Passam-se jogos, competições, temporadas, e o técnico do Milan Carlos Ancelotti continua o mesmo: conservador, limitado e antiquado.
Contra o Bologna, em casa, na estréia do Italiano, o Milan de Ancelotti jogou no velho e já manjado 4-3-2-1:
Nada contra o 4-3-2-1, pelo contrário, o esquema é muito bom. O problema é que Ancelotti joga somente assim, e nem sequer testa outras alternativas. Todo treinador deve ter algumas cartas na manga, ainda mais Ancelotti, que tem um belo elenco à disposição.
Não bastasse ser engessado taticamente, Ancelotti peca na hora de optar pelas peças. Na derrota para o Bologna em pleno San Siro, Pato e Shevchenko foram banco de Inzaghi.
Sem a bola os dois meias voltam e o time se defende com 9 jogadores na linha. Com a bola os meias se transformam em pontas, abertos pelos cantos do campo. Este é um dos pontos fortes deste esquema.
No caso do Milan, justamente os meias não têm vigor, e principalmente velocidade, para exercer a dupla função de meia e ponta.
Agora imagine, caso Robinho seja mesmo contratado, como seria um 4-3-2-1 aplicado no Chelsea:
No meio-campo, Essien seria o primeiro homem, centralizado, com Deco e Lampard, na mesma linha, mais avançados; Mais avante, no limite entre meio-de-campo e ataque, Robinho atuaria pela esquerda e J. Cole pela direita; Lá na frente, Drogba.
Robinho e J. Cole são velozes e dribladores. Eles têm muito mais condições de serem o 2 do 4-3-2-1 do que Ronaldinho e Seedorf, por exemplo.
Ronaldinho não é o mesmo dos bons tempos de Barcelona. Ele está mais experiente, mais pesado, e dificilmente voltará à esplendorosa forma física que obteve em 2004, 2005, 2006.
Por isso sua característica de jogo mudou. Hoje em dia Ronaldinho não é tão veloz, tão explosivo, tão vigoroso. Aquelas arrancadas fenomenais que estávamos acostumados a ver ficaram no passado. Seus dribles desconcertantes não são mais feitos como antigamente. Entretanto, a qualidade do passe continua a mesma. E é basicamente neste fundamento, no passe, que Ronaldinho vai se agarrar. Hoje em dia ele é mais garçom que nunca. Dali do canto esquerdo do gramado ele vai distribuir assistências de 10, 20, 30 metros com a precisão cirúrgica de sempre.
Ele pode voltar à velha forma física e calar minha boca. Mas acho difícil. Aparentemente o velho ponta-esquerda avassalador dos tempos de Barça deu lugar ao novo Ronaldinho, mais paradão, mais pensativo, mais lançador.
São Paulo x Santos no Morumbi, às 16h, e Flamengo x Fluminense no Maracanã, às 18h10.
O Peixe está louco para sair do G4 de baixo e o São Paulo doido para entrar no de cima. O favorito no clássico paulista, pelo fator casa, pelo momento, e pela disparidade técnica entre os jogadores, é o São Paulo. Mas sabe como é, clássico é clássico.
No carioca a situação é parecida, mas diferente. Parecida porque o Mengo está próximo ao G4 do norte e o Flu ao G4 do sul. Diferente porque, na teoria, o equilíbrio no clássico das multidões é maior.
Rafael Sóbis se machucou e está fora das Eliminatórias contra Chile e Bolívia. Dunga convocou Nilmar para o seu lugar.
Apesar de jogar como centro-avante no Inter, Nilmar é segundo atacante. E dos melhores. Ele é habilidosíssimo e duplamente veloz: suas pernas acompanham seu rápido raciocínio, e vice-versa.
Para a posição de segundo atacante, na minha opinião, Nilmar é o grande nome do Brasil ao lado de Robinho. E não é de hoje. Fosse eu o treinador da Seleção, teria o levado à Copa da Alemanha.
Ficou claro que o Grêmio não estava afim da Sul-Americana. O Inter teve lá seus méritos na classificação às oitavas, mas o Tricolor abriu mão da competição nitidamente. E fez bem em abrir. Para o líder do Brasileiro, o que interessa é o Brasileiro, e viagens para o exterior certamente atrapalhariam. Já para o Inter, que está mal e não tem grandes expectativas no Brasileirão, a Copa Sul-Americana é uma ótima. Além da bela remuneração, o título salvaria o ano colorado, que está muito aquém.
Morais tem lugar entre os onze do Timão. Contra o Gama, o recém-contratado substituiu Dentinho à altura. Ele chegou para ser titular, e alguém vai ter de ceder o lugar. E esse alguém parece ser Lulinha. Cedo ou tarde, a linha de três meias corintiana provavelmente vai ser composta por Douglas, Morais e Dentinho.
Fechado o parêntese, mais que simplesmente vencer o fraco Gama no Pacaembu, o Corinthians jogou bem. E goleou com facilidade, 5 a 0.
Na primeira etapa os volantes Cássio e Elias (improvisado na posição) estavam tímidos. Pouco apoiaram. O Corinthians atacava só com cinco jogadores (Morais, Douglas, Lulinha, Herrera e André Santos). Para quem joga em casa, contra o Gama, é pouco. Mesmo assim a partida virou com Corinthians 2 a 0 no placar.
No segundo tempo, Carlos Alberto entrou no lugar do garoto Cássio, e o time melhorou. Os volantes saíram mais para o jogo (um deles, Elias, até marcou um gol), e o Corinthians passou a pressionar com mais homens. Com naturalidade, marcou mais três: Corinthians 5 x 0 Gama.