terça-feira, maio 19, 2015

XI da Premier League 2014/15

Às vésperas da última rodada, publico minha seleção do campeonato.

A corneta é livre.



PS: Coutinho não entrou porque algumas de suas grandes exibições na temporada foram pela FA Cup, e não pela Premier League. E não entrou também porque ficaria mais fácil para encaixar Agüero e Kane no XI.

segunda-feira, maio 18, 2015

O dedo de Messi

Vale refrescar a memória. O time só engrenou quando Messi passou para a ponta direita e Suárez foi jogar como centroavante. Até então, nas primeiras partidas da temporada 2014/15, com o uruguaio em campo (lembre-se que ele perdeu dois meses da temporada devido à punição da FIFA), Messi foi falso nove e Suárez ponta-direita. Isso mesmo. Nos primeiros jogos do trio MSN, Luis Suárez foi o ponta-direita, Neymar Jr. o ponta-esquerda e Lionel Messi o centroavante. Eis que, lá pelas tantas, o camisa 10 passou para a ponta direita, o camisa 9 passou a jogar como nove, e tudo mudou. Para melhor.



Quando Suárez foi contratado, aliás, visualizei de imediato o time no 4-3-3 habitual, com Messi numa ponta, Neymar na outra e ele como centroavante. Parecia-me tão óbvio. Não só para mim, mas para uma galera. Luis Enrique, no entanto, demorou a enxergar o óbvio. Em defesa do treinador, confesso que cheguei a pensar que Messi não queria voltar à ponta, que não queria abandonar o papel de falso nove (invenção de Pep), pois nunca fora tão goleador na carreira. Pensei, inclusive, que o desentendimento entre Luis Enrique e Messi, no começo da temporada, tinha a ver com isso. E talvez até tenha. Contudo, mais tarde fiquei sabendo que quem decidiu pelo retorno de Messi à ponta direita foi o próprio Messi! Numa rodada qualquer da Liga (ou neste jogo aqui contra o Ajax), ele inverteu com Suárez por iniciativa própria e ordenou ao ex-Liverpool: “fique por aí”. A partir disso, tudo mudou.

Portanto, quando a gente for enaltecer o trabalho de Luis Enrique, quando a gente for comparar seus números em sua primeira temporada como treinador do Barcelona com os números de Guardiola, por exemplo, a gente precisa se lembrar deste detalhe. A gente precisa se lembrar que o ponto de mutação que colocou a equipe e principalmente o trio MSN nos trilhos na temporada 2014/15 foi justamente o retorno do canhoto Messi à ponta direita, depois de tanto tempo jogando como falso nove (e o reposicionamento de Suárez como centroavante), vide esta prancheta. Ou seja, a grande mudança do Barcelona campeão espanhol e finalista da Champions League foi de ordem tática, e ela passou pelo dedo de Messi, não do treinador.

quinta-feira, maio 14, 2015

Há 10 anos Messi deitava na Juventus

"A noite em que o mundo descobriu Messi". Eis o título desta matéria aqui, publicada hoje no site do Barcelona, sobre o Troféu Gamper 2005, quando, aos 18 anos de idade, o gênio argentino deitou e rolou na Velha Senhora.

Nela o então treinador da Juventus Fabio Capello rasga elogios ao então camisa 30 culé: "Eu vi ele jogando por seleção de base da Argentina e me pareceu um bom jogador. Mas vê-lo no estádio é outra coisa, vestindo essa camisa (do Barcelona) e diante de tanta gente (no Camp Nou). Nunca vi um jogador com tanta qualidade."

Confira aqui os melhores momentos de Messi naquele amistoso.



Naquela noite o Barça alinhou Valdés; Gabri (Belletti), Oleguer (Edmilson), Puyol e Gio; Márquez, van Bommel e Iniesta (Eto'o); Messi (Giuly), Larsson (Maxi López) e Ronaldinho (Deco). Já a Juve foi a campo com Abbiati; Zebina (Balzaretti), Kovac, Cannavaro e Pessotto (Zalayeta); Camoranesi (Olivera), Giannichedda, Vieira e Chiellini (Blasi); Del Piero (Mutu) e Ibrahimovic (Trezeguet).

No fim das contas a Juventus levantou o troféu na decisão por pênaltis após o placar final ficar no 2 a 2, gols de Del Piero, Iniesta, Gio e Trezeguet (detalhe: o gol de Iniesta em linda assistência de Messi, aquela clássica dele, para a ponta esquerda). Agora, dez anos depois, o Barcelona de Messi, Suárez e Neymar (e Iniesta) enfrenta a Juventus de Pirlo, Pogba e Tevez na final da Champions League 2014/15, dia 6 de junho, em Berlim.

PS: Veja aqui os melhores momentos do jogo e aqui o jogo na íntegra.

quarta-feira, maio 13, 2015

Barcelona vs Juventus em Berlim

A lamentar, pelo lado dos desclassificados, os desfalques de peso nas semifinais. Diante do Barcelona, o Bayern não teve três titulares: Alaba, Robben e Ribéry. Só isso. Só o melhor lateral-esquerdo do mundo (embora tivesse jogado mais no meio campo e até como zagueiro na temporada) e só as duas opções de velocidade e habilidade pelas beiradas – sem falar nos gols, em especial de Robben, o artilheiro do time. Revelou-se, aliás, uma falha na composição do elenco bávaro, pois sem Robben e Ribéry aptos, o Bayern ficou sem pontas de ofício à disposição (Shaqiri, por exemplo, foi negociado na janela de inverno).

Já diante da Juventus, nas duas partidas, o Real Madrid não teve Luka Modric. Aparentemente apenas um titular, mas só aparentemente mesmo, uma vez que Modric é o melhor meio-campista do Madrid. É o croata quem pensa o jogo e quem o acelera quando necessário. É o cara mais completo do setor. É a peça mais vital de toda engrenagem merengue. É quem faz o coletivo funcionar. Logo, fez muita falta.

Dito isso, todavia, os méritos são totais de Barcelona e Juventus.



Méritos do time treinado por Luis Enrique e, principalmente, méritos da trinca sul-americana, que consegue o que raras conseguiram na história do futebol mundial: conciliar com solidariedade beleza e eficácia. Pois além do monte de gols que marcam, Messi, Suárez e Neymar Jr. transbordam parceria e magia. São dribladores e artilheiros natos – sem falar na qualidade no passe, nas assistências – e estão a cada dia mais entrosados. Já a Juventus chamou a atenção por sua postura no jogo do Bernabéu, em especial, quando ficou com a posse da bola durante boa parte do tempo, e trocou mais passes.

A troca de passes, diga-se de passagem, é o ponto forte da equipe treinada por Allegri. Distribuída no 4-4-2 em losango com Pirlo – o pé pensante – na cabeça de área, Marchisio e Pogba carrileros, e Vidal engache, noves fora Tevez e Morata no ataque, a Juventus valoriza a posse como poucos na competição. O “problema” é que o Barcelona também gosta de jogar com a bola, e só existe uma. Em outras palavras, a briga vai ser boa. Seja como for, o fato é que, devido ao talento e à eficiência do entrosado trio MSN, o Barça é o favorito na decisão da Champions League 2014/15, dia 6 de junho, em Berlim. Se vai ganhar ou não, são outros quinhentos. Trata-se de "apenas" um jogo e a Velha Senhora mostrou que está mais viva do que nunca.

terça-feira, maio 12, 2015

O jogador mais completo do mundo

Quando você está com a bola, você tem basicamente três alternativas para escolher uma, de acordo com a situação que se apresenta: driblar, passar ou finalizar. São os fundamentos do esporte. Fundamentos peculiares aos que jogam do meio para frente. E nesses três fundamentos, nenhum outro jogador em atividade no mundo é tão completo quanto Messi. Nenhum outro reúne esses três aspectos do futebol com tanta maestria quanto Messi.



Na UEFA Champions League 2014/15, por exemplo, Lionel Messi é quem mais dribles, assistências e gols concretiza (veja aqui). Só isso. E se você pegar os números gerais, envolvendo outras competições e outras temporadas, verá que, em regra, ele está no topo da tabela nos três quesitos. Outro exemplo mais amplo: é ele quem acumula o maior número de dribles bem sucedidos nas últimas seis edições da UCL (veja aqui). Isso tudo aos 27 anos de idade. Ou seja, deve encerrar a carreira, em termos de números, como o maior driblador, o maior assistente e o maior artilheiro da história da Champions League.

Isso serve, entre outras coisas, como evidência para dar suporte à tese de que se trata do jogador mais completo do mundo (e serve para colocá-lo no mais alto patamar, ao lado de Pelé, eu diria - eu e Juninho). Pois estamos falando do melhor nove, do melhor meia e do melhor ponta do mundo, todos no mesmo jogador. O cara que mais gols faz, o cara que mais assistências dá e o cara que mais dribles executa, todos reunidos no mesmo jogador. Todos reunidos no gênio argentino do Barcelona. O único gênio em atividade. Os outros, com todo respeito, são "apenas" craques.

segunda-feira, maio 11, 2015

O maior ponta desde Ronaldinho

Aos 23 anos de idade, Neymar já soma 50 gols em 87 jogos com a camisa do Barcelona (e 18 assistências). Foram 15 gols na temporada passada (a primeira pelo clube catalão), e 35 gols na atual, que ainda não acabou. No total, foram 38 de direita, 6 de esquerda e 6 de cabeça.

Veja abaixo todos os gols do craque brasileiro pelo Barça até aqui:



PS: Não é de hoje que digo que Neymar é o maior ponta-esquerda do Barcelona desde Ronaldinho, vide este post aqui e tantos outros.

sábado, maio 09, 2015

Antoine Griezmann, a bola da vez

Se você pensar no futebol jogado dentro de campo, logo em sua primeira temporada pelo clube, no retorno "imediato", nos números, na idade do jogador, no preço pago por ele e no seu potencial de mercado, não tenho dúvida de que a melhor contratação da última janela do verão europeu foi feita pelo Atlético de Madrid e atende pelo nome de Antoine Griezmann.



Salvo engano, embora canhoto, ele sempre jogou pela ponta esquerda (digo embora porque é comum o canhoto jogar na direita e o destro na esquerda, para trazer a bola para dentro com mais facilidade e ampliar o campo de jogo para o passe, o drible, a finalização). Foi atuando na ponta esquerda da Real Sociedad (veja aqui uma prancheta no Zonal Marking e aqui um vídeo no ScoutNation) que ele chamou a atenção dos olhos atentos da Europa, e não à toa acabou no Atlético.

Não quero dizer que ele renda apenas na ponta esquerda. Pelo contrário. É versátil. Joga também na direita e pela faixa central. E até mesmo no ataque, como aconteceu nesta temporada, pois no 4-4-2 em linha de Simeone, foi escalado próximo ao nove. Quando ele foi contratado, diga-se de passagem, confesso que o imaginei aberto à esquerda, com Koke por dentro e Arda à direita, num 4-2-3-1. O que se viu na prática, no entanto, foi a manutenção do bom e velho 4-4-2 em linha, com Griezmann e Mandzukic formando a dupla de frente.

E ele se encaixou à perfeição no time de Simeone nesse papel (méritos do jogador e do treinador). Caiu como uma luva. Tanto é que hoje, sábado, neste exato momento, a poucas horas da 36ª rodada da Liga começar, Griezmann soma 22 gols em 34 jogos na competição. Detalhe: nenhum de pênalti. Acima dele na tabela dos artilheiros, somente Messi e Cristiano Ronaldo. Tá bom ou quer mais?



Na verdade seu faro de gol já havia se revelado aguçado na temporada passada, quando, para um ponta com característica de meia, digamos assim, ele balançara as redes várias vezes no campeonato espanhol: 16 gols em 35 jogos. Bela marca. Ainda assim, creio que em sua primeira temporada com a camisa do Atlético ele superou a expectativa, que já era positiva, da maioria das pessoas, inclusive a minha. Insisto: 22 gols em 34 jogos (a três rodadas do fim do torneio), aos 24 anos de idade, atrás apenas de Messi e Cristiano Ronaldo, não é pouca coisa.

É bom lembrar isto. Griezmann é relativamente novo. Partindo do princípio de que hoje em dia o jogador profissional de alto nível atinge seu auge lá pelos 28, 29, 30 anos, Griezmann ainda tem muito a crescer. E isso significa, entre outras coisas, que o Atlético fez um ótimo negócio (para variar). Pois pagou € 30 milhões por ele, teve seus excelentes serviços prestados, e deve vendê-lo, se não na próxima janela de verão, talvez na seguinte, por, sei lá, no mínimo € 50 milhões.

Na verdade sua multa rescisória é de € 65 milhões. E pelo visto o Chelsea já está na jogada. Se você lembrar que na última janela de verão, na mesma tacada, Courtois, que estava emprestado, Filipe Luís e Diego Costa trocaram o Vicente Calderón pelo Stamford Bridge, não fica difícil visualizar Griezmann no Chelsea 2015/16 ou 2016/17, né? Por sinal, tem se falado que Godín e Koke também estão na reta. Enfim. Seja como for, indo para o Chelsea, para outro clube ou permanecendo no Atlético, o fato é que em 2014/15 Antoine Griezmann se firma como um dos grandes jogadores do futebol mundial.

Confira lances dele na temporada: 

sexta-feira, maio 08, 2015

Verratti é um Pirlo melhorado

Calma. O tempo mostrará isso. Aguarde. Estou apenas me antecipando.



Desde que pintou no Pescara e desde que foi levado ao Paris Saint-Germain por Leonardo e Ancelotti, Verratti tem sido comparado com Pirlo por questões evidentes: são italianos e jogam mais ou menos na mesma posição, executam mais ou menos a mesma função (digo mais ou menos porque Verratti é mais versátil que Pirlo). E desde então ele tem mostrado dentro de campo por que essa comparação tem cabimento.

Mas vou além. Verratti me parece ser melhor que Pirlo. Me parece ser mais completo. No fim das contas, ao pesar todos os atributos de ambos, positivos e negativos, ao comparar o nível de execução de todos os fundamentos do esporte, me parece que Verratti é melhor/mais completo que Pirlo. Não vejo em Pirlo, nem no melhor Pirlo da carreira, seja ele qual for, por exemplo, a capacidade de drible e desarme que Verratti possui (sem falar na "raça" de Verratti). Tampouco a aceleração. Ou seja, o meio-campista do PSG é mais polivalente, o que permite ao treinador escalá-lo em diferentes lugares no esquema tático.

Pode-se argumentar que no fundamento passe Pirlo é superior. Pode ser. Embora o passe de Verratti seja excelente (curto, médio e longo), pode ser que o passe de Pirlo (curto, médio e longo) seja mesmo melhor (sem falar na bola parada de Pirlo). Ainda assim, essa diferença não é tão grande quanto é no desarme e no drible de Verratti em relação a Pirlo. Como disse, no fim das contas, na balança, identifico mais pontos a favor do volante de 22 anos, e o tempo mostrará isso. Se Verratti vai ganhar os títulos que Pirlo (35 anos) ganhou na carreira, são outros quinhentos. Resta-nos aguardar. E, claro, desfrutar.

Enquanto isso, confira lances de Verratti na temporada:

A raiz do problema está no calendário

O campeonato começa neste fim de semana, mas no momento só se fala de outras coisas: Libertadores, São Paulo, Cruzeiro, Internacional, Atlético-MG, Corinthians, River, Boca, Messi, Champions League, Depay, transferências da janela europeia de verão, etc. Sobre o Brasileirão, coitado, o pouco que se fala é o seguinte: os ditos titulares dos participantes da Libertadores serão poupados na primeira rodada, nas partidas Atlético-PR vs Inter, Palmeiras vs Atlético-MG, São Paulo vs Flamengo e Cruzeiro vs Corinthians. Só isso. De fato não nos damos conta de que os três pontos da primeira rodada valem os mesmos três pontos da última rodada.

Aí eu te pergunto: tem cabimento? Tem cabimento a primeira rodada do campeonato mais importante do país acontecer justamente entre os jogos de ida e volta das oitavas de final do torneio mais importante do continente? Tem cabimento a abertura dos pontos corridos, do certame base da temporada, acontecer justamente no fim de semana entre os confrontos que dão início ao mata-mata - a fase mais importante - da Libertadores? Te respondo: não tem cabimento. Mas o problema é que a gente não se dá conta disto. A gente não se dá conta do quão nocivo é para o futebol brasileiro o Brasileirão começar somente no quarto mês da temporada. E o quão nocivo é a Libertadores ser disputada somente em um semestre (no caso, no primeiro semestre do ano) e não em dois.

Já escrevi sobre o calendário em outras oportunidades, aliás. Se não me engano o primeiro post foi este aqui, publicado em setembro de 2013. Nele tratei da questão das datas FIFA, da Copa Libertadores e do mercado de transferências. Já em fevereiro deste ano, publiquei o texto "Libertem a Libertadores!", onde trato exclusivamente da questão da Libertadores. Leia aqui.

O problema está diante de nossos olhos há tempos. Mas qual a solução?

Em minha opinião a solução (uma das medidas) seria o Brasileirão começar no começo da temporada (não é tão óbvio que uma coisa deva começar no começo?). Começar o quanto antes, para que os jogos da temporada fossem melhores distribuídos. Para que os times que não se classificassem às fases finais ou à final do estadual, por exemplo, não ficassem sem atuar por um tempo, como aconteceu com o Corinthians há pouco, que ficou quinze dias treinando. (Os estaduais também poderiam/deveriam ser disputados em dois semestres, mas não quero entrar nessa discussão neste post, apesar dela fazer uma bela parte do problema.) Porém não resolveria muito o Brasileirão começar no começo da temporada se a Libertadores continuasse terminando no meio dela (não é tão óbvio que uma coisa deva acabar no fim e não no meio?). Logo, da mesma forma que o Brasileirão precisa começar no começo da temporada, a Libertadores precisa terminar no final dela (leia mais sobre isso aqui).

Uma questão de tempo

Pare e pense. O mata-mata da Champions League começa cinco meses após o início da fase de grupos. Já o mata-mata da Copa Libertadores começa dois meses e meio após o início da fase de grupos. O dobro de tempo. O que isso significa? Muitas coisas.



Entre outras, significa que os times da Champions League têm duas vezes mais tempo para se desenvolver (lembre-se que muitos deles com o elenco reformulado, com peças diferentes no XI, nomes que chegaram e nomes que saíram na janela de transferências de verão) e que têm mais chances de entrarem nas oitavas de final da competição num estágio de evolução mais avançado. Significa que os times, ambos os adversários, entram na fase de mata-mata em tese mais preparados para matar do que para morrer – o que sem dúvida eleva o nível da disputa.

Significa também que se um jogador se machucar e ficar, sei lá, uns quatro meses no estaleiro, ele terá tempo para se recuperar e possivelmente não vai perder a competição praticamente toda, como aconteceria na Libertadores. Se, sei lá, Modric ou Thiago Alcântara jogasse na Libertadores e ficasse uns quatro meses parado, perderia praticamente toda a competição de clubes mais importante do continente. Na Liga dos Campeões, em contrapartida, a probabilidade dele se recuperar em tempo seria bem maior, uma vez que ela é disputada em dois semestres e não apenas em um (isso também se aplica a pequenas lesões musculares, por exemplo, já que o intervalo entre os jogos é maior, já que os jogos são mais espaçados).

Enfim. Em outras palavras, no fim das contas, entre outras coisas (inclusive sob o ponto de vista mercadológico), significa que a qualidade do produto final aumenta com o dobro de tempo para se treinar/jogar, com o dobro de tempo para se evoluir. Pois a partir das oitavas de final (a melhor parte!) os dezesseis classificados já estão em tese num estágio de maturidade mais avançado do que se tivessem entrado nas oitavas com a metade de tempo para treinar/jogar, com a metade de tempo para evoluir. Embora o futebol não seja uma ciência exata, é uma questão matemática, simples assim. E isso faz sim diferença no nível do espetáculo (claro, desde que haja qualidade e competência por parte dos jogadores e principalmente dos treinadores envolvidos; se o treinador for ruim, não há tempo que resolva).

quarta-feira, maio 06, 2015

O gênio entre craques

A comparação é Messi ou Pelé sim senhor. Não me venha com essa de que Pelé é incomparável. Nenhum reinado é eterno. (Se você não gosta desses tipos de comparações, nos faça um favor e pare de ler este post.) Messi ou Maradona? Nah. Essa já ficou para trás. Messi ou Cristiano Ronaldo? Nah. Essa sequer existe, embora tantos insistam. O português pode ganhar mais dez Bolas de Ouro que essa jamais irá existir. Pelo menos não no campo e bola. No futebol jogado dentro das quatro linhas (não nos números), essa comparação jamais irá existir. Pelo menos não na minha cabeça. Messi muito acima, indiscutivelmente. Na boa. A comparação não cabe. Nem com Cristiano Ronaldo, nem com nenhum outro jogador em atividade hoje. Messi é gênio. O resto é craque.



Messi ou Pelé? Não sei. Não vi Pelé, então não posso opinar. Mas entendo que é preciso pesar os contextos históricos nessa comparação (dentro de campo e fora dele). Como por exemplo: Pelé jogou numa época em que o futebol brasileiro não estava tão atrás do futebol europeu, como acontece hoje. Podem argumentar, por exemplo, que Pelé fez muitos gols e ganhou muitos troféus em campeonato estadual. Verdade. Porém lembro que numa época em que o estadual não era tão pobre quanto hoje. A distância entre o futebol jogado no Brasil e o jogado na Europa não era tão grande quanto hoje. De qualquer forma, o fato é que ele marcou mais de mil gols e etc. Se Pelé nunca jogou na Europa, fazer o quê? Azar da Europa. E outro ponto a favor do brasileiro é que ele ganhou três Copas do Mundo (só isso). A primeira aos 17 anos de idade, com direito a golaço na final e tudo mais, enquanto Messi não ganhou nenhuma.

É bom lembrar, contudo, que Messi tem "apenas" 27 anos. Sua carreira está longe de ser encerrada e há no mínimo mais uma Copa do Mundo pela frente. Vai ganhar três como Pelé? Claro que não. Mas ainda pode ganhar uma. E se não ganhar, azar da Copa do Mundo! Tenho dito no Twitter, aliás, e reitero a afirmação aqui: Lionel Messi vive seu melhor momento na carreira. O Messi da temporada 2014/15 é melhor e mais completo que todos os outros Messis das outras temporadas. Considerando todos os fatores na balança (o lado físico, o lado técnico, o lado tático, o lado emocional – experiência), não tenho dúvida de que o Messi 2014/15 supera os anteriores, independentemente de prêmios individuais (Bola de Ouro) ou títulos conquistados com o time (UCL, La Liga, etc).

Enfim. Como disse, não tenho resposta para a pergunta Messi ou Pelé? E honestamente creio que ela nunca será respondida com justiça – se é que isso é possível – porque os caras que viram Pelé são caras mais velhos que, por uma série de motivos, hoje em dia não acompanham o futebol europeu, não veem Messi como poderiam, portanto não podem opinar com precisão. Sem falar na parcialidade, pois são brasileiros, Messi é argentino, e segundo Galvão Bueno nos ensinou, nós brasileiros odiamos argentinos (ah, e sem falar nos que já morreram). É sempre bom lembrar também que na época de Pelé a acessibilidade aos seus jogos era muito menor. Muito mais pessoas veem Messi em ação do que viram Pelé, especialmente por uma questão tecnológica. Em outras palavras, Pelé ou Messi? será uma incógnita para sempre. Dito isso, ainda assim, o fato é que hoje, em atividade no planeta bola, não tem comparação com ninguém. Messi é o único gênio. O resto é craque. De diferentes níveis, mas craques. Gênio, só um.