segunda-feira, dezembro 21, 2015

Por que o MSN é tão especial?

O tempo vai mostrar que estamos diante do trio mais espetacular da história do esporte mais espetacular de todos. Portanto, aproveite.



Mas por quê? Por que o trio MSN é tão especial? Por que deu/está dando tão certo? Qual a fórmula? Qual o segredo? Qual a mágica? Bom. Primeiramente é preciso compreender a qualidade e o tamanho dos jogadores em questão. Em especial, claro, Lionel Messi, o único capaz de bater de frente com Pelé – o que por si só já diz muita coisa. O único gênio em atividade (o resto é craque), vivendo o auge da carreira, aos 28 anos de idade.

Genialidade. No quesito genialidade, quem mais se aproxima de Messi é justamente o outro ponta do time. Partindo do princípio de que o camisa 10 argentino é o único gênio em atividade (não sei se você concorda com isso), o segundo nesse ranking é justamente o brasileiro Neymar. Qual a definição ou o sinônimo de genialidade? Eu diria que talento. Logo, estamos falando dos dois jogadores mais talentosos em atividade no futebol mundial. E eles jogam no mesmo time! (Lembre-se, aos 23 anos de idade, Neymar ainda está a uns cinco do seu auge; ainda assim já fez o que fez e faz o que faz.)

Soma-se a eles ninguém menos que Suárez (28 anos), o melhor centroavante do planeta, vivendo seu auge, hoje à frente de Lewandowski, de Agüero, de Ibrahimovic, de Aubameyang, de Benzema, de Vardy e etc. Eu sei, Suárez não é gênio (lembre-se, só Messi é), tampouco aspirante a isso (como é Neymar). Contudo, sem dúvida alguma, trata-se de um craque do mais alto nível, e sua passagem pelo Liverpool e agora pelo Barcelona escancaram isso. Sem falar na raça do uruguaio, né. Qual treinador, por exemplo, não gostaria de ter um nove mordedor na marcação lá na frente?

Portanto, preste atenção: estamos falando aqui do melhor ponta-direita do mundo (Messi), do melhor centroavante do mundo (Suárez) e do melhor ponta-esquerda do mundo (Neymar) no mesmo time, distribuídos no 4-3-3 clássico. Porque ainda tem isto. Nenhum deles está "improvisado" ou "fora de posição". Não houve "sacrifícios" para encaixá-los na equipe, como é comum acontecer. Os três estão em suas respectivas praias, onde podem render o máximo, individual e coletivamente. E esse é um dos segredos, uma das chaves do sucesso. Por isso se entrosaram tão facilmente.

E se entrosaram facilmente também, ou melhor, principalmente, porque os três são excelentes em três aspectos fundamentais do futebol: o passe, o drible e o arremate (quando você tem a bola, você tem basicamente três opções: passar, driblar ou finalizar). Ainda que em diferentes níveis, tanto Messi, quanto Neymar e Suárez são grandes passadores (o número de assistências entre eles ajuda a comprovar isso), são grandes dribladores, letais no mano a mano, e são grandes artilheiros (o número de gols deles comprova isso). Sem falar no show, no entretenimento, no colírio para os olhos, na beleza das jogadas. E na eficiência.

Outro segredo, que na verdade não é segredo, é o entrosamento fora de campo. É sabido que os três se tornaram amigos de verdade (que upgrade na vida de Neymar, Messi é o novo Gil Cebola). Todos sabem que o ambiente entre eles é ótimo. Não sei até quando vai durar essa Lua de Mel, mas o fato é que eles se dão muito bem fora das quatro linhas, e o resultado disso é vaidade zero e altruísmo mútuo a mil dentro delas.

Quem ganha com isso? Mais do que o Barcelona e seus torcedores, ganha o futebol e seus admiradores. Pois estamos diante do trio mais espetacular da história do esporte mais espetacular de todos, e o tempo mostrará isso no futuro. Portanto, só te digo uma coisa: aproveite o presente.

PS: A comparação com outros trios, até mesmo de outros setores como meio campo e defesa, deve se dar entre clubes, e não entre clube e seleção. Não faz sentido comparar Messi, Suárez e Neymar com, por exemplo, Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo da Copa 2002. Como diria o outro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

sexta-feira, novembro 27, 2015

4-1-4-1 > 4-2-3-1

"Passou o momento." Foi o que disse Tite sobre o 4-2-3-1. Em contrapartida, na entrevista publicada hoje no site da Folha (leia aqui), o treinador falou que o 4-1-4-1 é "agressivo" e "criativo". Não com essas palavras, mas você que me segue no Twitter deve ter percebido que eu tenho batido nessa tecla de uns tempos para cá.



Evidente que você ainda vê times jogando no 4-2-3-1, inclusive na própria Europa. Em especial na Inglaterra (o que me leva a desconfiar se isso tem a ver com o papel dos ingleses na Champions League recentemente). Mas o fato é que o 4-1-4-1 (o 4-3-3 compactado, com pontas alinhados aos meias) tem se mostrado o esquema tático mais condizente com o futebol de alto nível que se joga hoje em dia. O 4-2-3-1, digamos, é muito 2010.

Aliás, falando em 2010, é bom lembrar que a maioria dos treinadores brasileiros precisou da Copa do Mundo da África do Sul para "descobrir" o 4-2-3-1 (uma nítida evidência de que eles não assistiam ao futebol europeu pela TV fechada). Foi só a partir de então que o esquema começou a se disseminar pelos times brasileiros, sendo hoje, quase 2016, ainda, o sistema mais utilizado por aqui. Raros times jogaram o Brasileirão 2015 no 4-1-4-1, por exemplo. O campeão Corinthians de Tite foi um deles; o Cruzeiro de Mano também o adotou (não à toa, são os dois melhores treinadores brasileiros da atualidade); sem falar no São Paulo de Osorio, e no Atlético-MG de Levir em alguns momentos. Mais algum? Não me lembro.

Claro. Esquema tático sozinho não ganha jogo. O que realmente importa é o funcionamento do time. O esquema estrutura, mas sem ideias de jogo não significa muita coisa. E é aí que entra o famoso dedo do treinador. (E vale ressaltar que sem certas peças você não consegue executar certas ideias, nem implantar certos esquemas.) No entanto a importância do esquema tático em si não pode ser diminuída, e as palavras de Tite me auxiliam nessa visão em relação ao 4-1-4-1 ser melhor que o 4-2-3-1. Mas qual a diferença? Por que o 4-2-3-1 ficou no passado e o 4-1-4-1 implica em algo moderno? - se é que você concorda com isso.

Na minha visão, entre outros fatores, pelo seguinte: o 4-2-3-1 ainda divide o meio campo em dois (volante e meia), um problema grave do futebol brasileiro nas últimas duas décadas, enquanto o 4-1-4-1 exige um meio-campista mais completo. E esse meio-campista mais completo, mais versátil, que "defende" e "ataca" com eficiência semelhante, representa o que há de moderno no setor mais crucial do time (o meio campo). A tendência do 4-2-3-1, na verdade, é virar um 4-4-1-1, com wingers alinhados aos volantes na fase defensiva, e o meia-central (camisa 10), que joga atrás do centroavante, virar um segundo atacante. Ou seja, o camisa 10 vira mais um segundo atacante, e a criação está mais na faixa dos volantes (o que configuraria um 4-4-2 em linha). Por essas e outras, o 4-1-4-1 é o mais equilibrado, em todos os sentidos. E as palavras de Tite endossam ainda mais essa opinião, embora não exista uma verdade absoluta.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Pontas de ponta na Seleção

Willian sempre foi ponta-esquerda e Douglas Costa sempre foi ponta-direita. Nos tempos de Shakhtar, em diferentes momentos, o posicionamento inicial deles sempre foi este: destro à esquerda e canhoto à direita, como mostram estas quatro pranchetas do Futebol de Botão (veja aqui, aqui, aqui e aqui). No entanto, como você sabe, Willian costuma jogar à direita no Chelsea e Douglas Costa à esquerda no Bayern. Por quê? Simples: porque no Chelsea tem um tal de Hazard e no Bayern tem um tal de Robben.

Okay. A explicação não é tão simples assim, em especial no que diz respeito ao time de Guardiola. Mesmo sem Robben no XI, Douglas Costa cansou de jogar aberto na esquerda nesta temporada. Mesmo sem Robben na equipe, Götze e Coman (e Müller) atuaram na ponta direita, enquanto Douglas seguiu na esquerda. Essa escolha, porém, está ligada à estratégia do treinador. Na ponta esquerda, o canhoto Douglas Costa gera amplitude e profundidade, e pode cruzar para matadores como Müller e Lewandowski, por exemplo. Já na Seleção, quando está aberto no flanco esquerdo, ele não tem para quem cruzar (ainda mais quando o centroavante é Neymar, como foi no 3 a 0 sobre o Peru, nesta terça, na Fonte Nova). Sem falar que o time de Dunga ataca com poucos homens na área.



O fato é que Douglas Costa rende mais pela direita, assim como Willian rende mais pela esquerda. Mas como você sabe, no Chelsea e no Bayern, Hazard é o dono da ponta esquerda e Robben o dono da ponta direita (e ainda assim, mesmo "fora de posição", Douglas Costa e Willian voam na Inglaterra e na Alemanha). Na Seleção, porém, fica evidente – e a partida contra o Peru foi sintomática – que essa é a melhor opção. Porque com as pernas invertidas (canhoto na direita e destro na esquerda), o ponta de qualidade – como são Willian e principalmente Douglas – entra na diagonal driblando e criando ângulo para o passe ou para o arremate com a parte de dentro do pé bom (sem falar na abertura do corredor para o lateral subir).

Portanto, uma coisa é mais do que certa: a ponta direita da Seleção deveria ser de Douglas Costa. Disso, não tenho dúvida. Daqui até a Copa 2018. Em contrapartida, só não cravo a mesma coisa em relação a Willian na esquerda porque o Brasil já possui o melhor ponta-esquerda do planeta, e ele atende pelo nome de Neymar Jr. Isso mesmo: o melhor ponta-esquerda do planeta. Como falso nove ou até segundo atacante no 4-4-2, por exemplo, Neymar é um ótimo jogador, pois é (muito) craque e se adapta bem. Mas como ponta-esquerda, o destro Neymar destrói. É o melhor do mundo na posição. Logo, não me parece inteligente tirá-lo dali, por mais que a crise da camisa nove seja inegável e preocupante. Em outras palavras, de uma coisa eu tenho certeza: independente do esquema (4-2-3-1 ou 4-1-4-1) e das outras peças, a Seleção deveria jogar com Douglas Costa na ponta direita e Neymar na ponta esquerda. Disso, meu caro, não tenho dúvida.

PS: Guardiola já deu a deixa. Leia aqui.

terça-feira, novembro 17, 2015

O segundo melhor treinador brasileiro

Mano Menezes está, indiscutivelmente, entre os três melhores do Brasil. A afirmação é bem atual, contudo foi escrita há oito anos, em novembro 2007. Duvida? Veja aqui. Pois é. Você que me segue no Twitter sabe que admiro o trabalho do treinador do Cruzeiro desde os tempos de Grêmio, quando ele ajudou a levar o Tricolor da Série B (2005) ao vice-campeonato da Copa Libertadores (2007), com um time que tinha, veja você, Saja no gol, Patrício na lateral, Sandro Goiano no meio campo e Tuta no ataque.

O Grêmio de Mano, por sinal, já jogava no 4-2-3-1, esquema tático que só virou moda no Brasil após a Copa 2010. Ou seja, enquanto Mano adotava o que havia talvez de mais moderno no futebol mundial em 2006, a maioria dos distribuidores de coletes que habitam o futebol brasileiro precisou da Copa do Mundo da África do Sul para “descobrir” o 4-2-3-1 – esquema que hoje, em pleno 2015, encontra-se, digamos, obsoleto, embora a maioria das equipes por aqui ainda o adote e o execute de modo equivocado.



Modinha. Falar mal de Mano no Brasil virou modinha. Devido a sua passagem pela Seleção, quando foi apunhalado pelas costas pelos mandatários da CBF e foi substituído por Felipão, e devido à maneira de como saiu do Flamengo, falar mal de Mano virou modinha, virou um esporte nacional, endossado pela imprensa nivelada por baixo, que predomina no futebol brasileiro. No Brasil tudo é levado para o lado pessoal, e com Mano não foi diferente. As poucas pessoas que conseguem analisar o trabalho de campo e bola e não apenas os resultados, no entanto, sabem que Mano fez um bom trabalho no Grêmio, no Corinthians (inclusive em 2014), na Seleção (foi mandado embora quando estava encontrando o caminho) e no próprio Flamengo (acabou campeão da Copa do Brasil).

Graças aos resultados obtidos pelo Cruzeiro (lembre-se, o resultado qualquer idiota analisa), espero que agora torcedores e jornalistas parem de pegar no seu pé, reconheçam o valor do seu trabalho e compreendam o tamanho de Mano Menezes no futebol brasileiro – um dos três melhores treinadores do país desde 2007, hoje atrás apenas de Tite (pelo menos na minha cabeça, indiscutivelmente). Quando foi contratado pelo Cruzeiro, aliás, eu disse que o time azul de Minas iria certamente brigar pelo G4. Mas pelo G4 do Brasileirão 2016, pois futebol não se faz da noite para o dia (confira aqui). Porém como o futebol brasileiro é uma enorme briga de foice no escuro, pode ser que essa previsão se confirme com um ano de antecedência, em função da qualidade do elenco e do treinador - e da ruindade dos adversários.

quinta-feira, outubro 22, 2015

Afinal, qual deveria ser a da Seleção?

Qual o modelo de jogo da seleção brasileira? Ou melhor. Qual é o modelo de jogo da seleção brasileira atual e qual é/seria o modelo de jogo considerado ideal para ela? A prioridade é/deveria ser valorizar a posse através da troca de passes ou é/deveria ser o contra ataque? Controlar o jogo com a bola ou controlar o jogo sem a bola? Afinal, qual deveria ser a prioridade da seleção pentacampeã do mundo?

Parece-me evidente que a resposta é a primeira opção. Parece-me evidente que a seleção brasileira deveria propor o jogo com a bola, através da troca de passes curtos, pacientes e pensados, visando à criação de chances para o talento desequilibrar. No entanto o que vemos na prática, sob o comando de Dunga, é uma equipe que prioriza a marcação por zona no campo defensivo, a retomada e a transição rápida (com Felipão não era muito diferente). É o que o time sabe fazer. Nada muito além disso. Por essas e outras, Dunga deve adorar enfrentar a Argentina em Buenos Aires, por exemplo, pois ele pode adotar essa estratégia sem ser questionado. Quando analisamos o todo, contudo, é pouco. Não é o suficiente.

Claro. Contra a Argentina fora de casa é justificável, compreensível e até recomendável priorizar a marcação por zona, a ocupação dos espaços com linhas compactadas e sincronizadas, a roubada e o contra ataque. Legítimo. O problema é que a Seleção de Dunga, sem tirar seus méritos e dos atletas, só sabe jogar dessa maneira. Uma maneira menos complexa, digamos assim – tanto é que são poucos no mundo (clubes e seleções) que conseguem valorizar a posse de bola à troca de passes inteligentes e eficientes. Quando a Seleção precisa propor o jogo com a bola, entretanto (ou seja, na maioria das partidas), os comandados de Dunga meio que não sabem o que fazer (as ações são resumidas nas saídas com os laterais, na bola longa e, claro, na genialidade de Neymar).

Particularmente tenho convicção de que a Seleção deveria ser uma dessas raras equipes no mundo que controlam o jogo com a bola, estilo Guardiola mesmo (Guardiola é o exemplo extremo, mas existem outros que adotam a mesma filosofia), pois há material humano para isso (Coutinho, Lucas Lima, Willian, Oscar, Casemiro, Fernandinho, Luiz Gustavo, Hernanes, etc). Em contrapartida, tenho certeza de que Dunga, mesmo se quisesse fazer isso, não teria nem ideia de como fazê-lo, de como treinar o time para colocar em prática esse modelo de jogo. Em outras palavras, o Brasil tem sim material humano, dentro de campo, para ser protagonista com a bola. Mas não tem material humano de qualidade no comando. A começar pelo treinador, que nem treinador é.

quinta-feira, outubro 15, 2015

Galo coloca Inter no bolso

Compactação nas fases defensiva e ofensiva, aproximação, movimentação, sincronia, troca de passes curtos, intensidade, chances criadas. Esse foi o Atlético-MG diante do Internacional, no Independência, nesta quarta, pela 30ª rodada do Brasileirão. Apesar da vitória magra no placar (2 a 1), foi um banho de bola do time de Levir no time de Argel.

Claro. Levir está há mais tempo no cargo que Argel. Naturalmente o Galo deveria estar, como está, num estágio mais avançado que o Inter (está alguns estágios mais avançado, na verdade). No entanto não é apenas o tempo de casa do treinador que determinou a superioridade do Atlético (tampouco o fator casa). Seria simplório demais chegar a essa conclusão baseado apenas nisso. Vários fatores pesaram na balança, e talvez o principal deles seja a diferença entre os treinadores (sem falar nos jogadores, claro).

Se por um lado o Atlético sabia direitinho o que fazer quando tinha a posse, do outro o Inter não tinha nem ideia. Embora o adversário fosse o Atlético no Independência (ou seja, osso duro), o Colorado deixou a desejar quando a recuperava. Com Nilton, Dourado, Anderson e Alex no meio, e Ernando na lateral, o contra ataque praticamente não existiu. Não havia peças para isso. O que me levou a pensar que a estratégia de Argel, se é que ele tinha uma, era segurar a pressão e tentar vencer na bola longa ou aérea (o gol do Inter, de empate, saiu num escanteio, com o zagueiro Paulão). Convenhamos, é muito pouco.

Em outras palavras, o repertório do Inter na fase ofensiva foi limitadíssimo. Como me parece ser seu treinador: limitadíssimo. Parece-me que não dá para esperar de Argel muito além disso. Um time bastante físico, com atletas altos e fortes, que marca muito e sai no contra ataque (isso quando tem peças em campo para contra atacar, senão o repertório fica mais limitado, restrito à bola aérea e às jogadas individuais fortuitas, que sempre podem ocorrer e decidir uma partida). De fato, faltam boas ideias de jogo para Argel, e sua equipe é um reflexo disso dentro das quatro linhas. No Atlético, em contrapartida, as ideias de jogo são inteligentes, definidas e assimiladas. Reflexo de Levir.

domingo, outubro 04, 2015

Bayern atropela Dortmund

Na prática, um 3-3-4. Com a bola, foi assim que o Bayern de Guardiola se posicionou, diante do Borussia Dortmund, neste domingo, na Allianz Arena, pela 8ª rodada da Bundesliga: num 3-3-4. Com a posse, o lateral-direito Lahm ocupava o corredor central, para evitar a inferioridade numérica no setor, ao lado de Thiago (Alonso cabeça de área), de modo que Müller se somava a Lewandowski no ataque, e Götze e Douglas Costa davam amplitude, colados às linhas laterais (a linha de fundo era deles). Na defesa, Alaba, Boateng e Javi Martínez marcavam Aubameyang e Mkhitaryan.



No 4-4-2 em losango do treinador Thomas Tuchel, Aubameyang e Mkhitaryan atuaram abertos (Reus começou no banco e entrou no segundo tempo), com Kagawa enganche (vs Alonso), o jovem Weigl à frente da zaga, Gündogan na maior parte do tempo duelando com Thiago, e Sokratis na lateral direita, para marcar o já conhecido Douglas Costa. Como era de se esperar, fora de casa, a estratégia do BVB estava voltada ao contra ataque. No entanto, o contra golpe amarelo não pintou e bordou, como de costume, pois do outro lado havia uma equipe que sabe e soube neutralizar o adversário. E que conta com um grande goleiro (Neuer fez umas duas ou três defesas difíceis).

A superioridade do Bayern ficou refletida no placar final: 5 a 1. Müller fez dois, Lewandowski fez dois e Götze um; Aubameyang fez o de honra do Dortmund. Um massacre. Mais um na temporada 2015/16, imposto pelo time mais bem treinado da atualidade. Em seu terceiro ano no clube alemão, mais do que nunca, Guardiola tem a equipe nas mãos. Mais do que nunca os jogadores têm assimiladas suas ideias de jogo, seus conceitos. Sem abrir mão de sua filosofia, mas sempre agregando variações ao repertório (dois gols contra o Dortmund nasceram de passes longos de Boateng, por exemplo), Pep vai conduzindo o Bayern a outra temporada espetacular, suportado pela fase iluminada de jogadores como Lewandowski, Thiago, Douglas Costa e etc. Sem dúvida, é o time a ser batido na Europa.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Por que o Bayern é o favorito

Quando a temporada passada acabou, empolgado, eu dizia: o favorito ao título da Champions League 2015/16 é o Barcelona do trio MSN. Fácil. Em especial, claro, por causa do trio MSN. “Com eles, o Barça sempre será o favorito”, eu dizia. Após ler Guardiola Confidencial, no entanto, me dei conta que não é bem assim. O buraco é mais embaixo. Após a conquista da tríplice coroa, o relaxamento é inevitável. E, convenhamos, Luis Enrique não parece ser o cara que irá colocar o Barcelona num patamar acima logo na temporada seguinte à conquista da tríplice coroa, né? Sem falar nas lesões que já rolaram (Messi, Iniesta) e nas que podem rolar.

Sem dúvida, entretanto, o relaxamento após uma temporada tão vitoriosa como a do Barcelona 2014/15, mais do que físico, é mental (sem falar numa possível estagnação tática). Soma-se a isso eventuais problemas físicos, e a probabilidade do bicampeonato torna-se compreensivelmente menor do que eu imaginava. O que não quer dizer que o Barcelona não possa engrenar na reta final da UCL e faturar o bi. Afinal, estamos falando de um time com Messi, Suárez e Neymar, os três atacantes que mais desequilibram individualmente no futebol mundial atual (no momento, Suárez e Lewandowski são os melhores centroavantes, os melhores noves).



Relaxamento à parte, outro fator que pesa contra o Barça e contra minha ideia precipitada de que com o trio MSN os culés seriam favoritos a tudo, mesmo após ter ganhado tudo, é o crescimento dos rivais. Em especial, o crescimento do Bayern de Guardiola. O PSG, agora com Di María, também vem mais forte. E o Real Madrid é sempre o Real Madrid. Porém, em especial, pesa o crescimento do Bayern de Guardiola. Pois estamos falando do time com o melhor treinador e o melhor elenco da competição (veja aqui o Top 10 elencos). Sem falar que este é o terceiro ano de Pep em Munique.

Ou seja, baseado numa premissa básica de evolução, o Bayern 2015/16, dentro de campo, é melhor que o 2014/15, que é melhor que o 2013/14. Dentro de campo. Se vai conquistar a UCL 2015/16, são outros quinhentos, já que no mata-mata tudo pode acontecer, qualquer um pode matar, qualquer um pode morrer. Uma bola na trave ou um pênalti mal marcado pode definir o destino. No entanto, justamente por ser o terceiro ano de Guardiola (o Messi dos treinadores – tem ele, e tem o resto), por estar com o elenco reforçado e com atletas em fase esplendorosa (Douglas Costa, Thiago, Lewandowski), aliado à inevitável ressaca da tríplice coroa do Barcelona, o Bayern surge como o time a ser batido na Champions League.

quinta-feira, setembro 03, 2015

Top 10 elencos da Europa 2015/16

A discordância é livre.

1. Fußball-Club Bayern München



2. Real Madrid Club de Fútbol



3. Futbol Club Barcelona



4. Paris Saint-Germain Football Club



5. Manchester City Football Club



6. Chelsea Football Club



7. Manchester United Football Club



8. Juventus Football Club



9. Arsenal Football Club



10. Club Atlético de Madrid



PS: Os esquemas táticos das pranchetas acima, as ordens de titularidade e as distribuições dos jogadores naturalmente não devem estar 100% corretas. Sem falar em um ou outro atleta que possa ter ficado de fora.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Brasil tem futebol de ponta

Guardiola deu a deixa. Disse que o Brasil vai voltar a triunfar quando voltar a jogar com pontas. Concordo. Você que me segue no Twitter, aliás, sabe que eu sempre fui contra, por exemplo, Oscar pela beirada (o próprio certamente também). Além de matar a faixa central, pois você tira dali seu melhor meia, você compromete o rendimento pelo flanco, já que Oscar está longe de ser um winger. (Sem falar na exposição do jogador.) Foi assim com Felipão na Copa do Mundo, e está sendo agora com Dunga. Ou seja, insiste-se no erro mesmo após o 7 a 1. Isso em nome: burrice.

Também sempre fui contra tirar Neymar da sua praia - a ponta esquerda - para deixá-lo "livre" no ataque para "decidir". Para ficar mais "próximo" da área, argumentam alguns. Foi assim com Felipão na Copa, e está sendo agora com Dunga. Respeito e compreendo quem é a favor dessa ideia, de deixar o craque do time "livre" para "decidir". Mas discordo com unhas e dentes. Desde sempre. Pois na minha cabeça está claro e evidente que Neymar é ponta, e ponto final. Sempre fui contra essa ideia, e serei ainda mais, depois desta declaração do melhor treinador do mundo. (Sem falar na carga emocional que se cria sobre o indivíduo quando o deixam "livre" para "decidir".)



Guardiola não disse explicitamente que jogaria com Neymar na ponta. Eu sei. Mas a conclusão que eu chego ao ler sua colocação é bastante simples: já que vou jogar com pontas do ramo, vou escolher os melhores. Logo, a ponta esquerda é de Neymar, e isso não se discute, pois trata-se do melhor ponta-esquerda da atualidade. Não só do Brasil, mas do mundo. Cristiano Ronaldo? Podemos discutir, mas não agora. O fato é que Neymar é um ponta-esquerda espetacular, mas que na Seleção precisa ser o faz-tudo com a bola, ao passo que as beiradas ficam com o meia Oscar ou o volante Fred, quando deveriam ficar com pontas de ofício, velozes e dribladores.

De qualquer forma, é bom ponderarmos um pequeno detalhe: Dunga não é treinador de futebol. Estar no cargo não faz dele um treinador. Se colocassem um cone para treinar a Seleção, por exemplo, e se ela ganhasse uns jogos (o que seria bem possível), você iria dizer que o cone é treinador? Iria dizer que o trabalho do cone é bom? Espero que não. Portanto, olho aberto na hora de engolir mentiras enlatadas que nos vendem por aí. Onde quero chegar com isso? O que quero dizer? Quero dizer que muitas de nossas discussões são, infelizmente, em vão. Enquanto Dunga for o "treinador" da Seleção, muitos de nossos debates serão em vão. Em relação aos pontas, honestamente, creio que ele sequer entendeu o que Guardiola quis dizer, por exemplo.

quinta-feira, agosto 06, 2015

As possibilidades do PSG com Di María

A chegada de Di María coloca o PSG em outro patamar. Com o argentino no XI, a chance de sucesso na Champions League – o grande objetivo do clube – aumenta consideravelmente. Não estou dizendo que com ele o PSG passa a ser o grande favorito. Não é isso. Longe disso. Outros times estão na frente nessa fila, em especial o Barcelona de Messi, Suárez e Neymar – esse sim, o grande favorito. No entanto, com Di María, a equipe da França se torna mais equilibrada e, consequentemente, mais preparada para ir mais longe na UCL. Se irá ou não, são outros quinhentos.



Di María chega (contrato até 2019) para ocupar uma posição "carente" no elenco do Paris. Digo carente, mesmo que entre aspas, porque nas últimas duas temporadas a primeira opção para a ponta esquerda foi Cavani (Pastore a segunda e Lavezzi a terceira). Ou seja, o 4-1-4-1 de Blanc nunca teve um winger de ofício à esquerda – como teve à direita, por exemplo, com Lucas. Nas últimas duas temporadas, portanto, o treinador sempre "improvisou" na esquerda. Ninguém da posição, com característica de ponta, jogou por ali. (E ainda assim, foi bem na Champions.) Agora, com Di María, um dos melhores wingers do mundo (embora ele também renda pela faixa central), enfim o time não deve mais ter um centroavante puro-sangue como Cavani "sacrificado" na beirada do campo (o que, convenhamos, era um desperdício). Agora, com Di María, o time deve ter alguém do ramo pelo flanco. E, consequentemente, ficar mais equilibrado.



Inicialmente pensei nesse 4-4-2 em linha da prancheta acima. Bom. Na verdade, se sem Di María eu já o considerava o esquema tático ideal para acomodar Ibrahimovic e Cavani, agora, então, com Di María, nem se fala. Linha de quatro na defesa, Verratti e Matuidi por dentro, Lucas e Di María pelas beiradas, mais Ibrahimovic e Cavani no ataque. Um 4-4-2 muito bem balanceado, com dois wingers de elite (velocidade, drible, cruzamento), dois volantes complementares (um técnico, com visão de jogo e passe qualificado, e outro com poder de infiltração), e dois atacantes extremamente goleadores, que também sabem jogar longe da área (em especial Ibrahimovic). Na teoria, convenhamos, um espetáculo. Na prática, porém, talvez nem chegue a existir, uma vez que, ao que tudo indica, Zlatan (33 anos) deve sair. Se confirmada essa saída, não só Cavani será beneficiado, pois voltará a jogar como nove, mas também o PSG em si, o time em si, no sentido coletivo, pois ficará mais equilibrado, em todos os sentidos. Se assim for, o 4-4-2 em linha se tornará inadequado e improvável, e a tendência será/é a manutenção do 4-1-4-1.



Dessa forma, Cavani assume a posição que era de Ibrahimovic, e Di María a que era de Cavani, digamos assim, em relação à temporada passada. Sem dúvida alguma, um XI mais próximo do ponto de equilíbrio, com um camisa nove matador e dois pontas de verdade. Embora Lucas e Di María não sejam extremos goleadores (raros são), nesse esquema, com Cavani na referência, eles devem contribuir e muito para o time. Além da velocidade e dos dribles, ambos devem se destacar nos cruzamentos, uma vez que o destro deve atuar pela direita e o canhoto pela esquerda. Em outras palavras, Cavani tem tudo para fazer um caminhão de gols. Outro detalhe é a eficiência de Lucas e Di María na recomposição. O desempenho deles na fase defensiva é digno de nota (sem falar que, na fase ofensiva, eles são letais na transição).

E não é só o setor ofensivo que fica mais equilibrado nesse 4-1-4-1, com essas peças. O meio de campo também. Pois, se no 4-4-2 em linha cogitado por mim, por exemplo, a equipe tem em tese apenas dois homens no meio campo (Verratti e Matuidi), no 4-1-4-1 são três: Verratti e Matuidi nas meias – como foi na temporada passada, por sinal –, mais o cabeça de área. É uma questão numérica. Três mais que dois. A pergunta é: quem será o cabeça de área? Se Thiago Motta não sair, evidentemente deve ser ele. Caso contrário, Rabiot e Stambouli devem disputar essa vaga. Ou (esta opção é boa demais para ser verdade) Blanc pode optar por Verratti à frente da zaga, e Pastore e Matuidi nas meias. Convenhamos, no papel, uma senhora meiuca. Enfim. De qualquer forma, no fim das contas, são apenas especulações da minha parte. Agora nos resta esperar para ver o que o treinador realmente tem em mente.

PS: Antes de falar que Di María não deu certo no Manchester United, lembre-se de van Gaal, beleza?