domingo, agosto 14, 2011

Madrid e Barça empatam na estreia

O pontapé inicial da temporada espanhola foi à altura da mesma. Real Madrid e Barcelona fizeram uma grande exibição neste domingo, no Santiago Bernabéu, na partida de ida da Supercopa. A de volta é na próxima quarta-feira, no Camp Nou.

Sem surpresas no que diz respeito às estruturas táticas, os duelos individuais ficaram bem definidos, graças aos esquemas dos dois times: Ramos x Villa, Marcelo x Alexis, Khedira x Iniesta, Alonso x Thiago, Özil x Keita, Di María x Adriano e Cristino Ronaldo x Daniel Alves.

Apesar de terem ido para o intervalo com 2 a 1 em desvantagem no placar, os donos da casa foram superiores no primeiro tempo. Marcaram por pressão na maior parte do tempo e não deixaram os visitantes impôrem o ritmo. Na verdade, praticamente não deixaram a equipe catalã jogar.



Pelo lado merengue, para mim os destaques foram Özil e Benzema (não por acaso autor e assistente do primeiro gol, respectivamente). No 4-2-3-1 de Mourinho, ambos atuaram como manda a cartilha. O camisa 10 se aproximou dos pontas pelos dois flancos, mais à frente, do centroavante, e também apareceu na área para conlcuir. Não muito diferente do número 9, que também caiu pelos lados para jogar com Di María e Cristiano Ronaldo, além de servir como referência.

Pelo lado azulgrená, o debute de Alexis Sánchez foi excelente. Não sentiu o peso, tramou várias jogadas - individuais e coletivas - e sequer foi substituído. Quando optou por mudar a linha de ataque na segunda etapa, Guardiola sacou Villa (autor do primeiro gol do Barcelona) para colocar Pedro. E o outro que se diferenciou foi, claro, ele: Messi. Nas poucas vezes que tocou na bola nos primeiros 45 minutos, decidiu. Foi dele o passe para o gol de Villa, e foi dele o gol da virada.

Embora Alonso tenha empatado, no segundo tempo o Barça melhorou e conseguiu igualar forças com o Madrid. Talvez tenha até sido melhor, apesar de ceder o 2 a 2, o que não deixa de ser um ótimo resultado.

A julgar pelo primeiro embate entre os gigantes espanhóis, ainda mais reforçados do que no ano passado, diga-se de passagem, podemos esperar uma temporada fantástica. Novamente.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Revisão de conceitos é tarefa de Mano

Quando assumiu o cargo de treinador da Seleção há pouco mais de um ano, Mano Menezes falou em protagonismo, proposta de jogo, manutenção da posse de bola, ditadura de ritmo. Na prática, no entanto, não é o que tem ocorrido.

É verdade que Ganso, peça-chave na execução desse plano, ficou inativo por seis meses e, digamos assim, inviabilizou o projeto. É verdade também que o camisa 10 teve toda a Copa América para exibir seu talento e seus passes mágicos, mas não o fez. Não é menos verdade, porém, que o santista vive, fora de campo, um impasse em relação a seu passe - o que pode refletir em seu rendimento entre as quatro linhas.

No amistoso desta quarta-feira, em Stuttgart, o Brasil precisava da vitória em cima da Alemanha. Ou melhor: da não-derrota. Talvez por isso, depois de ter "falhado" com o 4-2-3-1 na Argentina, com Ganso de cérebro da equipe, Mano abriu mão do esquema que mais lhe agrada para jogar com um triângulo mais marcador na meia-cancha, o que, obviamente, não é garantia de vitória. Ou de não-derrota. Como não foi.

Demissão é a solução? Claro que não. Até porque o período é de renovação e os principais atletas ainda carecem de experiência com a amarelinha. Contudo Mano Menezes precisa mexer os pauzinhos e rever alguns conceitos, em especial no que diz respeito à convocação, à escalação e aos casos de Marcelo e Hernanes, que já deveriam ter sido pra lá de contornados.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Oscar faz a Seleção Sub-20 jogar

Quando vemos um time atuando no 4-4-2 em losango esperamos que o último homem do meio seja o armador. No entanto não há regra, como demonstrou a equipe treinada por Ney Franco, na segunda rodada do Mundial Sub-20, na Colômbia, nesta segunda-feira.

No 3 a 0 sobre a Áustria, jogando no vértice esquerdo da meia-cancha, o destro Oscar foi o dono do time. A grande maioria das criações, das tramas ofensivas, passou pelo pé do atleta do Internacional, tanto com passes curtos quanto com lançamentos, inversões, etc.

Contudo não foi "apenas" distribuindo a bola que Oscar se destacou. Geralmente pela faixa central, o camisa 11 se aproximou da área com frequência e proporcionou lindos lances, vide os do primeiro e do terceiro gol.



Mais atrás, na cabeça da área, Fernando foi obediente e conservador, eventualmente até operando como terceiro zagueiro, para permitir a subida simultânea dos laterais (Alex Sandro foi substituído por Gabriel Silva aos 13 minutos do primeiro tempo).

De resto, no setor de ataque, os são-paulinos Henrique e Willian dividiram os espaços pela metade, nenhum se comportou como centroavante de ofício. Já Coutinho fez o papel do ponta-de-lança, encostando nos atacantes, enquanto Casemiro apoiou com eficiência pelo corredor central, raras vezes buscou o flanco.

segunda-feira, julho 25, 2011

A auto-punição de Mano Menezes

O treinador da Seleção teve lá seus motivos para não levar alguns jogadores à Argentina, alguns deles públicos e notórios, como no caso de Marcelo. Já no de Hernanes, especula-se que a razão seja a expulsão no amistoso contra a França.

Para mim é teimosia. No que diz respeito às partes tática e técnica, a presença de ambos é quase indiscutível. Só têm a agregar. Marcelo teria tudo para deitar e rolar com Neymar pelo corredor canhoto, como faz com Cristiano Ronaldo no time de Mourinho (sem falar que a única opção para a posição é o questionável André Santos). Em relação a Hernanes, tenho um post opinando por que ele deveria estar na lista.

Não que eles sejam jogadores indispensáveis à Seleção. Há vida sem eles. Contuto, com eles, a vida de Mano seria menos complicada. Ou seja: no fim das contas a punição aos atletas da Lazio e do Real Madrid se volta contra o próprio treinador. Ao punir, Mano se pune.

segunda-feira, julho 18, 2011

Bola pra frente, Brasil

Tento fugir ao máximo do lugar comum, mas às vezes é impossível. Falar em demissão de Mano Menezes por causa do resultado da Copa América, para mim e para tantos outros colegas, é ridículo.

No entanto não podemos passar a mão na cabeça do treinador como se tudo estivesse dentro do planejado, em especial o rendimento dentro de campo, nem tanto a eliminação precoce.

Com tempo para treinar e os atletas que queria à disposição, das quatro partidas que fez, o Brasil só foi bem contra o Equador e relativamente bem contra o Paraguai. Convenhamos que, com o material humano que tinha, foi pouco.

Coletivamente o time não funcionou. No início do torneio, por exemplo, Neymar toda vez que pegava a bola, sem exceção, partia para a jogada individual. Quanto a Ganso, não sei por que, se escondeu demais e não chamou o jogo. Defeitos dos dois principais nomes da Seleção que serão corrigidos com o passar do tempo.

Outra crítica a Mano passa pela convocação e pela opção entre os titulares. Claro que se o goleiro do Paraguai não defendesse aquele chute de Pato à queima-roupa e se o Brasil estivesse na semifinal, (praticamente) nada disso estaria sendo escrito. Contudo, alguns pontos devem ser levantados. Como as ausências de Hernanes e Marcelo, e, na minha visão, as titularidades de Lúcio e Robinho.

Não que Lúcio e Robinho sejam ruins. Não é isso. Porém é claro, pelo menos para mim, que David Luiz é mais zagueiro, e que, sei lá, Lucas poderia ter contribuído mais que Robinho. Todavia Mano aposta demais na experiência. Foi assim na preparação do Corinthians para a Libertadores, foi assim na Copa América. Pelo fato de ser uma competição de peso, ainda por cima na Argentina, fez algumas escolhas baseado na experiência, mas experiência não é garantia de sucesso.

No entanto, insisto: se o Brasil tivesse passado, (praticamente) nada disso estaria sendo escrito. Agora resta-nos aguardar os amistosos de elite deste segundo semestre (Argentina, Espanha, Itália e Alemanha), e nos preparar, com Mano no comando, para o grande objetivo do ano que vem: o ouro olímpico.

domingo, julho 17, 2011

2011/2012: titular ou reserva?

Kaká começa a pré-temporada com o pé direito.



Veja aqui os outros quatro gols do amistoso.

quinta-feira, julho 14, 2011

Timão mais invicto do que nunca

Nenhuma surpresa no Pacaembu, no que diz respeito aos esquemas táticos: Corinthians de Tite no 4-2-3-1, Inter de Falcão no 4-4-2 em linha.

Devido à distribuição, alguns duelos individuais ficaram bem definidos, como entre Fábio Santos e Oscar, Welder e D'Alessandro, Nei e Jorge Henrique e Kleber e Willian.



Quando estavam sem a bola, os visitantes fechavam os lados do campo com os camisas 10 e 16. Logo, Zé Roberto, e às vezes até Leandro Damião, tinha que cercar um dos volantes adversários, para evitar que os mesmos tivessem liberdade pela faixa central.

Com a posse da bola, entretanto, os meias colorados apareciam por dentro, se aproximavam para articular as jogadas, se infiltravam na área e arrematavam a gol.

Pelo lado do líder do campeonato, Alex, titularíssimo, foi o grande armador da equipe, enquanto os pontas Willian e Jorge Henrique fizeram das entradas em diagonal seus pontos fortes.

A campanha do Corinthians impressiona. Com o 1 a 0 desta quinta, o Timão chega a insanos 92% de aproveitamento (8 vitórias, 1 empate e nenhuma derrota), 6 pontos à frente do segundo colocado Flamengo. Isso tudo ainda sem Adriano.

O equívoco da convocação

É senso comum: a ausência de Marcelo é a mais indigesta de todas. Mas tudo bem, Mano teve lá seus motivos, até compreensíves, para não ter levado o lateral do Real Madrid à Argentina.

Outro jogador que faz falta é Hernanes. Neste caso, porém, seja lá quais são os motivos do treinador, discordo radicalmente. Quanto ao cartão vermelho no amistoso contra a França, não creio que tenha pesado tanto assim. E quanto ao "tá jogando em outra posição no clube", não engulo.



O que existem são motivos para ter levado o ex-são-paulino. De sobra. E o principal deles, para mim, é a diferença de característica. Os dois em tese segundo volantes, Ramires e Elias, possuem estilos de jogo ofensivamente semelhantes: baseam-se na condução de bola em velocidade. Já Hernanes apoia-se na visão de jogo e no passe (e no tiro de fora da área).

Para traçar dois paralelos, por exemplo, no ataque Mano conta com dois centroavantes bastante distintos: Pato e Fred. Alternativas diferentes para a mesma posição. Na lateral direita acontece a mesma coisa, com Maicon e Daniel Alves. Características diferentes para a mesma posição. Elias, no entanto, não apresenta nada de novo. Não por sua culpa, mas por seu estilo, que é parecido com o de Ramires.

Não estou aqui defendendo a presença de Hernanes entre os onze, muito menos a exclusão de Elias ou Ramires. Apenas entendo que, se o meio-campista da Lazio estivesse no grupo da Copa América, seria mais fácil mudar a cara do time, se porventura fosse necessário. Com a marcação pesada e a sobrecarga em cima do armador Ganso, Hernanes poderia dar mais qualidade à saída de bola, coisa que tanto Elias quanto Ramires não primam por.

segunda-feira, julho 11, 2011

Argentina parece que se encontra

No primeiro tempo fiquei com a nítida impressão de um 4-4-2 em quadrado, assimétrico, com Gago de segundo volante, Di María aberto na meia esquerda e Messi do centro para a direita. Na segunda etapa, no entanto, fiquei com a sensação de um 4-4-2 em losango, também sem simetria. Mas indepentende do desenho do meio-campo, o fato é que a Argentina mudou seu esquema tático e aparentemente se encontrou.



No 3 a 0 sobre a Costa Rica, nesta segunda-feira, Zabaleta se apresentou na frente com frequência, ao contrário de Zanetti, que mais guardou posição do que apoiou. Fez sentido, porque o lado esquerdo foi ocupado por Di María e Agüero. Aberto pela ponta, aliás, o camisa 16 iniciou várias jogadas.

Já Messi trabalhou como o pé pensante do time. Foi do melhor do mundo os passes para o segundo (Agüero) e o terceiro (Di María) gol argentino. O maestro com o número 10 às costas comandou a vitória e foi um dos destaques da partida, ao lado de Gago e Agüero.

Quem não conseguiu acompanhar o nível do resto da equipe foi Higuaín, que perdeu diversas oportunidades. A cada chance que aparecia, parecia que o gol ficava menor. Não penso, porém, que em função disso, ele será sacado do próximo duelo. Batista deve mantê-lo, inclusive para não tirar confiança do centroavante.

quarta-feira, julho 06, 2011

Time de Batista segue sem padrão

A Argentina nunca vai jogar como o Barcelona. Não só por causa de Xavi e Iniesta, mas também por causa da dupla de zaga, do volante e dos laterais. E, claro, por causa do entrosamento.

A diferença vai além da parte técnica. É superficial comparar e concluir que Xavi e Iniesta são mais jogadores que Banega e Cambiasso, que Busquets trata a bola com a qualidade que Mascherano não possui, que Daniel Alves tem mais presença ofensiva que Zanetti, e que Piqué é mais completo que Burdisso e Milito juntos.

A diferença está no estilo de jogo, na filosofia implantada por Pep Guardiola, na coletividade e na proximidade azulgrená. E, claro, no entrosamento.

No entanto a culpa não é exclusivamente do técnico Sergio Batista ou dos jogadores argentinos. Nenhum time no mundo, seja seleção ou clube, consegue fazer o que faz o Barça: redução dos espaços, compactação, posse de bola paciente, criativa, efetiva, marcação por pressão, etc.

Não é exclusividade da Argentina. Assim como praticamente todos os times do mundo, a Albiceleste não vai atingir o padrão Barcelona dos últimos anos. Mas que a equipe treinada por Batista poderia render mais, em especial com essa matéria-prima, poderia. Ou melhor: deveria.