte (onde mais estamos atrasados, diga-se) e porque contam com uma estratégia de jogo bem definida (além de contar com a qualidade técnica, claro). Sabem o que devem fazer na fase defensiva e o que devem fazer na fase ofensiva (em especial fora de cara, onde há mais espaços para atacar e tudo fica menos difícil). E por saberem o que devem fazer em campo, com a bola e sem a bola, tornam-se mais confiantes (com confiança tudo fica mais fácil). Por acreditarem nas ideias do treinador, as executam com mais tranquilidade (num time bem treinado, claro). Não é à toa que uma das boas virtudes dessas equipes é a frieza. Não se comportam de maneira tão pilhada, como ocorre com as brasileiras, por exemplo. "São extremamente frios fora de casa!" De fato, são mesmo. E o trabalho do treinador tem tudo a ver com isso.
Aí entramos no aspecto emocional no jogo. Ontem à noite, em Belo Horizonte, na partida de volta das quartas de final da Libertadores (1 a 0 para o Cruzeiro no Monumental de Nuñez), ficou evidente a discrepância mental entre as duas equipes. Mental não só no sentido de controle dos nervos (esse papo de que argentino catimba demais, aliás, é puro mimimi de brasileiro), mas também no sentido da racionalidade na hora de tomar as decisões (ou melhor, na fração de segundo). E de onde vem essa frieza toda? Eles também não têm "sangue latino" como nós, uai? Pois então. Tudo está entrelaçado. Tudo é uma soma de fatores. E como eu disse antes, o trabalho do treinador (tático) tem tudo a ver com isso, porque, uma vez encaixado num time bem treinado, num time com uma proposta de jogo bem clara, com uma filosofia de jogo bem clara, onde o coletivo funciona minimamente bem, o jogador se sente mais à vontade. E naturalmente rende mais.
No caso da eliminação do Cruzeiro (3 a 0 para o River Plate no Mineirão), isso se aplica. Pelo seguinte: o time de Marcelo Oliveira não mostrou variedade no repertório ofensivo. Desde cedo, com a bola, se resumiu a abrir o jogo com a finalidade de cruzar na área. Mesmo atrás no placar, um desespero, um apelo à jogada aérea muito cedo, ainda na metade do primeiro tempo. Às vezes dá certo. Mas na maioria das vezes, não. Como não deu (e acabou levando três, o que escancara a falta de qualidade também na fase defensiva – algo que sobra, por exemplo, ao time de Aguirre). E digo também porque, na ofensiva, com a bola, faltou qualidade para trabalhar a posse. Porque fora de casa é lindo! Com espaços abundantes no campo ofensivo fica "fácil" trabalhar a posse. Verticaliza-se em velocidade (contra ataque) e deu pra bola. Já em casa, o buraco é mais embaixo. Uma vez que o adversário se fecha lá atrás, os espaços são reduzidos. E é aí que a cobra fuma. Pois quando é preciso trocar passes e girar o jogo com paciência e precisão, diante de um time que se defende bem, sob pressão da própria torcida que muitas vezes não apoia na hora h, ainda por cima, muitos times se perdem. Como aconteceu ontem com o Cruzeiro.
No momento, no entanto, não podemos sequer cogitar a queda de Marcelo Oliveira. Não é isso. É preciso compreender que vários titulares da temporada passada saíram, novos entraram, e que não se constrói um time da noite para o dia (no futebol quatro meses significam da noite para o dia). Na contramão, por exemplo, está o próprio River: praticamente não trocou nenhuma peça da temporada passada. Já o Cruzeiro "perdeu" quatro titulares (Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Lucas Silva e Egídio). Só isso. Portanto, é preciso controlar o imediatismo que corre nas nossas veias e ter calma na hora de decretar o fim de Marcelo no Cruzeiro. Não estou dizendo para ele ficar para sempre na Toca da Raposa. Não é isso. Mas se for para trocar de treinador, que seja após a 38ª rodada do Brasileirão, okay?
Ah, e tem mais um detalhe: se a Copa Libertadores fosse disputada em dois semestres, como ocorre por exemplo com a Champions League, o Cruzeiro, cheio de novos atletas (meio time), teria mais tempo (o dobro) para encaixar e entrar na fase de mata-mata mais maduro. Com a Libertadores disputada em um semestre apenas, todavia, vários times, cheios de novos atletas, entram no mata-mata ainda em formação. Aí acabam morrendo. Prematuramente. Como aconteceu ontem com o Cruzeiro.

Isso acontece, em primeiro lugar, porque eles são organizados no quesito tático do esporte (onde mais estamos atrasados, diga-se) e porque contam com uma estratégia de jogo bem definida (além de contar com a qualidade técnica, claro). Sabem o que devem fazer na fase defensiva e o que devem fazer na fase ofensiva (em especial fora de cara, onde há mais espaços para atacar e tudo fica menos difícil). E por saberem o que devem fazer em campo, com a bola e sem a bola, tornam-se mais confiantes (com confiança tudo fica mais fácil). Por acreditarem nas ideias do treinador, as executam com mais tranquilidade (num time bem treinado, claro). Não é à toa que uma das boas virtudes dessas equipes é a frieza. Não se comportam de maneira tão pilhada, como ocorre com as brasileiras, por exemplo. "São extremamente frios fora de casa!" De fato, são mesmo. E o trabalho do treinador tem tudo a ver com isso.
Aí entramos no aspecto emocional no jogo. Ontem à noite, em Belo Horizonte, na partida de volta das quartas de final da Libertadores (1 a 0 para o Cruzeiro no Monumental de Nuñez), ficou evidente a discrepância mental entre as duas equipes. Mental não só no sentido de controle dos nervos (esse papo de que argentino catimba demais, aliás, é puro mimimi de brasileiro), mas também no sentido da racionalidade na hora de tomar as decisões (ou melhor, na fração de segundo). E de onde vem essa frieza toda? Eles também não têm "sangue latino" como nós, uai? Pois então. Tudo está entrelaçado. Tudo é uma soma de fatores. E como eu disse antes, o trabalho do treinador (tático) tem tudo a ver com isso, porque, uma vez encaixado num time bem treinado, num time com uma proposta de jogo bem clara, com uma filosofia de jogo bem clara, onde o coletivo funciona minimamente bem, o jogador se sente mais à vontade. E naturalmente rende mais.
No caso da eliminação do Cruzeiro (3 a 0 para o River Plate no Mineirão), isso se aplica. Pelo seguinte: o time de Marcelo Oliveira não mostrou variedade no repertório ofensivo. Desde cedo, com a bola, se resumiu a abrir o jogo com a finalidade de cruzar na área. Mesmo atrás no placar, um desespero, um apelo à jogada aérea muito cedo, ainda na metade do primeiro tempo. Às vezes dá certo. Mas na maioria das vezes, não. Como não deu (e acabou levando três, o que escancara a falta de qualidade também na fase defensiva – algo que sobra, por exemplo, ao time de Aguirre). E digo também porque, na ofensiva, com a bola, faltou qualidade para trabalhar a posse. Porque fora de casa é lindo! Com espaços abundantes no campo ofensivo fica "fácil" trabalhar a posse. Verticaliza-se em velocidade (contra ataque) e deu pra bola. Já em casa, o buraco é mais embaixo. Uma vez que o adversário se fecha lá atrás, os espaços são reduzidos. E é aí que a cobra fuma. Pois quando é preciso trocar passes e girar o jogo com paciência e precisão, diante de um time que se defende bem, sob pressão da própria torcida que muitas vezes não apoia na hora h, ainda por cima, muitos times se perdem. Como aconteceu ontem com o Cruzeiro.
No momento, no entanto, não podemos sequer cogitar a queda de Marcelo Oliveira. Não é isso. É preciso compreender que vários titulares da temporada passada saíram, novos entraram, e que não se constrói um time da noite para o dia (no futebol quatro meses significam da noite para o dia). Na contramão, por exemplo, está o próprio River: praticamente não trocou nenhuma peça da temporada passada. Já o Cruzeiro "perdeu" quatro titulares (Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Lucas Silva e Egídio). Só isso. Portanto, é preciso controlar o imediatismo que corre nas nossas veias e ter calma na hora de decretar o fim de Marcelo no Cruzeiro. Não estou dizendo para ele ficar para sempre na Toca da Raposa. Não é isso. Mas se for para trocar de treinador, que seja após a 38ª rodada do Brasileirão, okay?
Ah, e tem mais um detalhe: se a Copa Libertadores fosse disputada em dois semestres, como ocorre por exemplo com a Champions League, o Cruzeiro, cheio de novos atletas (meio time), teria mais tempo (o dobro) para encaixar e entrar na fase de mata-mata mais maduro. Com a Libertadores disputada em um semestre apenas, todavia, vários times, cheios de novos atletas, entram no mata-mata ainda em formação. Aí acabam morrendo. Prematuramente. Como aconteceu ontem com o Cruzeiro.
sexta-feira, maio 08, 2015
A raiz do problema está no calendário
O campeonato começa neste fim de semana, mas no momento só se fala de outras coisas: Libertadores, São Paulo, Cruzeiro, Internacional, Atlético-MG, Corinthians, River, Boca, Messi, Champions League, Depay, transferências da janela europeia de verão, etc. Sobre o Brasileirão, coitado, o pouco que se fala é o seguinte: os ditos titulares dos participantes da Libertadores serão poupados na primeira rodada, nas partidas Atlético-PR vs Inter, Palmeiras vs Atlético-MG, São Paulo vs Flamengo e Cruzeiro vs Corinthians. Só isso. De fato não nos damos conta de que os três pontos da primeira rodada valem os mesmos três pontos da última rodada.
Aí eu te pergunto: tem cabimento? Tem cabimento a primeira rodada do campeonato mais importante do país acontecer justamente entre os jogos de ida e volta das oitavas de final do torneio mais importante do continente? Tem cabimento a abertura dos pontos corridos, do certame base da temporada, acontecer justamente no fim de semana entre os confrontos que dão início ao mata-mata - a fase mais importante - da Libertadores? Te respondo: não tem cabimento. Mas o problema é que a gente não se dá conta disto. A gente não se dá conta do quão nocivo é para o futebol brasileiro o Brasileirão começar somente no quarto mês da temporada. E o quão nocivo é a Libertadores ser disputada somente em um semestre (no caso, no primeiro semestre do ano) e não em dois.
Já escrevi sobre o calendário em outras oportunidades, aliás. Se não me engano o primeiro post foi este aqui, publicado em setembro de 2013. Nele tratei da questão das datas FIFA, da Copa Libertadores e do mercado de transferências. Já em fevereiro deste ano, publiquei o texto "Libertem a Libertadores!", onde trato exclusivamente da questão da Libertadores. Leia aqui.
O problema está diante de nossos olhos há tempos. Mas qual a solução?
Em minha opinião a solução (uma das medidas) seria o Brasileirão começar no começo da temporada (não é tão óbvio que uma coisa deva começar no começo?). Começar o quanto antes, para que os jogos da temporada fossem melhores distribuídos. Para que os times que não se classificassem às fases finais ou à final do estadual, por exemplo, não ficassem sem atuar por um tempo, como aconteceu com o Corinthians há pouco, que ficou quinze dias treinando. (Os estaduais também poderiam/deveriam ser disputados em dois semestres, mas não quero entrar nessa discussão neste post, apesar dela fazer uma bela parte do problema.) Porém não resolveria muito o Brasileirão começar no começo da temporada se a Libertadores continuasse terminando no meio dela (não é tão óbvio que uma coisa deva acabar no fim e não no meio?). Logo, da mesma forma que o Brasileirão precisa começar no começo da temporada, a Libertadores precisa terminar no final dela (leia mais sobre isso aqui).
Aí eu te pergunto: tem cabimento? Tem cabimento a primeira rodada do campeonato mais importante do país acontecer justamente entre os jogos de ida e volta das oitavas de final do torneio mais importante do continente? Tem cabimento a abertura dos pontos corridos, do certame base da temporada, acontecer justamente no fim de semana entre os confrontos que dão início ao mata-mata - a fase mais importante - da Libertadores? Te respondo: não tem cabimento. Mas o problema é que a gente não se dá conta disto. A gente não se dá conta do quão nocivo é para o futebol brasileiro o Brasileirão começar somente no quarto mês da temporada. E o quão nocivo é a Libertadores ser disputada somente em um semestre (no caso, no primeiro semestre do ano) e não em dois.
Já escrevi sobre o calendário em outras oportunidades, aliás. Se não me engano o primeiro post foi este aqui, publicado em setembro de 2013. Nele tratei da questão das datas FIFA, da Copa Libertadores e do mercado de transferências. Já em fevereiro deste ano, publiquei o texto "Libertem a Libertadores!", onde trato exclusivamente da questão da Libertadores. Leia aqui.
O problema está diante de nossos olhos há tempos. Mas qual a solução?
Em minha opinião a solução (uma das medidas) seria o Brasileirão começar no começo da temporada (não é tão óbvio que uma coisa deva começar no começo?). Começar o quanto antes, para que os jogos da temporada fossem melhores distribuídos. Para que os times que não se classificassem às fases finais ou à final do estadual, por exemplo, não ficassem sem atuar por um tempo, como aconteceu com o Corinthians há pouco, que ficou quinze dias treinando. (Os estaduais também poderiam/deveriam ser disputados em dois semestres, mas não quero entrar nessa discussão neste post, apesar dela fazer uma bela parte do problema.) Porém não resolveria muito o Brasileirão começar no começo da temporada se a Libertadores continuasse terminando no meio dela (não é tão óbvio que uma coisa deva acabar no fim e não no meio?). Logo, da mesma forma que o Brasileirão precisa começar no começo da temporada, a Libertadores precisa terminar no final dela (leia mais sobre isso aqui).
Uma questão de tempo
Pare e pense. O mata-mata da Champions League começa cinco meses após o início da fase de grupos. Já o mata-mata da Copa Libertadores começa dois meses e meio após o início da fase de grupos. O dobro de tempo. O que isso significa? Muitas coisas.

Entre outras, significa que os times da Champions League têm duas vezes mais tempo para se desenvolver (lembre-se que muitos deles com o elenco reformulado, com peças diferentes no XI, nomes que chegaram e nomes que saíram na janela de transferências de verão) e que têm mais chances de entrarem nas oitavas de final da competição num estágio de evolução mais avançado. Significa que os times, ambos os adversários, entram na fase de mata-mata em tese mais preparados para matar do que para morrer – o que sem dúvida eleva o nível da disputa.
Significa também que se um jogador se machucar e ficar, sei lá, uns quatro meses no estaleiro, ele terá tempo para se recuperar e possivelmente não vai perder a competição praticamente toda, como aconteceria na Libertadores. Se, sei lá, Modric ou Thiago Alcântara jogasse na Libertadores e ficasse uns quatro meses parado, perderia praticamente toda a competição de clubes mais importante do continente. Na Liga dos Campeões, em contrapartida, a probabilidade dele se recuperar em tempo seria bem maior, uma vez que ela é disputada em dois semestres e não apenas em um (isso também se aplica a pequenas lesões musculares, por exemplo, já que o intervalo entre os jogos é maior, já que os jogos são mais espaçados).
Enfim. Em outras palavras, no fim das contas, entre outras coisas (inclusive sob o ponto de vista mercadológico), significa que a qualidade do produto final aumenta com o dobro de tempo para se treinar/jogar, com o dobro de tempo para se evoluir. Pois a partir das oitavas de final (a melhor parte!) os dezesseis classificados já estão em tese num estágio de maturidade mais avançado do que se tivessem entrado nas oitavas com a metade de tempo para treinar/jogar, com a metade de tempo para evoluir. Embora o futebol não seja uma ciência exata, é uma questão matemática, simples assim. E isso faz sim diferença no nível do espetáculo (claro, desde que haja qualidade e competência por parte dos jogadores e principalmente dos treinadores envolvidos; se o treinador for ruim, não há tempo que resolva).

Entre outras, significa que os times da Champions League têm duas vezes mais tempo para se desenvolver (lembre-se que muitos deles com o elenco reformulado, com peças diferentes no XI, nomes que chegaram e nomes que saíram na janela de transferências de verão) e que têm mais chances de entrarem nas oitavas de final da competição num estágio de evolução mais avançado. Significa que os times, ambos os adversários, entram na fase de mata-mata em tese mais preparados para matar do que para morrer – o que sem dúvida eleva o nível da disputa.
Significa também que se um jogador se machucar e ficar, sei lá, uns quatro meses no estaleiro, ele terá tempo para se recuperar e possivelmente não vai perder a competição praticamente toda, como aconteceria na Libertadores. Se, sei lá, Modric ou Thiago Alcântara jogasse na Libertadores e ficasse uns quatro meses parado, perderia praticamente toda a competição de clubes mais importante do continente. Na Liga dos Campeões, em contrapartida, a probabilidade dele se recuperar em tempo seria bem maior, uma vez que ela é disputada em dois semestres e não apenas em um (isso também se aplica a pequenas lesões musculares, por exemplo, já que o intervalo entre os jogos é maior, já que os jogos são mais espaçados).
Enfim. Em outras palavras, no fim das contas, entre outras coisas (inclusive sob o ponto de vista mercadológico), significa que a qualidade do produto final aumenta com o dobro de tempo para se treinar/jogar, com o dobro de tempo para se evoluir. Pois a partir das oitavas de final (a melhor parte!) os dezesseis classificados já estão em tese num estágio de maturidade mais avançado do que se tivessem entrado nas oitavas com a metade de tempo para treinar/jogar, com a metade de tempo para evoluir. Embora o futebol não seja uma ciência exata, é uma questão matemática, simples assim. E isso faz sim diferença no nível do espetáculo (claro, desde que haja qualidade e competência por parte dos jogadores e principalmente dos treinadores envolvidos; se o treinador for ruim, não há tempo que resolva).
quinta-feira, abril 09, 2015
Um puxão de orelha na Raposa
Leandro Damião. Eis uma boa notícia para o Cruzeiro. Tem jogado bem em 2015, e na noite desta quarta-feira, diante do Mineros, no Mineirão, não foi diferente. Jogou demais. O melhor em campo na vitória celeste por 3 a 0, um pouco à frente de De Arrascaeta. Alguns dirão que o adversário era fraco, algo incontestável. Porém também é incontestável que Damião jogou demais. Se não foi contra o Barcelona ou o Real Madrid, paciência. O fato é que ele jogou demais. Centroavante de mobilidade, caindo pelos flancos e buscando o jogo atrás para abrir espaços aos companheiros, longe de atuar apenas enfiado entre os zagueiros – mas sem abdicar de trabalhar como referência, claro. Dunga, aliás, deve estar doido para convocá-lo. Falta no elenco da Seleção um camisa 9 estilo Damião.

Outra boa notícia para o Cruzeiro é a convicção de Marcelo Oliveira. Desde o começo da temporada ele frisou a importância de repetir o XI na medida do possível, e assim ele tem feito. Trocando uma peça aqui, outra ali, quando necessário, contudo sempre no mesmo esquema tático: o habitual 4-2-3-1, adotado em 2013 e 2014. Contra o Mineros, a linha de três foi composta por Willian, De Arrascaeta e Alisson, enquanto Willians e Henrique formaram a dupla de volantes, e Mayke, Léo, Paulo André e Mena a linha de quatro da defesa (além de Damião, claro). No segundo tempo Marcelo colocou Gabriel Xavier no lugar de Willian (ponta direita), Seymour no de Willians (ao lado de Henrique) e Joel no de Alisson (ponta esquerda). Ou seja, o treinador tem mantido sua palavra e tem repetido o XI, trocando uma peça aqui, outra ali. E isso é ótimo, pois só assim se adquire entrosamento e se evolui. Mas como nem tudo são flores, é preciso registrar o lado negativo, para manter os pés no chão.
Não é de hoje que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira se comporta desta maneira. Foi bicampeão brasileiro jogando assim, é verdade. Mas foi assim também que foi eliminado da Libertadores no ano passado. Pode parecer um elogio, todavia é uma crítica: o time é muito vertical. Vertical demais. Quando retoma a bola, parte para cima sem pensar duas vezes, visando chegar ao gol em poucos passes, explorando a velocidade e a individualidade de seus homens de frente. Mas isso não é bom, Carlão? Até é. Porém essa estratégia tem um efeito colateral que pode pôr em cheque toda a campanha. Pelo seguinte: ao optar por verticalizar o jogo dessa forma, abrem-se muitos espaços entre os setores. Ao optar por esse estilo, fica difícil, para não dizer impossível, subir em bloco, e é aí que surgem os espaços. Em outras palavras, é difícil, para não dizer impossível, um time tão vertical obter compactação. E é justamente essa falta de compactação – tão comum nos times brasileiros – que oferece espaços para a outra equipe crescer. Portanto talvez seja necessário, na medida do possível, adicionar um pouco de cadência a essa verticalização toda.

Outra boa notícia para o Cruzeiro é a convicção de Marcelo Oliveira. Desde o começo da temporada ele frisou a importância de repetir o XI na medida do possível, e assim ele tem feito. Trocando uma peça aqui, outra ali, quando necessário, contudo sempre no mesmo esquema tático: o habitual 4-2-3-1, adotado em 2013 e 2014. Contra o Mineros, a linha de três foi composta por Willian, De Arrascaeta e Alisson, enquanto Willians e Henrique formaram a dupla de volantes, e Mayke, Léo, Paulo André e Mena a linha de quatro da defesa (além de Damião, claro). No segundo tempo Marcelo colocou Gabriel Xavier no lugar de Willian (ponta direita), Seymour no de Willians (ao lado de Henrique) e Joel no de Alisson (ponta esquerda). Ou seja, o treinador tem mantido sua palavra e tem repetido o XI, trocando uma peça aqui, outra ali. E isso é ótimo, pois só assim se adquire entrosamento e se evolui. Mas como nem tudo são flores, é preciso registrar o lado negativo, para manter os pés no chão.
Não é de hoje que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira se comporta desta maneira. Foi bicampeão brasileiro jogando assim, é verdade. Mas foi assim também que foi eliminado da Libertadores no ano passado. Pode parecer um elogio, todavia é uma crítica: o time é muito vertical. Vertical demais. Quando retoma a bola, parte para cima sem pensar duas vezes, visando chegar ao gol em poucos passes, explorando a velocidade e a individualidade de seus homens de frente. Mas isso não é bom, Carlão? Até é. Porém essa estratégia tem um efeito colateral que pode pôr em cheque toda a campanha. Pelo seguinte: ao optar por verticalizar o jogo dessa forma, abrem-se muitos espaços entre os setores. Ao optar por esse estilo, fica difícil, para não dizer impossível, subir em bloco, e é aí que surgem os espaços. Em outras palavras, é difícil, para não dizer impossível, um time tão vertical obter compactação. E é justamente essa falta de compactação – tão comum nos times brasileiros – que oferece espaços para a outra equipe crescer. Portanto talvez seja necessário, na medida do possível, adicionar um pouco de cadência a essa verticalização toda.
quinta-feira, abril 02, 2015
Por que o Corinthians é o favorito
Nas quatro vertentes do esporte, o Corinthians 2015 tem sobrado. Estamos entrando apenas no terceiro mês da temporada, eu sei, contudo me parece evidente que o Corinthians tem sobrado técnica, tática, física e mentalmente. Por essas e outras, o time treinado por Tite assume o papel de favorito em todas as competições que disputa (Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil). Se vai ganhá-las ou não, são outros quinhentos.
São outros quinhentos porque no mata-mata tudo pode acontecer. Qualquer um pode morrer e qualquer um pode sobreviver ao mata-mata. Nos pontos corridos a projeção é mais fácil, por motivos óbvios. Já no mata-mata, não. Portanto seria muita pretensão da minha parte, ou burrice mesmo, querer cravar que o Corinthians ganhará essa Libertadores. Dito isso, ainda assim, graças ao seu desempenho dentro de campo – e ao desempenho de seus concorrentes –, me parece nítido que o Corinthians assume a condição de principal candidato ao título. Por vários motivos.
Os dois principais motivos: a tática e a cabeça. Nenhum outro time do torneio (e isso se aplica a todas as outras equipes brasileiras, na Libertadores ou não) tem mostrado tamanho nível de concentração. Aliás, desde que voltou a trabalhar, Tite tem batido bastante na tecla da concentração. Basta prestar atenção em suas entrevistas. E essa exigência pela concentração, pelo foco total durante todo o tempo, tanto no treinamento quanto no jogo, tem refletido no campo. Ao contrário do que se vê por aí, os atletas comandados por Tite têm se mostrado extremamente concentrados no que estão fazendo, sem falar na confiança adquirida. Por isso, no quesito emocional do esporte, o Corinthians de Tite tem sobrado.
E tem sobrado também taticamente. Até no Brasil, onde a questão tática é chutada para escanteio, em função da ignorância da imprensa e da torcida, as pessoas têm se dado conta disso, têm se dado conta de que o Corinthians está sobrando taticamente. Embora para muitos jornalistas da TV 4-1-4-1 seja linha de ônibus, embora para muitos jornalistas a parte tática é um saco, pois lhes faltam conhecimento para discutir sobre, há um certo consenso na mídia de que o Corinthians de Tite está bem acima dos demais taticamente. E isso se vê dentro de campo, até aos olhos menos atentos. Ou seja, no quesito tático do esporte chamado futebol, a equipe treinada por Tite tem sobrado, com suas aproximações, sua compactação, sua ocupação de espaço, sua sincronia, sua troca de passes e etc.
Em relação aos outros dois aspectos do esporte chamado futebol – físico e técnico – o Corinthians também tem se destacado. Palmas para o preparador físico Fabio Masseredjan, e obviamente, palmas para os jogadores. Palmas para Jadson e Emerson, os caras das beiradas do 4-1-4-1 de Tite. Palmas para Guerrero, o centroavante matador multifuncional. Palmas para Renato Augusto e Elias, os dois interiores, que jogam à frente de Ralf, e que têm feito a diferença pela faixa central, em especial Elias, o volante do momento. E assim por diante. Quer dizer então que o Corinthians virou o melhor time do mundo, Carlão? Não. Do mundo, não. Mas do Brasil, com certeza. E talvez do continente. Por essas e outras, tornou-se o favorito ao título da Libertadores (e do Brasileirão e da Copa do Brasil). Mérito de quem alia conhecimento e trabalho, pois trabalho sem conhecimento leva à estagnação. Em outras palavras, palmas para Tite.
São outros quinhentos porque no mata-mata tudo pode acontecer. Qualquer um pode morrer e qualquer um pode sobreviver ao mata-mata. Nos pontos corridos a projeção é mais fácil, por motivos óbvios. Já no mata-mata, não. Portanto seria muita pretensão da minha parte, ou burrice mesmo, querer cravar que o Corinthians ganhará essa Libertadores. Dito isso, ainda assim, graças ao seu desempenho dentro de campo – e ao desempenho de seus concorrentes –, me parece nítido que o Corinthians assume a condição de principal candidato ao título. Por vários motivos.
Os dois principais motivos: a tática e a cabeça. Nenhum outro time do torneio (e isso se aplica a todas as outras equipes brasileiras, na Libertadores ou não) tem mostrado tamanho nível de concentração. Aliás, desde que voltou a trabalhar, Tite tem batido bastante na tecla da concentração. Basta prestar atenção em suas entrevistas. E essa exigência pela concentração, pelo foco total durante todo o tempo, tanto no treinamento quanto no jogo, tem refletido no campo. Ao contrário do que se vê por aí, os atletas comandados por Tite têm se mostrado extremamente concentrados no que estão fazendo, sem falar na confiança adquirida. Por isso, no quesito emocional do esporte, o Corinthians de Tite tem sobrado.
E tem sobrado também taticamente. Até no Brasil, onde a questão tática é chutada para escanteio, em função da ignorância da imprensa e da torcida, as pessoas têm se dado conta disso, têm se dado conta de que o Corinthians está sobrando taticamente. Embora para muitos jornalistas da TV 4-1-4-1 seja linha de ônibus, embora para muitos jornalistas a parte tática é um saco, pois lhes faltam conhecimento para discutir sobre, há um certo consenso na mídia de que o Corinthians de Tite está bem acima dos demais taticamente. E isso se vê dentro de campo, até aos olhos menos atentos. Ou seja, no quesito tático do esporte chamado futebol, a equipe treinada por Tite tem sobrado, com suas aproximações, sua compactação, sua ocupação de espaço, sua sincronia, sua troca de passes e etc.
Em relação aos outros dois aspectos do esporte chamado futebol – físico e técnico – o Corinthians também tem se destacado. Palmas para o preparador físico Fabio Masseredjan, e obviamente, palmas para os jogadores. Palmas para Jadson e Emerson, os caras das beiradas do 4-1-4-1 de Tite. Palmas para Guerrero, o centroavante matador multifuncional. Palmas para Renato Augusto e Elias, os dois interiores, que jogam à frente de Ralf, e que têm feito a diferença pela faixa central, em especial Elias, o volante do momento. E assim por diante. Quer dizer então que o Corinthians virou o melhor time do mundo, Carlão? Não. Do mundo, não. Mas do Brasil, com certeza. E talvez do continente. Por essas e outras, tornou-se o favorito ao título da Libertadores (e do Brasileirão e da Copa do Brasil). Mérito de quem alia conhecimento e trabalho, pois trabalho sem conhecimento leva à estagnação. Em outras palavras, palmas para Tite.
quarta-feira, março 04, 2015
Cruzeiro corre contra o tempo
Fábio no gol, Mayke a Mena nas laterais, Léo e Paulo André na zaga, Willians primeiro volante, Henrique segundo volante, Marquinhos e Willian nas pontas, De Arrascaeta por dentro, mais Damião na referência do ataque. Esse foi o time que iniciou o jogo contra o Huracán, no Mineirão, nesta terça-feira, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores. E esse deve ser o time que irá enfrentar o Mineros, fora de casa, pela terceira rodada. Na verdade a partida contra o Mineros é só daqui duas semanas, dia 19, portanto alguma peça pode ser alterada (Alisson na vaga de Willian ou Marquinhos parece ser a pedida). No entanto, na medida do possível, Marcelo Oliveira deixou claro que pretende repetir a equipe. E isso é ótimo.
"Um time se forma com a sequência de escalação e a sequência de jogos", disse o treinador do Cruzeiro ao microfone do Fox Sports, depois da partida contra o Huracán, ontem à noite. De fato, sem sequência, sem repetição, não há evolução, tampouco entrosamento. E é justamente disso que o Cruzeiro precisa, de entrosamento, uma vez que são cerca de cinco os novos titulares. Contra o Huracán, por exemplo, esse foi o número de recém-contratados no XI inicial (Paulo André, Mena, Willians, De Arrascaeta e Damião). Ou seja, de fato o entrosamento ainda não existe. Naturalmente. A boa notícia, todavia, é que Marcelo Oliveira sabe como alcançá-lo, pois ao afirmar que um time se forma com sequência de escalação e jogos, ele demonstra algo raro no país do 7 a 1: convicção – algo fundamental na formação de uma equipe (sem convicção não há repetição e sem repetição não há evolução).
Já a má notícia para o Cruzeiro é que pode não haver tempo suficiente. Toda evolução requer tempo (pergunte a Darwin), porém tempo é um artigo de luxo no momento, já que a Libertadores é disputada em apenas um semestre. Se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, a exemplo da Champions League, Marcelo Oliveira (e os demais treinadores em situação semelhante) teria um semestre para jogar a fase de grupos, um semestre para alcançar o entrosamento, e outro semestre para encarar a fase eliminatória. Se a Copa Libertadores fosse disputada em dois semestres, a exemplo da Champions League, o time entraria na fase de mata-mata num estágio de evolução mais avançado. Agora, como a Libertadores é disputada em apenas um semestre, é bastante provável que um time com cinco novos titulares não encontre o entrosamento a tempo, podendo assim morrer antes mesmo do mata-mata.
"Um time se forma com a sequência de escalação e a sequência de jogos", disse o treinador do Cruzeiro ao microfone do Fox Sports, depois da partida contra o Huracán, ontem à noite. De fato, sem sequência, sem repetição, não há evolução, tampouco entrosamento. E é justamente disso que o Cruzeiro precisa, de entrosamento, uma vez que são cerca de cinco os novos titulares. Contra o Huracán, por exemplo, esse foi o número de recém-contratados no XI inicial (Paulo André, Mena, Willians, De Arrascaeta e Damião). Ou seja, de fato o entrosamento ainda não existe. Naturalmente. A boa notícia, todavia, é que Marcelo Oliveira sabe como alcançá-lo, pois ao afirmar que um time se forma com sequência de escalação e jogos, ele demonstra algo raro no país do 7 a 1: convicção – algo fundamental na formação de uma equipe (sem convicção não há repetição e sem repetição não há evolução).
Já a má notícia para o Cruzeiro é que pode não haver tempo suficiente. Toda evolução requer tempo (pergunte a Darwin), porém tempo é um artigo de luxo no momento, já que a Libertadores é disputada em apenas um semestre. Se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, a exemplo da Champions League, Marcelo Oliveira (e os demais treinadores em situação semelhante) teria um semestre para jogar a fase de grupos, um semestre para alcançar o entrosamento, e outro semestre para encarar a fase eliminatória. Se a Copa Libertadores fosse disputada em dois semestres, a exemplo da Champions League, o time entraria na fase de mata-mata num estágio de evolução mais avançado. Agora, como a Libertadores é disputada em apenas um semestre, é bastante provável que um time com cinco novos titulares não encontre o entrosamento a tempo, podendo assim morrer antes mesmo do mata-mata.
sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Definir o XI é preciso
Aguirre ainda não tem o XI ideal na cabeça. Aparentemente não tem. Normal. Chegou ontem ao Internacional. Está conhecendo o elenco aos poucos. Deve ter suas ideias, deve ter suas convicções, porém ainda está conhecendo os atletas que tem em mãos. Aos poucos. Não só tática e técnica, mas também emocionalmente. Portanto é natural que em duas rodadas de Libertadores, ele tenha optado por dois times titulares diferentes (esquema e peças). Na semana passada, por exemplo, em La Paz, contra o Strongest, o Inter iniciou no 4-1-4-1 (veja aqui). Já diante da Universidad de Chile, nesta quinta-feira, no Beira-Rio, Aguirre adotou o 4-2-3-1 (esquema que foi utilizado contra o Strongest, diga-se de passagem, após Anderson ser substituído ainda no primeiro tempo).

Sem Nilmar, nem Rafael Moura, ontem Sasha foi escalado como centroavante, enquanto D’Alessandro, Vitinho e Jorge Henrique compuseram a linha de três. Isso mesmo. Nessa ordem: D’Alessandro à direita, Vitinho por dentro e Jorge Henrique à esquerda. Muitas vezes os caras pelas beiradas (D'Ale e JH) se alinhavam aos volantes (Nilton e Aránguiz), configurando assim um 4-4-1-1. É verdade. Detalhe. Ainda assim, o que chamou a atenção foi o posicionamento do camisa 10, à direita mesmo. Na partida na Bolívia, quando Anderson saiu para Vitinho entrar, por exemplo, D’Ale passou para a faixa central, de modo que os flancos ficaram ocupados por Vitinho e Eduardo Sasha. Já diante da Universidad de Chile, D’Alessandro jogou onde mais se sente à vontade: à direita, canhoto que é, em regra partindo para dentro, com Vitinho pela faixa central e Jorge Henrique na outra ponta.
A questão é: qual o XI ideal? Na medida em que Aguirre conhece os atletas que tem em mãos, quais serão suas escolhas? A julgar pelo desempenho no 4-1-4-1 com Anderson, o 4-2-3-1 (variação 4-4-1-1) parece ser o esquema tático mais indicado mesmo. Enquanto Anderson não tem condições físicas para jogar em alto nível, talvez o treinador uruguaio siga mesmo no 4-2-3-1, provavelmente com Nilton e Aránguiz volantes, D’Alessandro à direita, Sasha à esquerda, Nilmar na frente e, pela faixa central... Alex, e não Vitinho. Creio que depois de ontem, quando entrou no segundo tempo na vaga de Vitinho e meio que mudou o jogo (o passe para o gol de Jorge Henrique – o 2 a 0 – foi dele), Alex deve ganhar a titularidade na quarta-feira que vem, contra o líder do grupo Emelec, em Porto Alegre. Creio que depois de ontem, fica evidente a importância técnica de Alex ao time, em pleno 2015. Se assim for, se Alex virar titular, aí Anderson e Vitinho, as duas grandes contratações da última “janela”, por ora ficarão no banco.

Sem Nilmar, nem Rafael Moura, ontem Sasha foi escalado como centroavante, enquanto D’Alessandro, Vitinho e Jorge Henrique compuseram a linha de três. Isso mesmo. Nessa ordem: D’Alessandro à direita, Vitinho por dentro e Jorge Henrique à esquerda. Muitas vezes os caras pelas beiradas (D'Ale e JH) se alinhavam aos volantes (Nilton e Aránguiz), configurando assim um 4-4-1-1. É verdade. Detalhe. Ainda assim, o que chamou a atenção foi o posicionamento do camisa 10, à direita mesmo. Na partida na Bolívia, quando Anderson saiu para Vitinho entrar, por exemplo, D’Ale passou para a faixa central, de modo que os flancos ficaram ocupados por Vitinho e Eduardo Sasha. Já diante da Universidad de Chile, D’Alessandro jogou onde mais se sente à vontade: à direita, canhoto que é, em regra partindo para dentro, com Vitinho pela faixa central e Jorge Henrique na outra ponta.
A questão é: qual o XI ideal? Na medida em que Aguirre conhece os atletas que tem em mãos, quais serão suas escolhas? A julgar pelo desempenho no 4-1-4-1 com Anderson, o 4-2-3-1 (variação 4-4-1-1) parece ser o esquema tático mais indicado mesmo. Enquanto Anderson não tem condições físicas para jogar em alto nível, talvez o treinador uruguaio siga mesmo no 4-2-3-1, provavelmente com Nilton e Aránguiz volantes, D’Alessandro à direita, Sasha à esquerda, Nilmar na frente e, pela faixa central... Alex, e não Vitinho. Creio que depois de ontem, quando entrou no segundo tempo na vaga de Vitinho e meio que mudou o jogo (o passe para o gol de Jorge Henrique – o 2 a 0 – foi dele), Alex deve ganhar a titularidade na quarta-feira que vem, contra o líder do grupo Emelec, em Porto Alegre. Creio que depois de ontem, fica evidente a importância técnica de Alex ao time, em pleno 2015. Se assim for, se Alex virar titular, aí Anderson e Vitinho, as duas grandes contratações da última “janela”, por ora ficarão no banco.
quinta-feira, fevereiro 26, 2015
Repetir o XI é preciso
“A gente tem que evoluir.” São palavras de Rogério Ceni. Ao final da partida contra o Danubio, na noite desta quarta, no Morumbi, pela segunda rodada da fase de grupos Libertadores, Rogério Ceni disse que é preciso “melhorar”. Segundo o capitão tricolor, o desempenho do time perante a equipe uruguaia foi “razoável”, apesar do placar por 4 a 0 (Pato duas vezes, Reinaldo e Cafu). Concordo. Apesar do placar, pode-se sim dizer que a exibição foi razoável. E concordo mais ainda que o time tem que evoluir. Só que essa evolução jamais ocorrerá se o treinador não tiver convicção, porque sem convicção não há repetição, e sem repetição consequentemente não há evolução. Em outras palavras, essa evolução reclamada por Rogério jamais ocorrerá se Muricy não repetir o XI (as peças e o esquema tático).

Durante o segundo semestre do ano passado, quando engrenou de vez, o São Paulo se distribuiu no 4-4-2 em linha, com Ganso e Kaká pelas beiradas, Denilson e Souza volantes, mais a dupla de ataque, ora formada por Kardec e Pato, ora por Kardec e Luis Fabiano, ora por Pato e Luis Fabiano. Apesar de eu não gostar da ideia de Ganso aberto (você que me segue no Twitter sabe bem disso), admito que dessa forma, no 4-4-2 em linha, o time emplacou uma sequência relevante de vitórias no Brasileirão, acima de tudo, jogando bem. E foi assim, no 4-4-2 em linha, jogando bem, que o time encerrou a temporada em alta. Eis que no primeiro jogo da Libertadores 2015, não entendi até hoje por que, Muricy trocou o esquema tático. Na constrangedora derrota para o Corinthians (leia o post aqui), Muricy passou para o 4-4-2 em losango, algo praticamente inédito (sem falar no deslocamento de Michel Bastos – o substituto de Kaká – para a lateral). Aí te pergunto: por quê?
Já diante do Danubio, Muricy fez o que deveria ser feito: voltou para o 4-4-2 em linha, com Ganso aberto na direita, Michel Bastos na esquerda, e Pato e Luis Fabiano no ataque (e o time venceu por 4 a 0). Um bom sinal, já que foi nessa estrutura tática que o time rendeu mais na temporada passada. Logo, evidentemente, é preciso repeti-la na próxima rodada. Mas mais do que isso, mais do que repetir o esquema tático na próxima rodada, é preciso repetir as peças, é preciso repetir os jogadores. Repetir o esquema tático será um bom começo, eu sei. Contudo a evolução que Rogério pede jamais ocorrerá se Muricy Ramalho não repetir as peças. O entrosamento jamais irá florescer, por exemplo, se num jogo Pato é banco, no outro é titular, e assim por diante (olhe este tweet). Ou seja, além do esquema tático, Muricy precisa repetir os titulares, repetir o XI como um todo, faça chuva ou faça sol. Caso contrário, não haverá evolução.

Durante o segundo semestre do ano passado, quando engrenou de vez, o São Paulo se distribuiu no 4-4-2 em linha, com Ganso e Kaká pelas beiradas, Denilson e Souza volantes, mais a dupla de ataque, ora formada por Kardec e Pato, ora por Kardec e Luis Fabiano, ora por Pato e Luis Fabiano. Apesar de eu não gostar da ideia de Ganso aberto (você que me segue no Twitter sabe bem disso), admito que dessa forma, no 4-4-2 em linha, o time emplacou uma sequência relevante de vitórias no Brasileirão, acima de tudo, jogando bem. E foi assim, no 4-4-2 em linha, jogando bem, que o time encerrou a temporada em alta. Eis que no primeiro jogo da Libertadores 2015, não entendi até hoje por que, Muricy trocou o esquema tático. Na constrangedora derrota para o Corinthians (leia o post aqui), Muricy passou para o 4-4-2 em losango, algo praticamente inédito (sem falar no deslocamento de Michel Bastos – o substituto de Kaká – para a lateral). Aí te pergunto: por quê?
Já diante do Danubio, Muricy fez o que deveria ser feito: voltou para o 4-4-2 em linha, com Ganso aberto na direita, Michel Bastos na esquerda, e Pato e Luis Fabiano no ataque (e o time venceu por 4 a 0). Um bom sinal, já que foi nessa estrutura tática que o time rendeu mais na temporada passada. Logo, evidentemente, é preciso repeti-la na próxima rodada. Mas mais do que isso, mais do que repetir o esquema tático na próxima rodada, é preciso repetir as peças, é preciso repetir os jogadores. Repetir o esquema tático será um bom começo, eu sei. Contudo a evolução que Rogério pede jamais ocorrerá se Muricy Ramalho não repetir as peças. O entrosamento jamais irá florescer, por exemplo, se num jogo Pato é banco, no outro é titular, e assim por diante (olhe este tweet). Ou seja, além do esquema tático, Muricy precisa repetir os titulares, repetir o XI como um todo, faça chuva ou faça sol. Caso contrário, não haverá evolução.
quinta-feira, fevereiro 19, 2015
Palmas para Tite e vaias para Muricy
Nos últimos dois meses, Tite fez mais pelo Corinthians do que Muricy fez pelo São Paulo nos últimos dois anos. Mais ou menos isso. No clássico disputado na Arena, nesta quarta-feira, válido pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, essa diferença ficou nítida, quando o time treinado por Tite deu um banho no time treinado por Muricy, em especial nos quesitos tático e emocional do esporte. No que diz respeito à distribuição tática das peças, à estratégia, à proposta de jogo (e sua aplicação) e à concentração, o time de Tite superou o de Muricy com facilidade. A vitória corinthiana por 2 a 0 reflete fielmente o que foi a partida.

Não quero ser imediatista. Não pretendo julgar o trabalho de Muricy, nem de Tite, por apenas um jogo. Não vou endeusar Tite, nem crucificar Muricy, pelo jogo desta quarta. No entanto, se você pensar que Muricy está no São Paulo desde setembro de 2013, e que Tite voltou esses dias ao Corinthians, em tese o São Paulo deveria estar bem melhor que o Corinthians. Em tese o São Paulo deveria se encontrar num nível de evolução muito mais avançado que o Corinthians. Na prática, todavia, o que se viu foi o contrário. O que se viu foi a equipe que está sendo formada há menos tempo (Corinthians) muito mais completa do que a que vem sendo formada há mais tempo (São Paulo). E isso tem tudo a ver com o treinador. Palmas para Tite. Vaias para Muricy.
Pegue Jadson e Ganso, por exemplo. Personagens principais, por motivos óbvios: Jadson perdeu espaço no São Paulo após a chegada de Ganso e acabou negociado com o Corinthians, naquela transação que envolveu Alexandre Pato. A julgar pelo Majestoso desta quarta, você pode chegar à conclusão de que o São Paulo fez besteira, pois Jadson é melhor que Ganso, afinal o camisa 10 tricolor fez uma péssima partida e o camisa 10 alvinegro decidiu (uma assistência para Elias no primeiro tempo e um gol no segundo). Contudo é preciso ponderar que Jadson tem um time ao redor dele, ao passo que Ganso, não. E é aí que entra o dedo do treinador. Se Ganso não tem um time que funciona coletivamente ao seu redor, a responsabilidade é sim de Muricy, que está no cargo há quase dois anos. E se Jadson tem um time que funciona coletivamente ao seu redor, o mérito é sim de Tite, que está no cargo há quase dois meses. Ou seja, palmas para Tite e vaias para Muricy.

Não quero ser imediatista. Não pretendo julgar o trabalho de Muricy, nem de Tite, por apenas um jogo. Não vou endeusar Tite, nem crucificar Muricy, pelo jogo desta quarta. No entanto, se você pensar que Muricy está no São Paulo desde setembro de 2013, e que Tite voltou esses dias ao Corinthians, em tese o São Paulo deveria estar bem melhor que o Corinthians. Em tese o São Paulo deveria se encontrar num nível de evolução muito mais avançado que o Corinthians. Na prática, todavia, o que se viu foi o contrário. O que se viu foi a equipe que está sendo formada há menos tempo (Corinthians) muito mais completa do que a que vem sendo formada há mais tempo (São Paulo). E isso tem tudo a ver com o treinador. Palmas para Tite. Vaias para Muricy.
Pegue Jadson e Ganso, por exemplo. Personagens principais, por motivos óbvios: Jadson perdeu espaço no São Paulo após a chegada de Ganso e acabou negociado com o Corinthians, naquela transação que envolveu Alexandre Pato. A julgar pelo Majestoso desta quarta, você pode chegar à conclusão de que o São Paulo fez besteira, pois Jadson é melhor que Ganso, afinal o camisa 10 tricolor fez uma péssima partida e o camisa 10 alvinegro decidiu (uma assistência para Elias no primeiro tempo e um gol no segundo). Contudo é preciso ponderar que Jadson tem um time ao redor dele, ao passo que Ganso, não. E é aí que entra o dedo do treinador. Se Ganso não tem um time que funciona coletivamente ao seu redor, a responsabilidade é sim de Muricy, que está no cargo há quase dois anos. E se Jadson tem um time que funciona coletivamente ao seu redor, o mérito é sim de Tite, que está no cargo há quase dois meses. Ou seja, palmas para Tite e vaias para Muricy.
quarta-feira, fevereiro 18, 2015
Inter estreia com o pé esquerdo
Quando Anderson foi anunciado pelo Inter, projetei o time num 4-1-4-1 com D’Alessandro, Aránguiz, ele e Vitinho na linha de quatro do meio, Nilton atrás dela e Nilmar na frente (veja aqui). Não deu outra. Na estreia da Libertadores, na noite desta terça-feira, diante do Strongest, em La Paz, Aguirre adotou o 4-1-4-1, com Sasha na vaga de Vitinho (completaram a linha de quatro da defesa Léo, Ernando, Alan e Fabrício – veja aqui). Convenhamos que não é preciso ser um gênio para perceber que para encaixar essas determinadas peças, trata-se do esquema tático mais indicado. Mas não deu certo. Não pelo esquema tático em si, mas obviamente não deu certo (a estratégia me pareceu a grande vilã da história, sem falar no terrível rendimento individual de alguns atletas). A equipe boliviana controlou a bola e o adversário nos primeiros 45 minutos com enorme facilidade, ao ponto de abrir o placar aos 11 (Chumacero) e ampliá-lo aos 15 (Ramallo) e praticamente matar o jogo na primeira etapa.

No primeiro tempo, aos 37 minutos, o treinador colorado tentou consertar o time ao substituir Anderson por Vitinho, passando para o 4-2-3-1 (Vitinho e Sasha pelas beiradas, D’Alessandro por dentro e Nilton e Aránguiz volantes). A partida feita por Anderson, aliás, foi péssima – como a do time como um todo, diga-se de passagem. Escancarou a fragilidade (talvez momentânea) física, técnica e mental do camisa 8. Sem a bola, basicamente caminhou, trotou e olhou o Strongest jogar. Já com ela, mal conseguiu dominá-la, na verdade. Mal a teve no pé esquerdo (justiça seja feita, o time todo do Inter não sabia o que fazer com a bola nas poucas vezes em que a recuperava). Eu sei que o jogo foi na altitude, etc e blá. E não quero cair na armadilha do imediatismo – esse câncer das análises de futebol no Brasil. Contudo ficou meio evidente que Anderson não pode ser titular no momento. Vai precisar de algumas semanas para entrar em forma física, técnica e emocional. E nesse meio tempo, parece-me que a melhor alternativa é essa mesmo, com Vitinho e Sasha pelas extremas e D’Ale pela faixa central, no 4-2-3-1. Agora, desde que Aguirre realmente concorde que Anderson não tem condições de ser titular por ora, é preciso repetir essa formação com Vitinho e Sasha, caso contrário não haverá evolução.
No fim das contas, apesar da relativa melhora do Colorado após a saída de Anderson e a entrada de Vitinho, os donos da casa continuaram superiores, mandando no confronto. Apesar do gol de pênalti marcado por D’Alessandro aos 4 minutos da segunda etapa, o Strongest se mostrou mais forte. O tempo todo esteve mais perto de marcar o terceiro do que o Inter de empatar. E não de outra. A cinco minutos do apito final, após bela jogada coletiva (algo que não existiu pelo lado do Inter, por exemplo), Chumacero fez seu segundo e definiu o placar final, que, convenhamos, ficou barato: 3 a 1. Poderia ter sido mais. Alisson foi um dos destaques do Inter, para se ter noção. Mas enfim. Seja como for, Aguirre precisa definir o chamado XI ideal o quanto antes. Se por enquanto é sem Anderson, que insista nisso (no momento eu votaria sem). Se é com Anderson, que insista nisso igualmente. O que não pode haver é falta de convicção por parte do treinador. Tampouco falta de paciência por parte da torcida, da imprensa e da diretoria.
PS: Chumacero é a cara do Schweinsteiger.

No primeiro tempo, aos 37 minutos, o treinador colorado tentou consertar o time ao substituir Anderson por Vitinho, passando para o 4-2-3-1 (Vitinho e Sasha pelas beiradas, D’Alessandro por dentro e Nilton e Aránguiz volantes). A partida feita por Anderson, aliás, foi péssima – como a do time como um todo, diga-se de passagem. Escancarou a fragilidade (talvez momentânea) física, técnica e mental do camisa 8. Sem a bola, basicamente caminhou, trotou e olhou o Strongest jogar. Já com ela, mal conseguiu dominá-la, na verdade. Mal a teve no pé esquerdo (justiça seja feita, o time todo do Inter não sabia o que fazer com a bola nas poucas vezes em que a recuperava). Eu sei que o jogo foi na altitude, etc e blá. E não quero cair na armadilha do imediatismo – esse câncer das análises de futebol no Brasil. Contudo ficou meio evidente que Anderson não pode ser titular no momento. Vai precisar de algumas semanas para entrar em forma física, técnica e emocional. E nesse meio tempo, parece-me que a melhor alternativa é essa mesmo, com Vitinho e Sasha pelas extremas e D’Ale pela faixa central, no 4-2-3-1. Agora, desde que Aguirre realmente concorde que Anderson não tem condições de ser titular por ora, é preciso repetir essa formação com Vitinho e Sasha, caso contrário não haverá evolução.
No fim das contas, apesar da relativa melhora do Colorado após a saída de Anderson e a entrada de Vitinho, os donos da casa continuaram superiores, mandando no confronto. Apesar do gol de pênalti marcado por D’Alessandro aos 4 minutos da segunda etapa, o Strongest se mostrou mais forte. O tempo todo esteve mais perto de marcar o terceiro do que o Inter de empatar. E não de outra. A cinco minutos do apito final, após bela jogada coletiva (algo que não existiu pelo lado do Inter, por exemplo), Chumacero fez seu segundo e definiu o placar final, que, convenhamos, ficou barato: 3 a 1. Poderia ter sido mais. Alisson foi um dos destaques do Inter, para se ter noção. Mas enfim. Seja como for, Aguirre precisa definir o chamado XI ideal o quanto antes. Se por enquanto é sem Anderson, que insista nisso (no momento eu votaria sem). Se é com Anderson, que insista nisso igualmente. O que não pode haver é falta de convicção por parte do treinador. Tampouco falta de paciência por parte da torcida, da imprensa e da diretoria.
PS: Chumacero é a cara do Schweinsteiger.
segunda-feira, fevereiro 16, 2015
Libertem a Libertadores!
Aleluia. É semana de UEFA Champions League e Copa Libertadores da América. Há mais de um semestre não sabemos o que é isso. Há mais de um semestre fomos privados desse momento glorioso. Há mais de um semestre não vivemos essa overdose de futebol no meio da semana. Portanto devemos celebrar. Nesta terça-feira tem PSG vs Chelsea e Shakhtar vs Bayern, além de The Strongest vs Internacional. Já na quarta-feira tem Schalke 04 vs Real Madrid, Basel vs Porto, Colo-Colo vs Atlético-MG, sem falar no clássico entre Corinthians e São Paulo. Poderia ser mais legal se a Libertadores estivesse iniciando a fase de oitavas de final, como está acontecendo com a Champions League 2014/15. Mas isso não acontece, por uma questão de falta de visão global do esporte por parte de quem manda, em função de um misto de maldade e incompetência (bela combinação, hein?).
Não acontece porque a Libertadores acaba no meio do ano. Sob o ponto de vista brasileiro, no meio da temporada, o que, convenhamos, é um absurdo, uma vez que ela acaba numa quarta-feira e no domingo seguinte tem rodada do Brasileirão, quando na verdade a finalíssima da Libertadores deveria ser o último jogo da temporada (como acontece na Europa com a Champions). Em 2013, por exemplo, salvo engano, o Atlético-MG ganhou a Libertadores na quarta e no fim de semana seguinte teve um jogo contra ninguém menos que o Cruzeiro (o time que acabaria campeão do Brasileirão). Só isso. Como exigir o mesmo nível de concentração? Impossível. No fim do dia o espetáculo é prejudicado, e quem paga o pato é o consumidor, o torcedor.
Pense. Reflita. Se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, não teríamos este hiato tão grande entre estas semanas maravilhosas. Mas mais do que isso: se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, seus jogos ficariam mais espaçados, e haveria mais tempo aos treinadores e aos times para evoluírem dentro da competição – o que consequentemente elevaria a qualidade do espetáculo dentro das quatro linhas. Contudo, como as pessoas que mandam no futebol do lado de cá do oceano atlântico não se interessam pela qualidade do espetáculo dentro de campo, pois são regidas por uma mistura de incompetência e má fé (que bela combinação, hein?!), nós ficamos a ver navios, em especial durante o segundo semestre do ano, quando não tem Libertadores, e somos sustentados pela fase de grupos da UCL – esta sim, óbvia e inteligentemente disputada em dois semestres.
Não acontece porque a Libertadores acaba no meio do ano. Sob o ponto de vista brasileiro, no meio da temporada, o que, convenhamos, é um absurdo, uma vez que ela acaba numa quarta-feira e no domingo seguinte tem rodada do Brasileirão, quando na verdade a finalíssima da Libertadores deveria ser o último jogo da temporada (como acontece na Europa com a Champions). Em 2013, por exemplo, salvo engano, o Atlético-MG ganhou a Libertadores na quarta e no fim de semana seguinte teve um jogo contra ninguém menos que o Cruzeiro (o time que acabaria campeão do Brasileirão). Só isso. Como exigir o mesmo nível de concentração? Impossível. No fim do dia o espetáculo é prejudicado, e quem paga o pato é o consumidor, o torcedor.
Pense. Reflita. Se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, não teríamos este hiato tão grande entre estas semanas maravilhosas. Mas mais do que isso: se a Libertadores fosse disputada em dois semestres, seus jogos ficariam mais espaçados, e haveria mais tempo aos treinadores e aos times para evoluírem dentro da competição – o que consequentemente elevaria a qualidade do espetáculo dentro das quatro linhas. Contudo, como as pessoas que mandam no futebol do lado de cá do oceano atlântico não se interessam pela qualidade do espetáculo dentro de campo, pois são regidas por uma mistura de incompetência e má fé (que bela combinação, hein?!), nós ficamos a ver navios, em especial durante o segundo semestre do ano, quando não tem Libertadores, e somos sustentados pela fase de grupos da UCL – esta sim, óbvia e inteligentemente disputada em dois semestres.
quinta-feira, maio 08, 2014
Cruzeiro precisa se impor nas Américas
A notícia ruim foi não ter feito gol no Nuevo Gasómetro. Foi a derrota por 1 a 0. No mata-mata, você sabe, gol fora de casa é meio caminho andado. A boa notícia é que o San Lorenzo não é nenhum Real Madrid no contra ataque, e é provável que Fábio não seja vazado no jogo do Mineirão. Ou seja, um 2 a 0 em cima do bom mas nem tanto assim time argentino é bem possível.
Não só por ser meu favorito, particularmente eu acredito na classificação do Cruzeiro às quartas de final da Copa Libertadores. Porém se ela vier, é bom qu se diga, será por causa do jogo da volta, porque no da ida o time treinado por Marcelo Oliveira cometeu erros não só de ordem técnica, mas também de postura. Erros corrigíveis, diga-se de passagem.

Empatar fora de casa é bom para times medianos. Não é o caso do Cruzeiro. Ou pelo menos não deveria ser. Porque o Cruzeiro está acima da média. Se não muito acima da média do futebol latino-americano como um todo, com certeza acima da média do futebol praticado no Brasil. Tanto é que ganhou o Brasileirão 2013 da forma que ganhou. Portanto aquele discurso de "empatar fora de casa tá bom" não se aplica ao Cruzeiro (no Brasileirão não se aplica). Ou não deveria se aplicar. Porque se tem um time no país capaz de trocar passes envolventes no campo ofensivo, esse time é o Cruzeiro. Talvez o único.
O que se viu na prática, em Buenos Aires, nesta quarta-feira, no entanto, foi uma equipe incapaz de prender a bola no ataque, incapaz de trocar passes e girar o jogo com paciência, à espera e em busca dos espaços (claro, sem tirar os méritos defensivos do San Lorenzo). Em especial na primeira metade do primeiro tempo, a bola queimou nos pés cruzeirenses. Muita pressa e pouco controle, pouco autocontrole, o que resultou em vários erros de passe, inclusive nas obsessivas situações de contra ataque.
Priorizar o contra ataque com unhas e dentes, aliás, não pode ser o caso da Raposa. O Cruzeiro não precisa, ao jogar fora de casa, se fechar em função "apenas" do contra ataque. Sem tirar os méritos de quem o faz com disciplina e talento. Pelo contrário. Mas, convenhamos, o Cruzeiro tem condições de propor, ou melhor, de impor, seu estilo de jogo também como visitante. Veja bem, não estou falando que o Cruzeiro é o Bayern, que joga contra tudo e contra todos da mesma maneira. Não é isso. No caso específico de ontem, todavia, as condições para o Cruzeiro ditar o ritmo da partida eram mais do que favoráveis.
Talvez por nervosismo, ou por estratégia do treinador, não sei, em vez disso, em vez de trabalhar a posse de bola no território inimigo, da intermediária em frente, nas proximidades da área adversária, a passes curtos, a Raposa se fechou lá atrás com duas legítimas linhas de quatro (Éverton Ribeiro e Willian wingers, alinhados aos volantes Henrique e Lucas Silva) e priorizou o contra golpe, que, na prática, não se materializou. Quem sabe, se Ricardo Goulart estivesse no banco e Dagoberto no campo por mais tempo, essa transição ofensiva teria tido outro desfecho, devidos às características dos atletas e da estratégia em vigor. Mas essa é outra discussão, que mereceria outro post.
Enfim, acho que o Cruzeiro vai passar para a próxima fase (na verdade acho que vai ser o campeão, né). É provável que Fábio não leve nenhum gol no Mineirão, e que a turma da linha faça ao menos um em Torrico. Ou dois. Três. Vai saber. Pois o time do Cruzeiro é acima da média, e justamente por isso precisa impor seu estilo de jogo, tanto em BH quanto longe de lá. Não pode se apequenar no pensamento de que empatar fora de casa está bom, ou de que jogar por uma bola seja o caminho mais indicado. A Raposa tem futebol para mostras suas garras, independente do terreno.
Não só por ser meu favorito, particularmente eu acredito na classificação do Cruzeiro às quartas de final da Copa Libertadores. Porém se ela vier, é bom qu se diga, será por causa do jogo da volta, porque no da ida o time treinado por Marcelo Oliveira cometeu erros não só de ordem técnica, mas também de postura. Erros corrigíveis, diga-se de passagem.

Empatar fora de casa é bom para times medianos. Não é o caso do Cruzeiro. Ou pelo menos não deveria ser. Porque o Cruzeiro está acima da média. Se não muito acima da média do futebol latino-americano como um todo, com certeza acima da média do futebol praticado no Brasil. Tanto é que ganhou o Brasileirão 2013 da forma que ganhou. Portanto aquele discurso de "empatar fora de casa tá bom" não se aplica ao Cruzeiro (no Brasileirão não se aplica). Ou não deveria se aplicar. Porque se tem um time no país capaz de trocar passes envolventes no campo ofensivo, esse time é o Cruzeiro. Talvez o único.
O que se viu na prática, em Buenos Aires, nesta quarta-feira, no entanto, foi uma equipe incapaz de prender a bola no ataque, incapaz de trocar passes e girar o jogo com paciência, à espera e em busca dos espaços (claro, sem tirar os méritos defensivos do San Lorenzo). Em especial na primeira metade do primeiro tempo, a bola queimou nos pés cruzeirenses. Muita pressa e pouco controle, pouco autocontrole, o que resultou em vários erros de passe, inclusive nas obsessivas situações de contra ataque.
Priorizar o contra ataque com unhas e dentes, aliás, não pode ser o caso da Raposa. O Cruzeiro não precisa, ao jogar fora de casa, se fechar em função "apenas" do contra ataque. Sem tirar os méritos de quem o faz com disciplina e talento. Pelo contrário. Mas, convenhamos, o Cruzeiro tem condições de propor, ou melhor, de impor, seu estilo de jogo também como visitante. Veja bem, não estou falando que o Cruzeiro é o Bayern, que joga contra tudo e contra todos da mesma maneira. Não é isso. No caso específico de ontem, todavia, as condições para o Cruzeiro ditar o ritmo da partida eram mais do que favoráveis.
Talvez por nervosismo, ou por estratégia do treinador, não sei, em vez disso, em vez de trabalhar a posse de bola no território inimigo, da intermediária em frente, nas proximidades da área adversária, a passes curtos, a Raposa se fechou lá atrás com duas legítimas linhas de quatro (Éverton Ribeiro e Willian wingers, alinhados aos volantes Henrique e Lucas Silva) e priorizou o contra golpe, que, na prática, não se materializou. Quem sabe, se Ricardo Goulart estivesse no banco e Dagoberto no campo por mais tempo, essa transição ofensiva teria tido outro desfecho, devidos às características dos atletas e da estratégia em vigor. Mas essa é outra discussão, que mereceria outro post.
Enfim, acho que o Cruzeiro vai passar para a próxima fase (na verdade acho que vai ser o campeão, né). É provável que Fábio não leve nenhum gol no Mineirão, e que a turma da linha faça ao menos um em Torrico. Ou dois. Três. Vai saber. Pois o time do Cruzeiro é acima da média, e justamente por isso precisa impor seu estilo de jogo, tanto em BH quanto longe de lá. Não pode se apequenar no pensamento de que empatar fora de casa está bom, ou de que jogar por uma bola seja o caminho mais indicado. A Raposa tem futebol para mostras suas garras, independente do terreno.
sexta-feira, maio 02, 2014
Sem continuidade não há êxito
Entre os times brasileiros da Copa Libertadores 2014, Flamengo à parte, o único que tem o mesmo treinador desde o início do ano passado é o Cruzeiro. Não à toa, a equipe treinada por Marcelo Oliveira é a única sobrevivente do mata-mata das oitavas de final.
Não. Não é uma mera coincidência.

Lembre-se: na virada da temporada, Manuel Ángel Portugal assumiu o lugar de Vagner Mancini no Atlético-PR, Enderson Moreira assumiu a vaga de Renato Gaúcho no Grêmio (que havia assumido na metade de 2013 a de Luxemburgo), Paulo Autuori assumiu a de Cuca no Atlético-MG (e já foi demitido, com quatro meses de trabalho), e Eduardo Hungaro assumiu o cargo de Oswaldo Oliveira no Botafogo (e já foi demitido, com menos de quatro meses de trabalho).
"E está claro que, nos dias de hoje, o segredo do sucesso, no futebol brasileiro, é a continuidade do trabalho." Escrevi isso em janeiro de 2007, num post a respeito de Mano Menezes no Grêmio (veja aqui). Janeiro de dois mil e sete. Ou seja: há anos se bate nessa tecla, e ainda assim a maioria dos presidentes de clubes de futebol segue batendo a cabeça na parede, dando murro em ponta de faca. E por que eles fazem isso? Na minha interpretação, fazem porque não entendem nada de futebol (campo e bola), logo não têm conhecimento, nem convicção, para trocar argumentos, sobre campo e bola, com os técnicos. Em regra nossos presidentes não entendem de campo e bola o suficiente para concluírem: "Hm, esse cara tá atrasadíssimo, parou no tempo, não vou contratá-lo para treinar o meu time nem a pau, não por esse preço."
Por essas e outras o conceito de custo-benefício praticamente inexiste entre nossa cartolagem. Paga-se salários de Guardiolas para Joéis Santantas, paga-se salários de Messis para, sei lá, Carlos Eduardos da vida. Veja bem: só para deixar claro, não compartilho da tese de que jogador (e treinador) de futebol ganha muito. O futebol gira muito dinheiro em todas as esferas a seu redor, e as principais peças desse entretenimento bilionário ganham dinheiro dentro dessa proporção. Aqui no Brasil, no entanto, paga-se por uma coisa, mas recebe-se outra muito inferior (até parece nossos impostos, não vemos um retorno à altura).
Não. Não é uma mera coincidência.

Lembre-se: na virada da temporada, Manuel Ángel Portugal assumiu o lugar de Vagner Mancini no Atlético-PR, Enderson Moreira assumiu a vaga de Renato Gaúcho no Grêmio (que havia assumido na metade de 2013 a de Luxemburgo), Paulo Autuori assumiu a de Cuca no Atlético-MG (e já foi demitido, com quatro meses de trabalho), e Eduardo Hungaro assumiu o cargo de Oswaldo Oliveira no Botafogo (e já foi demitido, com menos de quatro meses de trabalho).
"E está claro que, nos dias de hoje, o segredo do sucesso, no futebol brasileiro, é a continuidade do trabalho." Escrevi isso em janeiro de 2007, num post a respeito de Mano Menezes no Grêmio (veja aqui). Janeiro de dois mil e sete. Ou seja: há anos se bate nessa tecla, e ainda assim a maioria dos presidentes de clubes de futebol segue batendo a cabeça na parede, dando murro em ponta de faca. E por que eles fazem isso? Na minha interpretação, fazem porque não entendem nada de futebol (campo e bola), logo não têm conhecimento, nem convicção, para trocar argumentos, sobre campo e bola, com os técnicos. Em regra nossos presidentes não entendem de campo e bola o suficiente para concluírem: "Hm, esse cara tá atrasadíssimo, parou no tempo, não vou contratá-lo para treinar o meu time nem a pau, não por esse preço."
Por essas e outras o conceito de custo-benefício praticamente inexiste entre nossa cartolagem. Paga-se salários de Guardiolas para Joéis Santantas, paga-se salários de Messis para, sei lá, Carlos Eduardos da vida. Veja bem: só para deixar claro, não compartilho da tese de que jogador (e treinador) de futebol ganha muito. O futebol gira muito dinheiro em todas as esferas a seu redor, e as principais peças desse entretenimento bilionário ganham dinheiro dentro dessa proporção. Aqui no Brasil, no entanto, paga-se por uma coisa, mas recebe-se outra muito inferior (até parece nossos impostos, não vemos um retorno à altura).
quinta-feira, abril 10, 2014
Qual brasileiro vai mais longe?
Os outros jogadores do Atlético inscritos na Libertadores: Giovanni, Lee, Réver, Edcarlos, Jemerson, Lucas Cândido, Pedro Botelho, Alex, Claudinei, Fillipe Soutto, Josué, Rosinei, Renan Oliveira, Guilherme, André, Marion, Carlos, Neto Berola, Leonardo (Anelka?).

Os outros jogadores do Cruzeiro inscritos na Libertadores: Elisson, Alan, Alex, Léo, Wallace, Mayke, Egídio, Souza, Tinga, Rodrigo Souza, Nilton, Elber, Alisson, Marlone, Martinuccio, Willian, Borges, Luan, Marcelo Moreno.

Os outros jogadores do Grêmio inscritos na Libertadores: Busatto, Tiago, Bressan, Saimon, Pedro Geromel, Breno, Moisés, Tinga, Léo Gago, Adriano, Matheus Biteco, Jean Deretti, Alán Ruiz, Zé Roberto, Maxi Rodríguez, Everton, Everaldo, Lucas Coelho, Kleber.

CORREÇÃO: Renan Oliveira e Leonardo estão no Sport, e não no Atlético.

Os outros jogadores do Cruzeiro inscritos na Libertadores: Elisson, Alan, Alex, Léo, Wallace, Mayke, Egídio, Souza, Tinga, Rodrigo Souza, Nilton, Elber, Alisson, Marlone, Martinuccio, Willian, Borges, Luan, Marcelo Moreno.

Os outros jogadores do Grêmio inscritos na Libertadores: Busatto, Tiago, Bressan, Saimon, Pedro Geromel, Breno, Moisés, Tinga, Léo Gago, Adriano, Matheus Biteco, Jean Deretti, Alán Ruiz, Zé Roberto, Maxi Rodríguez, Everton, Everaldo, Lucas Coelho, Kleber.

CORREÇÃO: Renan Oliveira e Leonardo estão no Sport, e não no Atlético.
sexta-feira, abril 04, 2014
Por que o Cruzeiro é meu favorito
Não vi o jogo de ontem contra a La U. Confesso que não quis ver, acho que por nervosismo, ansiedade. Não que eu seja cruzeirense. Não sou. Não torço pelo Cruzeiro. Torço por mim. Ou melhor: torço para que meu palpite se confirme. Palpite que você sabe qual é, se me segue no Twitter: Cruzeiro campeão da Libertadores 2014. Quer dizer, não cravo que o Cruzeiro será o campeão, né. Não sou louco. Futebol é futebol. Mas quando me perguntam quem é meu favorito, respondo na lata: o Cruzeiro. Se será campeão ou não são outros quinhentos.
Por que o Cruzeiro é, desde o final do ano passado, o meu favorito ao título da Libertadores 2014? Primeiramente, por causa do elenco. Quando aponto um favorito, inicialmente me baseio na qualidade do elenco, e para mim o elenco cruzeirense é o melhor do Brasil e da América Latina (embora eu não conheça tão bem os plantéis dos demais participantes da competição, logo reconheço essa soberba da minha parte). O tempo me ensinou, entretanto, que elenco não ganha campeonato sozinho. Ajuda e muito, é essencial, é fundamental, contudo futebol não é ciência exata, graças a Deus.

Outro motivo que me levou a apontar o Cruzeiro como o favorito (gosto de apontar apenas um favorito, apontar dois ou três é mole, é fácil, é lindo) é a qualidade da comissão técnica, a maneira como Marcelo Oliveira enxerga o futebol. Basta lembrar do campo e bola do time treinado por ele no Brasileirão 2013. Nenhum outro time sequer se aproximou daquele futebol envolvente. Mas, claro, pontos corridos são uma coisa, mata-mata é outra. Nos pontos corridos, quando se tem um elenco bom em quantidade e qualidade, a vida fica mais fácil. Já no mata-mata o buraco é mais embaixo, nem sempre o considerado melhor vence.
Futebol não é matemática, não quer dizer que o clube com melhor elenco e melhor treinador irá conquistar o título do torneio em questão (ainda mais em torneio mata-mata, como é a Copa Libertadores). Uma equipe campeã é moldada no dia a dia, nos treinamentos, na dedicação, na disciplina dos atletas, na capacidade técnica e psicológica do treinador, na capacidade do líder do grupo (o treinador) em manter todos focados no mesmo objetivo, e só estando lá dentro do CT para saber se Marcelo Oliveira e os jogadores do Cruzeiro estão comprometidos e trabalhando duro. Se estiverem, as chances de título crescem. Porém não se pode esquecer que seu adversário quer o título tanto quanto você, e o que faz a diferença é a preparação (aprendi isso com Bernardinho, recomendo demais o livro dele – Transformando Suor em Ouro). Se você se preparar melhor que seu adversário, suas chances aumentam.
Enfim, como disse, se o Cruzeiro vai ser o campeão ou não, são outros quinhentos. Diga-se de passagem, falta passar pela fase de grupos. Será preciso, salvo engano, golear o Real Garcilaso no Mineirão para chegar às oitavas (odeio essas contas, é isso, né?). Aí, a partir das oitavas, qualquer um pode matar ou morrer. No mata-mata qualquer um pode sobreviver ou ficar pelo caminho (basta lembrar da Copa do Brasil do ano passado, quando o próprio Cruzeiro foi eliminado pelo Flamengo, por exemplo, um time dito inferior).
Vou torcer pelo Cruzeiro? Vou. Não por ser cruzeirense, pois não sou, mas como disse, para que meu palpite se confirme. Egoísmo da minha parte? Estou pensando só em mim? Talvez. Talvez, não. Com certeza. Antes de ficar bravo comigo, no entanto, admita que todos somos egoístas e que todos torcemos para nós mesmos. (O gene é egoísta, meu filho. Bem-vindo ao mundo.) Se der certo, se o Cruzeiro levantar o troféu, vou falar "Não falei!? Sou foda." Agora, se o Cruzeiro ficar pelo caminho, vou ter de aguentar as cornetadas nas redes sociais.
Por que o Cruzeiro é, desde o final do ano passado, o meu favorito ao título da Libertadores 2014? Primeiramente, por causa do elenco. Quando aponto um favorito, inicialmente me baseio na qualidade do elenco, e para mim o elenco cruzeirense é o melhor do Brasil e da América Latina (embora eu não conheça tão bem os plantéis dos demais participantes da competição, logo reconheço essa soberba da minha parte). O tempo me ensinou, entretanto, que elenco não ganha campeonato sozinho. Ajuda e muito, é essencial, é fundamental, contudo futebol não é ciência exata, graças a Deus.

Outro motivo que me levou a apontar o Cruzeiro como o favorito (gosto de apontar apenas um favorito, apontar dois ou três é mole, é fácil, é lindo) é a qualidade da comissão técnica, a maneira como Marcelo Oliveira enxerga o futebol. Basta lembrar do campo e bola do time treinado por ele no Brasileirão 2013. Nenhum outro time sequer se aproximou daquele futebol envolvente. Mas, claro, pontos corridos são uma coisa, mata-mata é outra. Nos pontos corridos, quando se tem um elenco bom em quantidade e qualidade, a vida fica mais fácil. Já no mata-mata o buraco é mais embaixo, nem sempre o considerado melhor vence.
Futebol não é matemática, não quer dizer que o clube com melhor elenco e melhor treinador irá conquistar o título do torneio em questão (ainda mais em torneio mata-mata, como é a Copa Libertadores). Uma equipe campeã é moldada no dia a dia, nos treinamentos, na dedicação, na disciplina dos atletas, na capacidade técnica e psicológica do treinador, na capacidade do líder do grupo (o treinador) em manter todos focados no mesmo objetivo, e só estando lá dentro do CT para saber se Marcelo Oliveira e os jogadores do Cruzeiro estão comprometidos e trabalhando duro. Se estiverem, as chances de título crescem. Porém não se pode esquecer que seu adversário quer o título tanto quanto você, e o que faz a diferença é a preparação (aprendi isso com Bernardinho, recomendo demais o livro dele – Transformando Suor em Ouro). Se você se preparar melhor que seu adversário, suas chances aumentam.
Enfim, como disse, se o Cruzeiro vai ser o campeão ou não, são outros quinhentos. Diga-se de passagem, falta passar pela fase de grupos. Será preciso, salvo engano, golear o Real Garcilaso no Mineirão para chegar às oitavas (odeio essas contas, é isso, né?). Aí, a partir das oitavas, qualquer um pode matar ou morrer. No mata-mata qualquer um pode sobreviver ou ficar pelo caminho (basta lembrar da Copa do Brasil do ano passado, quando o próprio Cruzeiro foi eliminado pelo Flamengo, por exemplo, um time dito inferior).
Vou torcer pelo Cruzeiro? Vou. Não por ser cruzeirense, pois não sou, mas como disse, para que meu palpite se confirme. Egoísmo da minha parte? Estou pensando só em mim? Talvez. Talvez, não. Com certeza. Antes de ficar bravo comigo, no entanto, admita que todos somos egoístas e que todos torcemos para nós mesmos. (O gene é egoísta, meu filho. Bem-vindo ao mundo.) Se der certo, se o Cruzeiro levantar o troféu, vou falar "Não falei!? Sou foda." Agora, se o Cruzeiro ficar pelo caminho, vou ter de aguentar as cornetadas nas redes sociais.
sexta-feira, março 21, 2014
Raposa se complica na Libertadores
Enquanto a torcida gritava "Mais um! Mais um! Mais um!", o time tocava lá atrás para passar o tempo, numa espécie de Tiki-Taka entre os zagueiros, os laterais e o goleiro. Nos minutos finais da partida, embriagado por um medo e um nervosismo contagiantes, o Cruzeiro nitidamente não soube o que fazer com a bola. E como diz Muricy, a bola pune. Ao apito final, a torcida gritou "Vergonha! Vergonha! Vergonha!".
Com 2 a 1 em vantagem no placar, nos últimos minutos do jogo o Cruzeiro parecia se sentir mais pressionado do que o adversário, quando na verdade era ele quem deveria pressionar o adversário. Okay, se não pressionar numa busca insana pelo terceiro gol, pelo menos segurar a bola no campo ofensivo. Era o mínimo a se fazer, ainda mais com dois homens a menos em campo, expulsos no primeiro tempo (um de cada lado). Havia espaço de sobra para manter a posse lá na frente, se não feito louco, sempre à procura do terceiro gol. O que se viu, no entanto, foi um time sem noção do que fazer com a bola no pé nos minutos finais. Se Éverton Ribeiro não tivesse sido substituído, talvez o desfecho tivesse sido diferente.
Não bastasse estarem perdidos com a bola, sem ela os donos da casa também vacilaram. No minuto derradeiro uma falha grotesca da marcação por zona deu origem ao gol de empate do Defensor, que complicou a situação da equipe de Marcelo Oliveira no grupo 5 da Libertadores. Não bastasse ter falhado no primeiro gol do time uruguaio (Dedé idem), Rodrigo Souza cedeu espaços demais para a criação da jogada do segundo tento. Mas enfim, erros individuais à parte, o grande pecado do Cruzeiro na noite desta quinta-feira, no Mineirão, foi de ordem coletiva, pois como disse, não soube o que fazer com a bola nos minutos finais da partida. E como diz Muricy, ela pune.
Com 2 a 1 em vantagem no placar, nos últimos minutos do jogo o Cruzeiro parecia se sentir mais pressionado do que o adversário, quando na verdade era ele quem deveria pressionar o adversário. Okay, se não pressionar numa busca insana pelo terceiro gol, pelo menos segurar a bola no campo ofensivo. Era o mínimo a se fazer, ainda mais com dois homens a menos em campo, expulsos no primeiro tempo (um de cada lado). Havia espaço de sobra para manter a posse lá na frente, se não feito louco, sempre à procura do terceiro gol. O que se viu, no entanto, foi um time sem noção do que fazer com a bola no pé nos minutos finais. Se Éverton Ribeiro não tivesse sido substituído, talvez o desfecho tivesse sido diferente.
Não bastasse estarem perdidos com a bola, sem ela os donos da casa também vacilaram. No minuto derradeiro uma falha grotesca da marcação por zona deu origem ao gol de empate do Defensor, que complicou a situação da equipe de Marcelo Oliveira no grupo 5 da Libertadores. Não bastasse ter falhado no primeiro gol do time uruguaio (Dedé idem), Rodrigo Souza cedeu espaços demais para a criação da jogada do segundo tento. Mas enfim, erros individuais à parte, o grande pecado do Cruzeiro na noite desta quinta-feira, no Mineirão, foi de ordem coletiva, pois como disse, não soube o que fazer com a bola nos minutos finais da partida. E como diz Muricy, ela pune.
quarta-feira, fevereiro 26, 2014
Grêmio caminha para frente
Candidato é uma coisa, favorito é outra. Favorito só tem um, candidatos têm vários. O favorito, para mim, é o Cruzeiro. Já o Grêmio, para mim, é um dos candidatos (talvez um dos principais candidatos). Dito isso, a vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Nacional, nesta terça-feira, na Arena, pela 2ª rodada do grupo 6, é digna de elogios e reflexões de uma maneira geral.
O primeiro elogio é para os jovens Wendell e Luan, nascidos em 1993. De fato, além de dinamismo, ambos dão habilidade ao time. Agregam qualidade individual ao coletivo, com velocidade, dribles e ousadia. Sem dúvida o lado esquerdo fica arisco com eles por ali. Embora não abandone a ponta, o destro Luan busca a faixa central, arrasta o marcador, circula, cola no nove, vira segundo atacante - movimentação que abre o corredor para Wendell chegar à linha de fundo. Quando entrosarem de vez, sai de baixo.

O segundo elogio pertence à dupla Ramiro e Riveros. Com Edinho à frente da zaga, centralizado, Ramiro (direita) e Riveros (esquerda) têm executado com precisão suas funções. São os chamados carrilleros, os caras do apoio, os caras que geram volume de jogo pela faixa central do gramado. Contam com qualidade no passe, na infiltração na área e na finalização. Não à toa eles têm feito gols nesse início de temporada. São peças crucias e complementares no esquema de Enderson Moreira.
A única coisa que me chamou a atenção negativamente (e confesso não saber até que ponto é uma coisa de fato negativa) foi um certo desequilíbrio gerado pela falta de poder de fogo pelo lado direito. Porque, apesar de Zé Roberto fechar aquele flanco sem a bola, com a posse, até por ser um meia canhoto, veterano, pelos atalhos, ele flutua pelo corredor central, enquanto o corredor direito fica somente para Pará. É suficiente atacar pela direita só com Pará? Não sei. Pode ser que seja. Ou pode ser que esse desequilíbrio, essa falta de contundência pela direita, não seja algo grave. Pode ser algo pontual. Enfim, só sei que as expectativas tricolores devem melhorar a cada dia em relação à Copa Libertadores 2014.
O primeiro elogio é para os jovens Wendell e Luan, nascidos em 1993. De fato, além de dinamismo, ambos dão habilidade ao time. Agregam qualidade individual ao coletivo, com velocidade, dribles e ousadia. Sem dúvida o lado esquerdo fica arisco com eles por ali. Embora não abandone a ponta, o destro Luan busca a faixa central, arrasta o marcador, circula, cola no nove, vira segundo atacante - movimentação que abre o corredor para Wendell chegar à linha de fundo. Quando entrosarem de vez, sai de baixo.

O segundo elogio pertence à dupla Ramiro e Riveros. Com Edinho à frente da zaga, centralizado, Ramiro (direita) e Riveros (esquerda) têm executado com precisão suas funções. São os chamados carrilleros, os caras do apoio, os caras que geram volume de jogo pela faixa central do gramado. Contam com qualidade no passe, na infiltração na área e na finalização. Não à toa eles têm feito gols nesse início de temporada. São peças crucias e complementares no esquema de Enderson Moreira.
A única coisa que me chamou a atenção negativamente (e confesso não saber até que ponto é uma coisa de fato negativa) foi um certo desequilíbrio gerado pela falta de poder de fogo pelo lado direito. Porque, apesar de Zé Roberto fechar aquele flanco sem a bola, com a posse, até por ser um meia canhoto, veterano, pelos atalhos, ele flutua pelo corredor central, enquanto o corredor direito fica somente para Pará. É suficiente atacar pela direita só com Pará? Não sei. Pode ser que seja. Ou pode ser que esse desequilíbrio, essa falta de contundência pela direita, não seja algo grave. Pode ser algo pontual. Enfim, só sei que as expectativas tricolores devem melhorar a cada dia em relação à Copa Libertadores 2014.
terça-feira, fevereiro 25, 2014
A grande exibição do favorito
Paciência. Essa foi uma das virtudes do melhor time do Brasil, nesta terça-feira, no Mineirão. Somente aos 34 minutos Ricardo Goulart – a eficácia de chuteiras – abriu o placar. Sem desrespeitar o adversário, convenhamos, o gol demorou a sair. Ao fim do primeiro tempo, o placar marcava Cruzeiro 3, Universidade de Chile 0. E ao fim do segundo, 5 a 1 (três de Ricardo, um de Dagoberto, um de Willian, que entrou na etapa final, e um de Lorenzetti).
O time treinado por Marcelo Oliveira teve paciência para fugir da marcação dos visitantes. Devido aos esquemas táticos de ambas as equipes, não houve sobra e o encaixe foi total. Quando há um confronto entre 4-2-3-1 e 4-3-3, por exemplo, meias pegam volantes e laterais pegam pontas, mas são dois homens (dupla de zaga) para o centroavante. No caso desse jogo foi um para um (4-2-3-1 vs 3-5-2). Claro, a marcação não foi individual (nunca é), e os duelos pelo lado de cá do campo mostraram isso: Egídio e Dagoberto contra Castro e González (às vezes Dagoberto era marcado por Castro, às vezes por González, e vice-versa). Como o Cruzeiro quebrou o encaixe da marcação? Com movimentação e trocas de posição.

Imagino Muricy Ramalho mostrando o primeiro gol de Ricardo Goulart para Paulo Henrique Ganso: “Tá vendo, meu filho? O 10 tem que entrar na área.” Impressionante. Goulart não é nenhum craque, porém é peça essencial nesse XI azul. Joga nas três posições da linha de três e como centroavante com a mesma eficiência. Foi assim, infiltrando-se na área como um 9, para receber o passe em diagonal nas costas da linha defensiva, que o camisa 28 abriu a porteira. E uma vez aberta a porteira, tudo fica mais fácil, pois os espaços, até então escassos, começam a brotar.
Você que me segue no Twitter sabe: o Cruzeiro é meu favorito à Libertadores 2014. Desde o ano passado, diga-se. E mantenho minha opinião (agora vou com ela até o fim, né) baseado primeiramente na qualidade do elenco (de longe o melhor do Brasil), na competência e nas convicções do treinador, e no entrosamento adquirido desde a temporada passada. Se o Cruzeiro vai ser o campeão ou não são outros quinhentos. Estamos falando de futebol. No mata-mata qualquer um pode matar, qualquer um pode morrer. No entanto enquanto o mata-mata não chega, a Raposa assume a liderança do grupo 5 com três pontos, graças ao saldo de gols. Defensor (2º), Real Garcilaso (3º) e Universidade de Chile (4º) também têm três pontos cada.
O time treinado por Marcelo Oliveira teve paciência para fugir da marcação dos visitantes. Devido aos esquemas táticos de ambas as equipes, não houve sobra e o encaixe foi total. Quando há um confronto entre 4-2-3-1 e 4-3-3, por exemplo, meias pegam volantes e laterais pegam pontas, mas são dois homens (dupla de zaga) para o centroavante. No caso desse jogo foi um para um (4-2-3-1 vs 3-5-2). Claro, a marcação não foi individual (nunca é), e os duelos pelo lado de cá do campo mostraram isso: Egídio e Dagoberto contra Castro e González (às vezes Dagoberto era marcado por Castro, às vezes por González, e vice-versa). Como o Cruzeiro quebrou o encaixe da marcação? Com movimentação e trocas de posição.

Imagino Muricy Ramalho mostrando o primeiro gol de Ricardo Goulart para Paulo Henrique Ganso: “Tá vendo, meu filho? O 10 tem que entrar na área.” Impressionante. Goulart não é nenhum craque, porém é peça essencial nesse XI azul. Joga nas três posições da linha de três e como centroavante com a mesma eficiência. Foi assim, infiltrando-se na área como um 9, para receber o passe em diagonal nas costas da linha defensiva, que o camisa 28 abriu a porteira. E uma vez aberta a porteira, tudo fica mais fácil, pois os espaços, até então escassos, começam a brotar.
Você que me segue no Twitter sabe: o Cruzeiro é meu favorito à Libertadores 2014. Desde o ano passado, diga-se. E mantenho minha opinião (agora vou com ela até o fim, né) baseado primeiramente na qualidade do elenco (de longe o melhor do Brasil), na competência e nas convicções do treinador, e no entrosamento adquirido desde a temporada passada. Se o Cruzeiro vai ser o campeão ou não são outros quinhentos. Estamos falando de futebol. No mata-mata qualquer um pode matar, qualquer um pode morrer. No entanto enquanto o mata-mata não chega, a Raposa assume a liderança do grupo 5 com três pontos, graças ao saldo de gols. Defensor (2º), Real Garcilaso (3º) e Universidade de Chile (4º) também têm três pontos cada.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Plantel de ponta no Cruzeiro
Pode ser que alguém chegue, pode ser que alguém saia (mais provável que alguém saia). Mas hoje pode-se afirmar com todas as letras - garrafais - que o melhor elenco do Brasil pertence ao Cruzeiro Esporte Clube (o mais valioso de 2013, diga-se, segundo esse estudo).
O Cruzeiro tem o melhor elenco do Brasil, acima de tudo, em função do balanceamento e da distribuição do mesmo. São dois ou mais atletas por posição divididos com igualdade pelos três setores (defesa, meio campo e ataque). Não se trata apenas em ter um "reserva à altura", mas sim ter um "reserva à altura", ou quase isso, em todas as posições do esquema tático adotado pelo treinador. Quantidade e qualidade em prol do equilíbrio.
Desde os tempos de Coritiba, Marcelo Oliveira utiliza o 4-2-3-1. Na vitoriosa campanha da temporada passada, não foi diferente. Logo, o sistema com linha de quatro, dois volantes, uma linha de três, mais o centroavante, deve continuar em 2014. Nada indica uma mudança.

Para a meia central, veja bem, Júlio Baptista deve ganhar a vaga de Ricardo Goulart, enquanto Alisson corre por fora. O próprio Éverton Ribeiro também gosta de atuar pelo centro, embora ele tenha se destacado partindo da ponta direita. Para as beiradas, aliás, as alternativas são fartas: Dagoberto, Willian, Marlone, Luan, Neilton, Lucca, Elber...
Claro, futebol não é pebolim, os jogadores jogam em mais de uma posição e são "improvisados" com frequência. Martinuccio, Éverton Ribeiro e outros, por exemplo, podem render satisfatoriamente nas três colocações da linha de três. Willian e Marlone, por exemplo, trabalham pelas duas extremas. E por aí vai. Caberá ao técnico decidir pela formação considerada ideal, de acordo com a disponibilidade dos atletas para o jogo em questão.
Pode ser que alguém ainda chegue, pode ser que alguém ainda saia. Em tese as negociações não foram encerradas, estamos na metade de janeiro. Ainda assim, se alguém sair ou chegar, deve ser um nome periférico, não dá para imaginar alguém de peso chegando ou saindo nesse momento. Ou seja: pode-se dizer com todas as letras - pelo menos eu enxergo essa unanimidade com clareza - que o melhor plantel do país pertence ao Cruzeiro. Não à toa, meu favorito à Libertadores (e ao Brasileirão). Se vai ganhar ou não, são outros quinhentos (em especial a competição continental, disputada em mata-mata).
Em tempo: Lucca volta para o Criciúma. E Neilton deve assinar nos próximos dias.
O Cruzeiro tem o melhor elenco do Brasil, acima de tudo, em função do balanceamento e da distribuição do mesmo. São dois ou mais atletas por posição divididos com igualdade pelos três setores (defesa, meio campo e ataque). Não se trata apenas em ter um "reserva à altura", mas sim ter um "reserva à altura", ou quase isso, em todas as posições do esquema tático adotado pelo treinador. Quantidade e qualidade em prol do equilíbrio.
Desde os tempos de Coritiba, Marcelo Oliveira utiliza o 4-2-3-1. Na vitoriosa campanha da temporada passada, não foi diferente. Logo, o sistema com linha de quatro, dois volantes, uma linha de três, mais o centroavante, deve continuar em 2014. Nada indica uma mudança.

Para a meia central, veja bem, Júlio Baptista deve ganhar a vaga de Ricardo Goulart, enquanto Alisson corre por fora. O próprio Éverton Ribeiro também gosta de atuar pelo centro, embora ele tenha se destacado partindo da ponta direita. Para as beiradas, aliás, as alternativas são fartas: Dagoberto, Willian, Marlone, Luan, Neilton, Lucca, Elber...
Claro, futebol não é pebolim, os jogadores jogam em mais de uma posição e são "improvisados" com frequência. Martinuccio, Éverton Ribeiro e outros, por exemplo, podem render satisfatoriamente nas três colocações da linha de três. Willian e Marlone, por exemplo, trabalham pelas duas extremas. E por aí vai. Caberá ao técnico decidir pela formação considerada ideal, de acordo com a disponibilidade dos atletas para o jogo em questão.
Pode ser que alguém ainda chegue, pode ser que alguém ainda saia. Em tese as negociações não foram encerradas, estamos na metade de janeiro. Ainda assim, se alguém sair ou chegar, deve ser um nome periférico, não dá para imaginar alguém de peso chegando ou saindo nesse momento. Ou seja: pode-se dizer com todas as letras - pelo menos eu enxergo essa unanimidade com clareza - que o melhor plantel do país pertence ao Cruzeiro. Não à toa, meu favorito à Libertadores (e ao Brasileirão). Se vai ganhar ou não, são outros quinhentos (em especial a competição continental, disputada em mata-mata).
Em tempo: Lucca volta para o Criciúma. E Neilton deve assinar nos próximos dias.
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